{"id":8573,"date":"2025-12-09T07:19:20","date_gmt":"2025-12-09T06:19:20","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8573"},"modified":"2025-12-09T07:19:21","modified_gmt":"2025-12-09T06:19:21","slug":"medindo-o-cloro-e-o-potassio-no-remanescente-de-uma-supernova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/12\/09\/medindo-o-cloro-e-o-potassio-no-remanescente-de-uma-supernova\/","title":{"rendered":"Medindo o cloro e o pot\u00e1ssio no remanescente de uma supernova"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/K57SzblE_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"724\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/K57SzblE_o-1024x724.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8574\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/K57SzblE_o-1024x724.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/K57SzblE_o-300x212.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/K57SzblE_o-768x543.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/K57SzblE_o.jpg 1476w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O cloro e o pot\u00e1ssio necess\u00e1rios \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de planetas e \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da vida prov\u00eam da explos\u00e3o de estrelas.<br>Cr\u00e9dito: JAXA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Porque \u00e9 que estamos aqui?&#8221; \u00e9 a quest\u00e3o mais fundamental e persistente da humanidade. Tra\u00e7ar as origens dos elementos \u00e9 uma tentativa direta de responder a esta quest\u00e3o ao seu n\u00edvel mais profundo. Sabemos que muitos elementos s\u00e3o criados no interior de estrelas e supernovas, que depois os lan\u00e7am no Universo, mas a origem de alguns elementos-chave tem permanecido um mist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O cloro e o pot\u00e1ssio, ambos elementos que possuem um n\u00famero \u00edmpar de prot\u00f5es, s\u00e3o essenciais \u00e0 vida e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos planetas. De acordo com os modelos te\u00f3ricos atuais, as estrelas produzem apenas cerca de um-d\u00e9cimo da quantidade destes elementos observada no Universo, uma discrep\u00e2ncia que h\u00e1 muito intriga os astrof\u00edsicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Este facto inspirou um grupo de investigadores da Universidade de Quioto e da Universidade de Meiji a examinar remanescentes de supernova em busca de vest\u00edgios destes elementos. Utilizando o XRISM &#8211; abreviatura de X-Ray Imaging and Spectroscopy Mission, um sat\u00e9lite de raios X lan\u00e7ado pela JAXA em 2023 &#8211; a equipa conseguiu realizar observa\u00e7\u00f5es espetrosc\u00f3picas de raios X de alta resolu\u00e7\u00e3o do remanescente de supernova Cassiopeia A na Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas utilizaram o microcalor\u00edmetro Resolve a bordo do XRISM, que proporciona uma resolu\u00e7\u00e3o, a altas energias, uma ordem de grandeza superior \u00e0 dos detetores de raios X anteriores, o que lhes permitiu detetar t\u00e9nues linhas de emiss\u00e3o de elementos raros. Analisaram ent\u00e3o o espetro de raios-X de Cassiopeia A e compararam as abund\u00e2ncias de cloro e pot\u00e1ssio com v\u00e1rios modelos de nucleoss\u00edntese de supernova.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa descobriu linhas claras de emiss\u00e3o de raios X de ambos os elementos em abund\u00e2ncias muito superiores \u00e0s previstas pelos modelos padr\u00e3o de supernovas. Isto forneceu a primeira evid\u00eancia observacional de que uma supernova pode criar cloro e pot\u00e1ssio suficientes. A equipa sugere que a forte mistura no interior de estrelas massivas causada por rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, intera\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria ou eventos de fus\u00e3o de conchas, pode aumentar significativamente a produ\u00e7\u00e3o destes elementos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando vimos os dados do Resolve pela primeira vez, detet\u00e1mos elementos que nunca esper\u00e1vamos ver antes do lan\u00e7amento. Fazer uma descoberta destas com um sat\u00e9lite que desenvolvemos \u00e9 uma verdadeira alegria como investigador&#8221;, diz o autor correspondente Toshiki Sato.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes resultados revelam que os elementos vitais para a vida foram produzidos em ambientes rigorosos e intensos no interior das estrelas, muito longe de qualquer coisa que se assemelhe \u00e0s condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o aparecimento da vida. O estudo tamb\u00e9m demonstra o poder da espetroscopia de raios X de alta precis\u00e3o para investigar as origens dos elementos e os processos f\u00edsicos no interior das estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estou muito satisfeito por termos conseguido, ainda que ligeiramente, come\u00e7ar a compreender o que se passa no interior das estrelas em explos\u00e3o&#8221;, diz o autor correspondente Hiroyuki Uchida.<\/p>\n\n\n\n<p>A seguir, a equipa planeia observar outros remanescentes de supernova com o XRISM para determinar se a produ\u00e7\u00e3o acrescida de cloro e pot\u00e1ssio \u00e9 comum entre as estrelas massivas ou exclusiva de Cassiopeia A. Isto ajudar\u00e1 a revelar se tais processos internos de mistura s\u00e3o uma caracter\u00edstica universal da evolu\u00e7\u00e3o estelar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Como \u00e9 que a Terra e a vida surgiram \u00e9 uma quest\u00e3o eterna sobre a qual toda a gente j\u00e1 se interrogou pelo menos uma vez. O nosso estudo revela apenas uma pequena parte dessa vasta hist\u00f3ria, mas sinto-me verdadeiramente honrado por para ela ter contribu\u00eddo&#8221;, diz o autor correspondente Kai Matsunaga.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.kyoto-u.ac.jp\/en\/research-news\/2025-12-05\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Quioto (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-025-02714-4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Cloro:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chlorine\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pot\u00e1ssio:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Potassium\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cassiopeia A:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cassiopeia_A\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Supernova:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nucleoss\u00edntese de supernova:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova_nucleosynthesis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Remanescente de supernova:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova_remnant\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>XRISM (X-Ray Imaging and Spectroscopy Mission):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.xrism.jaxa.jp\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JAXA<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/xrism\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/XRISM_factsheet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/X-Ray_Imaging_and_Spectroscopy_Mission\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Porque \u00e9 que estamos aqui?&#8221; \u00e9 a quest\u00e3o mais fundamental e persistente da humanidade. 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