{"id":8825,"date":"2026-03-24T07:17:17","date_gmt":"2026-03-24T06:17:17","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8825"},"modified":"2026-03-24T07:17:18","modified_gmt":"2026-03-24T06:17:18","slug":"como-duas-anas-castanhas-tenues-se-juntaram-para-brilhar-intensamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/03\/24\/como-duas-anas-castanhas-tenues-se-juntaram-para-brilhar-intensamente\/","title":{"rendered":"Como duas an\u00e3s castanhas t\u00e9nues se juntaram para brilhar intensamente"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/divisions-prod-assets.resources.caltech.edu\/root\/images\/tempImageCVjUHe.original.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/6DNsibwn_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8826\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/6DNsibwn_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/6DNsibwn_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/6DNsibwn_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/6DNsibwn_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os investigadores identificaram um par muito \u00edntimo de an\u00e3s castanhas, denominado ZTF J1239+8347, em que uma est\u00e1 a extrair ativamente mat\u00e9ria da outra, tal como ilustrado nesta representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Em \u00faltima an\u00e1lise, espera-se que as an\u00e3s castanhas se fundam para formar uma nova estrela; alternativamente, a an\u00e3 castanha que ganhar a massa extra ir\u00e1 inflamar-se para se tornar uma estrela. Seja como for, um par de estrelas falhadas ter\u00e1 criado uma estrela brilhante.<br>Cr\u00e9dito: Caltech\/R. Hurt (IPAC)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e3s castanhas t\u00eam m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o no mundo estelar, sendo frequentemente rotuladas como &#8220;estrelas falhadas&#8221; devido \u00e0 sua incapacidade de sustentar a fus\u00e3o nuclear nos seus n\u00facleos. A massa destes objetos situa-se entre a dos planetas e a das estrelas, variando entre 13 e 80 vezes a massa de J\u00fapiter. Como n\u00e3o s\u00e3o suficientemente massivas para sustentar a fus\u00e3o, s\u00e3o muito mais t\u00e9nues e frias do que as suas cong\u00e9neres estelares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, uma nova descoberta liderada por investigadores do Caltech mostra como estes corpos pouco luminosos podem unir-se para brilhar intensamente. Ao analisar observa\u00e7\u00f5es de arquivo captadas pelo ZTF (Zwicky Transient Facility) no Observat\u00f3rio Palomar, os investigadores identificaram um par \u00edntimo de an\u00e3s castanhas, no qual uma est\u00e1 ativamente a extrair material da outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em \u00faltima an\u00e1lise, espera-se que as an\u00e3s castanhas se fundam para formar uma nova estrela; alternativamente, a an\u00e3 castanha que ganha a massa extra ir\u00e1 inflamar-se para se tornar uma estrela. Seja como for, um par de estrelas falhadas ter\u00e1 criado uma estrela brilhante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As estrelas falhadas t\u00eam uma segunda oportunidade&#8221;, afirma Samuel Whitebook, estudante do Caltech e autor principal de um novo estudo acerca das descobertas publicado na revista The Astrophysical Journal Letters. &#8220;As an\u00e3s castanhas n\u00e3o t\u00eam motores internos como as estrelas, mas este resultado mostra que podem apresentar uma f\u00edsica din\u00e2mica muito interessante&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Whitebook trabalha com dois orientadores: Tom Prince, professor de f\u00edsica, e Dimitri Mawet, professor de astronomia e investigador s\u00e9nior no JPL da NASA. Tanto Prince como Mawet s\u00e3o coautores do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta \u00e9 in\u00e9dita: at\u00e9 agora, este tipo de transfer\u00eancia de massa entre objetos bin\u00e1rios s\u00f3 tinha sido observado em objetos muito mais pesados, como as an\u00e3s brancas, que s\u00e3o os cad\u00e1veres de estrelas como o nosso Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O par de an\u00e3s castanhas, denominado ZTF J1239+8347 (ou ZTF J1239, para abreviar), foi detetado depois de os cientistas terem analisado uma base de dados conhecida como ZVAR, ou ZTF Variability Archive, que \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o de dados de todo o c\u00e9u recolhidos repetidamente pelo ZTF desde 2017. A base de dados, que cont\u00e9m 2 mil milh\u00f5es de objetos, revela como esses objetos mudam ao longo do tempo. No caso de ZTF J1239, verificou-se que o objeto mudava significativamente de brilho a cada 57 minutos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma an\u00e1lise mais aprofundada da fonte revelou que se trata de um par de an\u00e3s castanhas pouco luminosas que intimamente se orbitam uma \u00e0 outra; na verdade, todo o sistema caberia na dist\u00e2ncia entre a Terra e a Lua. Os objetos, que t\u00eam aproximadamente 60 a 80 vezes a massa de J\u00fapiter, encontram-se a cerca de 1000 anos-luz de dist\u00e2ncia, na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o da Ursa Maior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas n\u00e3o t\u00eam a certeza de como os dois corpos celestes pouco luminosos se juntaram inicialmente; \u00e9 poss\u00edvel que uma terceira estrela as tenha aproximado gravitacionalmente a partir de sistemas distintos. Uma vez juntas, as estrelas teriam entrado numa espiral, aproximando-se cada vez mais, at\u00e9 que uma das an\u00e3s castanhas aumentou de tamanho devido \u00e0 influ\u00eancia gravitacional da outra, tornando-se menos densa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando a gravidade de uma estrela \u00e9 superada pela da outra, a mat\u00e9ria come\u00e7a a fluir da estrela menos densa para a mais densa&#8221;, diz Whitebook. &#8220;\u00c9 como se a mat\u00e9ria escorresse atrav\u00e9s de um bocal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este bocal direciona o material de uma an\u00e3 castanha para um ponto fixo na outra, que ent\u00e3o aquece e brilha com luz azul e ultravioleta. A rota\u00e7\u00e3o deste ponto quente, \u00e0 medida que as duas an\u00e3s castanhas giram uma \u00e0 volta da outra, levou \u00e0 curva de luz peri\u00f3dica observada pelo ZTF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora se saiba que outros tipos de estrelas transferem massa entre si, esta \u00e9 a primeira vez que tal acontece no mundo das an\u00e3s castanhas. &#8220;Estes s\u00e3o objetos muito ex\u00f3ticos&#8221;, diz Prince. &#8220;Convers\u00e1mos com alguns dos nossos colegas acerca deles, e n\u00e3o acreditaram que tal coisa existisse&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como o par rec\u00e9m-descoberto \u00e9 pouco brilhante e est\u00e1 pr\u00f3ximo da Terra, os cientistas estimam que existam muitos outros semelhantes por a\u00ed \u00e0 espera de serem descobertos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esperamos que o Observat\u00f3rio Vera Rubin [um observat\u00f3rio terrestre no Chile] detete d\u00fazias de outros objetos destes&#8221;, afirma Whitebook. &#8220;Queremos encontrar mais para compreender a popula\u00e7\u00e3o e a sua frequ\u00eancia. Prevemos que isto aconte\u00e7a com mais frequ\u00eancia do que se pensa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outros telesc\u00f3pios que contribu\u00edram para o estudo incluem a miss\u00e3o Gaia da ESA, o Observat\u00f3rio W. M. Keck no Hawaii, o Telesc\u00f3pio Hale de 200 polegadas de Palomar, o WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA, o Telesc\u00f3pio Neil Gehrels Swift da NASA e o GTC (Gran Telescopio Canarias) nas Ilhas Can\u00e1rias, Espanha. Os investigadores est\u00e3o a planear futuras observa\u00e7\u00f5es de ZTF J1239 com o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Two Dim Stars Team Up to Shine Brightly\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OW3UodAlE7A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.caltech.edu\/about\/news\/how-two-dim-stars-came-together-to-shine-brightly\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Caltech (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ae486e\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s castanhas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Brown_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.darkstar1.co.uk\/ds3.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Andy Lloyd\u2019s Dark Star Theory<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ZVAR (ZTF Variability Archive):<br><\/strong><a href=\"https:\/\/preview.zvar.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ZTF (Zwicky Transient Facility):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.ztf.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ipac.caltech.edu\/project\/ztf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ipac<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Zwicky_Transient_Facility\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Palomar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.astro.caltech.edu\/palomar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Palomar_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi descoberto, por astr\u00f3nomos do Caltech, um sistema raro de duas an\u00e3s castanhas \u00edntimas, onde uma est\u00e1 a transferir mat\u00e9ria para a outra, criando um ponto quente brilhante. Observado pelo ZTF (Zwicky Transient Facility), o sistema varia de brilho a cada ~57 minutos. Este processo poder\u00e1 levar \u00e0 fus\u00e3o das duas ou \u00e0 igni\u00e7\u00e3o de uma delas, formando uma nova estrela.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8826,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,1],"tags":[292,513,512,2072],"class_list":["post-8825","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-telescopios-profissionais","tag-ana-castanha","tag-observatorio-palomar","tag-ztf","tag-ztf-j12398347"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8825","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8825"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8825\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8827,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8825\/revisions\/8827"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8826"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8825"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8825"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8825"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}