{"id":8645,"date":"2026-01-09T07:19:59","date_gmt":"2026-01-09T06:19:59","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8645"},"modified":"2026-01-09T07:20:00","modified_gmt":"2026-01-09T06:20:00","slug":"detetado-o-rasto-da-esquiva-estrela-companheira-de-betelgeuse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/01\/09\/detetado-o-rasto-da-esquiva-estrela-companheira-de-betelgeuse\/","title":{"rendered":"Detetado o rasto da esquiva estrela companheira de Betelgeuse"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/assets.science.nasa.gov\/content\/dam\/science\/missions\/hubble\/releases\/2026\/01\/STScI-01KDQQ7JYKDRX3AYTJ2BHCAZ03.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/5fXbc5lr_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8646\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/5fXbc5lr_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/5fXbc5lr_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/5fXbc5lr_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/5fXbc5lr_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta ilustra\u00e7\u00e3o mostra a estrela supergigante vermelha Betelgeuse e uma estrela companheira em \u00f3rbita. A companheira, que est\u00e1 a orbitar no sentido dos ponteiros do rel\u00f3gio a partir deste ponto de vista, gera uma densa trilha de g\u00e1s que se expande para fora. Est\u00e1 t\u00e3o perto de Betelgeuse que est\u00e1 a passar pela atmosfera exterior alargada da supergigante. A estrela companheira n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 escala; seria uma &#8220;picada de alfinete&#8221; comparada com Betelgeuse, que \u00e9 centenas de vezes maior. A dist\u00e2ncia da companheira a Betelgeuse est\u00e1 \u00e0 escala relativamente ao di\u00e2metro de Betelgeuse.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, Elizabeth Wheatley (STScI); ci\u00eancia &#8211; Andrea Dupree (Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &#038; Smithsonian)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando novas observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA e de observat\u00f3rios terrestres, astr\u00f3nomos rastrearam a influ\u00eancia de uma estrela companheira recentemente descoberta, Siwarha, no g\u00e1s em torno de Betelgeuse. A investiga\u00e7\u00e3o, levada a cabo por cientistas do Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian, revela um rasto de g\u00e1s denso que gira atrav\u00e9s da vasta e extensa atmosfera de Betelgeuse, esclarecendo por que raz\u00e3o o brilho e a atmosfera da estrela gigante mudaram de forma estranha e invulgar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados do novo estudo foram apresentados na passada segunda-feira numa confer\u00eancia de imprensa na 247.\u00aa reuni\u00e3o da Sociedade Astron\u00f3mica Americana em Phoenix e foram aceites para publica\u00e7\u00e3o na revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa detetou o rasto de Siwarha seguindo cuidadosamente as altera\u00e7\u00f5es na luz da estrela ao longo de quase oito anos. Estas altera\u00e7\u00f5es mostram os efeitos da companheira, anteriormente n\u00e3o confirmada, \u00e0 medida que atravessa a atmosfera exterior de Betelgeuse. Esta descoberta resolve um dos maiores mist\u00e9rios sobre a estrela gigante, ajudando os cientistas a explicar como se comporta e evolui, enquanto abre novas portas para a compreens\u00e3o de outras estrelas massivas que est\u00e3o a chegar ao fim das suas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Localizada a cerca de 650 anos-luz de dist\u00e2ncia da Terra, na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Or\u00edon, Betelgeuse \u00e9 uma estrela supergigante vermelha t\u00e3o grande que mais de 400 milh\u00f5es de s\u00f3is poderiam caber no seu interior (para clarificar, estamos a falar em termos de volume, n\u00e3o de massa). Devido ao seu enorme tamanho e proximidade, Betelgeuse \u00e9 uma das poucas estrelas cuja superf\u00edcie e atmosfera circundante podem ser diretamente observadas pelos astr\u00f3nomos, o que a torna um importante e acess\u00edvel laborat\u00f3rio para estudar a forma como as estrelas gigantes envelhecem, perdem massa e eventualmente explodem como supernovas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/assets.science.nasa.gov\/content\/dam\/science\/missions\/hubble\/releases\/2026\/01\/STScI-01KDNZZAJQ5ZAZJK3FM5Y0RCCN.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/40\/84\/RsKIDl7z_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os cientistas utilizaram o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA para procurar evid\u00eancias da exist\u00eancia de um rasto gerado por uma estrela companheira em \u00f3rbita de Betelgeuse. A equipa encontrou uma diferen\u00e7a not\u00e1vel na luz mostrada no pico da esquerda quando a estrela companheira estava em diferentes pontos da sua \u00f3rbita.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, Elizabeth Wheatley (STScI); ci\u00eancia &#8211; Andrea Dupree (Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando o Hubble da NASA e os telesc\u00f3pios terrestres do Observat\u00f3rio Fred Lawrence Whipple e do Observat\u00f3rio Roque de Los Muchachos, a equipa conseguiu observar um padr\u00e3o de altera\u00e7\u00f5es em Betelgeuse, que forneceu evid\u00eancias claras de uma estrela companheira h\u00e1 muito prevista e do seu impacto na atmosfera exterior da supergigante vermelha. Essas altera\u00e7\u00f5es incluem mudan\u00e7as no espetro da estrela, ou nas cores espec\u00edficas da luz emitida por diferentes elementos, e na velocidade e dire\u00e7\u00e3o dos gases na atmosfera exterior devido a um rasto de material mais denso, ou trilha. Este rasto aparece logo ap\u00f3s a companheira passar em frente de Betelgeuse de seis em seis anos, ou cerca de 2100 dias, confirmando os modelos te\u00f3ricos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 um pouco como um barco a mover-se na \u00e1gua. A estrela companheira cria um efeito de ondula\u00e7\u00e3o na atmosfera de Betelgeuse que podemos realmente ver nos dados&#8221;, disse Andrea Dupree, astr\u00f3noma do Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian e autora principal do estudo. &#8220;Pela primeira vez, estamos a ver sinais diretos desta trilha, ou rasto de g\u00e1s, confirmando que Betelgeuse tem realmente uma companheira oculta que molda a sua apar\u00eancia e comportamento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante d\u00e9cadas, os astr\u00f3nomos seguiram as mudan\u00e7as no brilho e nas caracter\u00edsticas da superf\u00edcie de Betelgeuse, na esperan\u00e7a de descobrir porque \u00e9 que a estrela se comporta desta maneira. A curiosidade intensificou-se depois de a estrela gigante parecer &#8220;espirrar&#8221; e tornar-se inesperadamente t\u00e9nue em 2020. Dois per\u00edodos distintos de varia\u00e7\u00e3o na estrela foram especialmente intrigantes para os cientistas: um ciclo curto de 400 dias, recentemente atribu\u00eddo a pulsa\u00e7\u00f5es dentro da pr\u00f3pria estrela, e o longo per\u00edodo secund\u00e1rio de 2100 dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 agora, os cientistas consideraram tudo, desde grandes c\u00e9lulas de convec\u00e7\u00e3o e nuvens de poeira at\u00e9 \u00e0 atividade magn\u00e9tica e \u00e0 possibilidade de uma estrela companheira oculta. Estudos recentes conclu\u00edram que o longo per\u00edodo secund\u00e1rio era mais bem explicado pela presen\u00e7a de uma companheira de baixa massa a orbitar nas profundezas da atmosfera de Betelgeuse, e outra equipa de cientistas relatou uma poss\u00edvel dete\u00e7\u00e3o, mas at\u00e9 agora, os astr\u00f3nomos n\u00e3o tinham evid\u00eancias para provar o que pensavam estar a acontecer. Agora, pela primeira vez, t\u00eam evid\u00eancias concretas de que uma companheira est\u00e1 a perturbar a atmosfera desta estrela supergigante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A ideia de que Betelgeuse tem uma companheira n\u00e3o detetada tem vindo a ganhar popularidade nos \u00faltimos anos, mas sem evid\u00eancias diretas, era uma teoria n\u00e3o comprovada&#8221;, disse Dupree. &#8220;Com esta nova evid\u00eancia direta, Betelgeuse d\u00e1-nos um lugar na primeira fila para ver como uma estrela gigante muda ao longo do tempo. Encontrar o rasto da sua companheira significa que podemos agora compreender como \u00e9 que estrelas como esta evoluem, libertam material e eventualmente explodem como supernovas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com Betelgeuse agora a eclipsar a sua companheira, do ponto de vista da Terra, os astr\u00f3nomos est\u00e3o a planear novas observa\u00e7\u00f5es para o seu pr\u00f3ximo reaparecimento em 2027. Esta descoberta pode tamb\u00e9m ajudar a explicar mist\u00e9rios semelhantes noutras estrelas gigantes e supergigantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/hubble\/nasa-hubble-helps-detect-wake-of-betelgeuses-elusive-companion-star\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cfa.harvard.edu\/news\/cfa-scientists-detect-wake-betelgeuses-elusive-companion-star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2601.00470\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Betelgeuse:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Betelgeuse\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supergigante vermelha:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Red_supergiant\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Fred Lawrence Whipple:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.sao.arizona.edu\/FLWO\/whipple.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Fred_Lawrence_Whipple_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Roque de los Muchachos:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.iac.es\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Roque_de_los_Muchachos_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Usando novas observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA e de observat\u00f3rios terrestres, astr\u00f3nomos rastrearam a influ\u00eancia de uma estrela companheira recentemente descoberta, Siwarha, no g\u00e1s em torno de Betelgeuse. 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