{"id":8676,"date":"2026-01-20T07:19:16","date_gmt":"2026-01-20T06:19:16","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8676"},"modified":"2026-01-20T07:19:18","modified_gmt":"2026-01-20T06:19:18","slug":"o-buraco-negro-da-via-lactea-esconde-um-passado-explosivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/01\/20\/o-buraco-negro-da-via-lactea-esconde-um-passado-explosivo\/","title":{"rendered":"O buraco negro da Via L\u00e1ctea esconde um passado explosivo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/natsci.msu.edu\/_assets\/images\/news\/2026\/2026-01-black-hole-one.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"451\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/CqaznYtG_o-1024x451.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8677\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/CqaznYtG_o-1024x451.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/CqaznYtG_o-300x132.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/CqaznYtG_o-768x338.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/CqaznYtG_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma imagem infravermelha de Sagit\u00e1rio B2, uma nuvem molecular no Centro Gal\u00e1ctico obtida com o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb, que \u00e9 de um tipo semelhante \u00e0s nuvens estudadas pela equipa da Universidade do Estado do Michigan.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA, STScI, A. Ginsburg (Universidade da Fl\u00f3rida), N. Budaiev (Universidade da Fl\u00f3rida), T. Yoo (Universidade da Fl\u00f3rida); processamento de imagem &#8211; A. Pagan (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O buraco negro supermassivo da nossa Gal\u00e1xia \u00e9 famoso por ser um dos mais fracos do Universo. Os resultados de um novo telesc\u00f3pio espacial mostram que pode nem sempre ter sido esse o caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sagit\u00e1rio A*, localizado no centro da Via L\u00e1ctea, parece ter-se inflamado dramaticamente algures nas \u00faltimas centenas de anos, de acordo com as emiss\u00f5es de raios X observadas pelo telesc\u00f3pio espacial XRISM. Estas descobertas surpreendentes revelam novos pormenores sobre a evolu\u00e7\u00e3o dos buracos negros supermassivos. Tamb\u00e9m ensinam aos astr\u00f3nomos li\u00e7\u00f5es sobre a hist\u00f3ria do nosso lar c\u00f3smico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Stephen DiKerby, investigador da Universidade do Estado do Michigan, EUA, trabalhou com uma equipa internacional para medir os raios X provenientes de uma nuvem gigante de g\u00e1s perto do centro da Gal\u00e1xia. A equipa examinou a nuvem com um detalhe incr\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 capacidade do XRISM de resolver a energia de cada fot\u00e3o de raios X. As suas descobertas oferecem fortes evid\u00eancias de que a nuvem est\u00e1 a brilhar em resposta a um surto passado de Sagit\u00e1rio A*.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados, publicados na revista The Astrophysical Journal Letters, real\u00e7am a precis\u00e3o laboratorial do XRISM, mudando efetivamente o jogo da astronomia de raios X. O trabalho foi efetuado em colabora\u00e7\u00e3o com Kumiko Nobukawa da Universidade de Kindai, em Higashiosaka, Osaka, no Jap\u00e3o, e Masa Nobukawa da Universidade de Educa\u00e7\u00e3o de Nara, tamb\u00e9m no Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Nada na minha forma\u00e7\u00e3o profissional como astr\u00f3nomo de raios X me tinha preparado para algo assim&#8221;, disse DiKerby, investigador p\u00f3s-doutorado no laborat\u00f3rio do professor assistente de f\u00edsica e astronomia Shuo Zhang. &#8220;Esta \u00e9 uma nova e excitante capacidade e uma nova caixa de ferramentas para desenvolver estas t\u00e9cnicas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um buraco negro supermassivo \u00e9 exatamente como o termo o descreve &#8211; um buraco negro massivo, contendo milh\u00f5es ou milhares de milh\u00f5es de massas solares de material, t\u00e3o denso que nem a luz consegue escapar. Todas as grandes gal\u00e1xias t\u00eam um, embora os investigadores ainda n\u00e3o saibam porqu\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitos buracos negros supermassivos s\u00e3o brilhantes porque o g\u00e1s \u00e0 sua volta aquece e emite radia\u00e7\u00e3o altamente energ\u00e9tica. Em contraste, Sagit\u00e1rio A* quase n\u00e3o brilha. \u00c9 um dos buracos negros mais t\u00e9nues conhecidos no Universo, apenas vis\u00edvel porque est\u00e1 muito pr\u00f3ximo da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V\u00e1rias grandes nuvens moleculares flutuam \u00e0 volta de Sagit\u00e1rio A* e podem atuar como espelhos c\u00f3smicos, refletindo os flashes de raios X do buraco negro. Os telesc\u00f3pios espaciais anteriores conseguiram detetar estes lampejos, mas n\u00e3o com resolu\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica suficiente para examinar a sua estrutura fina ou determinar o que os produziu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O XRISM mudou isso. O telesc\u00f3pio foi lan\u00e7ado em 2023 atrav\u00e9s de uma parceria entre a NASA e a JAXA. As suas primeiras observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito aguardadas porque representam uma grande melhoria em rela\u00e7\u00e3o a todos os telesc\u00f3pios espaciais existentes em termos de resolu\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. A maioria dos telesc\u00f3pios espaciais de raios X consegue distinguir a energia de um fot\u00e3o at\u00e9 cerca de uma parte em 10, ou mesmo 100. O XRISM consegue resolver uma parte em 1000. As novas imagens s\u00e3o como passar de uma Polaroid para uma imagem tecnicolor de alta-defini\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/natsci.msu.edu\/_assets\/images\/news\/2026\/2026-01-black-hole-two.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/bb\/07\/KpmxdfwJ_o.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Um mapa maior do Centro Gal\u00e1ctico mostrando Sgr A* (o buraco negro supermassivo) e v\u00e1rias nuvens moleculares not\u00e1veis. Cr\u00e9dito: figura 3 de Mori et al. 2015<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DiKerby usou esta vis\u00e3o n\u00edtida para fazer zoom em duas linhas de emiss\u00e3o de raios X extremamente estreitas provenientes de uma das nuvens moleculares. Medindo as suas energias e formas com uma precis\u00e3o inovadora, conseguiu determinar o movimento da nuvem e compar\u00e1-lo com observa\u00e7\u00f5es r\u00e1dio anteriores. Tamb\u00e9m examinou caracter\u00edsticas subtis no espetro para testar duas explica\u00e7\u00f5es diferentes para o brilho da nuvem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses pormenores exclu\u00edram a ideia de que os raios c\u00f3smicos eram os respons\u00e1veis e, em vez disso, mostraram que a nuvem est\u00e1 a refletir um surto de raios X de Sagit\u00e1rio A* &#8211; efetivamente um &#8220;eco de luz&#8221; do passado. Estudando v\u00e1rias nuvens a diferentes dist\u00e2ncias do buraco negro, os astr\u00f3nomos podem reconstruir uma linha temporal destas antigas erup\u00e7\u00f5es, tal como se usassem ecos atrasados para mapear a forma de uma gruta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta medi\u00e7\u00e3o not\u00e1vel mostra qu\u00e3o poderoso o XRISM \u00e9 a descobrir a hist\u00f3ria oculta do centro da nossa Gal\u00e1xia&#8221;, disse Zhang. &#8220;Ao resolver as linhas de ferro com tal clareza, podemos agora ler a atividade passada do Centro Gal\u00e1ctico com um detalhe sem precedentes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados mostram pela primeira vez como a resolu\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica do XRISM pode medir caracter\u00edsticas extremamente finas no Universo. A equipa espera que o telesc\u00f3pio abra muitas novas vias de descoberta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Somos apenas os cientistas sortudos que conseguiram resolver os problemas de manuseamento destes dados desta forma completamente nova&#8221;, disse DiKerby. &#8220;Uma das coisas que mais gosto, em ser astr\u00f3nomo, \u00e9 saber que sou o primeiro ser humano a ver esta parte do c\u00e9u desta forma&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/natsci.msu.edu\/news\/2026\/2026-01-the-milky-ways-black-hole-is-hiding-an-explosive-past.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade do Estado do Michigan (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ae331c\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sagit\u00e1rio A*:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sagittarius_A*\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Centro Gal\u00e1ctico:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galactic_Center\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>XRISM (X-Ray Imaging and Spectroscopy Mission):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.xrism.jaxa.jp\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JAXA<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/xrism\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/XRISM_factsheet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/X-Ray_Imaging_and_Spectroscopy_Mission\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O buraco negro supermassivo da nossa Gal\u00e1xia \u00e9 famoso por ser um dos mais fracos do Universo. 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