{"id":8545,"date":"2025-11-28T06:48:15","date_gmt":"2025-11-28T05:48:15","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8545"},"modified":"2025-11-28T06:48:16","modified_gmt":"2025-11-28T05:48:16","slug":"primeira-detecao-de-descargas-eletricas-em-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/11\/28\/primeira-detecao-de-descargas-eletricas-em-marte\/","title":{"rendered":"Primeira dete\u00e7\u00e3o de descargas el\u00e9tricas em Marte"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IRHFM1BG_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"595\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IRHFM1BG_o-1024x595.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8546\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IRHFM1BG_o-1024x595.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IRHFM1BG_o-300x174.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IRHFM1BG_o-768x446.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IRHFM1BG_o.jpg 1386w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Dete\u00e7\u00e3o de descargas el\u00e9tricas nos diabos de poeira pelo instrumento SuperCam, a bordo do rover Perseverance em Marte.\nCr\u00e9dito: Nicolas Sarter<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Pela primeira vez, foram registadas descargas el\u00e9tricas nas tempestades e redemoinhos de poeira &#8211; conhecidos como diabos de poeira &#8211; que varrem a superf\u00edcie de Marte. Captados pelo microfone do instrumento SuperCam a bordo do rover Perseverance da NASA, os sinais foram analisados por uma equipa de cientistas do CNRS (Centre national de la recherche scientifique), da Universidade de Toulouse e do Observat\u00f3rio de Paris &#8211; PSL, trabalhando como parte de uma equipa internacional. As descargas representam uma descoberta importante com implica\u00e7\u00f5es imediatas para a nossa compreens\u00e3o da qu\u00edmica atmosf\u00e9rica, do clima e da habitabilidade de Marte, bem como para as futuras miss\u00f5es rob\u00f3ticas e tripuladas. Estes resultados foram publicados na revista Nature no dia 26 de novembro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Marte, os ventos levantam constantemente redemoinhos de poeira fina. Foi no centro de dois destes diabos marcianos de poeira que o microfone do instrumento SuperCam, o primeiro a funcionar em Marte, registou acidentalmente sinais particularmente fortes. An\u00e1lises realizadas por cientistas do IRAP (Institut de recherche en astrophysique et plan\u00e9tologie &#8211; CNES\/CNRS\/Universit\u00e9 de Toulouse) e do LATMOS (Laboratoire Atmosph\u00e8res et Observations Spatiales &#8211; CNRS\/Sorbonne Universit\u00e9\/Universit\u00e9 de Versailles Saint-Quentin-en-Yvelines) mostraram que se tratava de assinaturas eletromagn\u00e9ticas e ac\u00fasticas de descargas el\u00e9tricas compar\u00e1veis aos pequenos choques de eletricidade est\u00e1tica que podem ser sentidos na Terra quando se toca numa ma\u00e7aneta de uma porta em tempo seco. H\u00e1 muito teorizada, a exist\u00eancia de descargas el\u00e9tricas na atmosfera marciana foi agora confirmada pela primeira vez por observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes fen\u00f3menos podem ser explicados pela fric\u00e7\u00e3o entre min\u00fasculas part\u00edculas de poeira: estas tornam-se carregadas com eletr\u00f5es e depois libertam as suas cargas sob a forma de arcos el\u00e9tricos com alguns cent\u00edmetros de comprimento, acompanhados de ondas de choque aud\u00edveis. Na Terra, \u00e9 sabido que as part\u00edculas de poeira podem ficar carregadas eletricamente, especialmente nas regi\u00f5es des\u00e9rticas, embora isso raramente resulte em descargas reais. Em Marte, a fina atmosfera, composta principalmente por di\u00f3xido de carbono, torna este fen\u00f3meno muito mais prov\u00e1vel de ocorrer: a quantidade de carga necess\u00e1ria para formar fa\u00edscas \u00e9 muito menor do que na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>A descoberta destas descargas el\u00e9tricas altera profundamente a nossa compreens\u00e3o da qu\u00edmica atmosf\u00e9rica marciana. Estes fen\u00f3menos mostram que a atmosfera marciana pode atingir n\u00edveis de carga suficientes para acelerar a forma\u00e7\u00e3o de compostos altamente oxidantes. Estas subst\u00e2ncias podem destruir as mol\u00e9culas org\u00e2nicas \u00e0 superf\u00edcie, bem como numerosas subst\u00e2ncias atmosf\u00e9ricas, perturbando assim profundamente o equil\u00edbrio fotoqu\u00edmico da atmosfera. Esta descoberta poderia explicar o desaparecimento surpreendentemente r\u00e1pido do metano, que tem sido objeto de debate cient\u00edfico desde h\u00e1 v\u00e1rios anos.<\/p>\n\n\n\n<p>As cargas el\u00e9tricas necess\u00e1rias para estas descargas s\u00e3o suscet\u00edveis de afetar o transporte de poeiras em Marte, desempenhando assim um papel central no clima marciano, cuja din\u00e2mica permanece largamente desconhecida. Podem tamb\u00e9m representar um risco para o equipamento eletr\u00f3nico das atuais miss\u00f5es rob\u00f3ticas e constituir um perigo para potenciais futuras miss\u00f5es tripuladas.<\/p>\n\n\n\n<p>O microfone do instrumento SuperCam a bordo do rover Perseverance da NASA registou os primeiros sons em Marte em 2021, no dia seguinte \u00e0 sua aterragem no planeta. Ligado todos os dias, recolheu mais de 30 horas de sons do Planeta Vermelho: vento a soprar, o ru\u00eddo das p\u00e1s do helic\u00f3ptero Ingenuity e, agora, descargas el\u00e9tricas. Esta nova observa\u00e7\u00e3o confirma o enorme potencial da ac\u00fastica como ferramenta de explora\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.cnrs.fr\/fr\/presse\/premiere-detection-de-decharges-electriques-sur-mars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ CNRS (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-025-09736-y\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Marte:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Nine Planets<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Martian_dust_devils\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Diabos marcianos de poeira (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rover Perseverance:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/mars.nasa.gov\/mars2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAPersevere\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/x.com\/NASAMars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Rede social X<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_2020\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez, foram registadas descargas el\u00e9tricas nas tempestades e redemoinhos de poeira &#8211; conhecidos como diabos de poeira &#8211; que varrem a superf\u00edcie de Marte. 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