{"id":8595,"date":"2025-12-19T07:11:01","date_gmt":"2025-12-19T06:11:01","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8595"},"modified":"2025-12-19T07:11:03","modified_gmt":"2025-12-19T06:11:03","slug":"um-buraco-negro-devora-uma-estrela-missoes-descobrem-surto-recorde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/12\/19\/um-buraco-negro-devora-uma-estrela-missoes-descobrem-surto-recorde\/","title":{"rendered":"Um buraco negro devora uma estrela: miss\u00f5es descobrem surto recorde"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/storage.noirlab.edu\/media\/archives\/images\/large\/noirlab2531a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"797\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/GF1nFfrM_o-1024x797.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8596\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/GF1nFfrM_o-1024x797.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/GF1nFfrM_o-300x233.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/GF1nFfrM_o-768x598.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/GF1nFfrM_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta ilustra\u00e7\u00e3o art\u00edstica, que mostra um jato de material a alta velocidade a ser lan\u00e7ado de uma fonte que est\u00e1 inserida numa gal\u00e1xia muito poeirenta, retrata GRB 250702B &#8211; o surto de raios gama mais longo que os astr\u00f3nomos alguma vez observaram. Esta poderosa explos\u00e3o extragal\u00e1ctica foi detetada pela primeira vez a 2 de julho de 2025. Apresentou explos\u00f5es repetidas que duraram mais de sete horas. Os astr\u00f3nomos realizaram observa\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas de acompanhamento com v\u00e1rios telesc\u00f3pios em todo o mundo e descobriram que GRB 250702B reside numa gal\u00e1xia grande e extremamente poeirenta. Os seus dados suportam uma s\u00e9rie de cen\u00e1rios progenitores, incluindo intera\u00e7\u00f5es entre uma estrela e um buraco negro, ou possivelmente uma estrela de neutr\u00f5es.<br>Cr\u00e9dito: NOIRLab\/NSF\/AURA\/M. Garlick<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos t\u00eam estado a analisar uma s\u00e9rie de dados provenientes de sat\u00e9lites da NASA e de outras instala\u00e7\u00f5es, enquanto tentam descobrir o respons\u00e1vel por uma extraordin\u00e1ria explos\u00e3o c\u00f3smica descoberta no dia 2 de julho.<\/p>\n\n\n\n<p>O evento foi um GRB (&#8220;gamma-ray burst&#8221;; em portugu\u00eas &#8220;surto de raios gama&#8221;), a classe mais poderosa de explos\u00f5es c\u00f3smicas. Mas enquanto a maioria dos GRBs dura apenas um minuto, este prolongou-se durante dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores t\u00eam estado a discutir ansiosamente as suas descobertas e concordam que o evento sem precedentes \u00e9 provavelmente o pren\u00fancio de um novo tipo de explos\u00e3o estelar. Os cientistas dizem que a melhor explica\u00e7\u00e3o para o surto foi um buraco negro a consumir uma estrela, mas discordam quanto \u00e0 forma exata como isso aconteceu. As excitantes possibilidades incluem um buraco negro milhares de vezes mais massivo do que o Sol a destruir uma estrela que passou demasiado perto dele ou um buraco negro muito mais pequeno a fundir-se e a consumir a sua companheira estelar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Black Hole Eats Star: Merger Animation\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KAP7xmpcQik?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A onda inicial de raios gama durou pelo menos 7 horas, quase o dobro da dura\u00e7\u00e3o do GRB mais longo visto anteriormente, e detet\u00e1mos outras propriedades invulgares&#8221;, disse Eliza Neights da Universidade George Washington em Washington e do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA. &#8220;Esta \u00e9 certamente uma explos\u00e3o diferente de qualquer outra que tenhamos visto nos \u00faltimos 50 anos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Neights e outros astr\u00f3nomos partilharam os seus resultados em outubro, na reuni\u00e3o da Divis\u00e3o de Astrof\u00edsica de Altas Energias da Sociedade Astron\u00f3mica Americana, em St. Louis, Missouri, EUA. Foram publicados ou aceites v\u00e1rios artigos cient\u00edficos sobre este evento e mais est\u00e3o a ser preparados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Explos\u00e3o excecional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Detetados em m\u00e9dia uma vez por dia, os GRBs podem aparecer em qualquer parte do c\u00e9u sem aviso pr\u00e9vio. S\u00e3o eventos muito distantes, com o exemplo mais pr\u00f3ximo conhecido a irromper a mais de 100 milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>A dura\u00e7\u00e3o recorde do surto de julho, denominado GRB 250702B, coloca-o numa classe \u00e0 parte. Dos cerca de 15.000 GRBs observados desde que o fen\u00f3meno foi reconhecido pela primeira vez em 1973, nenhum \u00e9 t\u00e3o longo e apenas uma meia d\u00fazia sequer se aproxima. Dado que as oportunidades de estudar tais eventos s\u00e3o t\u00e3o raras, e porque podem revelar novas formas de criar GRBs, os astr\u00f3nomos est\u00e3o particularmente entusiasmados com o GRB de julho.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria dos GRBs dura entre alguns milissegundos e alguns minutos e sabe-se que se formam de duas maneiras: ou pela fus\u00e3o de duas estrelas de neutr\u00f5es do tamanho de uma cidade ou pelo colapso de uma estrela massiva quando o seu n\u00facleo fica sem combust\u00edvel. Cada uma delas produz um novo buraco negro. Alguma da mat\u00e9ria que cai em dire\u00e7\u00e3o ao buraco negro \u00e9 canalizada para jatos estreitos de part\u00edculas que se lan\u00e7am quase \u00e0 velocidade da luz, criando raios gama \u00e0 medida que avan\u00e7am. Mas nenhum destes tipos de explos\u00f5es pode facilmente criar jatos capazes de disparar durante dias, raz\u00e3o pela qual 250702B constitui um puzzle \u00fanico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vendo luz<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O instrumento GBM (Gamma-ray Burst Monitor) do Telesc\u00f3pio Espacial de Raios Gama Fermi da NASA descobriu o surto e foi acionado v\u00e1rias vezes ao longo de 3 horas. Foi tamb\u00e9m detetado pelo instrumento BAT (Burst Alert Telescope) do Observat\u00f3rio Neil Gehrels Swift da NASA, pelo instrumento russo Konus da miss\u00e3o Wind da NASA, pelo GRNS (Gamma-Ray and Neutron Spectrometer) da Psyche &#8211; uma nave espacial da NASA atualmente a caminho do asteroide 16 Psyche &#8211; e pelo instrumento japon\u00eas MAXI (Monitor of All-sky X-ray Image) a bordo da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"GRB250802B timescale\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/znDZgn3Rvco?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O surto durou tanto tempo que nenhum monitor de alta energia no espa\u00e7o estava equipado para o observar completamente&#8221;, disse Eric Burns, astrof\u00edsico da Universidade do Estado do Louisiana em Baton Rouge e membro da equipa de Neights que estuda o brilho de raios gama desta explos\u00e3o. &#8220;S\u00f3 atrav\u00e9s do poder combinado dos instrumentos de v\u00e1rias naves espaciais \u00e9 que conseguimos compreender este evento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O instrumento WXT (Wide-field X-ray Telescope) da Einstein Probe da China tamb\u00e9m detetou o surto em raios X e mostrou que um sinal estava presente no dia anterior. A primeira localiza\u00e7\u00e3o exata surgiu no in\u00edcio de 3 de julho, quando o XRT (X-ray Telescope) do Swift captou o surto na constela\u00e7\u00e3o do Escudo, perto do plano poeirento e lotado da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea. Tendo em conta esta localiza\u00e7\u00e3o e a dete\u00e7\u00e3o de raios X no dia anterior, os astr\u00f3nomos perguntaram-se se este evento poderia ser um tipo diferente de explos\u00e3o origin\u00e1ria de algum lugar dentro da nossa pr\u00f3pria Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Localizing GRB250802B\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0srRNLZ4atU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Imagens de alguns dos maiores telesc\u00f3pios do planeta, incluindo dos observat\u00f3rios Keck e Gemini, no Hawaii, e do VLT (Very Large Telescope) do ESO, no Chile, sugeriam a exist\u00eancia de uma gal\u00e1xia no local, pelo que os astr\u00f3nomos recorreram ao Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA para uma vis\u00e3o mais clara.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 definitivamente uma gal\u00e1xia, provando que foi uma explos\u00e3o distante e poderosa, mas tem um aspeto estranho&#8221;, disse Andrew Levan, professor de astrof\u00edsica da Universidade de Radboud, nos Pa\u00edses Baixos, que liderou o estudo do VLT e do Hubble. &#8220;Os dados do Hubble podem mostrar ou duas gal\u00e1xias a fundirem-se ou uma gal\u00e1xia com uma banda escura de poeira a dividir o n\u00facleo em duas metades&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagens mais recentes captadas pelo instrumento NIRcam do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA apoiam fortemente a interpreta\u00e7\u00e3o de Levan. &#8220;A resolu\u00e7\u00e3o do Webb \u00e9 inacredit\u00e1vel. Podemos ver t\u00e3o claramente que o surto brilhou atrav\u00e9s desta banda de poeira que se espalha pela gal\u00e1xia&#8221;, disse Huei Sears, investigador p\u00f3s-doc na Universidade Rutgers, em Nova Jersey, EUA, que liderou as observa\u00e7\u00f5es do NIRcam. &#8220;\u00c9 fant\u00e1stico ver a hospedeira do GRB com tanto pormenor&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No final de agosto, uma equipa liderada por Benjamin Gompertz, da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, utilizou o instrumento NIRSpec do Webb e o VLT para determinar a dist\u00e2ncia da gal\u00e1xia e outras propriedades. &#8220;O surto foi extraordinariamente poderoso, com uma energia equivalente \u00e0 emitida por mil s\u00f3is a brilhar durante 10 mil milh\u00f5es de anos&#8221;, disse Gompertz. &#8220;Surpreendentemente, a gal\u00e1xia est\u00e1 t\u00e3o longe que a luz desta explos\u00e3o come\u00e7ou a sua viagem h\u00e1 cerca de 8 mil milh\u00f5es de anos, muito antes de o nosso Sol e o nosso Sistema Solar terem come\u00e7ado a formar-se&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/storage.noirlab.edu\/media\/archives\/images\/large\/noirlab2531b.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/cc\/8c\/nIUDrbar_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A imagem \u00e0 esquerda mostra o campo estelar em torno da gal\u00e1xia hospedeira do GRB 250702B. A imagem incorpora observa\u00e7\u00f5es do telesc\u00f3pio Gemini North no Hawaii e do instrumento DECam (Dark Energy Camera) montado no Telesc\u00f3pio de 4 metros V\u00edctor M. Blanco no Observat\u00f3rio Interamericano de Cerro Tololo no Chile.<br>\u00c0 direita: uma vista em grande plano da gal\u00e1xia hospedeira obtida com o telesc\u00f3pio Gemini North. Esta imagem, que abrange 9,5 segundos de arco, \u00e9 o resultado de mais de duas horas de observa\u00e7\u00f5es, mas a gal\u00e1xia hospedeira \u00e9 pouco vis\u00edvel devido \u00e0 grande quantidade de poeira que a rodeia. Os dados \u00f3ticos e no infravermelho pr\u00f3ximo do DECam foram adquiridos a 3 de julho, enquanto as observa\u00e7\u00f5es no infravermelho pr\u00f3ximo do Gemini North foram feitas a 20 de julho. Cr\u00e9dito: Observat\u00f3rio Internacional Gemini\/CTIO\/NOIRLab\/DOE\/NSF\/AURA; processamento &#8211; M. Zamani &amp; D. de Martin (NSF NOIRLab)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo exaustivo dos raios X que se seguiram \u00e0 explos\u00e3o principal utilizou observa\u00e7\u00f5es do Swift, do Observat\u00f3rio de raios X Chandra da NASA e da miss\u00e3o NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array) da mesma ag\u00eancia espacial. Os dados do Swift e do NuSTAR revelaram a ocorr\u00eancia de erup\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas at\u00e9 dois dias ap\u00f3s a descoberta do surto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A cont\u00ednua acre\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria pelo buraco negro alimentou um fluxo que produziu estas erup\u00e7\u00f5es, mas o processo continuou durante muito mais tempo do que \u00e9 poss\u00edvel nos modelos padr\u00e3o dos GRBs&#8221;, disse o l\u00edder do estudo Brendan O&#8217;Connor, da Universidade Carnegie Mellon em Pittsburgh. &#8220;As erup\u00e7\u00f5es tardias de raios X mostram-nos que a fonte de energia do surto se recusou a desligar-se, o que significa que o buraco negro continuou a alimentar-se durante pelo menos alguns dias ap\u00f3s a erup\u00e7\u00e3o inicial&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Evid\u00eancias contradit\u00f3rias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os dados do Fermi e do Swift indicam um GRB t\u00edpico, embora invulgarmente longo. As observa\u00e7\u00f5es espetrosc\u00f3picas do Webb n\u00e3o encontraram uma explos\u00e3o de supernova, que tipicamente se segue a um GRB de colapso estelar, embora possa ter sido obscurecida pela poeira e pela dist\u00e2ncia. A Einstein Probe observou raios X um dia antes da explos\u00e3o, enquanto o NuSTAR registou erup\u00e7\u00f5es de raios X at\u00e9 dois dias depois, e nenhuma delas \u00e9 t\u00edpica dos GRBs.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m disso, um estudo detalhado liderado por Jonathan Carney, estudante na Universidade da Carolina do Norte, Chapel Hill, mostra que a gal\u00e1xia hospedeira \u00e9 muito diferente das gal\u00e1xias tipicamente pequenas que hospedam a maioria dos GRBs de colapso estelar. &#8220;Esta gal\u00e1xia \u00e9 surpreendentemente grande, com mais do dobro da massa da nossa pr\u00f3pria Gal\u00e1xia&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Em qualquer dos dois cen\u00e1rios mais discutidos, o buraco negro ter\u00e1 comido a estrela em cerca de um dia.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro invoca um buraco negro de massa interm\u00e9dia, com alguns milhares de massas solares e um horizonte de eventos &#8211; o ponto de n\u00e3o retorno &#8211; algumas vezes maior do que a Terra. Uma estrela aproxima-se demasiado, \u00e9 esticada ao longo da sua \u00f3rbita por for\u00e7as gravitacionais e \u00e9 rapidamente consumida pelo buraco negro. Isto descreve aquilo a que os astr\u00f3nomos chamam um evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s, mas causado por um raramente observado buraco negro de massa interm\u00e9dia, com uma massa muito superior \u00e0 dos que nascem num colapso estelar e muito menor do que os gigantes que se encontram nos centros das grandes gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/assets.science.nasa.gov\/dynamicimage\/assets\/science\/missions\/glast\/news\/2025\/Webb_GRB250702B_pullout.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/f9\/0d\/uE4EjNeQ_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">No dia 5 de outubro, o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA deu aos astr\u00f3nomos a sua vis\u00e3o mais clara da gal\u00e1xia hospedeira do GRB 250702B, que est\u00e1 t\u00e3o longe que a sua luz demora cerca de 8 mil milh\u00f5es de anos a chegar at\u00e9 n\u00f3s. Aparece num campo de estrelas no plano central densamente povoado da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea. Na imagem ampliada, as linhas indicam a posi\u00e7\u00e3o do surto perto do limite superior da faixa de poeira escura da gal\u00e1xia. Esta localiza\u00e7\u00e3o elimina a possibilidade de a explos\u00e3o estar associada ao buraco negro supermassivo no n\u00facleo da gal\u00e1xia. A imagem completa no infravermelho tem cerca de 2,1 minutos de arco de di\u00e2metro.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA, H. Sears (Rutgers); processamento &#8211; A. Pagan (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A equipa de raios gama \u00e9 a favor de um cen\u00e1rio diferente porque, se este surto for como os outros, a massa do buraco negro deve ser mais parecida com a do nosso Sol. O seu modelo prev\u00ea um buraco negro com cerca de tr\u00eas vezes a massa do Sol &#8211; com um horizonte de eventos com apenas 18 quil\u00f3metros de di\u00e2metro &#8211; orbitando e fundindo-se com uma estrela companheira. A estrela tem uma massa semelhante \u00e0 do buraco negro, mas \u00e9 muito mais pequena do que o Sol. Isso deve-se ao facto de a sua atmosfera de hidrog\u00e9nio ter sido quase toda removida, at\u00e9 ao seu denso n\u00facleo de h\u00e9lio, formando um objeto a que os astr\u00f3nomos chamam estrela de h\u00e9lio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em ambos os casos, a mat\u00e9ria da estrela flui primeiro em dire\u00e7\u00e3o ao buraco negro e acumula-se num vasto disco, a partir do qual o g\u00e1s faz o seu mergulho final no buraco negro. A dada altura deste processo, o sistema come\u00e7a a brilhar intensamente em raios X. Depois, \u00e0 medida que o buraco negro consome rapidamente a mat\u00e9ria da estrela, jatos de raios gama s\u00e3o lan\u00e7ados para o exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>O modelo de fus\u00e3o da estrela de h\u00e9lio faz uma previs\u00e3o \u00fanica. Uma vez que o buraco negro est\u00e1 totalmente imerso no corpo principal da estrela, devorando-a a partir do seu interior, a energia que liberta faz explodir a estrela e d\u00e1 origem a uma supernova.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, esta explos\u00e3o ocorreu por detr\u00e1s de enormes quantidades de poeira, o que significa que mesmo o poder do telesc\u00f3pio Webb n\u00e3o foi suficiente para ver a supernova esperada. Embora as evid\u00eancias para explicar o que aconteceu a 2 de julho tenham de esperar por eventos futuros, 250702B j\u00e1 forneceu novos conhecimentos sobre os GRBs mais longos, gra\u00e7as, em grande parte, \u00e0 constante monitoriza\u00e7\u00e3o c\u00f3smica da frota de observat\u00f3rios e instrumentos espalhados pelo planeta e mais al\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/science-research\/black-hole-eats-star\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/gwtoday.gwu.edu\/black-hole-eats-star-student-charts-record-blast\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade George Washington (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/noirlab.edu\/public\/news\/noirlab2531\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NOIRLab (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.rutgers.edu\/news\/astrophysicist-helps-decode-one-universes-strangest-explosions\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade Rutgers (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.gemini.edu\/news\/press-releases\/noirlab2531\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Observat\u00f3rio Internacional Gemini (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/chandra.harvard.edu\/press\/25_releases\/press_120825.html\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Chandra\/Harvard (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Artigos cient\u00edficos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/545\/2\/staf2019\/8323170?login=false\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Neights et al &#8211; raios gama (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2509.22778\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Gompertz et al &#8211; dados do NIRSpec (arXiv.org)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ae1d67\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Carney et al &#8211; dados no vis\u00edvel e no infravermelho (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ae1741\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ O&#8217;Connor et al &#8211; raios X (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/adf8e1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Levan et al &#8211; dados do VLT e do MeerKAT (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2025\/11\/aa56591-25\/aa56591-25.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Oganesyan et al &#8211; dados do Fermi, Swift e NuSTAR (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>GRB 250702B:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/GRB_250702BDE\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Surto de raios gama (ou GRB, sigla inglesa para &#8220;gamma-ray burst&#8221;):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gamma_ray_burst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Fermi:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/GLAST\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/GLAST_telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio Neil Gehrels Swift:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/swift\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Swift_Gamma-Ray_Burst_Mission\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Miss\u00e3o Psyche:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.jpl.nasa.gov\/missions\/psyche\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/psyche.ssl.berkeley.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade do Estado do Arizona<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Psyche_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Einstein Probe:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/ep.bao.ac.cn\/ep\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Academia Chinesa de Ci\u00eancias<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Einstein_Probe_factsheet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Einstein_Probe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio W. M. Keck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Keck_telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio Internacional Gemini:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.gemini.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gemini_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio de raios X Chandra:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission\/chandra-x-ray-observatory\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/chandra.harvard.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Harvard<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chandra_X-ray_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/nustar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nustar.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NuSTAR\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/nirspec\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos t\u00eam estado a analisar uma s\u00e9rie de dados provenientes de sat\u00e9lites da NASA e de outras instala\u00e7\u00f5es, enquanto tentam descobrir o respons\u00e1vel por uma extraordin\u00e1ria explos\u00e3o c\u00f3smica descoberta no dia 2 de julho. O evento foi um GRB (&#8220;gamma-ray burst&#8221;; em portugu\u00eas &#8220;surto de raios gama&#8221;), a classe mais poderosa de explos\u00f5es c\u00f3smicas. Mas enquanto a maioria dos GRBs dura apenas um minuto, este prolongou-se durante dias.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8596,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[151,16,1],"tags":[1877,1640,1970,387,1175,361,167,365,255,529,388],"class_list":["post-8595","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-buracos-negros","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-einstein-probe","tag-grb","tag-grb-250702b","tag-jwst","tag-missao-psyche","tag-nustar","tag-chandra","tag-observatorio-gemini","tag-swift","tag-observatorio-w-m-keck","tag-telescopio-fermi"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8595","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8595"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8595\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8597,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8595\/revisions\/8597"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8596"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8595"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8595"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8595"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}