{"id":8840,"date":"2026-03-27T07:23:45","date_gmt":"2026-03-27T06:23:45","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8840"},"modified":"2026-03-27T07:23:47","modified_gmt":"2026-03-27T06:23:47","slug":"o-hubble-volta-a-observar-a-nebulosa-do-caranguejo-para-acompanhar-25-anos-de-expansao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/03\/27\/o-hubble-volta-a-observar-a-nebulosa-do-caranguejo-para-acompanhar-25-anos-de-expansao\/","title":{"rendered":"O Hubble volta a observar a Nebulosa do Caranguejo para acompanhar 25 anos de expans\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"https:\/\/cdn.esahubble.org\/archives\/videos\/hd_1080p25_screen\/heic2607a.mp4\"><\/video><figcaption class=\"wp-element-caption\">V\u00eddeo que alterna entre as imagens da Nebulosa do Caranguejo, obtidas em 1999 e em 2024, pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble. Veja\u00a0<a href=\"https:\/\/cdn.esahubble.org\/archives\/images\/large\/heic2607b.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui a imagem de 1999\/2000<\/a>\u00a0apenas e\u00a0<a href=\"https:\/\/cdn.esahubble.org\/archives\/images\/large\/heic2607a.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui apenas a imagem de 2024<\/a>.<br>Cr\u00e9dito: ci\u00eancia &#8211; NASA, ESA, STScI, W. Blair (JHU); v\u00eddeo &#8211; J. DePasquale (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quase um mil\u00e9nio, os astr\u00f3nomos testemunharam uma nova estrela brilhante a resplandecer no c\u00e9u &#8211; uma supernova t\u00e3o luminosa que foi vis\u00edvel \u00e0 luz do dia durante semanas. Hoje, o seu remanescente em expans\u00e3o, a Nebulosa do Caranguejo, continua a evoluir a 6500 anos-luz de dist\u00e2ncia. Associada pela primeira vez a registos hist\u00f3ricos por Edwin Hubble, a nebulosa tem sido, desde ent\u00e3o, estudada em pormenor pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA, que revisitou agora esta antiga explos\u00e3o para acompanhar a sua expans\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o cont\u00ednuas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um quarto de s\u00e9culo ap\u00f3s as suas primeiras observa\u00e7\u00f5es da Nebulosa do Caranguejo, o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble lan\u00e7ou um novo olhar sobre o remanescente de supernova. A Nebulosa do Caranguejo \u00e9 o resultado da SN 1054, localizada a 6500 anos-luz da Terra, na constela\u00e7\u00e3o de Touro.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado \u00e9 uma vis\u00e3o detalhada e sem paralelo do rescaldo de uma supernova e de como esta evoluiu durante a longa vida do Telesc\u00f3pio Hubble. Um artigo cient\u00edfico que detalha a nova observa\u00e7\u00e3o do Hubble foi publicado na revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p>O remanescente de supernova foi descoberto em meados do s\u00e9culo XVIII e, na d\u00e9cada de 1950, Edwin Hubble foi um dos v\u00e1rios astr\u00f3nomos que notaram a estreita correla\u00e7\u00e3o entre os registos astron\u00f3micos chineses de uma supernova e a posi\u00e7\u00e3o da Nebulosa do Caranguejo. A descoberta de que o cora\u00e7\u00e3o da Nebulosa do Caranguejo continha um pulsar &#8211; uma estrela de neutr\u00f5es em rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida &#8211; que impulsionava a expans\u00e3o da nebulosa, acabou por alinhar as observa\u00e7\u00f5es modernas com os registos antigos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua nova imagem da nebulosa, o Hubble captou detalhes extraordin\u00e1rios da sua estrutura filamentar, bem como o consider\u00e1vel movimento de expans\u00e3o desses filamentos ao longo de 25 anos, a uma velocidade de 5,5 milh\u00f5es de quil\u00f3metros por hora. O Hubble \u00e9 o \u00fanico telesc\u00f3pio que combina longevidade e resolu\u00e7\u00e3o, capaz de captar estas altera\u00e7\u00f5es detalhadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para uma melhor compara\u00e7\u00e3o com a nova imagem, a imagem da Nebulosa do Caranguejo captada pelo Hubble em 1999 foi reprocessada. A varia\u00e7\u00e3o de cores em ambas as imagens Hubble mostra uma combina\u00e7\u00e3o de altera\u00e7\u00f5es na temperatura local e na densidade do g\u00e1s, bem como na sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa cient\u00edfica observou que os filamentos na periferia da nebulosa parecem ter-se deslocado mais do que os do centro e que, em vez de se esticarem ao longo do tempo, parecem ter-se simplesmente deslocado para fora. Isto deve-se \u00e0 natureza do Caranguejo como uma nebulosa de vento de pulsar alimentada por radia\u00e7\u00e3o de sincrotr\u00e3o, criada pela intera\u00e7\u00e3o entre o campo magn\u00e9tico do pulsar e o material da nebulosa. Noutros remanescentes de supernova bem conhecidos, a expans\u00e3o \u00e9, pelo contr\u00e1rio, impulsionada por ondas de choque da explos\u00e3o inicial, erodindo as camadas de g\u00e1s circundantes que a estrela moribunda tinha anteriormente expelido.<\/p>\n\n\n\n<p>As novas observa\u00e7\u00f5es do Hubble, com maior resolu\u00e7\u00e3o, est\u00e3o tamb\u00e9m a fornecer novas informa\u00e7\u00f5es sobre a estrutura tridimensional da Nebulosa do Caranguejo, algo que pode ser dif\u00edcil de determinar a partir de uma imagem bidimensional. \u00c9 poss\u00edvel observar as sombras de alguns dos filamentos projetadas sobre a n\u00e9voa de radia\u00e7\u00e3o de sincrotr\u00e3o no interior da nebulosa. Contrariamente ao que seria de esperar, alguns dos filamentos mais brilhantes nas imagens mais recentes do Hubble n\u00e3o apresentam sombras, indicando que devem estar localizados no lado oposto da nebulosa.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a equipa cient\u00edfica, o verdadeiro valor das observa\u00e7\u00f5es da Nebulosa do Caranguejo, pelo Hubble, ainda est\u00e1 por vir. Os dados do Hubble podem ser combinados com dados recentes de outros telesc\u00f3pios que est\u00e3o a observar a Nebulosa do Caranguejo em diferentes comprimentos de onda da luz. O Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA\/ESA\/CSA divulgou as suas observa\u00e7\u00f5es infravermelhas da Nebulosa do Caranguejo em 2024. A compara\u00e7\u00e3o da imagem do Hubble com outras observa\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas em v\u00e1rios comprimentos de onda ajudar\u00e1 os cientistas a compor um quadro mais completo do cont\u00ednuo rescaldo da supernova, s\u00e9culos depois de os astr\u00f3nomos se terem questionado pela primeira vez acerca de uma nova estrelinha a cintilar no c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/esahubble.org\/news\/heic2607\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA\/Hubble (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/hubble\/nasas-hubble-revisits-crab-nebula-to-track-25-years-of-expansion\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ae2adc\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Nebulosa do Caranguejo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/m\/m001.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Crab_Nebula\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/SN_1054\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SN 1054 (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Remanescente de supernova:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/imagine.gsfc.nasa.gov\/science\/objects\/supernova_remnants.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova_remnant\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Supernova:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_II_supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Supernova do Tipo II (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pulsar do Caranguejo:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Crab_Pulsar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pulsares:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pulsar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estrelas de neutr\u00f5es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astro.umd.edu\/~miller\/nstar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Maryland<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Radia\u00e7\u00e3o de sincrotr\u00e3o:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Synchrotron_radiation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Telesc\u00f3pio Espacial Hubble voltou a observar a Nebulosa do Caranguejo, remanescente de uma supernova registada em 1054, revelando com grande detalhe a sua evolu\u00e7\u00e3o ao longo de 25 anos. As imagens mostram a expans\u00e3o r\u00e1pida dos seus filamentos e ajudam a compreender melhor a din\u00e2mica deste objeto c\u00f3smico.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7082,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,16,1],"tags":[313,150,1777,264,2060,860,1254],"class_list":["post-8840","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-estrelas-de-neutroes","tag-hubble","tag-m1","tag-pulsar","tag-pulsar-do-caranguejo","tag-remanescente-de-supernova","tag-supernova-do-tipo-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8840","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8840"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8840\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8841,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8840\/revisions\/8841"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7082"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8840"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8840"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8840"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}