{"id":8518,"date":"2025-11-21T06:41:07","date_gmt":"2025-11-21T05:41:07","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8518"},"modified":"2025-11-21T06:41:09","modified_gmt":"2025-11-21T05:41:09","slug":"webb-mostra-4-conchas-de-poeira-a-espiralar-apep-limita-orbita-longa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/11\/21\/webb-mostra-4-conchas-de-poeira-a-espiralar-apep-limita-orbita-longa\/","title":{"rendered":"Webb mostra 4 conchas de poeira a &#8220;espiralar&#8221; Apep, limita \u00f3rbita longa"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/kU5VW8Bp_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/kU5VW8Bp_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8519\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A imagem do Webb, no infravermelho m\u00e9dio, mostra pela primeira vez quatro conchas de poeira enroladas em torno de um par de estrelas Wolf-Rayet conhecidas como Apep. Observa\u00e7\u00f5es anteriores de outros telesc\u00f3pios mostraram apenas uma. Os dados do Webb tamb\u00e9m confirmam que h\u00e1 tr\u00eas estrelas gravitacionalmente ligadas uma \u00e0 outra.\nCr\u00e9dito: imagem &#8211; NASA, ESA, CSA, STScI; ci\u00eancia &#8211; Yinuo Han (Caltech), Ryan White (Universidade Macquarie); processamento &#8211; Alyssa Pagan (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Telesc\u00f3pio Espacial James Webb captou algo in\u00e9dito: uma imagem n\u00edtida, no infravermelho m\u00e9dio, de um sistema com quatro espirais serpenteantes de poeira, uma a expandir-se para al\u00e9m da outra, exatamente com o mesmo padr\u00e3o (a quarta \u00e9 quase transparente, nos limites da imagem do Webb). Observa\u00e7\u00f5es efetuadas antes do Webb apenas detetaram uma concha e, embora se tenha levantado a hip\u00f3tese da exist\u00eancia de outras conchas, as pesquisas com telesc\u00f3pios terrestres n\u00e3o conseguiram descobrir nenhuma. Estas conchas foram emitidas nos \u00faltimos 700 anos por duas estrelas Wolf-Rayet envelhecidas num sistema conhecido como Apep, uma homenagem ao deus eg\u00edpcio do caos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A imagem obtida pelo Webb, combinada com v\u00e1rios anos de dados do VLT (Very Large Telescope) do ESO, no Chile, permitiu determinar a frequ\u00eancia com que o par passa um pelo outro: uma vez em cada 190 anos. Em cada \u00f3rbita incrivelmente longa, ficam relativamente perto durante 25 anos e formam poeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Webb tamb\u00e9m confirmou que existem tr\u00eas estrelas ligadas gravitacionalmente umas \u00e0s outras neste sistema. A poeira expelida pelas duas estrelas Wolf-Rayet \u00e9 &#8220;cortada&#8221; por uma terceira estrela, uma supergigante massiva, que abre buracos em cada nuvem de poeira em expans\u00e3o a partir da sua \u00f3rbita mais larga (as tr\u00eas estrelas s\u00e3o vistas como um \u00fanico ponto brilhante de luz na imagem do Webb).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Olhar para as novas observa\u00e7\u00f5es do Webb foi como entrar numa sala escura e acender a luz &#8211; tudo se tornou vis\u00edvel&#8221;, disse Yinuo Han, o autor principal de um novo artigo cient\u00edfico publicado na revista The Astrophysical Journal e investigador de p\u00f3s-doutoramento no Caltech em Pasadena, Calif\u00f3rnia, EUA. &#8220;H\u00e1 poeira por todo o lado na imagem do Webb e o telesc\u00f3pio mostra que a maior parte dela foi lan\u00e7ada em estruturas repetitivas e previs\u00edveis&#8221;. O artigo cient\u00edfico de Han coincide com a publica\u00e7\u00e3o de um artigo cient\u00edfico, na revista The Astrophysical Journal, por Ryan White, um estudante de doutoramento da Universidade Macquarie em Sydney, na Austr\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Han, White e os seus coautores refinaram a \u00f3rbita das estrelas Wolf-Rayet combinando medi\u00e7\u00f5es precisas da localiza\u00e7\u00e3o dos an\u00e9is a partir da imagem do Webb com a velocidade de expans\u00e3o das conchas a partir de observa\u00e7\u00f5es efetuadas pelo VLT ao longo de oito anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este \u00e9 um sistema \u00fanico com um per\u00edodo orbital incrivelmente raro&#8221;, disse White. &#8220;A pr\u00f3xima \u00f3rbita mais longa para um bin\u00e1rio Wolf-Rayet poeirento \u00e9 de cerca de 30 anos. A maioria tem \u00f3rbitas entre dois e 10 anos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando as duas estrelas Wolf-Rayet se aproximam e passam uma pela outra, os seus fortes ventos estelares colidem e misturam-se, formando e lan\u00e7ando grandes quantidades de poeira rica em carbono durante um quarto de s\u00e9culo de cada vez. Em sistemas semelhantes, a poeira \u00e9 projetada ao longo de meros meses, como as conchas de Wolf-Rayet 140.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Escaramu\u00e7as a alta velocidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas Wolf-Rayet produtoras de poeira em Apep n\u00e3o est\u00e3o exatamente num cruzeiro tranquilo. Atravessam o espa\u00e7o e lan\u00e7am poeira a uma velocidade de 2000 a 3000 quil\u00f3metros por segundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa poeira \u00e9 tamb\u00e9m muito densa. A composi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da poeira \u00e9 outra raz\u00e3o pela qual o Webb foi capaz de observar muito mais: \u00e9 constitu\u00edda maioritariamente por carbono amorfo. &#8220;Os gr\u00e3os de poeira de carbono mant\u00eam uma temperatura mais elevada mesmo quando se afastam da estrela&#8221;, disse Han. Embora os excecionalmente pequenos gr\u00e3os de poeira sejam considerados quentes no espa\u00e7o, a luz que emitem \u00e9 tamb\u00e9m extremamente fraca, raz\u00e3o pela qual s\u00f3 pode ser detetada a partir do espa\u00e7o pelo instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cortando a poeira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para encontrar os buracos que a terceira estrela cortou como uma faca na poeira, procure o ponto central de luz e trace uma forma de V como ponteiros do rel\u00f3gio entre as 10 horas e as 2 horas. &#8220;A cavidade est\u00e1 mais ou menos no mesmo s\u00edtio em cada concha e parece um funil&#8221;, disse White.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Fiquei chocado quando vi os c\u00e1lculos atualizados nas nossas simula\u00e7\u00f5es&#8221;, disse. &#8220;O Webb deu-nos a &#8220;arma fumegante&#8221; para provar que a terceira estrela est\u00e1 gravitacionalmente ligada a este sistema&#8221;. Os investigadores j\u00e1 sabiam da exist\u00eancia da terceira estrela desde que o VLT observou a concha mais brilhante e as estrelas em 2018, mas as observa\u00e7\u00f5es do Webb levaram a um modelo geom\u00e9trico atualizado, confirmando a liga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Resolvemos v\u00e1rios mist\u00e9rios com o Webb&#8221;, disse Han. &#8220;O mist\u00e9rio restante \u00e9 a dist\u00e2ncia exata das estrelas \u00e0 Terra, o que exigir\u00e1 observa\u00e7\u00f5es futuras&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O futuro de Apep<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As duas estrelas Wolf-Rayet eram inicialmente mais massivas do que a sua companheira supergigante, mas j\u00e1 perderam a maior parte da sua massa. \u00c9 prov\u00e1vel que ambas as estrelas Wolf-Rayet tenham entre 10 e 20 vezes a massa do Sol, e que a supergigante seja 40 ou 50 vezes mais massiva do que o Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eventualmente, as estrelas Wolf-Rayet explodir\u00e3o como supernovas, enviando rapidamente o seu conte\u00fado para o espa\u00e7o. Qualquer uma delas pode tamb\u00e9m emitir uma explos\u00e3o de raios gama, um dos eventos mais poderosos do Universo, antes de possivelmente se transformarem em buracos negros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas Wolf-Rayet s\u00e3o incrivelmente raras no Universo. Estima-se que existam apenas mil na nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, que cont\u00e9m centenas de milhares de milh\u00f5es de estrelas. Das poucas centenas de bin\u00e1rios Wolf-Rayet que foram observados at\u00e9 \u00e0 data, Apep \u00e9 o \u00fanico exemplo, na nossa Gal\u00e1xia, que cont\u00e9m duas estrelas Wolf-Rayet deste tipo &#8211; a maioria s\u00f3 tem uma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Wolf-Rayet Apep Visualization \u2014 James Webb Space Telescope\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fITdexBNfkQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/webb\/webb-first-to-show-4-dust-shells-spiraling-apep-limits-long-orbit\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.caltech.edu\/about\/news\/rare-star-system-gives-insights-into-the-origins-of-carbon-dust-in-the-galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Caltech (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ae12e5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/adfbe1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema Apep:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-id?Ident=2XMM+J160050.7-514245\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SIMBAD<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Apep_(star_system)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas Wolf-Rayet:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Wolf-Rayet_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/nirspec\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT (Very Large Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Telesc\u00f3pio Espacial James Webb captou algo in\u00e9dito: uma imagem n\u00edtida, no infravermelho m\u00e9dio, de um sistema com quatro espirais serpenteantes de poeira, uma a expandir-se para al\u00e9m da outra, exatamente com o mesmo padr\u00e3o. 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