{"id":8842,"date":"2026-03-31T06:10:58","date_gmt":"2026-03-31T05:10:58","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8842"},"modified":"2026-03-31T06:10:59","modified_gmt":"2026-03-31T05:10:59","slug":"o-efeito-semelhante-ao-de-um-motor-de-carro-que-aquece-a-nossa-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/03\/31\/o-efeito-semelhante-ao-de-um-motor-de-carro-que-aquece-a-nossa-via-lactea\/","title":{"rendered":"O efeito &#8220;semelhante ao de um motor de carro&#8221; que aquece a nossa Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ras.ac.uk\/sites\/default\/files\/2026-03\/Screenshot%202026-03-24%20at%2014.17.34.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"636\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WXf7GQKz_o-1024x636.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8843\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WXf7GQKz_o-1024x636.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WXf7GQKz_o-300x186.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WXf7GQKz_o-768x477.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WXf7GQKz_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica da Via L\u00e1ctea, com duas das suas gal\u00e1xias sat\u00e9lites &#8211; a Grande Nuvem de Magalh\u00e3es e a Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es &#8211; no canto inferior esquerdo.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Gaia\/DPAC, S. Payne-Wardenaar, L. McCallum et al (2025), Kevinmloch, F. Fraternali<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um novo estudo revelou que o halo de g\u00e1s quente da nossa Via L\u00e1ctea \u00e9 mais quente na &#8220;parte sul&#8221; do que na &#8220;parte norte&#8221;, devido a um efeito semelhante ao de um motor de combust\u00e3o interna que comprime o g\u00e1s como um pist\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Simula\u00e7\u00f5es computacionais revelam que a Grande Nuvem de Magalh\u00e3es &#8211; uma gal\u00e1xia sat\u00e9lite situada abaixo, ou no lado sul, da nossa &#8211; atrai a Via L\u00e1ctea, fazendo com que o g\u00e1s na metade sul do halo se comprima e aque\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo uma equipa de cientistas liderada pela Universidade de Groninga, nos Pa\u00edses Baixos, isto explica por que raz\u00e3o a metade sul do halo \u00e9 at\u00e9 12% mais quente do que a parte norte, acima do disco da Via L\u00e1ctea, uma discrep\u00e2ncia que foi medida em 2024 pelo observat\u00f3rio de raios X eROSITA, montado num telesc\u00f3pio espacial germano-russo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As suas descobertas foram publicadas na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas gal\u00e1xias, incluindo a nossa, est\u00e3o rodeadas por uma vasta esfera de mat\u00e9ria fina e quente, tamb\u00e9m conhecida como halo de g\u00e1s quente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas estimam que o halo gasoso da nossa Via L\u00e1ctea tenha uma massa de 100 mil milh\u00f5es de massas solares, o que significa que h\u00e1 mais mat\u00e9ria no halo do que no disco gal\u00e1ctico. O halo, que tem uma temperatura de cerca de 2 milh\u00f5es Kelvin (algumas centenas de vezes mais quente do que a superf\u00edcie do Sol), \u00e9 o &#8220;material de constru\u00e7\u00e3o&#8221; do disco de g\u00e1s e estrelas &#8211; incluindo o Sol &#8211; muito mais compacto e frio que se encontra no seu centro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Via L\u00e1ctea, nas simula\u00e7\u00f5es de computador, \u00e9 composta por tr\u00eas &#8220;componentes&#8221;: o disco em rota\u00e7\u00e3o com g\u00e1s relativamente frio, o g\u00e1s muito mais quente que o rodeia e um grande halo constitu\u00eddo por mat\u00e9ria escura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A chamada simula\u00e7\u00e3o hidrodin\u00e2mica calcula os movimentos destes tr\u00eas componentes, causados pela atra\u00e7\u00e3o gravitacional das Nuvens de Magalh\u00e3es &#8211; que est\u00e3o a passar muito perto da Via L\u00e1ctea -, ao longo de cerca de mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados mostram que o disco frio da Via L\u00e1ctea est\u00e1 atualmente a mover-se em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s gal\u00e1xias sat\u00e9lites a cerca de 40 quil\u00f3metros por segundo devido \u00e0 gravidade da Grande Nuvem de Magalh\u00e3es. Neste processo, a Via L\u00e1ctea comprime o g\u00e1s na parte inferior e o material aquece entre 13 e 20 por cento, de acordo com os c\u00e1lculos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A simula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m mostra que a diferen\u00e7a de temperatura entre as partes norte e sul do halo surgiu nos \u00faltimos 100 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Percebemos rapidamente, nas simula\u00e7\u00f5es, que havia um efeito de aquecimento&#8221;, afirmou Filippo Fraternali, professor de din\u00e2mica dos gases e evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias na Universidade de Groninga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Demor\u00e1mos um pouco mais a perceber o que se passa aqui &#8211; nomeadamente a compress\u00e3o do g\u00e1s, tal como no pist\u00e3o de um motor de combust\u00e3o interna, que depois \u00e9 aquecido e torna o lado sul do halo da nossa Via L\u00e1ctea mais quente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo os investigadores, as simula\u00e7\u00f5es podem tamb\u00e9m explicar mais assimetrias em torno da Via L\u00e1ctea. Por exemplo, observam-se muito mais das chamadas nuvens de alta velocidade no lado norte da Via L\u00e1ctea do que no lado sul. Estas regi\u00f5es de g\u00e1s &#8211; normalmente cerca de 100 vezes mais frias do que o material circundante &#8211; movem-se pela Gal\u00e1xia a velocidades altamente an\u00f3malas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A menor press\u00e3o do g\u00e1s circundante pode facilitar a forma\u00e7\u00e3o e a sobreviv\u00eancia dessas nuvens nesse local&#8221;, acrescentou Fraternali.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inicialmente, os investigadores n\u00e3o estavam \u00e0 procura do que descobriram. As simula\u00e7\u00f5es j\u00e1 tinham sido publicadas em 2019 como parte de uma tentativa de encontrar uma explica\u00e7\u00e3o para o movimento do g\u00e1s em torno das Nuvens de Magalh\u00e3es, entre outras coisas. Naquela altura, a diferen\u00e7a de temperatura ainda n\u00e3o tinha sido identificada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Normalmente, os modelos de computador s\u00e3o concebidos para explicar determinadas observa\u00e7\u00f5es. \u00c9 not\u00e1vel que estas simula\u00e7\u00f5es j\u00e1 inclu\u00edssem a assimetria de temperatura antes de ter sido descoberta. Isso torna este resultado ainda mais robusto&#8221;, afirmou Fraternali.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A coautora Else Starkenburg, professora associada da Universidade de Groningen, acrescentou: &#8220;A nossa explica\u00e7\u00e3o para a assimetria de temperatura medida pelo eROSITA baseia-se em processos f\u00edsicos simples e bem compreendidos, tal como os encontramos, por exemplo, nos motores de combust\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isso confere ao resultado uma eleg\u00e2ncia adicional&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/ras.ac.uk\/news-and-press\/research-highlights\/galactic-warming-car-engine-effect-heating-our-milky-way\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Real Sociedade Astron\u00f3mica (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/547\/4\/stag319\/8539669?login=false\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Grande Nuvem de Magalh\u00e3es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large_Magellanic_Cloud\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/xtra\/ngc\/lmc.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>eROSITA:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.mpe.mpg.de\/eROSITA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/EROSITA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo revelou que o halo de g\u00e1s quente da Via L\u00e1ctea \u00e9 mais quente no sul devido \u00e0 influ\u00eancia gravitacional da Grande Nuvem de Magalh\u00e3es. Este efeito comprime o g\u00e1s como um &#8220;pist\u00e3o&#8221;, aquecendo-o e criando uma diferen\u00e7a de temperatura, resolvendo uma assimetria observada recentemente.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8843,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16,1,59],"tags":[749,304,180],"class_list":["post-8842","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","category-via-lactea","tag-erosita","tag-grande-nuvem-de-magalhaes","tag-via-lactea"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8842","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8842"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8842\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8844,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8842\/revisions\/8844"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8843"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}