{"id":8474,"date":"2025-11-04T07:13:36","date_gmt":"2025-11-04T06:13:36","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8474"},"modified":"2025-11-04T07:13:37","modified_gmt":"2025-11-04T06:13:37","slug":"experiencias-mostram-a-criacao-de-agua-durante-o-processo-de-formacao-planetaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/11\/04\/experiencias-mostram-a-criacao-de-agua-durante-o-processo-de-formacao-planetaria\/","title":{"rendered":"Experi\u00eancias mostram a cria\u00e7\u00e3o de \u00e1gua durante o processo de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/g1eSlJvR_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"432\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/g1eSlJvR_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8475\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/g1eSlJvR_o.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/g1eSlJvR_o-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma nova investiga\u00e7\u00e3o utiliza experi\u00eancias laboratoriais para demonstrar que a \u00e1gua \u00e9 criada naturalmente durante o processo de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. Ao apertar e aquecer materiais an\u00e1logos a planetas entre as pontas de dois diamantes, cientistas do Instituto Carnegie, do IPGP e da UCLA demonstraram que as intera\u00e7\u00f5es entre a atmosfera de um planeta jovem e o seu oceano de magma primitivo criam \u00e1gua e dissolvem hidrog\u00e9nio no magma fundido. Este trabalho tem implica\u00e7\u00f5es importantes para a nossa compreens\u00e3o da habitabilidade planet\u00e1ria e para a procura de exoplanetas que possam albergar vida.<br>Cr\u00e9dito: Navid Marvi\/Instituto Carnegie<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com uma nova investiga\u00e7\u00e3o publicada na revista Nature por Francesca Miozzi e Anat Shahar, do Instituto Carnegie, o tipo de planeta mais abundante na nossa Gal\u00e1xia poder\u00e1 ser rico em \u00e1gua l\u00edquida devido a intera\u00e7\u00f5es formativas entre oceanos de magma e atmosferas primitivas durante os seus primeiros anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dos mais de 6000 exoplanetas conhecidos na Via L\u00e1ctea, os chamados sub-Neptunos s\u00e3o os mais comuns. S\u00e3o mais pequenos do que Neptuno e mais massivos do que a Terra e pensa-se que tenham interiores rochosos com atmosferas espessas dominadas pelo hidrog\u00e9nio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto torna-os bons candidatos para testar ideias sobre como os planetas rochosos, como o nosso, obtiveram uma abund\u00e2ncia de \u00e1gua &#8211; que foi cr\u00edtica para o aparecimento da vida na Terra e \u00e9 considerada uma componente fundamental da habitabilidade planet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso conhecimento cada vez maior sobre a vasta diversidade de exoplanetas permitiu-nos imaginar novos pormenores sobre as primeiras fases da forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o dos planetas rochosos&#8221;, explicou Miozzi. &#8220;Isto abriu a porta \u00e0 considera\u00e7\u00e3o de uma nova fonte de abastecimento de \u00e1gua para os planetas &#8211; um mist\u00e9rio h\u00e1 muito debatido entre os cientistas terrestres e planet\u00e1rios &#8211; mas as experi\u00eancias concebidas com este objetivo em mente estavam ausentes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este trabalho faz parte do projeto interdisciplinar e multi-institucional AEThER (Atmospheric Empirical, Theoretical, and Experimental Research), que foi fundado e \u00e9 dirigido por Shahar. A iniciativa combina conhecimentos especializados de diversos dom\u00ednios &#8211; incluindo astronomia, cosmoqu\u00edmica, din\u00e2mica planet\u00e1ria, petrologia, f\u00edsica mineral e outros &#8211; para responder a quest\u00f5es fundamentais sobre as caracter\u00edsticas que permitem que os planetas rochosos desenvolvam condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 vida. O seu trabalho centra-se particularmente na tentativa de ligar as observa\u00e7\u00f5es das atmosferas planet\u00e1rias \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o e din\u00e2mica dos seus corpos rochosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o anterior em modela\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica demonstrou que as intera\u00e7\u00f5es entre o hidrog\u00e9nio atmosf\u00e9rico e os oceanos de magma contendo ferro, durante a forma\u00e7\u00e3o do planeta, podem produzir quantidades significativas de \u00e1gua. No entanto, at\u00e9 agora n\u00e3o tinham sido efetuados testes experimentais exaustivos desta fonte proposta de \u00e1gua planet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Miozzi e Shahar lideraram uma equipa internacional de investigadores do IPGP (Institut de Physique du Globe de Paris) e da UCLA (University of California, Los Angeles) para criar as condi\u00e7\u00f5es em que essas intera\u00e7\u00f5es entre o hidrog\u00e9nio &#8211; que representa a atmosfera planet\u00e1ria inicial &#8211; e a s\u00edlica fundida rica em ferro &#8211; que representa o oceano magm\u00e1tico em forma\u00e7\u00e3o &#8211; ocorreriam num planeta jovem. Conseguiram-no comprimindo amostras at\u00e9 cerca de 600.000 vezes a press\u00e3o atmosf\u00e9rica (60 gigapascais) e aquecendo-as a mais de 4000\u00ba C.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O seu ambiente experimental imita uma fase cr\u00edtica do processo evolutivo de um planeta rochoso. Tais corpos s\u00e3o formados a partir do disco de poeira e g\u00e1s que rodeia uma estrela jovem no per\u00edodo ap\u00f3s o seu nascimento. Este material \u00e9 acretado em corpos que chocam uns contra os outros e se tornam maiores e mais quentes, acabando por se fundir num vasto oceano de magma. Estes jovens planetas est\u00e3o frequentemente rodeados por um espesso inv\u00f3lucro de hidrog\u00e9nio molecular, H2, que pode atuar como um &#8220;cobertor t\u00e9rmico&#8221;, mantendo o oceano de magma durante milhares de milh\u00f5es de anos antes de arrefecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso trabalho forneceu a primeira evid\u00eancia experimental de dois processos cr\u00edticos do in\u00edcio da evolu\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria&#8221;, indicou Miozzi. &#8220;Mostr\u00e1mos que uma grande quantidade de hidrog\u00e9nio \u00e9 dissolvida na massa fundida e que quantidades significativas de \u00e1gua s\u00e3o criadas pela redu\u00e7\u00e3o do \u00f3xido de ferro pelo hidrog\u00e9nio molecular&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em conjunto, estas descobertas demonstram que grandes quantidades de hidrog\u00e9nio podem ser armazenadas no oceano magm\u00e1tico enquanto ocorre a forma\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. Isto tem implica\u00e7\u00f5es importantes para as propriedades f\u00edsicas e qu\u00edmicas do interior do planeta, com potenciais efeitos tamb\u00e9m no desenvolvimento do n\u00facleo e na composi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A presen\u00e7a de \u00e1gua l\u00edquida \u00e9 considerada cr\u00edtica para a habitabilidade planet\u00e1ria&#8221;, concluiu Shahar. &#8220;Este trabalho demonstra que grandes quantidades de \u00e1gua s\u00e3o criadas como uma consequ\u00eancia natural da forma\u00e7\u00e3o de planetas. Representa um grande passo em frente na forma como pensamos acerca da procura de mundos distantes capazes de albergar vida&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/carnegiescience.edu\/how-do-planets-get-wet-experiments-show-water-creation-during-planet-formation-process\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Instituto Carnegie (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-025-09816-z\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discos protoplanet\u00e1rios:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protoplanetary_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nebular_hypothesis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_nearest_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas mais pr\u00f3ximos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_candidates_for_liquid_water\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas candidatos a albergar \u00e1gua l\u00edquida (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanet.eu\/home\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AEThER (Atmospheric Empirical, Theoretical, and Experimental Research):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/planets.carnegiescience.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Carnegie<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com uma nova investiga\u00e7\u00e3o publicada na revista Nature por Francesca Miozzi e Anat Shahar, do Instituto Carnegie, o tipo de planeta mais abundante na nossa Gal\u00e1xia poder\u00e1 ser rico em \u00e1gua l\u00edquida devido a intera\u00e7\u00f5es formativas entre oceanos de magma e atmosferas primitivas durante os seus primeiros anos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8475,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[72],"tags":[306,147,289],"class_list":["post-8474","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-exoplanetas","tag-disco-protoplanetario","tag-exoplaneta","tag-formacao-planetaria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8474"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8474\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8476,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8474\/revisions\/8476"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8475"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}