{"id":8449,"date":"2025-10-28T09:37:56","date_gmt":"2025-10-28T08:37:56","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8449"},"modified":"2025-10-28T09:37:57","modified_gmt":"2025-10-28T08:37:57","slug":"astronomos-mapeiam-um-misterioso-gas-escuro-na-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/10\/28\/astronomos-mapeiam-um-misterioso-gas-escuro-na-via-lactea\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos mapeiam um misterioso g\u00e1s &#8220;escuro&#8221; na Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/JEuxacrJ_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"648\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/JEuxacrJ_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8450\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/JEuxacrJ_o.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/JEuxacrJ_o-300x253.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta cole\u00e7\u00e3o de imagens mostra a localiza\u00e7\u00e3o do g\u00e1s molecular escuro em CO na constela\u00e7\u00e3o de Cisne, e os dados do g\u00e1s na latitude e longitude gal\u00e1cticas pelo GBT.\nCr\u00e9dito: NSF\/AUI\/NSF NRAO\/P.Vosteen<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos criou os primeiros mapas em grande escala de uma misteriosa forma de mat\u00e9ria, conhecida como g\u00e1s molecular escuro em CO, numa das vizinhan\u00e7as mais ativas em forma\u00e7\u00e3o estelar da nossa Via L\u00e1ctea, Cygnus X. As suas descobertas, utilizando o GBT (Green Bank Telescope), est\u00e3o a fornecer novas pistas cruciais sobre o modo como as estrelas se formaram na Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 d\u00e9cadas que os cientistas sabem que a maioria das novas estrelas nascem no interior de nuvens de hidrog\u00e9nio molecular frio. Grande parte deste hidrog\u00e9nio molecular \u00e9 invis\u00edvel para a maioria dos telesc\u00f3pios &#8211; n\u00e3o emite luz que possa ser facilmente detetada. Tradicionalmente, os astr\u00f3nomos t\u00eam &#8220;ca\u00e7ado&#8221; estas nuvens atrav\u00e9s da procura de mon\u00f3xido de carbono (CO), uma mol\u00e9cula que funciona como um sinal luminoso para as regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar. No entanto, acontece que h\u00e1 muito g\u00e1s de forma\u00e7\u00e3o estelar que n\u00e3o se &#8220;ilumina&#8221; no CO. Este material escuro e oculto (designado g\u00e1s molecular escuro em CO) tem sido uma das maiores lacunas da astronomia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, pela primeira vez, os astr\u00f3nomos mapearam este g\u00e1s oculto numa enorme faixa do c\u00e9u &#8211; mais de 100 vezes a \u00e1rea coberta pela Lua cheia &#8211; observando as linhas espetrais de r\u00e1dio da recombina\u00e7\u00e3o de \u00e1tomos, conhecidas como linhas r\u00e1dio de recombina\u00e7\u00e3o do carbono. O mapa da equipa cobre a movimentada regi\u00e3o de Cygnus X, uma metr\u00f3pole c\u00f3smica a cerca de 5000 anos-luz de dist\u00e2ncia, com estrelas rec\u00e9m-nascidas em abund\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 como se, de repente, acend\u00eassemos as luzes de uma sala e v\u00edssemos todo o tipo de estruturas que n\u00e3o sab\u00edamos que l\u00e1 estavam&#8221;, diz Kimberly Emig, cientista associada do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) da NSF (National Science Foundation) e autora principal do novo estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo mapa revela uma vasta rede de arcos, cristas e teias de g\u00e1s escuro que tecem Cygnus X. Estas formas mostram onde o material que produz as estrelas \u00e9 reunido e cresce, antes de se tornar vis\u00edvel no CO como nuvens moleculares. A investiga\u00e7\u00e3o demonstra que estes fracos sinais de carbono, detetados a frequ\u00eancias de r\u00e1dio muito baixas, s\u00e3o uma ferramenta incrivelmente poderosa para descobrir o g\u00e1s oculto que liga diretamente a mat\u00e9ria comum \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de novas estrelas. O estudo descobriu que este g\u00e1s escuro n\u00e3o est\u00e1 apenas parado; est\u00e1 a fluir e a deslocar-se, e a mover-se a velocidades muito mais elevadas do que se pensava. Estes fluxos turbulentos podem determinar a rapidez com que as estrelas se podem formar. A equipa tamb\u00e9m descobriu que o brilho destas linhas de carbono est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 intensa luz das estrelas que banha a regi\u00e3o, real\u00e7ando o poderoso papel que a radia\u00e7\u00e3o desempenha na reciclagem gal\u00e1ctica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ao tornar vis\u00edvel o invis\u00edvel, podemos finalmente rastrear a forma como a mat\u00e9ria-prima da nossa Gal\u00e1xia \u00e9 transformada de simples \u00e1tomos em estruturas moleculares complexas que um dia se tornar\u00e3o estrelas, planetas e possivelmente vida&#8221;, explica Emig, &#8220;e isto \u00e9 apenas o in\u00edcio da compreens\u00e3o destas for\u00e7as anteriormente invis\u00edveis&#8221;. O GBT tornou-se a ferramenta mais importante do mundo para este tipo de investiga\u00e7\u00e3o e est\u00e3o a ser efetuados levantamentos ainda maiores de linhas r\u00e1dio de recombina\u00e7\u00e3o do carbono (como o GDIGS-Low &#8211; GBT Diffuse Ionized Gas Survey at Low Frequencies) para explorar outras regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar da Via L\u00e1ctea. Os conhecimentos aqui obtidos ajudar\u00e3o os astr\u00f3nomos de todo o mundo a modelar a forma como a nossa Gal\u00e1xia &#8211; e potencialmente outras &#8211; constr\u00f3i nuvens massivas para a forma\u00e7\u00e3o de estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/astronomers-map-mysterious-dark-gas-in-the-milky-way\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/adfa17\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cygnus X:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cygnus_X_(star_complex)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nuvem molecular gigante:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Molecular_cloud#Giant_molecular_clouds\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GBT (Green Bank Telescope):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/greenbankobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Green_Bank_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/greenbankobservatory.org\/science\/gbt-surveys\/gdigs-low\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GDIGS-Low<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos criou os primeiros mapas em grande escala de uma misteriosa forma de mat\u00e9ria, conhecida como g\u00e1s molecular escuro em CO, numa das vizinhan\u00e7as mais ativas em forma\u00e7\u00e3o estelar da nossa Via L\u00e1ctea, Cygnus X.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8450,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[156,50,1],"tags":[1994,332,431,1977],"class_list":["post-8449","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-diversos","category-estrelas","category-telescopios-profissionais","tag-cygnus-x","tag-formacao-estelar","tag-gbt","tag-nuvem-molecular-gigante"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8449","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8449"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8449\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8451,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8449\/revisions\/8451"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8450"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8449"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8449"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8449"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}