{"id":8570,"date":"2025-12-09T07:16:32","date_gmt":"2025-12-09T06:16:32","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8570"},"modified":"2025-12-09T07:16:33","modified_gmt":"2025-12-09T06:16:33","slug":"astronomos-observam-a-explosao-de-estrelas-em-tempo-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/12\/09\/astronomos-observam-a-explosao-de-estrelas-em-tempo-real\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos observam a explos\u00e3o de estrelas em tempo real"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/sQuFtrk0_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"442\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/sQuFtrk0_o-1024x442.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8571\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/sQuFtrk0_o-1024x442.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/sQuFtrk0_o-300x129.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/sQuFtrk0_o-768x331.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/sQuFtrk0_o.jpg 1185w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagens da Nova Herculis 2021 (V1674 Her) obtidas com o CHARA, dois e tr\u00eas dias ap\u00f3s o in\u00edcio da erup\u00e7\u00e3o. As imagens mostram dois fluxos a expandir-se em dire\u00e7\u00f5es quase perpendiculares, formando uma estrutura tipo ampulheta consistente com as previs\u00f5es te\u00f3ricas (ilustrada na impress\u00e3o art\u00edstica mais \u00e0 direita).<br>Cr\u00e9dito: CHARA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos captaram imagens detalhadas e sem precedentes de duas explos\u00f5es estelares &#8211; conhecidas como novas &#8211; poucos dias ap\u00f3s a sua erup\u00e7\u00e3o. A descoberta fornece evid\u00eancias diretas de que estas explos\u00f5es s\u00e3o mais complexas do que se pensava, com m\u00faltiplos fluxos de material e, em alguns casos, atrasos dram\u00e1ticos no processo de eje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo internacional, publicado na revista Nature Astronomy, utilizou uma t\u00e9cnica de ponta chamada interferometria no CHARA (Center for High Angular Resolution Astronomy), no estado norte-americano da Calif\u00f3rnia. Esta abordagem permitiu aos cientistas, incluindo a investigadora da Universidade do Estado do Michigan, Laura Chomiuk, combinar a luz de v\u00e1rios telesc\u00f3pios, alcan\u00e7ando a resolu\u00e7\u00e3o n\u00edtida necess\u00e1ria para obter imagens diretas das explos\u00f5es em r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As descobertas desafiam a ideia h\u00e1 muito defendida de que as erup\u00e7\u00f5es das novas s\u00e3o eventos \u00fanicos e impulsivos. Em vez disso, apontam para uma variedade de vias de eje\u00e7\u00e3o, incluindo fluxos m\u00faltiplos e liberta\u00e7\u00e3o tardia do inv\u00f3lucro, reformulando a nossa compreens\u00e3o destas explos\u00f5es c\u00f3smicas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As novas s\u00e3o mais do que fogo de artif\u00edcio na nossa Gal\u00e1xia &#8211; s\u00e3o laborat\u00f3rios de f\u00edsica extrema&#8221;, disse a professora de f\u00edsica e astronomia Laura Chomiuk. &#8220;Ao ver como e quando o material \u00e9 ejetado, podemos finalmente ligar os pontos entre as rea\u00e7\u00f5es nucleares na superf\u00edcie da estrela, a geometria do material ejetado e a radia\u00e7\u00e3o altamente energ\u00e9tica que detetamos no espa\u00e7o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>As novas ocorrem quando um remanescente estelar denso, chamado an\u00e3 branca, sofre uma rea\u00e7\u00e3o nuclear descontrolada depois de ter roubado material da sua estrela companheira. At\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, os astr\u00f3nomos s\u00f3 podiam inferir indiretamente as fases iniciais destas erup\u00e7\u00f5es, porque o material em expans\u00e3o aparecia como um \u00fanico ponto de luz n\u00e3o resolvido.<\/p>\n\n\n\n<p>Revelar a forma como o material ejetado \u00e9 expelido e interage \u00e9 crucial para compreender como as ondas de choque nas novas se formam, que foram descobertas pela primeira vez pelo instrumento LAT (Large Area Telescope) do Fermi da NASA. Nos seus primeiros 15 anos, o LAT do Fermi detetou emiss\u00f5es GeV de mais de 20 novas, estabelecendo estas explos\u00f5es como emissoras de raios gama gal\u00e1cticos e real\u00e7ando o seu potencial como fontes multi-mensageiras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um conto de duas novas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A equipa obteve imagens de duas novas muito diferentes que entraram em erup\u00e7\u00e3o em 2021. Uma, Nova V1674 Herculis, foi uma das mais r\u00e1pidas de que h\u00e1 registo, aumentando de brilho e desaparecendo em apenas alguns dias. As imagens revelaram dois fluxos de g\u00e1s distintos e perpendiculares &#8211; evid\u00eancia de que a explos\u00e3o foi alimentada por m\u00faltiplas eje\u00e7\u00f5es em intera\u00e7\u00e3o. De forma not\u00e1vel, estes novos fluxos emergentes apareceram nas imagens enquanto o Telesc\u00f3pio Espacial de Raios Gama Fermi da NASA detetava raios gama altamente energ\u00e9ticos, ligando diretamente a emiss\u00e3o de choque aos fluxos de g\u00e1s em colis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda, Nova V1405 Cassiopeiae, evoluiu muito mais lentamente. Surpreendentemente, manteve as suas camadas exteriores durante mais de 50 dias antes de finalmente as ejetar, fornecendo a primeira evid\u00eancia clara de uma expuls\u00e3o tardia. Quando o material foi finalmente expelido, novos choques foram despoletados &#8211; produzindo novamente raios gama vistos pelo Fermi da NASA.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/08\/8f\/gNxYYvM9_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/08\/8f\/gNxYYvM9_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagens da Nova Cassiopeiae 2021 (V1405 Cas) obtidas com o CHARA entre 55 e 67 dias ap\u00f3s o in\u00edcio da erup\u00e7\u00e3o. As duas primeiras imagens revelam que, mesmo ap\u00f3s quase 50 dias, a nova ainda n\u00e3o tinha expelido a maior parte do seu material. Em contraste, a imagem final &#8211; obtida duas semanas depois &#8211; mostra a eventual eje\u00e7\u00e3o de material em grande escala, que coincidiu com o in\u00edcio da emiss\u00e3o de raios gama altamente energ\u00e9ticos detetada pelo Telesc\u00f3pio Espacial de Raios Gama Fermi da NASA.<br>Cr\u00e9dito: CHARA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estas observa\u00e7\u00f5es permitem-nos assistir a uma explos\u00e3o estelar em tempo real, algo que \u00e9 muito complicado e que h\u00e1 muito se pensa ser extremamente desafiante&#8221;, disse o professor Elias Aydi, autor principal do estudo e professor de f\u00edsica e astronomia na Universidade de Tecnologia do Texas. &#8220;Em vez de vermos apenas um simples clar\u00e3o de luz, estamos agora a descobrir a verdadeira complexidade da forma como estas explos\u00f5es se desenrolam. \u00c9 como passar de uma fotografia a preto e branco granulada para um v\u00eddeo de alta-defini\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Revelando estruturas ocultas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A capacidade de resolver detalhes t\u00e3o finos resulta da utiliza\u00e7\u00e3o da interferometria, a mesma t\u00e9cnica que tornou poss\u00edvel obter imagens do buraco negro no centro da nossa Gal\u00e1xia. Estas imagens n\u00edtidas foram complementadas por espetros de grandes observat\u00f3rios como o Gemini, que seguiram a evolu\u00e7\u00e3o das impress\u00f5es digitais do g\u00e1s ejetado. \u00c0 medida que apareciam novas caracter\u00edsticas nos espetros, estas alinhavam-se com as estruturas reveladas nas imagens interferom\u00e9tricas, fornecendo uma poderosa confirma\u00e7\u00e3o de um para um da forma como os fluxos se estavam a moldar e a colidir.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este \u00e9 um avan\u00e7o extraordin\u00e1rio&#8221;, comenta Jon Monnier, da Universidade do Michigan, coautor do estudo e perito em imagens interferom\u00e9tricas. &#8220;O facto de podermos agora observar a explos\u00e3o de estrelas e ver imediatamente a estrutura do material que \u00e9 lan\u00e7ado para o espa\u00e7o \u00e9 not\u00e1vel. Abre uma nova janela para alguns dos acontecimentos mais dram\u00e1ticos do Universo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados n\u00e3o s\u00f3 revelam uma complexidade inesperada nas novas, como tamb\u00e9m ajudam a explicar as suas poderosas ondas de choque, conhecidas por produzirem radia\u00e7\u00e3o altamente energ\u00e9tica como os raios gama. O telesc\u00f3pio Fermi da NASA foi o instrumento chave na descoberta desta liga\u00e7\u00e3o, estabelecendo as novas como laborat\u00f3rios naturais para o estudo da f\u00edsica de choque e da acelera\u00e7\u00e3o de part\u00edculas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isto \u00e9 apenas o in\u00edcio&#8221;, disse Aydi. &#8220;Com mais observa\u00e7\u00f5es como estas, podemos finalmente come\u00e7ar a responder a grandes quest\u00f5es sobre como as estrelas vivem, morrem e afetam o seu ambiente. As novas, outrora vistas como simples explos\u00f5es, est\u00e3o a revelar-se muito mais ricas e fascinantes do que imagin\u00e1vamos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/natsci.msu.edu\/news\/2025\/2025-12-astronomers-watch-star-explosions-in-real-time-through-new-images.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade do Estado do Michigan (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/news.gsu.edu\/2025\/12\/05\/close-up-images-show-how-stars-explode\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade do Estado da Ge\u00f3rgia (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-025-02725-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Nova V1674 Herculis:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/simbad.cds.unistra.fr\/simbad\/sim-id?Ident=NOVA+HER+2021\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nova_Herculis_2021\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nova V1405 Cassiopeiae:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/simbad.cds.unistra.fr\/simbad\/sim-id?Ident=NOVA+CAS+2021\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nova_Cassiopeiae_2021\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nova:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>CHARA (Center for High Angular Resolution Astronomy):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.chara.gsu.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/CHARA_array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Fermi:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/GLAST\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/GLAST_telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos captaram imagens detalhadas e sem precedentes de duas explos\u00f5es estelares &#8211; conhecidas como novas &#8211; poucos dias ap\u00f3s a sua erup\u00e7\u00e3o. A descoberta fornece evid\u00eancias diretas de que estas explos\u00f5es s\u00e3o mais complexas do que se pensava, com m\u00faltiplos fluxos de material e, em alguns casos, atrasos dram\u00e1ticos no processo de eje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8571,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,16,1],"tags":[281,1552,2017,2016,388],"class_list":["post-8570","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-chara","tag-nova","tag-nova-v1405-cassiopeiae","tag-nova-v1674-herculis","tag-telescopio-fermi"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8570"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8570\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8572,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8570\/revisions\/8572"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8571"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}