{"id":8500,"date":"2025-11-14T07:23:10","date_gmt":"2025-11-14T06:23:10","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8500"},"modified":"2025-11-25T07:27:30","modified_gmt":"2025-11-25T06:27:30","slug":"forma-unica-da-explosao-de-uma-estrela-revelada-apenas-um-dia-apos-a-detecao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/11\/14\/forma-unica-da-explosao-de-uma-estrela-revelada-apenas-um-dia-apos-a-detecao\/","title":{"rendered":"Forma \u00fanica da explos\u00e3o de uma estrela revelada apenas um dia ap\u00f3s a dete\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"614\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/ciZjMDTL_o-1024x614.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8543\" style=\"aspect-ratio:1;width:796px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/ciZjMDTL_o-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/ciZjMDTL_o-300x180.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/ciZjMDTL_o-768x461.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/ciZjMDTL_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem art\u00edstica mostra uma estrela a transformar-se numa supernova. A cerca de 22 milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia da Terra, a supernova SN 2024ggi explodiu na gal\u00e1xia NGC 3621. Utilizando o VLT do ESO, os astr\u00f3nomos conseguiram capturar a fase inicial da supernova, quando a explos\u00e3o irrompeu da superf\u00edcie da estrela. A observa\u00e7\u00e3o da explos\u00e3o t\u00e3o cedo, apenas 26 horas ap\u00f3s a supernova ter sido detetada pela primeira vez, revelou a sua verdadeira forma. A supernova explodiu com uma forma semelhante a uma azeitona. Trata-se da primeira vez que se observa a forma de uma explos\u00e3o de supernova nesta fase t\u00e3o inicial.\nCr\u00e9dito: ESO\/L. Cal\u00e7ada<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Observa\u00e7\u00f5es muito r\u00e1pidas levadas a cabo com o VLT (Very Large Telescope) do ESO revelaram a morte explosiva de uma estrela quando a explos\u00e3o irrompia da superf\u00edcie da estrela. Pela primeira vez, os astr\u00f3nomos revelaram a forma da explos\u00e3o na sua fugaz fase inicial. Esta fase inicial j\u00e1 n\u00e3o teria sido poss\u00edvel observar no dia a seguir e ajuda-nos a responder a uma s\u00e9rie de quest\u00f5es sobre como \u00e9 que as estrelas massivas explodem, transformando-se em supernovas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a explos\u00e3o da supernova SN 2024ggi foi detetada pela primeira vez na noite de 10 de abril de 2024, Yi Yang, professor assistente da Universidade Tsinghua em Pequim, na China, e principal autor do novo estudo, acabara de aterrar em S\u00e3o Francisco depois um voo de longo curso. Yi Yang sabia que tinha de agir rapidamente e por isso, doze horas mais tarde enviou uma proposta de observa\u00e7\u00e3o ao ESO. No seguimento de um processo de aprova\u00e7\u00e3o muito r\u00e1pido, no dia 11 de abril o ESO apontou o seu telesc\u00f3pio VLT, instalado no Chile, \u00e0 supernova, 26 horas apenas ap\u00f3s a dete\u00e7\u00e3o inicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SN 2024ggi situa-se na gal\u00e1xia NGC 3621, na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o da Hidra, a &#8220;apenas&#8221; 22 milh\u00f5es de anos-luz da Terra, o que \u00e9 pr\u00f3ximo em termos astron\u00f3micos. Com um grande telesc\u00f3pio e o instrumento certo, a equipa internacional sabia que tinha uma oportunidade rara de desvendar a forma da explos\u00e3o logo ap\u00f3s a sua ocorr\u00eancia. &#8220;As primeiras observa\u00e7\u00f5es do VLT capturaram a fase durante a qual a mat\u00e9ria acelerada pela explos\u00e3o perto do centro da estrela irrompeu pela superf\u00edcie da estrela. Durante algumas horas, a geometria da estrela e a sua explos\u00e3o puderam ser, e foram, observadas em conjunto&#8221;, afirma Dietrich Baade, astr\u00f3nomo do ESO na Alemanha e coautor do estudo publicado na revista Science Advances.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A geometria de uma explos\u00e3o de supernova fornece informa\u00e7\u00f5es fundamentais sobre a evolu\u00e7\u00e3o estelar e os processos f\u00edsicos que levam a estes fogos de artif\u00edcio c\u00f3smicos&#8221;, explica Yang. Os mecanismos exatos por detr\u00e1s das explos\u00f5es de estrelas massivas, com mais de oito vezes a massa do Sol, sob a forma de supernovas, continuam a ser debatidos e permanecem uma das quest\u00f5es fundamentais abordadas pelos cientistas. A estrela progenitora desta supernova era uma supergigante vermelha, com uma massa 12 a 15 vezes superior \u00e0 do Sol e um raio 500 vezes maior, o que faz de SN 2024ggi um exemplo cl\u00e1ssico de explos\u00e3o de uma estrela massiva.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso2520b.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/a7\/d8\/DAc1B851_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem mostra a localiza\u00e7\u00e3o da supernova SN 2024ggi na gal\u00e1xia NGC 3621 e foi obtida no dia 11 de abril de 2024, apenas 26 horas ap\u00f3s a dete\u00e7\u00e3o inicial da supernova, com o instrumento FORS2 montado no VLT do ESO. Entre outras capacidades, o FORS2 permite obter espetros em luz polarizada. Esta t\u00e9cnica, chamada espetropolarimetria, fornece-nos informa\u00e7\u00f5es cruciais sobre a forma da explos\u00e3o, mesmo apesar desta parecer um \u00fanico ponto quando vista a partir da Terra.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/Y. Yang et al.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabemos que, durante a sua vida, uma estrela t\u00edpica mant\u00e9m a sua forma esf\u00e9rica como resultado de um equil\u00edbrio muito preciso entre a for\u00e7a gravitacional, que tende a comprimi-la, e a press\u00e3o do seu motor nuclear, que tende a expandi-la. Quando a sua \u00faltima fonte de combust\u00edvel se esgota, o motor nuclear come\u00e7a a falhar. Para estrelas massivas, isto marca o in\u00edcio da fase de supernova: o n\u00facleo da estrela moribunda entra em colapso, as conchas de massa que o rodeiam caem sobre ele e ricocheteiam. Este choque de ricochete propaga-se para o exterior, destruindo a estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o choque irrompe da superf\u00edcie estelar, s\u00e3o libertadas enormes quantidades de energia &#8211; a supernova brilha de forma dram\u00e1tica e pode ent\u00e3o ser observada. Durante um per\u00edodo muito curto, a forma inicial da explos\u00e3o pode ser estudada, antes da supernova come\u00e7ar a interagir com o material que rodeia a estrela moribunda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi isso que os astr\u00f3nomos conseguiram observar pela primeira vez com o aux\u00edlio do VLT do ESO, utilizando uma t\u00e9cnica chamada &#8220;espetropolarimetria&#8221;. &#8220;A espetropolarimetria d\u00e1-nos informa\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 geometria da explos\u00e3o que outro tipo de observa\u00e7\u00f5es n\u00e3o consegue, uma vez que as escalas angulares s\u00e3o demasiado pequenas&#8221;, afirma Lifan Wang, coautor e professor da Universidade A&amp;M do Texas, nos EUA, que foi estudante do ESO no in\u00edcio da sua carreira cient\u00edfica. Apesar da estrela que est\u00e1 a explodir parecer um \u00fanico ponto, a polariza\u00e7\u00e3o da sua luz cont\u00e9m pistas ocultas sobre a sua geometria, as quais a equipa conseguiu desvendar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00fanica infraestrutura no hemisf\u00e9rio sul capaz de capturar a forma de uma supernova atrav\u00e9s deste tipo de medi\u00e7\u00f5es \u00e9 o instrumento FORS2 instalado no VLT. Com os dados do FORS2 (FOcal Reducer and low dispersion Spectrograph), os astr\u00f3nomos descobriram que a explos\u00e3o da mat\u00e9ria inicial apresentava a forma de uma azeitona. \u00c0 medida que a explos\u00e3o se espalhou para o exterior, colidindo com o material que circunda a estrela, a &#8220;azeitona&#8221; achatou-se, mas o eixo de simetria da mat\u00e9ria ejetada permaneceu o mesmo. &#8220;Estes resultados sugerem um mecanismo f\u00edsico comum que impulsiona a explos\u00e3o de muitas estrelas massivas e que manifesta uma simetria axial bem definida e atua a larga escala&#8221;, explica Yang.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No seguimento desta descoberta, os astr\u00f3nomos podem j\u00e1 descartar alguns dos atuais modelos de supernova e adicionar novas informa\u00e7\u00f5es para melhorar outros, dando-nos pistas preciosas sobre as mortes explosivas de estrelas massivas. &#8220;Esta descoberta n\u00e3o s\u00f3 reformula a nossa compreens\u00e3o das explos\u00f5es estelares, como tamb\u00e9m demonstra o que pode ser alcan\u00e7ado quando a ci\u00eancia transcende fronteiras&#8221;, afirma o coautor do estudo e astr\u00f3nomo do ESO Ferdinando Patat. &#8220;\u00c9 uma poderosa lembran\u00e7a de que a curiosidade, a colabora\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida podem desvendar mist\u00e9rios profundos da f\u00edsica que molda o nosso Universo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"What\u2019s the true shape of a supernova? | ESO News\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mHHpONuSZA8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso2520\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.adx2925\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SN 2024ggi:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.wis-tns.org\/object\/2024ggi\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Transient Name Server<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supernova:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_II_supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Supernova do Tipo II (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NGC 3621:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NGC_3621\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT (Very Large Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/vlt-instr\/fors\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">FORS2 (ESO)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Observa\u00e7\u00f5es muito r\u00e1pidas levadas a cabo com o VLT (Very Large Telescope) do ESO revelaram a morte explosiva de uma estrela quando a explos\u00e3o irrompia da superf\u00edcie da estrela. Pela primeira vez, os astr\u00f3nomos revelaram a forma da explos\u00e3o na sua fugaz fase inicial. Esta fase inicial j\u00e1 n\u00e3o teria sido poss\u00edvel observar no dia a seguir e ajuda-nos a responder a uma s\u00e9rie de quest\u00f5es sobre como \u00e9 que as estrelas massivas explodem, transformando-se em supernovas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8543,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,1],"tags":[2005,2004,1254,107],"class_list":["post-8500","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-telescopios-profissionais","tag-ngc-3621","tag-sn-2024ggi","tag-supernova-do-tipo-ii","tag-vlt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8500","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8500"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8500\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8544,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8500\/revisions\/8544"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8543"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8500"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8500"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8500"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}