{"id":8661,"date":"2026-01-16T07:15:00","date_gmt":"2026-01-16T06:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8661"},"modified":"2026-01-16T07:15:04","modified_gmt":"2026-01-16T06:15:04","slug":"astronomos-surpreendidos-por-onda-de-choque-misteriosa-em-torno-de-estrela-morta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/01\/16\/astronomos-surpreendidos-por-onda-de-choque-misteriosa-em-torno-de-estrela-morta\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos surpreendidos por onda de choque misteriosa em torno de estrela morta"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso2601a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/iJS11u4B_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8662\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/iJS11u4B_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/iJS11u4B_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/iJS11u4B_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/iJS11u4B_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A imagem central, obtida com o instrumento MUSE montado no VLT do ESO, mostra ondas de choque em torno da estrela morta RXJ0528+2838. Ao deslocar-se pelo espa\u00e7o, uma estrela pode empurrar para longe o material pr\u00f3ximo de si, criando uma onda de choque em forma de arco, que nesta imagem podemos ver a brilhar em vermelho, verde e azul. As cores representam hidrog\u00e9nio, azoto e oxig\u00e9nio, respetivamente. Estas ondas de choque s\u00e3o geralmente produzidas por um jato forte expelido pela estrela. No entanto, no caso de RXJ0528+2838 &#8211; uma an\u00e3 branca com uma companheira semelhante ao Sol &#8211; os astr\u00f3nomos descobriram que a onda de choque n\u00e3o pode ser explicada por nenhum mecanismo conhecido. Uma fonte de energia oculta, talvez campos magn\u00e9ticos, poder\u00e1 ser a resposta para este mist\u00e9rio.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/K. I\u0142kiewicz e S. Scaringi et al.; fundo &#8211; PanSTARRS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O g\u00e1s e a poeira ejetados pelas estrelas podem, nas condi\u00e7\u00f5es certas, colidir com o meio circundante e criar uma onda de choque. Com o aux\u00edlio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, os astr\u00f3nomos capturaram imagens de uma onda de choque em torno de uma estrela morta &#8211; uma descoberta que os deixou intrigados. Segundo todos os mecanismos conhecidos, a pequena estrela morta RXJ0528+2838 n\u00e3o deveria ter este tipo de estrutura em seu redor. A descoberta, t\u00e3o enigm\u00e1tica quanto impressionante, desafia a nossa compreens\u00e3o de como as estrelas j\u00e1 mortas interagem com o meio que as rodeia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Encontr\u00e1mos algo nunca antes observado e, mais importante ainda, completamente inesperado&#8221;, afirma Simone Scaringi, professora associada da Universidade de Durham, no Reino Unido, e coautora principal do estudo publicado na revista Nature Astronomy. &#8220;As nossas observa\u00e7\u00f5es revelaram um poderoso jato que, de acordo com o nosso conhecimento atual, n\u00e3o deveria existir&#8221;, diz Krystian Ilkiewicz, investigador em p\u00f3s-doutoramento no Centro Astron\u00f3mico Nicolaus Copernicus em Vars\u00f3via, Pol\u00f3nia, e coautor do estudo. &#8220;Jato&#8221; \u00e9 o termo usado pelos astr\u00f3nomos para descrever o material que \u00e9 ejetado por objetos celestes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrela RXJ0528+2838 situa-se a 730 anos-luz de dist\u00e2ncia de n\u00f3s e, tal como o Sol e outras estrelas, orbita em torno do centro da nossa Gal\u00e1xia. \u00c0 medida que se move, a estrela vai interagindo com o g\u00e1s do meio interestelar (o espa\u00e7o que existe entre as estrelas), criando um tipo de onda de choque que pode ser descrita como &#8220;um arco curvo de material, semelhante \u00e0 onda que se forma na frente de um navio em movimento&#8221;, explica Noel Castro Segura, investigador da Universidade de Warwick, no Reino Unido, e colaborador deste estudo. Estas ondas de choques s\u00e3o geralmente criadas por material ejetado pela estrela central, mas, no caso de RXJ0528+2838, nenhum dos mecanismos que conhecemos consegue explicar totalmente as observa\u00e7\u00f5es agora obtidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RXJ0528+2838 \u00e9 uma an\u00e3 branca, ou seja, o n\u00facleo que resta de uma estrela de pequena massa na fase final da sua vida, e tem em sua \u00f3rbita uma estrela companheira semelhante ao Sol. Em sistemas bin\u00e1rios deste tipo, o material da companheira \u00e9 transferido para a an\u00e3 branca, dando frequentemente origem a um disco em seu redor. Este disco vai alimentando a an\u00e3 branca, mas uma parte da mat\u00e9ria \u00e9 tamb\u00e9m ejetada para o espa\u00e7o, o que produz jatos poderosos. No entanto, RXJ0528+2838 n\u00e3o mostra sinais de possuir um disco, o que torna a origem do jato e da nebulosa resultante um mist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Fic\u00e1mos verdadeiramente surpreendidos por um sistema supostamente calmo e sem disco poder dar origem a uma nebulosa t\u00e3o espetacular&#8221;, diz Scaringi.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso2601b.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/e3\/9d\/znwf6alf_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem, obtida com o instrumento MUSE montado no VLT do ESO, mostra ondas de choque em torno da estrela morta RXJ0528+2838. Ao deslocar-se pelo espa\u00e7o, uma estrela pode empurrar para longe o material pr\u00f3ximo de si, criando uma onda de choque em forma de arco, que nesta imagem podemos ver a brilhar em vermelho, verde e azul. As cores representam hidrog\u00e9nio, azoto e oxig\u00e9nio, respetivamente. Estas ondas de choque s\u00e3o geralmente produzidas por um jato forte expelido pela estrela. No entanto, no caso de RXJ0528+2838 &#8211; uma an\u00e3 branca com uma companheira semelhante ao Sol &#8211; os astr\u00f3nomos descobriram que a onda de choque n\u00e3o pode ser explicada por nenhum mecanismo conhecido. Uma fonte de energia oculta, talvez campos magn\u00e9ticos, poder\u00e1 ser a resposta para este mist\u00e9rio.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/K. I\u0142kiewicz e S. Scaringi et al.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa detetou pela primeira vez uma estranha nebulosidade em torno de RXJ0528+2838 em imagens obtidas pelo Telesc\u00f3pio Isaac Newton, em Espanha. Notando a sua forma invulgar, os investigadores observaram-na com mais detalhe com o aux\u00edlio do instrumento MUSE montado no VLT do ESO. &#8220;As observa\u00e7\u00f5es do MUSE permitiram-nos mapear a onda de choque com todo o detalhe e analisar a sua composi\u00e7\u00e3o, o que foi crucial para confirmar que esta estrutura tem realmente origem no sistema bin\u00e1rio e n\u00e3o numa nebulosa ou nuvem interestelar n\u00e3o relacionadas&#8221;, explica Ilkiewicz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A forma e o tamanho da onda de choque observada sugerem que a an\u00e3 branca est\u00e1 a expelir um poderoso jato h\u00e1, pelo menos, um milhar de anos. Os cientistas n\u00e3o sabem exatamente como \u00e9 que uma estrela morta sem disco \u00e9 capaz de alimentar um jato t\u00e3o duradouro, mas t\u00eam algumas ideias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabe-se que RXJ0528+2838 possui um forte campo magn\u00e9tico, agora confirmado pelos dados do MUSE. Este campo magn\u00e9tico transfere o material &#8220;roubado&#8221; \u00e0 estrela companheira diretamente para a an\u00e3 branca, sem que haja a forma\u00e7\u00e3o de um disco em seu redor. &#8220;A nossa descoberta mostra que, mesmo sem a presen\u00e7a de um disco, estes sistemas podem dar origem a jatos poderosos, revelando um mecanismo que ainda n\u00e3o compreendemos completamente. Estes resultados desafiam a teoria comum que explica como \u00e9 que a mat\u00e9ria se movimenta e interage nestes sistemas bin\u00e1rios extremos&#8221;, explica Ilkiewicz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados sugerem a exist\u00eancia duma fonte de energia oculta, provavelmente o forte campo magn\u00e9tico, no entanto esse &#8220;motor misterioso&#8221;, como Scaringi o descreve, ainda tem de ser estudado. Os dados mostram que o campo magn\u00e9tico atual \u00e9 suficientemente forte para alimentar uma onda de choque deste tipo com dura\u00e7\u00e3o de algumas centenas de anos, ou seja, apenas explica parcialmente o que estamos a observar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para melhor compreender a natureza destes jatos sem disco, \u00e9 necess\u00e1rio estudar muitos mais sistemas bin\u00e1rios. O futuro ELT (Extremely Large Telescope) do ESO ajudar\u00e1 os astr\u00f3nomos a &#8220;detetar e a mapear com todo o detalhe muitos destes sistemas, e tamb\u00e9m outros mais t\u00e9nues, o que, eventualmente, nos ajudar\u00e1 a compreender a misteriosa fonte de energia que permanece inexplicada&#8221;, prev\u00ea Scaringi.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"An unexpected shock wave\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9Pl348SddxM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso2601\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.camk.edu.pl\/en\/archiwum\/2026\/01\/13\/Ilkiewicz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Centro Astron\u00f3mico Nicolaus Copernicus (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.dur.ac.uk\/news-events\/latest-news\/2026\/01\/astronomers-discover-mysterious-shock-wave-around-dead-star\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Durham (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.southampton.ac.uk\/news\/2026\/01\/space-scientists-find-mysterious-shock-wave-around-dead-star.page\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Southampton (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ice.csic.es\/?view=article&amp;id=891&amp;catid=8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ICE-CSIC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/brera.inaf.it\/astronomi-sorpresi-per-la-misteriosa-onda-durto-che-circonda-una-stella-morta-comunicato-stampa-eso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Observat\u00f3rio Astron\u00f3mico de Brera (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/warwick.ac.uk\/news\/pressreleases\/unexpected-mysterious-shockwave\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-025-02748-8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2601.07922\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3 branca:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/imagine.gsfc.nasa.gov\/science\/objects\/dwarfs2.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><br>Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT (Very Large Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/vlt-instr\/muse\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MUSE (ESO)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Isaac Newton:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.ing.iac.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Isaac_Newton_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O g\u00e1s e a poeira ejetados pelas estrelas podem, nas condi\u00e7\u00f5es certas, colidir com o meio circundante e criar uma onda de choque. 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