{"id":8438,"date":"2025-10-24T06:16:56","date_gmt":"2025-10-24T05:16:56","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8438"},"modified":"2025-10-24T06:16:57","modified_gmt":"2025-10-24T05:16:57","slug":"cientistas-planetarios-ligam-o-nascimento-de-jupiter-a-zona-de-formacao-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/10\/24\/cientistas-planetarios-ligam-o-nascimento-de-jupiter-a-zona-de-formacao-da-terra\/","title":{"rendered":"Cientistas planet\u00e1rios ligam o nascimento de J\u00fapiter \u00e0 zona de forma\u00e7\u00e3o da Terra"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/assets.science.nasa.gov\/content\/dam\/science\/psd\/photojournal\/pia\/pia22\/pia22946\/PIA22946.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BmJ5BeOH_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8439\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BmJ5BeOH_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BmJ5BeOH_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BmJ5BeOH_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BmJ5BeOH_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem melhorada de J\u00fapiter, com base em tr\u00eas exposi\u00e7\u00f5es obtidas pela sonda Juno em 2019.<br>Cr\u00e9dito: Kevin M. Gill; NASA\/JPL-Caltech\/MSSS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma nova investiga\u00e7\u00e3o sugere que o planeta gigante J\u00fapiter remodelou o Sistema Solar primitivo de forma dram\u00e1tica, criando an\u00e9is e divis\u00f5es que, em \u00faltima an\u00e1lise, explicam um dos enigmas mais antigos da ci\u00eancia planet\u00e1ria: porque \u00e9 que muitos meteoritos primitivos se formaram milh\u00f5es de anos depois dos primeiros corpos s\u00f3lidos. O estudo, que combinou modelos hidrodin\u00e2micos do crescimento de J\u00fapiter com simula\u00e7\u00f5es da evolu\u00e7\u00e3o da poeira e de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria, foi recentemente publicado na revista Science Advances.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atrav\u00e9s de simula\u00e7\u00f5es computorizadas de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, os cientistas planet\u00e1rios Andr\u00e9 Izidoro e Baibhav Srivastava, da Universidade Rice, descobriram que o r\u00e1pido crescimento inicial de J\u00fapiter desestabilizou o disco de g\u00e1s e poeira que rodeava o Sol. A imensa gravidade do planeta enviou ondula\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do disco do rec\u00e9m-nascido Sistema Solar, criando &#8220;engarrafamentos c\u00f3smicos&#8221; que impediram pequenas part\u00edculas de espiralarem para o Sol. Ao inv\u00e9s, estas part\u00edculas juntaram-se em bandas densas, onde se podiam aglomerar em planetesimais &#8211; as sementes rochosas dos planetas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reviravolta surpreendente \u00e9 que os planetesimais formados nestas zonas n\u00e3o eram os blocos de constru\u00e7\u00e3o originais do Sistema Solar. Representam, sim, uma segunda gera\u00e7\u00e3o, nascida mais tarde na hist\u00f3ria do sistema. O seu nascimento coincide com o de muitos condritos &#8211; uma fam\u00edlia de meteoritos rochosos que preservam pistas qu\u00edmicas e cronol\u00f3gicas da inf\u00e2ncia do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os condritos s\u00e3o como c\u00e1psulas do tempo dos prim\u00f3rdios do Sistema Solar&#8221;, disse Izidoro, professor assistente de Ci\u00eancias da Terra, do Ambiente e Planet\u00e1rias na Universidade Rice. &#8220;T\u00eam ca\u00eddo para a Terra ao longo de milhares de milh\u00f5es de anos, onde os cientistas os recolhem e estudam para desvendar pistas sobre as nossas origens c\u00f3smicas. O mist\u00e9rio sempre foi: Porque \u00e9 que alguns destes meteoritos se formaram t\u00e3o tarde, 2 a 3 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s os primeiros s\u00f3lidos? Os nossos resultados mostram que o pr\u00f3prio J\u00fapiter criou as condi\u00e7\u00f5es para o seu nascimento tardio&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/c0\/a6\/9LP75zI2_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/c0\/a6\/9LP75zI2_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o esquem\u00e1tica do cen\u00e1rio evolutivo proposto para o in\u00edcio do Sistema Solar interior durante aproximadamente os seus primeiros 3 milh\u00f5es de anos.<br>Cr\u00e9dito: Srivastava e Izidoro, Science Advances (2025)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os condritos s\u00e3o especialmente significativos porque s\u00e3o alguns dos materiais mais primitivos dispon\u00edveis para a ci\u00eancia. Ao contr\u00e1rio dos meteoritos da primeira gera\u00e7\u00e3o de blocos de constru\u00e7\u00e3o &#8211; que derreteram, se diferenciaram e perderam o seu car\u00e1cter original &#8211; os condritos preservam a poeira pura do Sistema Solar e min\u00fasculas got\u00edculas fundidas chamadas c\u00f4ndrulos. A sua forma\u00e7\u00e3o tardia intriga os cientistas h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso modelo junta duas coisas que n\u00e3o pareciam encaixar antes &#8211; as impress\u00f5es digitais isot\u00f3picas nos meteoritos, que v\u00eam em dois sabores, e a din\u00e2mica da forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria&#8221;, disse Srivastava, estudante que trabalha no laborat\u00f3rio de Izidoro. &#8220;J\u00fapiter cresceu cedo, abriu uma lacuna no disco de g\u00e1s, e esse processo protegeu a separa\u00e7\u00e3o entre o material do Sistema Solar interior e exterior, preservando as suas assinaturas isot\u00f3picas distintas. Tamb\u00e9m criou regi\u00f5es onde os planetesimais se poderiam formar muito mais tarde&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo tamb\u00e9m ajuda a explicar outro mist\u00e9rio do Sistema Solar: porque \u00e9 que a Terra, V\u00e9nus e Marte est\u00e3o agrupados a cerca de uma unidade astron\u00f3mica do Sol, em vez de entrarem em espiral para o interior, como acontece em muitos outros sistemas planet\u00e1rios. J\u00fapiter cortou o fluxo de material gasoso em dire\u00e7\u00e3o ao Sistema Solar interior, suprimindo a migra\u00e7\u00e3o para o interior dos planetas jovens. Em vez de mergulharem em dire\u00e7\u00e3o ao Sol, estes mundos em crescimento ficaram presos na regi\u00e3o terrestre, onde a Terra e os seus vizinhos acabaram por se formar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;J\u00fapiter n\u00e3o se tornou apenas no maior planeta &#8211; definiu a arquitetura de todo o Sistema Solar interior&#8221;, disse Izidoro. &#8220;Sem ele, talvez n\u00e3o tiv\u00e9ssemos a Terra como a conhecemos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As descobertas s\u00e3o consistentes com as impressionantes estruturas em anel e lacuna que os astr\u00f3nomos observam atualmente em sistemas estelares jovens com o telesc\u00f3pio ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array), o observat\u00f3rio astron\u00f3mico mais complexo alguma vez constru\u00eddo na Terra e localizado no norte do Chile.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Olhando para estes discos jovens, vemos o in\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o de planetas gigantes e a reconfigura\u00e7\u00e3o do seu ambiente natal&#8221;, disse Izidoro. &#8220;O nosso pr\u00f3prio Sistema Solar n\u00e3o foi diferente. O crescimento inicial de J\u00fapiter deixou uma assinatura que ainda hoje podemos ler, presa nos meteoritos que caem na Terra.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/news.rice.edu\/news\/2025\/rice-planetary-scientists-link-jupiters-birth-earths-formation-zone\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade Rice (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.ady4823\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Formation_and_evolution_of_the_Solar_System\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_System\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>J\u00fapiter:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/jupiter\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/jupiter.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nine Planets<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Jupiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Meteoritos condritos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chondrite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nova investiga\u00e7\u00e3o sugere que o planeta gigante J\u00fapiter remodelou o Sistema Solar primitivo de forma dram\u00e1tica, criando an\u00e9is e divis\u00f5es que, em \u00faltima an\u00e1lise, explicam um dos enigmas mais antigos da ci\u00eancia planet\u00e1ria: porque \u00e9 que muitos meteoritos primitivos se formaram milh\u00f5es de anos depois dos primeiros corpos s\u00f3lidos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8439,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[197,205,413],"class_list":["post-8438","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","tag-jupiter","tag-meteorito","tag-sistema-solar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8438","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8438"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8438\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8440,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8438\/revisions\/8440"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}