{"id":8441,"date":"2025-10-24T06:19:09","date_gmt":"2025-10-24T05:19:09","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8441"},"modified":"2025-10-24T06:19:10","modified_gmt":"2025-10-24T05:19:10","slug":"descoberta-uma-ana-castanha-em-orbita-de-uma-ana-vermelha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/10\/24\/descoberta-uma-ana-castanha-em-orbita-de-uma-ana-vermelha\/","title":{"rendered":"Descoberta uma an\u00e3 castanha em \u00f3rbita de uma an\u00e3 vermelha"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/KWV8PXEl_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"458\" height=\"437\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/KWV8PXEl_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8442\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/KWV8PXEl_o.jpg 458w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/KWV8PXEl_o-300x286.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 458px) 100vw, 458px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Resultado p\u00f3s-processado da imagem NIRC2 de agosto de 2023 da an\u00e3 vermelha J1446 e uma fonte pontual \u00e9 detetada perto da estrela central. A seta branca indica a localiza\u00e7\u00e3o da nova companheira, a an\u00e3 castanha J1446B.\nCr\u00e9dito: Taichi Uyama (Centro de Astrobiologia\/CSUN)\/Observat\u00f3rio W. M. Keck)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos, utilizando os poderes combinados de observat\u00f3rios espaciais e terrestres, incluindo o Observat\u00f3rio W. M. Keck e o Telesc\u00f3pio Subaru em Maunakea, no Hawaii, descobriram uma an\u00e3 castanha companheira em \u00f3rbita de uma estrela an\u00e3 vermelha pr\u00f3xima, fornecendo uma vis\u00e3o fundamental sobre o modo como as estrelas e os planetas se formam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Localizada a cerca de 55 anos-luz da Terra, a an\u00e3 castanha companheira, chamada J1446B, foi descoberta em \u00f3rbita da an\u00e3 M J1446. Demasiado massiva para ser um planeta, mas tamb\u00e9m demasiado leve para ser uma estrela normal, J1446B tem uma massa cerca de 60 vezes superior \u00e0 de J\u00fapiter e orbita a sua estrela hospedeira a uma dist\u00e2ncia cerca de 4,3 vezes superior \u00e0 separa\u00e7\u00e3o Terra-Sol, completando uma \u00f3rbita em cerca de 20 anos. Notavelmente, as observa\u00e7\u00f5es no infravermelho pr\u00f3ximo revelaram varia\u00e7\u00f5es de brilho de cerca de 30%, sugerindo fen\u00f3menos atmosf\u00e9ricos din\u00e2micos, tais como nuvens ou tempestades semelhantes \u00e0s dos gigantes gasosos como J\u00fapiter, mas a uma escala muito maior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O estudo da meteorologia destes objetos distantes n\u00e3o s\u00f3 nos ajuda a compreender como as suas atmosferas se formam, mas tamb\u00e9m informa a nossa busca por planetas com vida para l\u00e1 do Sistema Solar&#8221;, disse Taichi Uyama, investigador do Centro de Astrobiologia do Jap\u00e3o e autor principal do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo, liderado pelo Centro de Astrobiologia dos Institutos Nacionais de Ci\u00eancias Naturais, pela Universidade do Estado da Calif\u00f3rnia em Northridge e pela Universidade Johns Hopkins, foi publicado na revista The Astronomical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Subestima\u00e7\u00e3o da ocorr\u00eancia de companheiras estelares<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e3s M, ou an\u00e3s vermelhas, s\u00e3o o tipo de estrela mais comum na nossa Gal\u00e1xia, representando mais de metade de todas as estrelas da Via L\u00e1ctea. Estas estrelas, mais pequenas e mais frias que o Sol, s\u00e3o alvos fundamentais para compreender os processos de forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o estelar e planet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, devido ao facto de as an\u00e3s M serem intrinsecamente t\u00e9nues, as observa\u00e7\u00f5es detalhadas t\u00eam sido historicamente limitadas e os primeiros estudos sugeriam que mais de 70% delas eram estrelas individuais. Avan\u00e7os recentes nas t\u00e9cnicas de observa\u00e7\u00e3o revelaram que esta observa\u00e7\u00e3o \u00e9 incompleta: a frequ\u00eancia de companheiras estelares e subestelares de baixa massa, como as an\u00e3s castanhas, pode ter sido significativamente subestimada. Compreender a frequ\u00eancia com que tais companheiras ocorrem &#8211; e a sua distribui\u00e7\u00e3o de massa &#8211; \u00e9 essencial para distinguir as semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as entre a forma\u00e7\u00e3o de planetas e a forma\u00e7\u00e3o de estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Abordagem em tr\u00eas vertentes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A chave para esta descoberta foi uma abordagem observacional em tr\u00eas vertentes, incluindo o Observat\u00f3rio Keck, o Telesc\u00f3pio Subaru e a miss\u00e3o Gaia: (1) medi\u00e7\u00f5es de velocidade radial a partir da monitoriza\u00e7\u00e3o espetrosc\u00f3pica de longo prazo no infravermelho com o IRD (InfraRed Doppler) do Subaru, que detetou a subtil oscila\u00e7\u00e3o da estrela hospedeira causada pela atra\u00e7\u00e3o gravitacional m\u00fatua; (2) imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o no infravermelho pr\u00f3ximo obtidas com a \u00f3tica adaptativa de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o do instrumento NIRC2 (Near-Infrared Camera) do Observat\u00f3rio Keck permitiram a dete\u00e7\u00e3o direta da companheira a uma separa\u00e7\u00e3o muito pequena da estrela hospedeira; e (3) a miss\u00e3o Gaia seguiu pequenas mudan\u00e7as na posi\u00e7\u00e3o da estrela no c\u00e9u para revelar ainda mais a sua atra\u00e7\u00e3o gravitacional. Integrando estes conjuntos de dados e aplicando as leis de Kepler, a equipa foi capaz de determinar a massa din\u00e2mica e os par\u00e2metros orbitais de J1446B com uma precis\u00e3o sem precedentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A contribui\u00e7\u00e3o cr\u00edtica do Keck foi a obten\u00e7\u00e3o de imagens diretas desta an\u00e3 castanha companheira, o que levou \u00e0 caracteriza\u00e7\u00e3o da \u00f3rbita do objeto e das suas propriedades f\u00edsicas, como a massa e a temperatura&#8221;, disse Charles Beichman, Diretor Executivo do NExSCI (NASA Exoplanet Science Institute) no Caltech e coautor do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma refer\u00eancia para estudos futuros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta de J1446B constitui um ponto de refer\u00eancia fundamental para testar cen\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o de an\u00e3s castanhas e modelos atmosf\u00e9ricos. A combina\u00e7\u00e3o de futuros lan\u00e7amentos de dados do Gaia e de dados espetrosc\u00f3picos avan\u00e7ados obtidos a partir de observa\u00e7\u00f5es de seguimento com novos instrumentos &#8211; como o HISPEC (High-resolution Infrared Spectrograph for Exoplanet Characterization) do Observat\u00f3rio Keck &#8211; pode permitir aos investigadores mapear padr\u00f5es atmosf\u00e9ricos, dando um passo em frente na compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o dos planetas. Talvez, at\u00e9, nos guie para um planeta como o nosso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Beichman acrescentou: &#8220;Notavelmente, duas imagens do Keck mostraram variabilidade no brilho da an\u00e3 castanha, sugerindo a exist\u00eancia de nuvens e padr\u00f5es meteorol\u00f3gicos! Esta abordagem combinada tornar-se-\u00e1 cada vez mais poderosa, chegando at\u00e9 ao reino dos planetas gigantes gasosos como o nosso J\u00fapiter, \u00e0 medida que os novos instrumentos do Keck entrarem em funcionamento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/keckobservatory.org\/brown-dwarf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Observat\u00f3rio W. M. Keck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/subarutelescope.org\/en\/results\/2025\/10\/20\/3609.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Telesc\u00f3pio Subaru (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.abc-nins.jp\/en\/discovery-of-a-brown-dwarf-orbiting-a-red-dwarf-through-the-synergy-of-ground-and-space-based-observatories\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Centro de Astrobiologia do Jap\u00e3o (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/ae08b6\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astronomical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s castanhas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Brown_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.darkstar1.co.uk\/ds3.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Andy Lloyd&#8217;s Dark Star Theory<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s vermelhas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Red_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio W. M. Keck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Keck_telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/keckobservatory.org\/our-story\/telescopes\/nirc2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRC2 (Near-Infrared Camera)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Subaru:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.naoj.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NAOJ<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Subaru_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/subarutelescope.org\/en\/subaru2\/instrument\/ird\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">IRD (InfraRed Doppler)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina da ESA para a comunidade cient\u00edfica<\/a><br><a href=\"https:\/\/gea.esac.esa.int\/archive\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados do Gaia (ESA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos, utilizando os poderes combinados de observat\u00f3rios espaciais e terrestres, incluindo o Observat\u00f3rio W. 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