{"id":8627,"date":"2025-12-30T07:19:45","date_gmt":"2025-12-30T06:19:45","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8627"},"modified":"2025-12-30T07:19:46","modified_gmt":"2025-12-30T06:19:46","slug":"supernova-falhada-fogo-de-artificio-cosmico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/12\/30\/supernova-falhada-fogo-de-artificio-cosmico\/","title":{"rendered":"Supernova falhada, fogo de artif\u00edcio c\u00f3smico"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/snr1181.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"963\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DuvcJ70h_o-1024x963.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8628\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DuvcJ70h_o-1024x963.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DuvcJ70h_o-300x282.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DuvcJ70h_o-768x722.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DuvcJ70h_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pa 30 \u00e9 um remanescente de supernova com uma estrela central na constela\u00e7\u00e3o de Cassiopeia. \u00c9 aqui fotografada combinando imagens de v\u00e1rios telesc\u00f3pios.<br>Cr\u00e9dito: raios X pelo Chandra &#8211; NASA\/CXC\/Universidade de Manitoba\/C. Treyturik, raios X pelo XMM-Newton &#8211; ESA\/C. Treyturik; \u00f3tico pelo Pan-STARRS &#8211; NOIRLab\/MDM\/Dartmouth\/R. Fesen; infravermelho pelo WISE &#8211; NASA\/JPL\/Caltech\/; processamento de imagem &#8211; Universidade de Manitoba\/Gilles Ferrand e Jayanne English<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 cerca de 900 anos, observadores na China e no Jap\u00e3o registaram uma brilhante &#8220;estrela visitante&#8221; que apareceu subitamente e permaneceu no c\u00e9u noturno durante seis meses. Os cientistas pensam agora que um remanescente t\u00e9nue recentemente descoberto, conhecido como Pa 30, remonta a esse evento: uma incompleta explos\u00e3o de supernova que produziu o surto tempor\u00e1rio e luminoso observado em 1181.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As explos\u00f5es de supernova, que marcam os momentos finais de uma estrela, dividem-se tipicamente em duas categorias principais:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Supernovas de colapso do n\u00facleo: ocorrem quando uma estrela massiva &#8211; com pelo menos dez vezes a massa do nosso Sol &#8211; fica sem combust\u00edvel nuclear. O seu n\u00facleo colapsa sob a a\u00e7\u00e3o da gravidade, desencadeando uma explos\u00e3o catastr\u00f3fica;<\/li>\n\n\n\n<li>Supernovas de Tipo Ia: representam a detona\u00e7\u00e3o de uma an\u00e3 branca e requerem um sistema bin\u00e1rio &#8211; duas estrelas que orbitam um centro comum. A explos\u00e3o pode ser gerada pela fus\u00e3o de duas an\u00e3s brancas (quando o bin\u00e1rio \u00e9 constitu\u00eddo por duas an\u00e3s brancas), ou por acre\u00e7\u00e3o de material de uma estrela companheira (quando o bin\u00e1rio \u00e9 constitu\u00eddo por uma an\u00e3 branca e uma estrela normal), aumentando constantemente a sua massa at\u00e9 detonar.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma nova an\u00e1lise, no entanto, mostra que Pa 30 \u00e9 o remanescente de um evento mais raro &#8211; uma estrela que come\u00e7ou a explodir, mas que n\u00e3o o conseguiu fazer completamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram as ideais para produzir uma detona\u00e7\u00e3o bem-sucedida, ou a explos\u00e3o terminal, da estrela&#8221;, diz Eric Coughlin, professor assistente de f\u00edsica na Faculdade de Artes e Ci\u00eancias da Universidade de Syracuse. &#8220;Em vez disso, queimou elementos mais pesados perto das suas camadas superficiais, sem a destruir totalmente. A combust\u00e3o nuclear n\u00e3o se transformou numa detona\u00e7\u00e3o supers\u00f3nica&#8221;. As descobertas de Coughlin foram publicadas na revista The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando ocorre uma supernova de Tipo Ia, normalmente uma ou ambas as estrelas s\u00e3o completamente destru\u00eddas, gerando uma nuvem de detritos em expans\u00e3o &#8211; conhecida como remanescente de supernova &#8211; que apresenta uma estrutura semelhante a uma couve-flor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas em vez de uma nuvem de detritos espessa e ca\u00f3tica, Pa 30 apresenta filamentos longos e retos que irradiam de um n\u00facleo central, como os rastos de um fogo de artif\u00edcio. A nova an\u00e1lise liderada por Coughlin ajuda a explicar porqu\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma supernova que n\u00e3o conseguiu completar o trabalho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos t\u00eam-se esfor\u00e7ado por compreender como os filamentos finos e uniformes de Pa 30 foram formados. Os investigadores examinaram o remanescente com telesc\u00f3pios modernos, fizeram simula\u00e7\u00f5es e testaram v\u00e1rios cen\u00e1rios antes de chegarem a uma nova explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As supernovas s\u00e3o tipicamente brilhantes apenas durante os primeiros meses ap\u00f3s a sua dete\u00e7\u00e3o, mas o remanescente \u00e9 observ\u00e1vel por telesc\u00f3pios potentes durante centenas de anos, \u00e0 medida que arrefece&#8221;, diz Coughlin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo sugere que a explos\u00e3o inicial observada em 1181 foi invulgarmente fraca, permitindo que uma an\u00e3 branca sobrevivente, provavelmente hipermassiva, permanecesse intacta no centro. A explos\u00e3o n\u00e3o criou os filamentos de Pa 30: eles formaram-se depois. Ap\u00f3s a detona\u00e7\u00e3o falhada, a an\u00e3 branca sobrevivente come\u00e7ou a lan\u00e7ar um vento r\u00e1pido e denso, enriquecido com elementos pesados forjados durante a explos\u00e3o parcial. Este vento \u00e9 observado atualmente, movendo-se a cerca de 15.000 quil\u00f3metros por segundo, ou seja, 5% da velocidade da luz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O vento embateu no g\u00e1s mais leve que rodeava a estrela. Na fronteira entre o vento denso e o g\u00e1s leve, havia condi\u00e7\u00f5es para que a instabilidade de Rayleigh-Taylor &#8211; um processo em que um fluido mais pesado (neste caso o vento) empurra um mais leve &#8211; atuasse, formando longas plumas semelhantes a dedos. Em Pa 30, essas plumas tornaram-se filamentos lineares e altamente alongados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que aconteceu a seguir tamb\u00e9m \u00e9 invulgar. Normalmente, um segundo processo &#8211; a instabilidade de Kelvin-Helmholtz, que \u00e9 a mistura e o mecanismo de cisalhamento que faz com que os redemoinhos de fumo se tor\u00e7am &#8211; rasgaria aqueles longos dedos em peda\u00e7os. Mas, no caso de Pa 30, a mistura e o cisalhamento nunca se concretizaram. O vento denso era t\u00e3o mais pesado do que o g\u00e1s que a instabilidade de Kelvin-Helmholtz foi suprimida. Como resultado, os filamentos continuaram a esticar-se para fora enquanto o vento continuava a aliment\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pa 30 ficou com uma cavidade central vazia e um halo de filamentos que continuaram a expandir-se. As simula\u00e7\u00f5es sugerem que um contraste de alta densidade \u00e9 conducente \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de tais estruturas filamentares, mas os autores tencionam efetuar uma investiga\u00e7\u00e3o num\u00e9rica mais detalhada em trabalho futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Um remanescente raro &#8211; e um sinal de que pode haver mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Coughlin e os seus colegas suspeitam que Pa 30 n\u00e3o \u00e9 \u00fanico. Este tipo de explos\u00e3o falhada \u00e9 raro, mas cada vez mais reconhecido como uma subclasse distinta de explos\u00e3o estelar. Os astr\u00f3nomos classificam-nos como supernovas de Tipo Iax, um subgrupo invulgar que representa uma forma diferente de morte estelar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estes tipos de estruturas filamentares podem estar presentes noutros fen\u00f3menos astrof\u00edsicos que albergam ventos densos, como os eventos de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s, que ocorrem quando uma estrela \u00e9 destru\u00edda pelo campo gravitacional de um buraco negro supermassivo&#8221;, diz Coughlin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pa 30 \u00e9 um dos poucos casos em que a modela\u00e7\u00e3o astrof\u00edsica moderna pode ser diretamente associada a um evento registado por observadores h\u00e1 cerca de 900 anos. A &#8220;estrela visitante&#8221; de 1181 tornou-se um detalhado estudo de caso c\u00f3smico, revelando como algumas estrelas morrem n\u00e3o numa \u00fanica explos\u00e3o catacl\u00edsmica, mas num processo complexo que deixa para tr\u00e1s estruturas surpreendentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Evid\u00eancias terrestres<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora n\u00e3o se conhe\u00e7am outras fontes astrof\u00edsicas que apresentem a morfologia de fogo de artif\u00edcio de Pa 30, documentos recentemente divulgados do LANL (Los Alamos National Lab) demonstram que tais estruturas podem surgir em explos\u00f5es terrestres. S\u00e3o mostradas duas fotografias do teste nuclear de alta altitude &#8220;Kingfish&#8221; efetuado pelo LANL em 1962. O teste Kingfish fazia parte da Opera\u00e7\u00e3o Fishbowl, uma s\u00e9rie de experi\u00eancias concebidas para monitorizar os efeitos das detona\u00e7\u00f5es nucleares a grande altitude nas comunica\u00e7\u00f5es militares, sistemas de radar e capacidades de dete\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis durante a Guerra Fria. A imagem da esquerda destaca os filamentos radiais que se formaram ap\u00f3s a explos\u00e3o inicial, enquanto a imagem da direita demonstra que esses mesmos filamentos se transformaram numa estrutura semelhante a uma couve-flor.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/3e\/0a\/7iQTDJYJ_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/3e\/0a\/7iQTDJYJ_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A imagem da esquerda foi tirada cerca de 40 milissegundos ap\u00f3s a detona\u00e7\u00e3o inicial e ilustra a forma\u00e7\u00e3o de filamentos claros, semelhantes a dedos, que se estendem para a atmosfera em choque e radialmente a partir de um centro comum. A imagem da direita \u00e9 da mesma explos\u00e3o, mas 256 milissegundos ap\u00f3s a detona\u00e7\u00e3o, mostrando que os filamentos inicialmente radiais evolu\u00edram para uma estrutura mais parecida com uma couve-flor que faz lembrar a maioria dos outros remanescenstes de supernova.<br>Cr\u00e9dito: LANL<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A bomba nuclear Kingfish foi semelhante \u00e0s explos\u00f5es astrof\u00edsicas t\u00edpicas, em que uma quantidade fixa de massa e energia \u00e9 impulsivamente injetada num meio gasoso; isto contrasta com a origem alimentada pelo vento do remanescente Pa 30, em que a energia e o momento foram continuamente fornecidos \u00e0 medida que o material se expandia. O facto de a experi\u00eancia Kingfish ter inicialmente produzido material ejetado que se assemelhava a Pa 30 &#8211; e que mais tarde se transformaram numa estrutura que faz lembrar a maioria dos outros remanescentes de supernova &#8211; sugere que outras explos\u00f5es astrof\u00edsicas n\u00e3o alimentadas pelo vento podem passar por esta mesma fase, embora dure comparativamente pouco tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/artsandsciences.syracuse.edu\/physics\/news\/failed-supernova-cosmic-fireworks\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Faculdade de Artes e Ci\u00eancias da Universidade de Syracuse (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ae267d\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pa 30 (SN 1181):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/SN_1181\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrela visitante<\/strong>:<br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Guest_star_(astronomy)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supernovas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_Ia_supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Supernova de Tipo Ia (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_Iax_supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Supernova de Tipo Iax (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Instabilidade de Rayleigh-Taylor:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Rayleigh%E2%80%93Taylor_instability\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Instabilidade de Kelvin-Helmholtz:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kelvin%E2%80%93Helmholtz_instability\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 cerca de 900 anos, observadores na China e no Jap\u00e3o registaram uma brilhante &#8220;estrela visitante&#8221; que apareceu subitamente e permaneceu no c\u00e9u noturno durante seis meses. 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