{"id":8548,"date":"2025-11-28T06:50:24","date_gmt":"2025-11-28T05:50:24","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8548"},"modified":"2025-11-28T06:50:51","modified_gmt":"2025-11-28T05:50:51","slug":"astronomos-descodificam-o-passado-secreto-de-uma-estrela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/11\/28\/astronomos-descodificam-o-passado-secreto-de-uma-estrela\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos descodificam o passado secreto de uma estrela"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1uB8YJ18_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"676\" height=\"550\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1uB8YJ18_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8549\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1uB8YJ18_o.jpg 676w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1uB8YJ18_o-300x244.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 676px) 100vw, 676px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem, gerada por intelig\u00eancia artificial, de uma estrela gigante vermelha a orbitar um buraco negro silencioso no sistema Gaia BH2.\nCr\u00e9dito: Google Gemini, Universidade do Hawaii<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Astr\u00f3nomos do Instituto de Astronomia da Universidade do Hawaii desvendaram o passado turbulento de uma gigante vermelha distante, escutando a sua &#8220;can\u00e7\u00e3o&#8221; celeste. Varia\u00e7\u00f5es subtis no brilho da estrela sugerem que, potencialmente e em tempos, colidiu e fundiu-se com outra estrela, um evento explosivo que a deixou a girar rapidamente. Atualmente, orbita um buraco negro silencioso no sistema Gaia BH2.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando dados do sat\u00e9lite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, os astr\u00f3nomos detetaram t\u00e9nues &#8220;sismos estelares&#8221; que ondulam na estrela companheira de Gaia BH2, um sistema que alberga um buraco negro identificado pela primeira vez pela miss\u00e3o Gaia da ESA em 2023. Tal como as ondas s\u00edsmicas revelam as camadas interiores da Terra, estas vibra\u00e7\u00f5es estelares deram aos cientistas um raro vislumbre sob a superf\u00edcie da estrela, permitindo-lhes medir as propriedades do seu n\u00facleo com uma precis\u00e3o not\u00e1vel. As descobertas da equipa foram recentemente publicadas na revista The Astronomical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Tal como os sism\u00f3logos usam os terramotos para estudar o interior da Terra, podemos usar as oscila\u00e7\u00f5es estelares para compreender o que se passa no interior de estrelas distantes&#8221;, disse Daniel Hey, investigador e autor principal do estudo. &#8220;Estas vibra\u00e7\u00f5es disseram-nos algo inesperado sobre a hist\u00f3ria desta estrela&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma estrela que desafia a sua idade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maior surpresa veio da composi\u00e7\u00e3o da estrela. \u00c9 considerada &#8220;rica em elementos alfa&#8221;, o que significa que est\u00e1 repleta de elementos mais pesados, normalmente encontrados em estrelas muito mais antigas, o que sugere que deve ser antiga. No entanto, quando os cientistas estudaram as suas vibra\u00e7\u00f5es, descobriram que, na realidade, tem apenas cerca de 5 mil milh\u00f5es de anos, demasiado jovem para se ter formado com essas caracter\u00edsticas qu\u00edmicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As estrelas jovens e ricas em elementos alfa s\u00e3o muito raras e intrigantes&#8221;, explicou Hey. &#8220;A combina\u00e7\u00e3o de juventude e qu\u00edmica antiga sugere que esta estrela n\u00e3o evoluiu isoladamente. Provavelmente adquiriu massa extra de uma companheira, quer atrav\u00e9s de uma fus\u00e3o, quer absorvendo material quando o buraco negro se formou&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mais depressa do que o esperado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mist\u00e9rio aprofunda-se com observa\u00e7\u00f5es a longo prazo de telesc\u00f3pios terrestres que mostram que a estrela gira uma vez a cada 398 dias, muito mais depressa do que o esperado para uma gigante vermelha isolada da sua idade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se esta rota\u00e7\u00e3o for real, n\u00e3o pode ser explicada apenas pela rota\u00e7\u00e3o da estrela \u00e0 nascen\u00e7a&#8221;, disse o coautor Joel Ong. &#8220;A estrela deve ter sido acelerada atrav\u00e9s de intera\u00e7\u00f5es de mar\u00e9 com a sua companheira, o que apoia ainda mais a ideia de que este sistema tem uma hist\u00f3ria complexa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa tamb\u00e9m examinou Gaia BH3, outro sistema que cont\u00e9m um buraco negro e uma estrela companheira ainda mais invulgar. Embora os modelos previssem que esta estrela deveria mostrar oscila\u00e7\u00f5es claras, nenhuma foi detetada, o que sugere que as teorias atuais sobre estrelas extremamente pobres em metais podem precisar de ser atualizadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tanto Gaia BH2 como BH3 s\u00e3o sistemas com buracos negros dormentes, o que significa que n\u00e3o se est\u00e3o a alimentar das suas estrelas companheiras e, por isso, n\u00e3o emitem raios X. A sua descoberta, atrav\u00e9s de medi\u00e7\u00f5es precisas do movimento estelar, est\u00e1 a alterar a forma como os astr\u00f3nomos compreendem os buracos negros na nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Olhando mais profundamente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As futuras observa\u00e7\u00f5es TESS de Gaia BH2 dar\u00e3o aos cientistas um olhar mais pormenorizado das suas vibra\u00e7\u00f5es estelares e poder\u00e3o confirmar se se formou atrav\u00e9s de uma fus\u00e3o passada, ajudando a desvendar como surgiram estes pares silenciosos de buracos negros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.hawaii.edu\/news\/2025\/11\/13\/gaia-bh2-system-celestial-song\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade do Hawaii (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/ae0e25\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astronomical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia BH2:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/simbad.cds.unistra.fr\/simbad\/sim-id?Ident=UCAC4+154-126202\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_BH2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia BH3:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/simbad.cds.unistra.fr\/simbad\/sim-id?Ident=LS+II++14+13\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_BH3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrela gigante vermelha:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Red_giant\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Buraco negro estelar (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Asterossismologia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Asteroseismology\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.asteroseismology.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">asteroseismology.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/tess-transiting-exoplanet-survey-satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/tess.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA\/Goddard<\/a><br><a href=\"https:\/\/heasarc.gsfc.nasa.gov\/docs\/tess\/proposing-investigations.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/tess\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MAST (Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais)<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetarchive.ipac.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Transiting_Exoplanet_Survey_Satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos do Instituto de Astronomia da Universidade do Hawaii desvendaram o passado turbulento de uma gigante vermelha distante, escutando a sua &#8220;can\u00e7\u00e3o&#8221; celeste. 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