{"id":8521,"date":"2025-11-21T06:43:47","date_gmt":"2025-11-21T05:43:47","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8521"},"modified":"2025-11-21T06:43:48","modified_gmt":"2025-11-21T05:43:48","slug":"webb-deteta-um-buraco-negro-supermassivo-guloso-no-universo-primitivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/11\/21\/webb-deteta-um-buraco-negro-supermassivo-guloso-no-universo-primitivo\/","title":{"rendered":"Webb deteta um buraco negro supermassivo &#8220;guloso&#8221; no Universo primitivo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2025\/10\/webb_canucs-lrd-z8.6_in_macs_j1149.5_2223\/26932104-1-eng-GB\/Webb_CANUCS-LRD-z8.6_in_MACS_J1149.5_2223.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/glT5lTYG_o-1024x513.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8522\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem mostra a localiza\u00e7\u00e3o da gal\u00e1xia CANUCS-LRD-z8.6 no enxame de gal\u00e1xias MACS J1149.5+2223, tal como observada pelo instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA\/ESA\/CSA. CANUCS-LRD-z8.6 faz parte de uma classe de gal\u00e1xias pequenas, muito distantes e notavelmente vermelhas chamadas Pequenos Pontos Vermelhos (ou LRDs, sigla inglesa para &#8220;Little Red Dots&#8221;), que t\u00eam sido detetadas em n\u00famero crescente pelos estudos do Universo primitivo efetuados pelo Webb. Est\u00e1 localizada na constela\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o e foi observada pelo Webb apenas 570 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang.\nCr\u00e9dito: ESA\/Webb, NASA e CSA, G. Rihtar\u0161i\u010d (Faculdade de Matem\u00e1tica e F\u00edsica da Universidade de Liubliana), R. Tripodi (Faculdade de Matem\u00e1tica e F\u00edsica da Universidade de Liubliana)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Investigadores, recorrendo ao Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA\/ESA\/CSA, confirmaram a exist\u00eancia de um buraco negro supermassivo em crescimento ativo no interior de uma gal\u00e1xia, apenas 570 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang. Fazendo parte de uma classe de gal\u00e1xias pequenas e muito distantes que t\u00eam mistificado os astr\u00f3nomos, CANUCS-LRD-z8.6 representa uma pe\u00e7a vital deste puzzle e desafia as teorias existentes sobre a forma\u00e7\u00e3o de gal\u00e1xias e buracos negros no Universo primitivo. A descoberta liga os primeiros buracos negros aos quasares luminosos que observamos atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo dos seus primeiros tr\u00eas anos, os estudos do Webb acerca do Universo primitivo revelaram um n\u00famero crescente de objetos pequenos, extremamente distantes e de um vermelho impressionante. Estes chamados Pequenos Pontos Vermelhos (ou LRDs, sigla inglesa para &#8220;Little Red Dots&#8221;) continuam a ser um mist\u00e9rio para os astr\u00f3nomos, apesar da sua inesperada abund\u00e2ncia. A descoberta de CANUCS-LRD-z8.6, tornada poss\u00edvel pelas capacidades excecionais do Webb, ajudou nesta busca por respostas. O instrumento NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb permitiu aos investigadores observar a luz t\u00e9nue desta gal\u00e1xia distante e detetar caracter\u00edsticas espetrais chave que apontam para a presen\u00e7a de um buraco negro em acre\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Roberta Tripodi, autora principal do estudo e investigadora na Faculdade de Matem\u00e1tica e F\u00edsica da Universidade de Liubliana, na Eslov\u00e9nia, e do INAF &#8211; Osservatorio Astronomico di Roma, em It\u00e1lia, explicou: &#8220;Esta descoberta \u00e9 verdadeiramente not\u00e1vel. Observ\u00e1mos uma gal\u00e1xia menos de 600 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang, e n\u00e3o s\u00f3 alberga um buraco negro supermassivo, como o buraco negro est\u00e1 a crescer rapidamente &#8211; muito mais depressa do que seria de esperar numa gal\u00e1xia com esta idade. Isto desafia a nossa compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o de buracos negros e gal\u00e1xias no Universo primitivo e abre novas vias de investiga\u00e7\u00e3o sobre a forma como estes objetos surgiram&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa analisou o espetro da gal\u00e1xia, que mostrava g\u00e1s altamente ionizado por radia\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, e sugeria que estava a girar rapidamente em torno de uma fonte central. Estas caracter\u00edsticas s\u00e3o fundamentais para um buraco negro supermassivo em acre\u00e7\u00e3o. Os dados espetrais precisos permitiram obter uma estimativa da massa do buraco negro, revelando que \u00e9 invulgarmente grande para uma fase t\u00e3o precoce do Universo, e mostraram que CANUCS-LRD-z8.6 \u00e9 compacta e ainda n\u00e3o produziu muitos elementos pesados &#8211; uma gal\u00e1xia numa fase inicial da sua evolu\u00e7\u00e3o. Esta combina\u00e7\u00e3o faz dela um objeto intrigante de estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, a espetroscopia do Webb permitiu \u00e0 equipa medir a quantidade de energia emitida em diferentes comprimentos de onda, a partir da qual foi poss\u00edvel caracterizar as propriedades f\u00edsicas da gal\u00e1xia. Isto permitiu-lhes determinar a massa das estrelas da gal\u00e1xia e compar\u00e1-la com a massa do buraco negro. &#8220;Os dados que recebemos do Webb foram absolutamente cruciais&#8221;, acrescentou o Dr. Nicholas Martis, tamb\u00e9m colaborador na Faculdade de Matem\u00e1tica e F\u00edsica da Universidade de Liubliana, que ajudou a analisar o espetro da fonte. &#8220;As caracter\u00edsticas espetrais reveladas pelo Webb forneceram sinais claros de um buraco negro em acre\u00e7\u00e3o no centro da gal\u00e1xia, algo que n\u00e3o poderia ter sido observado com tecnologia anterior. O que torna este facto ainda mais convincente \u00e9 o facto de o buraco negro da gal\u00e1xia ser demasiado grande em compara\u00e7\u00e3o com a sua massa estelar. Isto sugere que os buracos negros no Universo primitivo podem ter crescido muito mais depressa do que as gal\u00e1xias que os acolhem&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos j\u00e1 tinham observado que a massa de um buraco negro supermassivo e a da gal\u00e1xia que o acolhe est\u00e3o ligadas: quanto maior \u00e9 uma gal\u00e1xia, maior \u00e9 tamb\u00e9m o seu buraco negro central. CANUCS-LRD-z8.6 \u00e9 a gal\u00e1xia hospedeira mais massiva que se conhece numa \u00e9poca t\u00e3o precoce, mas o seu buraco negro central \u00e9 ainda mais massivo do que seria de esperar, desafiando a rela\u00e7\u00e3o habitual. O resultado sugere que os buracos negros podem ter-se formado e come\u00e7ado a crescer a um ritmo acelerado no Universo primitivo, mesmo em gal\u00e1xias relativamente pequenas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta descoberta \u00e9 um passo excitante na compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o dos primeiros buracos negros supermassivos do Universo&#8221;, explicou a professora Maru\u0161a Brada\u010d, l\u00edder do grupo na Universidade de Liubliana. &#8220;O inesperado crescimento r\u00e1pido do buraco negro nesta gal\u00e1xia levanta quest\u00f5es sobre os processos que permitiram que objetos t\u00e3o massivos surgissem t\u00e3o cedo. \u00c0 medida que continuamos a analisar os dados, esperamos encontrar mais gal\u00e1xias como CANUCS-LRD-z8.6, o que nos poder\u00e1 dar ainda mais informa\u00e7\u00f5es sobre as origens dos buracos negros e das gal\u00e1xias&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa j\u00e1 est\u00e1 a planear observa\u00e7\u00f5es adicionais com o ALMA (Atacama Large Millimetre\/submillimetre Array) e com o Webb para melhor estudar o g\u00e1s frio e a poeira na gal\u00e1xia e para aperfei\u00e7oar a sua compreens\u00e3o das propriedades do buraco negro. A investiga\u00e7\u00e3o em curso sobre este Pequeno Ponto Vermelho est\u00e1 apta a responder a quest\u00f5es cruciais sobre o Universo primitivo, incluindo a forma como os buracos negros e as gal\u00e1xias coevolu\u00edram nos primeiros mil milh\u00f5es de anos da hist\u00f3ria c\u00f3smica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que os astr\u00f3nomos continuam a explorar o Universo primitivo com o Webb, espera-se que surjam mais surpresas, oferecendo uma imagem cada vez mais detalhada de como os primeiros buracos negros supermassivos cresceram e evolu\u00edram, preparando o terreno para a forma\u00e7\u00e3o dos quasares luminosos que hoje iluminam o Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados foram obtidos pela colabora\u00e7\u00e3o CANUCS do programa de observa\u00e7\u00e3o Webb #1208 e foram publicados na revista Nature Communications.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Webb\/Webb_spots_greedy_supermassive_black_hole_in_early_Universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/news\/weic2522\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA\/Webb (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.media.inaf.it\/2025\/11\/19\/jwst-affamato-lontanissimo-buco-nero\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ INAF (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-025-65070-x\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Communications)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pequenos pontos vermelhos (ou LRDs, &#8220;Little Red Dots&#8221;):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Little_red_dot_(cosmological_object)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CANUCS (Canadian NIRISS Unbiased Cluster Survey):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/niriss.github.io\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/nirspec\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investigadores, recorrendo ao Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA\/ESA\/CSA, confirmaram a exist\u00eancia de um buraco negro supermassivo em crescimento ativo no interior de uma gal\u00e1xia, apenas 570 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang. 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