{"id":8795,"date":"2026-03-10T07:20:30","date_gmt":"2026-03-10T06:20:30","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8795"},"modified":"2026-03-10T07:20:32","modified_gmt":"2026-03-10T06:20:32","slug":"a-missao-dart-alterou-a-orbita-do-asteroide-didymos-em-torno-do-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/03\/10\/a-missao-dart-alterou-a-orbita-do-asteroide-didymos-em-torno-do-sol\/","title":{"rendered":"A miss\u00e3o DART alterou a \u00f3rbita do asteroide Didymos em torno do Sol"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/5zqW9jVQ_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"598\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/5zqW9jVQ_o-1024x598.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8796\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/5zqW9jVQ_o-1024x598.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/5zqW9jVQ_o-300x175.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/5zqW9jVQ_o-768x449.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/5zqW9jVQ_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem dos asteroides Didymos, \u00e0 esquerda, e Dimorphos foi capturada pela miss\u00e3o DART da NASA alguns segundos antes da nave espacial colidir com Dimorphos no dia 26 de setembro de 2022. O impacto no asteroide mais pequeno teve um efeito mensur\u00e1vel na \u00f3rbita do seu parceiro maior.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JHUAPL<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma nova investiga\u00e7\u00e3o revela que, quando a sonda espacial DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA colidiu intencionalmente com o pequeno asteroide Dimorphos em setembro de 2022, n\u00e3o alterou apenas o movimento de Dimorphos em torno do seu companheiro maior, Didymos; a colis\u00e3o tamb\u00e9m alterou a \u00f3rbita de ambos os asteroides em torno do Sol. Ligados pela gravidade, Didymos e Dimorphos orbitam-se um ao outro em torno de um centro de massa comum, numa configura\u00e7\u00e3o conhecida como sistema bin\u00e1rio, pelo que as altera\u00e7\u00f5es num asteroide afetam o outro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme detalhado num estudo publicado na sexta-feira passada na revista Science Advances, observa\u00e7\u00f5es do movimento do par revelaram que o per\u00edodo orbital de 770 dias em torno do Sol mudou por uma fra\u00e7\u00e3o de segundo ap\u00f3s o impacto da sonda DART em Dimorphos. Essa mudan\u00e7a marca a primeira vez que um objeto feito pelo homem alterou de forma mensur\u00e1vel a trajet\u00f3ria de um corpo celeste em torno do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta \u00e9 uma pequena altera\u00e7\u00e3o na \u00f3rbita, mas, com tempo suficiente, mesmo uma pequena altera\u00e7\u00e3o pode crescer e tornar-se um desvio significativo&#8221;, disse Thomas Statler, cientista-chefe para corpos pequenos do Sistema Solar na sede da NASA em Washington. &#8220;A medi\u00e7\u00e3o incrivelmente precisa da equipa valida novamente o impacto cin\u00e9tico como uma t\u00e9cnica para defender a Terra contra os perigos dos asteroides e mostra como um asteroide bin\u00e1rio pode ser desviado ao impactar apenas um dos membros do par&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Alto impacto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a DART atingiu Dimorphos, o impacto lan\u00e7ou uma enorme nuvem de detritos rochosos para o espa\u00e7o, alterando a forma do asteroide, que mede 170 metros de largura. Como os detritos carregavam o seu pr\u00f3prio momento para longe do asteroide, deram a Dimorphos um impulso explosivo &#8211; o que os cientistas chamam de fator de aumento de momento. Mais detritos ejetados significa mais for\u00e7a. De acordo com a nova investiga\u00e7\u00e3o, o fator de aumento de momento para o impacto da DART foi de cerca de dois, o que significa que a perda de detritos duplicou a for\u00e7a do impacto criado apenas pela nave espacial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Investiga\u00e7\u00f5es anteriores mostraram que o per\u00edodo orbital de 12 horas do asteroide mais pequeno em torno de Didymos (que tem 805 metros de largura) encurtou 33 minutos. O novo estudo mostra que o impacto ejetou tanto material do sistema bin\u00e1rio que tamb\u00e9m alterou o per\u00edodo orbital do bin\u00e1rio em torno do Sol por 0,15 segundos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A mudan\u00e7a na velocidade orbital do sistema bin\u00e1rio foi de cerca de 11,7 micr\u00f3metros por segundo, ou 1,7 polegadas por hora&#8221;, disse Rahil Makadia, principal autor do estudo na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign. &#8220;Com o tempo, uma mudan\u00e7a t\u00e3o pequena no movimento de um asteroide pode fazer a diferen\u00e7a entre um objeto perigoso atingir ou n\u00e3o o nosso planeta&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/e1-hubble-view-post-impact.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/97\/d7\/4VWWYiat_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O Telesc\u00f3pio Espacial Hubble observou duas caudas de poeira ejetadas do sistema de asteroides Didymos-Dimorphos v\u00e1rios dias ap\u00f3s a sonda DART da NASA colidir com o asteroide mais pequeno.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, Jian-Yang Li (PSI), Joe Depasquale (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora Didymos n\u00e3o estivesse numa trajet\u00f3ria de impacto com a Terra e fosse imposs\u00edvel para a miss\u00e3o DART coloc\u00e1-lo nessa trajet\u00f3ria, a mudan\u00e7a na velocidade orbital sublinha o papel que as naves espaciais &#8211; tamb\u00e9m conhecidas como impactadores cin\u00e9ticos neste contexto &#8211; poderiam desempenhar se um asteroide potencialmente perigoso fosse encontrado em rota de colis\u00e3o no futuro. O segredo \u00e9 detetar objetos pr\u00f3ximos da Terra com suficiente anteced\u00eancia para enviar um impactador cin\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para esse fim, a NASA est\u00e1 a desenvolver a miss\u00e3o NEO (Near-Earth Object) Surveyor. Gerido pelo JPL da NASA no sul da Calif\u00f3rnia, este telesc\u00f3pio espacial de pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o \u00e9 o primeiro a ser constru\u00eddo para defesa planet\u00e1ria. A miss\u00e3o ir\u00e1 procurar alguns dos objetos pr\u00f3ximos da Terra mais dif\u00edceis de avistar, como asteroides escuros e cometas que n\u00e3o refletem muita luz vis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como o fizeram<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para provar que a DART teve uma influ\u00eancia detet\u00e1vel em ambos os asteroides &#8211; n\u00e3o apenas no mais pequeno Dimorphos -, os investigadores precisavam medir a \u00f3rbita de Didymos em torno do Sol com extrema precis\u00e3o. Assim, al\u00e9m de fazerem observa\u00e7\u00f5es por radar e outras observa\u00e7\u00f5es terrestres do asteroide, acompanharam oculta\u00e7\u00f5es estelares, que ocorrem quando o asteroide passa exatamente em frente de uma estrela, fazendo com que o ponto de luz pisque por uma fra\u00e7\u00e3o de segundo. Esta t\u00e9cnica fornece medi\u00e7\u00f5es extremamente precisas da velocidade, forma e posi\u00e7\u00e3o do asteroide.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A medi\u00e7\u00e3o de oculta\u00e7\u00f5es estelares \u00e9 um desafio: os astr\u00f3nomos precisam estar no lugar certo, na hora certa, com v\u00e1rias esta\u00e7\u00f5es de observa\u00e7\u00e3o, por vezes separadas por quil\u00f3metros, para rastrear a trajet\u00f3ria prevista do asteroide em frente de uma estrela espec\u00edfica. A equipa contou com a ajuda de astr\u00f3nomos volunt\u00e1rios de todo o mundo, que registaram 22 oculta\u00e7\u00f5es estelares entre outubro de 2022 e mar\u00e7o de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando combinadas com anos de observa\u00e7\u00f5es terrestres existentes, estas observa\u00e7\u00f5es de oculta\u00e7\u00f5es estelares tornaram-se fundamentais para ajudar a calcular como a DART alterou a \u00f3rbita de Didymos&#8221;, afirmou o col\u00edder do estudo Steve Chesley, investigador s\u00e9nior do JPL. &#8220;Este trabalho depende muito das condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas e muitas vezes requer viagens a regi\u00f5es remotas, sem garantia de sucesso. Este resultado n\u00e3o teria sido poss\u00edvel sem a dedica\u00e7\u00e3o de d\u00fazias de observadores volunt\u00e1rios de oculta\u00e7\u00f5es em todo o mundo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo das mudan\u00e7as no movimento de Didymos tamb\u00e9m ajudou os investigadores a calcular as densidades de ambos os asteroides. Dimorphos \u00e9 ligeiramente menos denso do que se pensava anteriormente, apoiando a teoria de que se formou a partir de detritos rochosos lan\u00e7ados por um Didymos em r\u00e1pida rota\u00e7\u00e3o. Este material solto eventualmente aglomerou-se para formar Dimorphos, um asteroide do tipo &#8220;pilha de entulho&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/missions\/dart\/nasas-dart-mission-changed-orbit-of-asteroid-didymos-around-sun\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.aea4259\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Didymos e Dimorphos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/65803_Didymos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Didymos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dimorphos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dimorphos (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DART (Double Asteroid Redirection Test):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/dart\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/dart.jhuapl.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JHUAPL<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Double_Asteroid_Redirection_Test\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NEO (Near-Earth Object) Surveyor:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/neo-surveyor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NEO_Surveyor\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novos resultados mostram que a miss\u00e3o DART da NASA, que em 2022 colidiu deliberadamente com o asteroide Dimorphos, n\u00e3o s\u00f3 alterou a sua \u00f3rbita em torno do asteroide Didymos, como tamb\u00e9m modificou ligeiramente a \u00f3rbita de todo o sistema \u00e0 volta do Sol. O per\u00edodo orbital mudou apenas uma fra\u00e7\u00e3o de segundo, marcando a primeira vez que uma a\u00e7\u00e3o humana altera a trajet\u00f3ria de um corpo celeste.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8796,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[1415,1416,1417,1786],"class_list":["post-8795","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-dart","tag-didymos","tag-dimorphos","tag-neo-surveyor"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8795","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8795"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8795\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8797,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8795\/revisions\/8797"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8796"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8795"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8795"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8795"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}