{"id":8670,"date":"2026-01-20T07:13:38","date_gmt":"2026-01-20T06:13:38","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8670"},"modified":"2026-01-20T07:13:39","modified_gmt":"2026-01-20T06:13:39","slug":"setihome-o-mundo-procurou-ets-durante-21-anos-os-cientistas-focam-se-agora-em-100-sinais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/01\/20\/setihome-o-mundo-procurou-ets-durante-21-anos-os-cientistas-focam-se-agora-em-100-sinais\/","title":{"rendered":"SETI@home: o mundo procurou ETs durante 21 anos; os cientistas focam-se agora em 100 sinais"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Ed4YRss0_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"732\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Ed4YRss0_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8671\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Ed4YRss0_o.jpg 960w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Ed4YRss0_o-300x229.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Ed4YRss0_o-768x586.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma captura de ecr\u00e3 da interface de utilizador do SETI@home num computador de secret\u00e1ria em 2009. O software funcionava em milh\u00f5es de computadores dom\u00e9sticos em todo o mundo, analisando dados de r\u00e1dio do espa\u00e7o em busca de sinais de civiliza\u00e7\u00f5es extraterrestres.<br>Cr\u00e9dito: Robert Sanders\/Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante 21 anos, entre 1999 e 2020, milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo &#8220;emprestaram&#8221; os seus computadores a cientistas da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley para procurarem sinais de civiliza\u00e7\u00f5es avan\u00e7adas na nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto &#8211; denominado SETI@home, em homenagem ao SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence) &#8211; atraiu um grupo de fi\u00e9is seguidores ansiosos por participar num dos mais populares projetos de &#8220;crowdsourcing&#8221; dos prim\u00f3rdios da Internet. Transferiram o software SETI@home para os seus computadores dom\u00e9sticos e permitiram que estes analisassem os dados obtidos pelo agora extinto Observat\u00f3rio de Arecibo, em Porto Rico, para encontrar invulgares sinais de r\u00e1dio provenientes do espa\u00e7o. No total, estes c\u00e1lculos produziram 12 mil milh\u00f5es de dete\u00e7\u00f5es &#8211; &#8220;&#8216;blips&#8217; moment\u00e2neos de energia a uma determinada frequ\u00eancia provenientes de um determinado ponto do c\u00e9u&#8221;, segundo o cientista inform\u00e1tico e cofundador do projeto, David Anderson.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s 10 anos de trabalho, a equipa do SETI@home terminou agora a an\u00e1lise dessas dete\u00e7\u00f5es, reduzindo-as a cerca de um milh\u00e3o de sinais &#8220;candidatos&#8221; e, depois, a 100 que valem a pena ser vistos novamente. Desde julho que t\u00eam apontado o radiotelesc\u00f3pio FAST (Five-hundred-meter Aperture Spherical Telescope), na China, para estes alvos, na esperan\u00e7a de voltar a ver os sinais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora os dados do FAST ainda n\u00e3o tenham sido analisados, Anderson admite que n\u00e3o espera encontrar um sinal de ETs. Mas os resultados do projeto SETI@home &#8211; apresentados em dois artigos cient\u00edficos publicados no ano passado na revista The Astronomical Journal &#8211; fornecem li\u00e7\u00f5es para futuras pesquisas e apontam para potenciais falhas nas atuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se n\u00e3o encontrarmos ETs, o que podemos dizer \u00e9 que estabelecemos um novo n\u00edvel de sensibilidade. Se houvesse um sinal acima de uma certa pot\u00eancia, t\u00ea-lo-\u00edamos encontrado&#8221;, disse. &#8220;Algumas das nossas conclus\u00f5es s\u00e3o que o projeto n\u00e3o funcionou completamente como pens\u00e1vamos. E temos uma longa lista de coisas que ter\u00edamos feito de forma diferente e que os futuros levantamentos do c\u00e9u deveriam fazer de forma diferente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o astr\u00f3nomo e diretor do projeto SETI@home, Eric Korpela, pesquisas como o SETI@home ir\u00e3o inevitavelmente revelar milhares de milh\u00f5es de sinais poss\u00edveis. O desafio para os investigadores \u00e9 desenvolver algoritmos para eliminar os sinais duvidosos causados por ru\u00eddo ou interfer\u00eancia de r\u00e1dio sem eliminar os verdadeiros sinais de uma civiliza\u00e7\u00e3o distante. A interfer\u00eancia de radiofrequ\u00eancia (abreviatura internacional RFI) prov\u00e9m n\u00e3o s\u00f3 dos sat\u00e9lites em \u00f3rbita da Terra e espalhados pelo Sistema Solar, mas tamb\u00e9m das emiss\u00f5es de r\u00e1dio e televis\u00e3o e at\u00e9 dos fornos de micro-ondas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o \u00e9 exequ\u00edvel fazer uma investiga\u00e7\u00e3o completa de todos os sinais poss\u00edveis que se detetam, porque isso ainda requer uma pessoa e olhos&#8221;, disse. &#8220;Temos de ser melhores a medir o que estamos a excluir. Estaremos a deitar fora o que \u00e9 bom com o que \u00e9 mau? N\u00e3o creio que saibamos, para a maioria das pesquisas SETI, e isso \u00e9 realmente uma li\u00e7\u00e3o para as pesquisas SETI em todo o lado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anderson e Korpela abordaram essa quest\u00e3o inserindo cerca de 3000 sinais falsos &#8211; chamados &#8220;birdies&#8221; &#8211; no seu &#8220;pipeline&#8221; de dados antes de os vasculharem para eliminar a RFI e o ru\u00eddo. Ignoraram a natureza destes sinais falsos e calcularam a sua sensibilidade com base na pot\u00eancia do sinal dos &#8220;birdies&#8221; que conseguiram detetar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Korpela salientou que quase todas as pesquisas atuais assumem que uma civiliza\u00e7\u00e3o colocaria muita pot\u00eancia numa banda de frequ\u00eancia estreita para chamar a aten\u00e7\u00e3o de outras civiliza\u00e7\u00f5es, e depois enviaria informa\u00e7\u00e3o ou dados atrav\u00e9s de uma frequ\u00eancia de banda larga adjacente. Para aumentar as hip\u00f3teses de ser detetado, o sinal deve estar numa frequ\u00eancia em que os astr\u00f3nomos observem o Universo, disse Korpela &#8211; muito provavelmente em torno do comprimento de onda de r\u00e1dio de 21 cent\u00edmetros, que \u00e9 usado para mapear o g\u00e1s hidrog\u00e9nio na Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/fd\/9f\/yT0vrHHt_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/fd\/9f\/yT0vrHHt_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">David Anderson, cofundador do SETI@home, discute o projeto de computa\u00e7\u00e3o distribu\u00edda em 2003.<br>Cr\u00e9dito: Robert Sanders\/Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este potente sinal de banda estreita seria algo f\u00e1cil de detetar. Depois, quando algu\u00e9m o detetasse, dedicar-se-ia a mais observa\u00e7\u00f5es para tentar encontrar sinais pr\u00f3ximos em termos de frequ\u00eancia que pudessem ser de menor pot\u00eancia e de banda mais larga e que contivessem informa\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Korpela. &#8220;Se v\u00edssemos um sinal extraterrestre de banda estreita algures, provavelmente ter\u00edamos todos os telesc\u00f3pios, radiotelesc\u00f3pios e telesc\u00f3pios \u00f3ticos dispon\u00edveis apontados para esse ponto do c\u00e9u, procurando em todas as frequ\u00eancias qualquer outra coisa. At\u00e9 \u00e0 data, ainda n\u00e3o tivemos isso. Se tiv\u00e9ssemos, acho que todos saber\u00edamos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de n\u00e3o ter conseguido encontrar ETs, o SETI@home \u00e9 considerado um sucesso?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Eu diria que foi muito, muito, muito al\u00e9m das nossas expetativas iniciais&#8221;, disse Anderson. &#8220;Quando est\u00e1vamos a conceber o SETI@home, tent\u00e1mos decidir se valia a pena faz\u00ea-lo, se ter\u00edamos capacidade de computa\u00e7\u00e3o suficiente para fazer nova ci\u00eancia. Os nossos c\u00e1lculos baseavam-se em conseguir 50.000 volunt\u00e1rios. Rapidamente, tivemos um milh\u00e3o de volunt\u00e1rios. Foi incr\u00edvel e eu gostaria que a comunidade e o mundo soubessem que realmente fizemos alguma ci\u00eancia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Computa\u00e7\u00e3o distribu\u00edda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando Anderson come\u00e7ou a trabalhar no SETI@home, em meados da d\u00e9cada de 1990, ele ensinava ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o na Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley e realizava investiga\u00e7\u00e3o em computa\u00e7\u00e3o distribu\u00edda &#8211; dividindo problemas grandes e complexos em partes que poderiam ser tratadas por computadores menos poderosos. Esta era uma solu\u00e7\u00e3o alternativa para as pessoas que n\u00e3o tinham acesso a um supercomputador. Um licenciado em ci\u00eancias inform\u00e1ticas da UC Berkeley e antigo aluno de Anderson, David Gedye, sugeriu que a crescente rede de computadores dom\u00e9sticos poderia ser aproveitada atrav\u00e9s da computa\u00e7\u00e3o distribu\u00edda para analisar sinais de radiotelesc\u00f3pios em busca de padr\u00f5es invulgares produzidos por uma civiliza\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada &#8211; o que \u00e9 hoje conhecido como uma tecnoassinatura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anderson juntou-se posteriormente a Korpela e ao engenheiro el\u00e9trico e astr\u00f3nomo Dan Werthimer, da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley, e juntos lan\u00e7aram o SETI@home em 1999. Em poucos dias, 200.000 pessoas de mais de 100 pa\u00edses tinham transferido o software. Um ano depois, tinha 2 milh\u00f5es de utilizadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados foram obtidos pelo radiotelesc\u00f3pio de Arecibo com 300 metros. Foram registados de forma passiva, \u00e0 medida que outros astr\u00f3nomos apontavam a antena de r\u00e1dio &#8211; na altura, a maior do mundo &#8211; para diferentes regi\u00f5es do c\u00e9u para estudo. Esta chamada observa\u00e7\u00e3o comensal revelou-se muito eficaz. Ao longo do projeto, cada \u00e1rea do c\u00e9u vis\u00edvel a partir de Porto Rico &#8211; um-ter\u00e7o de todo o c\u00e9u &#8211; foi observada 12 ou mais vezes, com algumas \u00e1reas observadas centenas ou mesmo milhares de vezes.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/7\/71\/Arecibo_Radiotelescopio_SJU_06_2019_7472.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/85\/f0\/xxEcUTOn_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma vista do radiotelesc\u00f3pio de Arecibo em 2019. Na altura, era o maior radiotelesc\u00f3pio do mundo, com 300 metros de di\u00e2metro e constru\u00eddo num sumidouro natural perto de Arecibo, Porto Rico. Os sinais de r\u00e1dio captados durante os seus estudos astron\u00f3micos foram analisados por milh\u00f5es de volunt\u00e1rios que faziam parte do projeto SETI@home. A antena de r\u00e1dio foi destru\u00edda durante uma tempestade em 2020.<br>Cr\u00e9dito: Mario Roberto Dur\u00e1n Ortiz<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A partir de Arecibo cobrimos a maior parte das estrelas da Via L\u00e1ctea, que s\u00e3o milhares e milhares de milh\u00f5es&#8221;, disse Anderson.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Somos, sem d\u00favida, a pesquisa de banda estreita mais sens\u00edvel e de grandes por\u00e7\u00f5es do c\u00e9u, pelo que t\u00ednhamos a melhor hip\u00f3tese de encontrar algo&#8221;, acrescentou Korpela. &#8220;Por isso, sim, h\u00e1 uma pequena desilus\u00e3o por n\u00e3o termos visto nada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maioria das atuais pesquisas SETI &#8211; incluindo o projeto Breakthrough Listen, com 10 anos de exist\u00eancia &#8211; s\u00e3o pesquisas orientadas e n\u00e3o varrimentos de todo o c\u00e9u. Ou seja, procuram tecnoassinaturas em estrelas pr\u00f3ximas espec\u00edficas ou em estrelas mais distantes que se descobriram albergarem planetas. Os radiotelesc\u00f3pios utilizados, como o GBT (Greenbank Telescope), no estado norte-americano da Virg\u00ednia Ocidental, e o MeerKAT, na \u00c1frica do Sul, ainda s\u00f3 s\u00e3o capazes de detetar um transmissor da dimens\u00e3o de Arecibo relativamente pr\u00f3ximo, em termos gal\u00e1cticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Para sondar dist\u00e2ncias maiores, s\u00e3o necess\u00e1rios telesc\u00f3pios maiores e tempos de observa\u00e7\u00e3o mais longos&#8221;, disse Korpela. &#8220;\u00c9 sempre melhor podermos controlar o telesc\u00f3pio para o nosso projeto. N\u00e3o fomos capazes de controlar o que o telesc\u00f3pio estava a fazer&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A an\u00e1lise final<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O software que Korpela desenvolveu para o SETI@home pegou nos dados de r\u00e1dio de Arecibo &#8211; frequ\u00eancia, intensidade, posi\u00e7\u00e3o no c\u00e9u &#8211; e manipulou-os matematicamente num processo chamado transformada discreta de Fourier, que divide as frequ\u00eancias em pequenos grupos. Uma vez que a Terra est\u00e1 em movimento, tal como qualquer fonte prov\u00e1vel de sinal, o software analisou as observa\u00e7\u00f5es em busca de mudan\u00e7as de frequ\u00eancia, designadas por efeito Doppler.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Na verdade, tivemos de analisar toda uma gama de desvios poss\u00edveis &#8211; dezenas de milhares &#8211; s\u00f3 para nos certificarmos de que t\u00ednhamos todas as possibilidades&#8221;, disse Anderson. &#8220;Isso multiplica por 10.000 a quantidade de poder computacional de que necessitamos. O facto de termos um milh\u00e3o de computadores dom\u00e9sticos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o permitiu-nos fazer isso. Nenhum outro projeto SETI, no r\u00e1dio, foi capaz de o fazer&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, os 12 mil milh\u00f5es de sinais interessantes que estes computadores dom\u00e9sticos identificaram tiveram de ser examinados e Anderson admite que, nos primeiros anos do SETI@home, n\u00e3o tinham pensado muito sobre como o fazer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;At\u00e9 cerca de 2016, n\u00e3o sab\u00edamos realmente o que ir\u00edamos fazer com estas dete\u00e7\u00f5es que t\u00ednhamos acumulado&#8221;, disse Anderson. &#8220;N\u00e3o t\u00ednhamos descoberto como fazer toda a segunda parte da an\u00e1lise&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sele\u00e7\u00e3o exigiu um &#8220;cluster&#8221; de computa\u00e7\u00e3o com uma grande quantidade de armazenamento e mem\u00f3ria, que foi fornecido pelo Instituto Max Planck de F\u00edsica Gravitacional em Hanover, na Alemanha. O supercomputador permitiu a Anderson e Korpela eliminar a RFI e o ru\u00eddo, reduzindo os milhares de milh\u00f5es de dete\u00e7\u00f5es a um par de milh\u00f5es de candidatos a sinais &#8211; &#8220;conjuntos de dete\u00e7\u00f5es que v\u00eam mais ou menos do mesmo local no c\u00e9u e mais ou menos com a mesma frequ\u00eancia, mas possivelmente muitos deles espalhados ao longo do tempo&#8221;, disse Anderson.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de os classificarem por probabilidade de serem reais, os mil primeiros tiveram de ser revistos manualmente. Korpela e Werthimer trabalharam para rever os candidatos e reduzir o campo para cerca de 100. Estes est\u00e3o a ser alvo do FAST, sendo cada ponto no c\u00e9u registado durante cerca de 15 minutos. O FAST tem uma \u00e1rea de recolha cerca de oito vezes superior \u00e0 de Arecibo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise final destes sinais ainda est\u00e1 para vir, disse Anderson, mas &#8220;estes dois artigos cient\u00edficos s\u00e3o as conclus\u00f5es importantes do SETI@home&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ser\u00e1 que um projeto SETI semelhante, com recurso a &#8220;crowdsourcing&#8221;, \u00e9 vi\u00e1vel atualmente?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Korpela pensa que a resposta \u00e9 sim. O telesc\u00f3pio FAST j\u00e1 est\u00e1 a realizar um levantamento comensal. Esses dados podem ser divididos em peda\u00e7os e distribu\u00eddos a cientistas cidad\u00e3os para an\u00e1lise. Os computadores dom\u00e9sticos poderiam processar esses dados numa plataforma para computa\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria chamada BOINC, que Anderson criou e continua a desenvolver. O BOINC, financiado pela NSF (National Science Foundation), \u00e9 atualmente utilizado por v\u00e1rios projetos de computa\u00e7\u00e3o em &#8220;crowdsourcing&#8221;, incluindo o Rosetta@home, que calcula como as prote\u00ednas se dobram em 3D; o Einstein@home, que analisa dados em busca de pulsares; e o LHC@home, que simula colis\u00f5es de part\u00edculas no LHC (Large Hadron Collider) do CERN. Computadores mais r\u00e1pidos e velocidades de Internet mais r\u00e1pidas poder\u00e3o permitir a an\u00e1lise de quantidades muito maiores de dados do que o SETI@home, que come\u00e7ou durante a era dos modems lentos e de liga\u00e7\u00e3o telef\u00f3nica que tornavam penoso transferir grandes quantidades de dados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Penso que a procura de intelig\u00eancia extraterrestre ainda capta a imagina\u00e7\u00e3o das pessoas&#8221;, disse Korpela. &#8220;Penso que ainda \u00e9 poss\u00edvel obter uma capacidade de processamento significativamente superior \u00e0 que utiliz\u00e1mos para o SETI@home e processar mais dados devido a uma maior largura de banda da Internet. O maior problema de um projeto deste tipo \u00e9 que requer pessoal e pessoal significa sal\u00e1rios. N\u00e3o \u00e9 a forma mais econ\u00f3mica de fazer o SETI&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O SETI@home chegou a ser operado por seis pessoas, mas Korpela \u00e9 atualmente o \u00fanico membro remunerado da equipa e est\u00e1 semirreformado. Mas ele v\u00ea a computa\u00e7\u00e3o em &#8220;crowdsourcing&#8221; como uma oportunidade para melhor analisar os dados de r\u00e1dio do SETI usando as li\u00e7\u00f5es do SETI@home. Isso poderia incluir uma segunda an\u00e1lise de todos os dados do SETI@home.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Num mundo em que eu tivesse o dinheiro, reanalis\u00e1-lo-ia da forma correta, ou seja, corrigiria os erros que cometemos. E n\u00f3s cometemos alguns erros. Foram escolhas conscientes devido \u00e0 rapidez dos computadores em 1999&#8221;, disse Korpela. &#8220;Ainda h\u00e1 a possibilidade de o ET estar naqueles dados e n\u00f3s falh\u00e1mos por pouco&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/news.berkeley.edu\/2026\/01\/12\/for-21-years-enthusiasts-used-their-home-computers-to-search-for-et-uc-berkeley-scientists-are-homing-in-on-100-signals-they-found\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/ade5ab\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (The Astronomical Journal)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/ade5a7\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (The Astronomical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SETI@home:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/setiathome.berkeley.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/SETI@home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio de Arecibo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.naic.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Arecibo_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>FAST (Five-hundred-meter Aperture Spherical radio Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/fast.bao.ac.cn\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Five-hundred-meter_Aperture_Spherical_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Interfer\u00eancia de radiofrequ\u00eancia (abreviatura internacional RFI):<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Electromagnetic_interference\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tecnoassinatura:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Technosignature\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Transformada discreta de Fourier:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Discrete_Fourier_transform\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Breakthrough Listen:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/breakthroughinitiatives.org\/initiative\/1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Breakthrough_Listen\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley concluiu a an\u00e1lise dos dados do projeto SETI@home, que durante 21 anos usou computadores dom\u00e9sticos de volunt\u00e1rios espalhados por todo o mundo para procurar sinais de vida extraterrestre nos dados do radiotelesc\u00f3pio de Arecibo. Dos aproximadamente 12 mil milh\u00f5es de sinais detetados, cerca de 100 foram identificados como candidatos interessantes, e est\u00e3o agora a ser observados com o radiotelesc\u00f3pio FAST para poss\u00edvel confirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8671,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[156,17],"tags":[2040,1349,553,198,199,1664],"class_list":["post-8670","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-diversos","category-sociedade-eventos-astronomicos","tag-breakthrough-listen","tag-fast","tag-observatorio-de-arecibo","tag-seti","tag-setihome","tag-tecnoassinatura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8670","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8670"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8670\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8672,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8670\/revisions\/8672"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8671"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8670"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8670"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8670"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}