{"id":8723,"date":"2026-02-06T07:16:35","date_gmt":"2026-02-06T06:16:35","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8723"},"modified":"2026-02-06T07:17:39","modified_gmt":"2026-02-06T06:17:39","slug":"dimensoes-de-jupiter-medidas-com-uma-precisao-sem-precedentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/02\/06\/dimensoes-de-jupiter-medidas-com-uma-precisao-sem-precedentes\/","title":{"rendered":"Dimens\u00f5es de J\u00fapiter medidas com uma precis\u00e3o sem precedentes"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/9YVcXif5_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/9YVcXif5_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8724\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/9YVcXif5_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/9YVcXif5_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/9YVcXif5_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/9YVcXif5_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O tamanho atualizado do planeta gigante, utilizando medi\u00e7\u00f5es da nave espacial Juno.<br>Cr\u00e9dito: Instituto Weizmann de Ci\u00eancia<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante mais de 50 anos, pens\u00e1mos que conhec\u00edamos o tamanho e a forma de J\u00fapiter, o maior planeta do Sistema Solar. Agora, investigadores do Instituto Weizmann de Ci\u00eancia reviram esse conhecimento utilizando novos dados e tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num novo estudo publicado na revista Nature Astronomy, os cientistas, que lideraram uma equipa internacional da It\u00e1lia, dos EUA, da Fran\u00e7a e da Su\u00ed\u00e7a, fornecem a determina\u00e7\u00e3o mais precisa at\u00e9 agora do tamanho e da forma de J\u00fapiter.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Sabendo apenas a dist\u00e2ncia a J\u00fapiter e observando a sua rota\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel determinar o seu tamanho e forma&#8221;, diz o professor Yohai Kaspi do Departamento de Ci\u00eancias da Terra e Planet\u00e1rias de Weizmann. &#8220;Mas para fazer medi\u00e7\u00f5es realmente exatas s\u00e3o necess\u00e1rios m\u00e9todos mais sofisticados&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A forma de J\u00fapiter, tal como era conhecida at\u00e9 agora, foi obtida pelos investigadores a partir de apenas seis medi\u00e7\u00f5es feitas h\u00e1 quase cinco d\u00e9cadas pelas miss\u00f5es Voyager e Pioneer da NASA, que enviaram feixes de r\u00e1dio das naves espaciais para a Terra&#8221;, explica o Dr. Eli Galanti, cientista s\u00e9nior que liderou a investiga\u00e7\u00e3o na equipa de Kaspi. &#8220;Essas miss\u00f5es forneceram uma base, mas agora temos a rara oportunidade de liderar a an\u00e1lise de 26 novas medi\u00e7\u00f5es efetuadas pela nave espacial Juno da NASA&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lan\u00e7ada em 2011 e em \u00f3rbita de J\u00fapiter desde 2016, a Juno tem enviado uma s\u00e9rie de dados em bruto. Quando a NASA estendeu a miss\u00e3o em 2021 para que a nave espacial pudesse continuar a estudar mais de perto J\u00fapiter e as suas luas, o novo percurso alargado da Juno colocou a nave numa \u00f3rbita que permitiu que ela passasse atr\u00e1s de J\u00fapiter do ponto de vista da Terra, algo que a sua \u00f3rbita anterior nunca fez. &#8220;A passagem da Juno por detr\u00e1s de J\u00fapiter proporciona uma oportunidade para novos objetivos cient\u00edficos. Quando a nave espacial passa por tr\u00e1s do planeta, o seu sinal de comunica\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio \u00e9 bloqueado e distorcido pela atmosfera de J\u00fapiter. Isto permite uma medi\u00e7\u00e3o exata do tamanho de J\u00fapiter&#8221;, diz o investigador principal da Juno, o Dr. Scott J. Bolton do SwRI (Southwest Research Institute) em San Antonio, Texas, EUA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa da Juno no Instituto Weizmann aproveitou esta nova oportunidade. &#8220;Seguimos a forma como os sinais de r\u00e1dio se curvam \u00e0 medida que atravessam a atmosfera de J\u00fapiter, o que nos permitiu traduzir esta informa\u00e7\u00e3o em mapas detalhados da temperatura e densidade de J\u00fapiter, produzindo a imagem mais clara at\u00e9 agora do tamanho e forma do planeta gigante&#8221;, diz Maria Smirnova, estudante de doutoramento do grupo de Kaspi, que desenvolveu uma t\u00e9cnica especial para processar os novos dados da Juno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As novas descobertas mostram que J\u00fapiter \u00e9 ligeiramente mais pequeno do que o estimado anteriormente &#8211; tem menos 8 km de largura no equador e 24 km de largura nos polos. Por outras palavras, \u00e9 mais achatado em compara\u00e7\u00e3o com as avalia\u00e7\u00f5es anteriores. &#8220;Os manuais escolares ter\u00e3o de ser atualizados&#8221;, diz Kaspi. &#8220;O tamanho de J\u00fapiter n\u00e3o mudou, claro, a forma como o medimos \u00e9 que mudou&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/assets.science.nasa.gov\/content\/dam\/science\/psd\/photojournal\/pia\/pia21\/pia21641\/PIA21641.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/92\/f2\/IuIYp5az_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O polo sul de J\u00fapiter visto pela sonda Juno da NASA numa passagem \u00edntima.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/SwRI\/MSSS; processamento de imagem &#8211; Betsy Asher Hall e Gervasio Robles<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estes poucos quil\u00f3metros s\u00e3o importantes&#8221;, explica Galanti. &#8220;Deslocar o raio apenas um pouco permite que os nossos modelos do interior de J\u00fapiter se ajustem muito melhor aos dados da gravidade e \u00e0s medi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas&#8221;. Esta implica\u00e7\u00e3o foi testada por outro estudante de doutoramento do grupo de Kapsi, Maayan Ziv. &#8220;Est\u00e1vamos numa posi\u00e7\u00e3o \u00fanica para usar os nossos modelos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o da estrutura de densidade interior de J\u00fapiter para mostrar que a forma refinada ajuda a preencher a lacuna entre os modelos e as medi\u00e7\u00f5es&#8221;, diz Ziv. Este estudo tem tamb\u00e9m implica\u00e7\u00f5es mais vastas para a compreens\u00e3o da estrutura dos planetas gasosos em geral, uma vez que J\u00fapiter serve de refer\u00eancia padr\u00e3o para o estudo dos gigantes gasosos do Sistema Solar e n\u00e3o s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Kaspi refere tamb\u00e9m que as medi\u00e7\u00f5es anteriores n\u00e3o tinham em conta os ventos fortes de J\u00fapiter. Ao incluir estes ventos extremos nos seus c\u00e1lculos, a equipa de Weizmann eliminou discrep\u00e2ncias de longa data em medi\u00e7\u00f5es anteriores. &#8220;\u00c9 dif\u00edcil ver o que se passa por baixo das nuvens de J\u00fapiter, mas os dados de r\u00e1dio d\u00e3o-nos uma janela para a profundidade dos ventos zonais e dos poderosos ciclones de J\u00fapiter\u201d, explica Kaspi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho sobre os ventos est\u00e1 relacionado com um estudo recente efetuado por Kaspi e pelo Dr. Nimrod Gavriel, tamb\u00e9m do grupo de Kaspi, acerca dos vastos ciclones polares de J\u00fapiter. Esse estudo, publicado na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), utilizou as medi\u00e7\u00f5es da Juno do movimento destes ciclones para prever a profundidade do seu interior. De um modo geral, uma melhor compreens\u00e3o dos ventos de J\u00fapiter permite aos cientistas elucidar a rela\u00e7\u00e3o entre a atmosfera do planeta e o seu interior profundo. A sua previs\u00e3o foi recentemente confirmada por medi\u00e7\u00f5es de micro-ondas efetuadas pela nave espacial Juno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta investiga\u00e7\u00e3o ajuda-nos a compreender como os planetas se formam e evoluem&#8221;, diz Kaspi. &#8220;J\u00fapiter foi provavelmente o primeiro planeta a formar-se no Sistema Solar e, ao estudarmos o que se passa no seu interior, ficamos mais perto de compreender como surgiu o Sistema Solar e planetas como o nosso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Olhando para o futuro, as t\u00e9cnicas desenvolvidas nestes estudos ser\u00e3o \u00fateis \u00e0 equipa durante a an\u00e1lise dos dados da nave espacial JUICE da ESA, lan\u00e7ada em 2023. A miss\u00e3o transporta um instrumento concebido pelo Instituto Weizmann que permitir\u00e1 uma vis\u00e3o mais profunda da atmosfera do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/wis-wander.weizmann.ac.il\/space-physics\/giant-planet%E2%80%99s-slimmer-profile\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Instituto Weizmann de Ci\u00eancia (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/blogs\/science-news\/2026\/02\/04\/nasas-juno-mission-redefines-size-shape-of-jupiter\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (blog)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-026-02777-x\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a href=\"https:\/\/rdcu.be\/e1Tue\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (PDF)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>J\u00fapiter:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/jupiter\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/jupiter.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nine Planets<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Jupiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Miss\u00e3o Juno:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/juno\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.missionjuno.swri.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SwRI<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Juno_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas do Instituto Weizmann de Ci\u00eancia usaram dados in\u00e9ditos da sonda Juno para medir com maior precis\u00e3o o tamanho e forma de J\u00fapiter. Descobriu-se que o planeta \u00e9 ligeiramente mais estreito no equador e mais achatado nos polos do que se pensava, o que melhora os modelos da sua estrutura interna e din\u00e2mica atmosf\u00e9rica.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8724,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[447,197],"class_list":["post-8723","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-juno","tag-jupiter"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8723","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8723"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8723\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8727,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8723\/revisions\/8727"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8724"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8723"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8723"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8723"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}