{"id":8816,"date":"2026-03-20T07:22:41","date_gmt":"2026-03-20T06:22:41","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8816"},"modified":"2026-03-20T07:22:42","modified_gmt":"2026-03-20T06:22:42","slug":"bennu-resolvido-um-misterio-da-superficie-acidentada-do-asteroide","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/03\/20\/bennu-resolvido-um-misterio-da-superficie-acidentada-do-asteroide\/","title":{"rendered":"Bennu: resolvido um mist\u00e9rio da superf\u00edcie acidentada do asteroide"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/9gECDIQI_o.gif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"335\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/9gECDIQI_o.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-8817\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Anima\u00e7\u00e3o que alterna entre imagens e tomografias computadorizada por raios X de part\u00edculas do asteroide Bennu. Mostram os tipos mais comuns de redes de fissuras observadas nas amostras de Bennu. Uma apresenta uma estrutura extensa e interligada de fissuras curvas, enquanto a outra apresenta fraturas esparsas, retas e planas.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/Scott Eckley<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa das maiores surpresas da miss\u00e3o OSIRIS-REx da NASA, o seu asteroide alvo, Bennu, revelou-se um mundo irregular e acidentado, coberto de grandes rochas, com poucas das \u00e1reas lisas que as observa\u00e7\u00f5es anteriores feitas por instrumentos terrestres tinham indicado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando a OSIRIS-REx chegou a Bennu em 2018, fic\u00e1mos surpreendidos com o que vimos&#8221;, disse Andrew Ryan, cientista do LPL (Lunar and Planetary Laboratory) da Universidade do Arizona, em Tucson, EUA, que liderou o grupo de trabalho de an\u00e1lise f\u00edsica e t\u00e9rmica das amostras da miss\u00e3o. &#8220;Esper\u00e1vamos algumas rochas, mas antecip\u00e1vamos pelo menos algumas grandes regi\u00f5es com regolito mais liso e fino que fosse f\u00e1cil de recolher. Em vez disso, parecia que era tudo pedregulhos, e fic\u00e1mos a co\u00e7ar a cabe\u00e7a durante algum tempo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Particularmente intrigantes foram as observa\u00e7\u00f5es feitas em 2007 pelo Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer da NASA, que mediu uma baixa in\u00e9rcia t\u00e9rmica, indicativa de um asteroide cuja superf\u00edcie aquece e arrefece rapidamente \u00e0 medida que gira para dentro e para fora da luz solar, como uma praia arenosa na Terra. Isto estava em contradi\u00e7\u00e3o com as muitas rochas de grandes dimens\u00f5es que a OSIRIS-REx encontrou \u00e0 chegada, que deveriam comportar-se mais como blocos de bet\u00e3o, libertando calor muito tempo depois do p\u00f4r-do-sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados recolhidos pela sonda OSIRIS-REx durante a sua campanha de levantamento no asteroide sugeriram uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o: as rochas poderiam ser muito mais porosas do que o esperado. Assim que as amostras foram entregues \u00e0 Terra, os investigadores puderam investigar isto mais a fundo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/d4\/2e\/vwQSn7bR_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/d4\/2e\/vwQSn7bR_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Scott Eckley, cientista especializado em raios X do ARES (Astromaterials Research and Exploration Science) do Centro Espacial Johnson da NASA, demonstra o processo de coloca\u00e7\u00e3o de um recipiente com um fragmento de material do asteroide numa m\u00e1quina de tomografia computadorizada por raios X. As an\u00e1lises permitem aos investigadores obter imagens das part\u00edculas atrav\u00e9s de recipientes herm\u00e9ticos e visualizar a forma e a estrutura interna de uma rocha sem danificar a amostra.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/Robert Markowitz<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de Ryan examinou minuciosamente part\u00edculas de rocha recolhidas da superf\u00edcie de Bennu, utilizando v\u00e1rias t\u00e9cnicas de an\u00e1lise laboratorial. Num estudo publicado na revista Nature Communications, os autores relataram que os pedregulhos s\u00e3o, de facto, suficientemente porosos para explicar parte da perda de calor observada, mas n\u00e3o a totalidade. Em vez disso, verificou-se que muitas das rochas estavam repletas de extensas redes de fissuras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para testar se as fissuras poderiam ser a raz\u00e3o pela qual a superf\u00edcie do asteroide perdia calor, uma equipa da Universidade de Nagoya, no Jap\u00e3o, analisou material das amostras de Bennu utilizando termografia. Esta t\u00e9cnica a laser permite aos investigadores atingir um ponto min\u00fasculo na superf\u00edcie da amostra e medir como o calor se difunde atrav\u00e9s dela, de forma semelhante \u00e0 maneira como as ondula\u00e7\u00f5es se movem num lago.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Foi a\u00ed que as coisas se tornaram realmente interessantes&#8221;, disse Ryan. &#8220;A in\u00e9rcia t\u00e9rmica medida nas amostras de laborat\u00f3rio revelou-se muito superior \u00e0 registada pelos instrumentos da nave espacial, ecoando conclus\u00f5es semelhantes obtidas pela equipa da miss\u00e3o parceira da OSIRIS-REx, a Hayabusa-2 da JAXA (Japan Aerospace Exploration Agency)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para fazer previs\u00f5es significativas sobre como o material se comportaria nas grandes rochas do asteroide, a equipa teve de encontrar uma forma de escalar as medi\u00e7\u00f5es obtidas com as pequenas part\u00edculas da amostra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando uma c\u00e2mara de manuseamento, os membros da equipa do Centro Espacial Johnson da NASA, em Houston, selaram as part\u00edculas das amostras em recipientes herm\u00e9ticos sob uma atmosfera protetora de azoto e, em seguida, transferiram-nas para um laborat\u00f3rio onde puderam realizar tomografias computadorizadas por raios X. Assim que uma part\u00edcula era examinada, voltava para a c\u00e2mara de manuseamento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"https:\/\/assets.science.nasa.gov\/content\/dam\/science\/psd\/ares\/OREX_AndyRyanPaper_VideoSideBySide_ScreenRecording.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A amostra entra no seu pr\u00f3prio &#8216;fato espacial&#8217;, \u00e9 submetida a uma tomografia computadorizada e, em seguida, regressa ao seu ambiente imaculado, tudo isto sem qualquer exposi\u00e7\u00e3o ao ambiente terrestre&#8221;, afirmou Nicole Lunning, curadora principal das amostras da OSIRIS-REx no ARES (Astromaterials Research and Exploration Science) do Centro Espacial Johnson da NASA e uma das coautoras do estudo. &#8220;Conseguimos obter imagens atrav\u00e9s destes recipientes herm\u00e9ticos para visualizar a forma e a estrutura interna da rocha que se encontra no interior&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A tomografia computadorizada por raios X permite-nos observar o interior de um objeto em tr\u00eas dimens\u00f5es, sem o danificar&#8221;, afirmou o coautor do estudo e cientista de raios X de Johnson da NASA, Scott Eckley.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez mapeada desta forma, \u00e9 criado um arquivo digital tridimensional permanente da forma e do interior de uma part\u00edcula da amostra, e os dados s\u00e3o introduzidos numa base de dados p\u00fablica. A equipa de Ryan utilizou os dados da tomografia computadorizada por raios X para simula\u00e7\u00f5es computacionais que modelavam o fluxo de calor e a in\u00e9rcia t\u00e9rmica. Quando escalados para o tamanho de pedregulhos, os resultados da in\u00e9rcia t\u00e9rmica coincidiram com o que a nave espacial tinha medido no asteroide.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto os cientistas esperavam que as rochas de Bennu fossem extremamente porosas e fofas, talvez at\u00e9 esponjosas, a an\u00e1lise das amostras revelou algo inesperado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Afinal, elas tamb\u00e9m est\u00e3o bastante fissuradas, e essa era a pe\u00e7a que faltava no quebra-cabe\u00e7as&#8221;, afirmou Ryan.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ron Ballouz, cientista do JHUAPL (Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory) em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, e segundo autor do artigo cient\u00edfico, afirmou que este trabalho transforma a maneira como os cientistas interpretam a estrutura de um asteroide com base nas suas propriedades t\u00e9rmicas observadas a partir da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Podemos finalmente fundamentar a nossa compreens\u00e3o das observa\u00e7\u00f5es telesc\u00f3picas das propriedades t\u00e9rmicas de um asteroide atrav\u00e9s da an\u00e1lise destas amostras provenientes desse mesmo asteroide&#8221;, afirmou Ballouz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/osiris-rex\/asteroid-bennus-rugged-surface-baffled-nasa-we-finally-know-why\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/news.arizona.edu\/news\/asteroid-bennus-rugged-surface-baffled-nasa-we-finally-know-why\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-026-68505-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Communications)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Asteroide Bennu:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/asteroids-comets-and-meteors\/asteroids\/101955-bennu\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/ssd.jpl.nasa.gov\/tools\/sbdb_lookup.html#\/?sstr=bennu\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/101955_Bennu\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OSIRIS-REx:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.asteroidmission.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/osiris-rex\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/nasasolarsystem\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/OSIRISREx\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">YouTube<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/osiris_rex\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/OSIRIS-REx\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A miss\u00e3o OSIRIS-REx revelou que o asteroide Bennu tem uma superf\u00edcie muito mais rochosa e irregular do que o previsto. An\u00e1lises das amostras mostraram que as rochas possuem redes extensas de fissuras internas, que facilitam a perda de calor. Estas fraturas, e n\u00e3o apenas a porosidade, explicam o comportamento t\u00e9rmico inesperado do asteroide, resolvendo um mist\u00e9rio que intrigava os cientistas h\u00e1 anos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8817,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[376,375],"class_list":["post-8816","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-bennu","tag-osiris-rex"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8816","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8816"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8816\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8818,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8816\/revisions\/8818"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8817"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8816"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8816"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8816"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}