{"id":8685,"date":"2026-01-23T07:32:25","date_gmt":"2026-01-23T06:32:25","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8685"},"modified":"2026-01-23T07:32:26","modified_gmt":"2026-01-23T06:32:26","slug":"webb-encontra-uma-jovem-estrela-semelhante-ao-sol-a-forjar-e-a-expelir-cristais-comuns","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/01\/23\/webb-encontra-uma-jovem-estrela-semelhante-ao-sol-a-forjar-e-a-expelir-cristais-comuns\/","title":{"rendered":"Webb encontra uma jovem estrela semelhante ao Sol a forjar e a expelir cristais comuns"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/assets.science.nasa.gov\/content\/dam\/science\/missions\/webb\/science\/2026\/01\/STScI-01KESWN3G28KZCQPZ2GHHDKAC3.png\/jcr:content\/renditions\/12682x8036.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"649\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/fZo2cfOL_o-1024x649.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8686\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/fZo2cfOL_o-1024x649.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/fZo2cfOL_o-300x190.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/fZo2cfOL_o-768x487.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/fZo2cfOL_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem NIRCam de 2024, pelo Telesc\u00f3pio Espacial James Webb, que mostra a protoestrela EC 53 no c\u00edrculo \u00e0 esquerda. Os investigadores que utilizaram os novos dados MIRI do Webb provaram que os silicatos cristalinos se formam na parte mais quente do disco de g\u00e1s e poeira que rodeia a estrela &#8211; e podem ser disparados para as extremidades do sistema.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA, STScI, Klaus Pontoppidan (NASA-JPL), Joel Green (STScI); processamento &#8211; Alyssa Pagan (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muito que os astr\u00f3nomos procuram evid\u00eancias que expliquem porque \u00e9 que os cometas nos arredores do nosso Sistema Solar cont\u00eam silicatos cristalinos, uma vez que os cristais necessitam de calor intenso para se formarem e estas &#8220;bolas de neve sujas&#8221; passam a maior parte do tempo nas ultrafrias Cintura de Kuiper e Nuvem de Oort. Agora, olhando para l\u00e1 do nosso Sistema Solar, o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA apresentou a primeira evid\u00eancia conclusiva que relaciona a forma como essas condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o poss\u00edveis. O telesc\u00f3pio mostrou claramente, e pela primeira vez, que a parte quente e interior do disco de g\u00e1s e poeira que rodeia uma estrela muito jovem e em forma\u00e7\u00e3o ativa \u00e9 onde os silicatos cristalinos s\u00e3o forjados. O Webb tamb\u00e9m revelou um forte fluxo que \u00e9 capaz de transportar os cristais para as orlas exteriores deste disco. Comparado com o nosso Sistema Solar, completamente formado e maioritariamente limpo de poeira, os cristais estariam a formar-se aproximadamente entre o Sol e a Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>As observa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis da protoestrela, pelo Webb no infravermelho m\u00e9dio, estrela esta catalogada EC 53, tamb\u00e9m mostram que os ventos poderosos do disco da estrela est\u00e3o provavelmente a catapultar estes cristais para locais distantes, como a orla incrivelmente fria do seu disco protoplanet\u00e1rio, onde os cometas podem eventualmente formar-se.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os fluxos estruturados de EC 53 podem levantar estes silicatos cristalinos rec\u00e9m-formados e transferi-los para o exterior, como se estivessem numa autoestrada c\u00f3smica&#8221;, disse Jeong-Eun Lee, a principal autora de um novo artigo cient\u00edfico publicado na revista Nature e professora na Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul. &#8220;O Webb n\u00e3o s\u00f3 nos mostrou exatamente que tipos de silicatos se encontram na poeira perto da estrela, mas tamb\u00e9m onde se encontram antes e durante um surto&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa usou o MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb para recolher dois conjuntos de espetros altamente detalhados com o intuito de identificar elementos e mol\u00e9culas espec\u00edficas e de determinar as suas estruturas. Em seguida, mapearam com precis\u00e3o onde tudo se encontra, tanto quando EC 53 est\u00e1 &#8220;calma&#8221; (mas ainda a &#8220;mordiscar&#8221; gradualmente o seu disco) como quando est\u00e1 mais ativa (o que \u00e9 conhecido como uma fase eruptiva).<\/p>\n\n\n\n<p>Esta estrela, que tem sido estudada por esta equipa e outras durante d\u00e9cadas, \u00e9 altamente previs\u00edvel (outras estrelas jovens t\u00eam erup\u00e7\u00f5es err\u00e1ticas, ou os seus surtos duram centenas de anos). De 18 em 18 meses, EC 53 inicia uma bomb\u00e1stica fase eruptiva de 100 dias, acelerando o ritmo e devorando absolutamente o g\u00e1s e a poeira das redondezas, enquanto ejeta parte do que ingere sob a forma de poderosos jatos e fluxos. Estas expuls\u00f5es podem atirar alguns dos cristais rec\u00e9m-formados para a periferia do disco protoplanet\u00e1rio da estrela.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mesmo como cientista, \u00e9 espantoso para mim que possamos encontrar silicatos espec\u00edficos no espa\u00e7o, incluindo forsterite e enstatite perto de EC 53&#8221;, disse Doug Johnstone, coautor e principal investigador do NRC (National Research Council) do Canad\u00e1. &#8220;Estes s\u00e3o minerais comuns na Terra. O principal ingrediente do nosso planeta \u00e9 o silicato&#8221;. Durante d\u00e9cadas, a investiga\u00e7\u00e3o identificou tamb\u00e9m silicatos cristalinos n\u00e3o s\u00f3 em cometas do nosso Sistema Solar, mas tamb\u00e9m em discos protoplanet\u00e1rios distantes em torno de outras estrelas ligeiramente mais antigas &#8211; mas n\u00e3o conseguiu determinar como l\u00e1 chegaram. Com os novos dados do Webb, os investigadores agora compreendem melhor como \u00e9 que estas condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o poss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 incrivelmente impressionante que o Webb possa n\u00e3o s\u00f3 mostrar-nos tanto, mas tamb\u00e9m onde tudo est\u00e1&#8221;, disse Joel Green, coautor e cientista de instrumentos no STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, Maryland, EUA. &#8220;A nossa equipa de investiga\u00e7\u00e3o mapeou a forma como os cristais se movem ao longo do sistema. Mostr\u00e1mos efetivamente como a estrela cria e distribui estas part\u00edculas superfinas, que s\u00e3o significativamente mais pequenas do que um gr\u00e3o de areia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados MIRI do Webb tamb\u00e9m mostram claramente os jatos estreitos e de alta velocidade de g\u00e1s quente da estrela perto dos seus polos, e os fluxos ligeiramente mais frios e lentos que prov\u00eam da \u00e1rea mais interna e mais quente do disco que alimenta a estrela. A imagem acima, obtida por outro instrumento do Webb, o NIRCam (Near-Infrared Camera), mostra um conjunto de ventos e luz dispersa do disco de EC 53, dentro de um c\u00edrculo branco, conjunto este inclinado para a direita. Os seus ventos tamb\u00e9m circulam na dire\u00e7\u00e3o oposta, aproximadamente para tr\u00e1s da estrela, mas, no infravermelho pr\u00f3ximo, esta regi\u00e3o aparece escura. Os seus jatos s\u00e3o demasiado pequenos para serem detetados.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/assets.science.nasa.gov\/content\/dam\/science\/missions\/webb\/science\/2026\/01\/STScI-01KF3Z0BXBP656TM6W8M3R2T43.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/e0\/70\/A6YX24zK_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta ilustra\u00e7\u00e3o representa metade do disco de g\u00e1s e poeira que rodeia a protoestrela EC 53. Os surtos estelares formam periodicamente silicatos cristalinos, que s\u00e3o lan\u00e7ados para cima e para fora dos limites do sistema, onde cometas e outros corpos rochosos gelados podem eventualmente formar-se.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA, Elizabeth Wheatley (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Olhando em frente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>EC 53 ainda est\u00e1 &#8220;embrulhada&#8221; em poeira e poder\u00e1 continuar a estar durante mais 100.000 anos. Ao longo de milh\u00f5es de anos, enquanto o disco de uma estrela jovem \u00e9 fortemente povoado por pequenos gr\u00e3os de poeira e seixos, ocorrer\u00e1 um n\u00famero incalcul\u00e1vel de colis\u00f5es que podem lentamente construir uma s\u00e9rie de rochas maiores, levando eventualmente \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de planetas terrestres e gigantes gasosos. \u00c0 medida que o disco assenta, tanto a estrela como os planetas rochosos terminam a sua forma\u00e7\u00e3o, a poeira desaparece (deixando de obscurecer a vista) e uma estrela semelhante ao Sol permanece no centro de um sistema planet\u00e1rio limpo, com silicatos cristalinos &#8220;espalhados&#8221; por todo o lado.<\/p>\n\n\n\n<p>EC 53 faz parte da Nebulosa da Serpente, que se situa a 1300 anos-luz da Terra e est\u00e1 repleta de estrelas em forma\u00e7\u00e3o ativa.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/webb\/nasa-webb-finds-young-sun-like-star-forging-spewing-common-crystals\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/rdcu.be\/eZ7g1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Discos protoplanet\u00e1rios:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protoplanetary_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/nirspec\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Telesc\u00f3pio Espacial James Webb identificou, em torno da jovem estrela EC 53, a forma\u00e7\u00e3o de silicatos cristalinos na parte interna e quente do seu disco de g\u00e1s e poeira. Ventos e jatos poderosos transportam estes cristais para as regi\u00f5es externas e frias do disco, onde futuros cometas poder\u00e3o formar-se, esclarecendo como cristais semelhantes surgem em cometas do nosso Sistema Solar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8686,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[306,2042,387],"class_list":["post-8685","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","tag-disco-protoplanetario","tag-ec-53","tag-jwst"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8685","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8685"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8685\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8687,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8685\/revisions\/8687"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8686"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8685"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8685"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8685"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}