{"id":8737,"date":"2026-02-13T07:14:13","date_gmt":"2026-02-13T06:14:13","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8737"},"modified":"2026-02-13T07:14:15","modified_gmt":"2026-02-13T06:14:15","slug":"evidencias-de-um-tubo-de-lava-subterraneo-em-venus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/02\/13\/evidencias-de-um-tubo-de-lava-subterraneo-em-venus\/","title":{"rendered":"Evid\u00eancias de um tubo de lava subterr\u00e2neo em V\u00e9nus"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/QzICGRox_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/QzICGRox_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8738\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/QzICGRox_o.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/QzICGRox_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/QzICGRox_o-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma abertura colapsada na regi\u00e3o de Nyx Mons, em V\u00e9nus, revela uma gruta subterr\u00e2nea.<br>Cr\u00e9dito: RSLab, Universidade de Trento<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atividade vulc\u00e2nica n\u00e3o \u00e9 exclusiva da Terra: foram encontrados vest\u00edgios de atividade vulc\u00e2nica, tais como tubos de lava, em Marte e na Lua. Agora, cientistas da Universidade de Trento, na It\u00e1lia, demonstraram a exist\u00eancia de um tubo de lava vazio mesmo nas profundezas de V\u00e9nus, um planeta cuja superf\u00edcie e geologia foram largamente moldadas por processos vulc\u00e2nicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A gruta foi identificada atrav\u00e9s da an\u00e1lise de dados de radar, no \u00e2mbito de um projeto financiado pela Ag\u00eancia Espacial Italiana. A descoberta foi publicada na revista Nature Communications.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso conhecimento de V\u00e9nus \u00e9 ainda limitado e at\u00e9 agora nunca tivemos a oportunidade de observar diretamente os processos que ocorrem sob a superf\u00edcie do planeta g\u00e9meo da Terra. A identifica\u00e7\u00e3o de uma cavidade vulc\u00e2nica \u00e9, por isso, de particular import\u00e2ncia, pois permite-nos validar teorias que, durante muitos anos, apenas teorizaram a sua exist\u00eancia&#8221;, explica Lorenzo Bruzzone, coordenador da investiga\u00e7\u00e3o, professor catedr\u00e1tico de Telecomunica\u00e7\u00f5es e diretor do Laborat\u00f3rio de Dete\u00e7\u00e3o Remota do Departamento de Engenharia Inform\u00e1tica e Computa\u00e7\u00e3o da Universidade de Trento. &#8220;Esta descoberta contribui para uma compreens\u00e3o mais profunda dos processos que moldaram a evolu\u00e7\u00e3o de V\u00e9nus e abre novas perspetivas para o estudo do planeta&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Encontrar tubos de lava para l\u00e1 da Terra n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Como se formam no subsolo, estas grutas permanecem normalmente escondidas e s\u00f3 podem ser detetadas quando parte do seu teto se desmorona, criando um buraco vis\u00edvel \u00e0 superf\u00edcie do planeta. Estes colapsos podem revelar tanto a presen\u00e7a de um tubo de lava como uma poss\u00edvel entrada para o mesmo. Em V\u00e9nus, a busca \u00e9 ainda mais dif\u00edcil, uma vez que o planeta est\u00e1 coberto por nuvens espessas que bloqueiam a vis\u00e3o direta da superf\u00edcie com c\u00e2maras normais, obrigando os cientistas a confiar nas imagens de radar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/c4\/a0\/oa6tTvkf_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/c4\/a0\/oa6tTvkf_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma vista lateral e em corte transversal que ilustra a gruta detetada sob a superf\u00edcie de V\u00e9nus.<br>Cr\u00e9dito: RSLab, Universidade de Trento<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre 1990 e 1992, o instrumento SAR (Synthetic Aperture Radar) a bordo da nave espacial Magellan da NASA, mapeou a superf\u00edcie de V\u00e9nus. &#8220;Analis\u00e1mos as imagens de radar da Magellan onde h\u00e1 sinais de colapsos localizados na superf\u00edcie, utilizando uma t\u00e9cnica de imagem que desenvolvemos para detetar e caracterizar condutas subterr\u00e2neas perto de aberturas colapsadas. As nossas an\u00e1lises revelaram a exist\u00eancia de uma grande conduta subterr\u00e2nea na regi\u00e3o de Nyx Mons, a \u00e1rea que recebeu o nome da deusa grega da noite. Interpretamos a estrutura como um poss\u00edvel tubo de lava, com um di\u00e2metro estimado de aproximadamente um quil\u00f3metro, uma espessura de &#8220;telhado&#8221; de pelo menos 150 metros e um vazio profundo n\u00e3o inferior a 375 metros&#8221;, diz Bruzzone.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os par\u00e2metros f\u00edsicos e atmosf\u00e9ricos de V\u00e9nus podem favorecer a forma\u00e7\u00e3o de tubos de lava. De facto, V\u00e9nus tem uma gravidade mais baixa e uma atmosfera mais densa do que a Terra, o que favoreceria a r\u00e1pida cria\u00e7\u00e3o de uma espessa crosta isolante imediatamente ap\u00f3s o fluxo de lava sair da abertura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tubo de lava que foi identificado parece ser mais largo e mais alto do que os vistos na Terra ou previstos para Marte. Situa-se no limite superior do que os cientistas sugeriram (e, num caso, observaram efetivamente) na Lua. Isto n\u00e3o \u00e9 surpreendente, uma vez que V\u00e9nus tem canais de lava que s\u00e3o maiores e mais compridos do que os observados noutros planetas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/49\/11\/wzcQ6iad_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/49\/11\/wzcQ6iad_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem de radar da abertura descoberta em V\u00e9nus, rotulada &#8220;Skylight A&#8221;.<br>Cr\u00e9dito: retirado do artigo cient\u00edfico publicado na Nature Communications<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os dados dispon\u00edveis permitem-nos confirmar e medir apenas a parte da cavidade pr\u00f3xima da zona colapsada. No entanto, a an\u00e1lise da morfologia e da eleva\u00e7\u00e3o do terreno circundante, juntamente com a presen\u00e7a de outras aberturas semelhantes \u00e0 estudada, apoia a hip\u00f3tese de que as condutas subterr\u00e2neas podem estender-se por pelo menos 45 quil\u00f3metros. Para testar esta hip\u00f3tese e identificar tubos de lava adicionais, ser\u00e3o necess\u00e1rias novas imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o e dados adquiridos por sistemas de radar capazes de penetrar na superf\u00edcie. Os resultados deste estudo s\u00e3o, portanto, muito importantes para futuras miss\u00f5es a V\u00e9nus, como a Envision da ESA e a VERITAS (Venus Emissivity, Radio Science, InSAR, Topography, and Spectroscopy) da NASA. Ambas as naves espaciais transportar\u00e3o avan\u00e7ados sistemas de radar, capazes de captar imagens de maior resolu\u00e7\u00e3o, permitindo aos cientistas estudar pequenos buracos na superf\u00edcie com maior pormenor. Al\u00e9m disso, a Envision transportar\u00e1 um radar orbital de penetra\u00e7\u00e3o no solo (de nome SRS, ou Subsurface Radar Sounder) capaz de sondar a subsuperf\u00edcie de V\u00e9nus a profundidades de v\u00e1rias centenas de metros e potencialmente detetar condutas mesmo na aus\u00eancia de aberturas \u00e0 superf\u00edcie. A nossa descoberta representa, portanto, apenas o in\u00edcio de uma longa e fascinante atividade de investiga\u00e7\u00e3o&#8221;, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pressroom.unitn.it\/comunicato-stampa\/evidence-subsurface-lava-tube-venus\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Trento (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-026-68643-6\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Communications)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tubo de lava:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lava_tube\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>V\u00e9nus:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/venus\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Venus_%28planet%29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sonda Magellan:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/magellan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magellan_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Envision:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Envision\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/EnVision\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VERITAS (Venus Emissivity, Radio science, InSAR, Topography, And Spectroscopy):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/veritas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/VERITAS_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas, liderados pela Universidade de Trento, encontraram a primeira evid\u00eancia direta de um tubo de lava subterr\u00e2neo em V\u00e9nus usando dados radar da miss\u00e3o Magellan. A estrutura, perto da regi\u00e3o Nyx Mons, tem cerca de 1 km de di\u00e2metro e um vasto vazio interior, sugerindo sistemas vulc\u00e2nicos complexos sob a superf\u00edcie venusiana e abrindo novas perspetivas para futuras miss\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8738,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[1503,649,2050,172,702],"class_list":["post-8737","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-envision","tag-magellan","tag-tubo-de-lava","tag-venus","tag-veritas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8737","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8737"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8737\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8739,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8737\/revisions\/8739"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8738"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8737"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8737"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8737"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}