{"id":8413,"date":"2025-10-17T06:10:01","date_gmt":"2025-10-17T05:10:01","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8413"},"modified":"2025-10-17T06:10:05","modified_gmt":"2025-10-17T05:10:05","slug":"as-mares-estao-a-mudar-para-as-anas-brancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/10\/17\/as-mares-estao-a-mudar-para-as-anas-brancas\/","title":{"rendered":"As mar\u00e9s est\u00e3o a mudar para as an\u00e3s brancas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/cBCH4BNg_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"799\" height=\"802\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/cBCH4BNg_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8414\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/cBCH4BNg_o.jpg 799w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/cBCH4BNg_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/cBCH4BNg_o-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/cBCH4BNg_o-768x771.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o do sistema bin\u00e1rio J1539+5027, com um per\u00edodo orbital de 6,9 minutos, composto por uma an\u00e3 branca aquecida pela mar\u00e9 (amarela) e por uma segunda an\u00e3 branca companheira mais compacta (azul). Est\u00e1 prestes a iniciar a transfer\u00eancia de massa.\nCr\u00e9dito: Universidade de Quioto\/Lucy McNeill<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e3s brancas s\u00e3o os remanescentes compactos de estrelas que pararam a combust\u00e3o nuclear, um destino que acabar\u00e1 por acontecer ao nosso Sol. Estes objetos extremamente densos s\u00e3o estrelas degeneradas porque a sua estrutura \u00e9 contraintuitiva: quanto mais massivas s\u00e3o, mais pequenas s\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e3s brancas formam-se muitas vezes em sistemas bin\u00e1rios, em que duas estrelas se orbitam uma \u00e0 outra. A maior parte delas s\u00e3o antigas, mesmo para os padr\u00f5es gal\u00e1cticos, e arrefeceram at\u00e9 temperaturas superficiais de cerca de 4000 Kelvin. No entanto, estudos recentes revelaram uma classe de sistemas bin\u00e1rios de curto per\u00edodo, em que as estrelas se orbitam uma \u00e0 outra mais depressa do que uma vez por hora. Ao contr\u00e1rio dos modelos te\u00f3ricos, estas estrelas incharam at\u00e9 ao dobro do tamanho esperado devido a temperaturas \u00e0 superf\u00edcie de 10 a 30 mil Kelvin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este facto inspirou uma equipa de investigadores, liderada por Lucy Olivia McNeill da Universidade de Quioto, a investigar a teoria das mar\u00e9s e a utiliz\u00e1-la para prever o aumento de temperatura das an\u00e3s brancas em \u00f3rbitas bin\u00e1rias de curto per\u00edodo. As for\u00e7as de mar\u00e9 deformam frequentemente os corpos celestes em \u00f3rbitas bin\u00e1rias, determinando a sua evolu\u00e7\u00e3o orbital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O aquecimento de mar\u00e9 tem tido algum sucesso na explica\u00e7\u00e3o das temperaturas de J\u00fapiteres quentes e das suas propriedades orbitais com as suas estrelas hospedeiras. Por isso pergunt\u00e1mo-nos: at\u00e9 que ponto pode o aquecimento de mar\u00e9 explicar as temperaturas das an\u00e3s brancas em bin\u00e1rios de curto per\u00edodo?&#8221;, pergunta McNeill.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores constru\u00edram um quadro te\u00f3rico que explica o aumento de temperatura das an\u00e3s brancas em bin\u00e1rios de curto per\u00edodo. Esta estrutura \u00e9 completamente generalizada, permitindo a previs\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o passada e futura da temperatura, bem como a evolu\u00e7\u00e3o orbital de estrelas an\u00e3s brancas em sistemas bin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados revelaram que as for\u00e7as de mar\u00e9 podem influenciar fortemente a evolu\u00e7\u00e3o de tais an\u00e3s brancas. Especificamente, a for\u00e7a de mar\u00e9 de uma an\u00e3 branca pequena afeta o aquecimento interno da sua companheira maior, mas menos massiva, provocando a sua dilata\u00e7\u00e3o e aumentando a temperatura da sua superf\u00edcie para, pelo menos, 10.000 Kelvin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Devido a esta dilata\u00e7\u00e3o, a equipa prev\u00ea que as an\u00e3s brancas devem ter tipicamente o dobro do tamanho previsto pela teoria quando come\u00e7am a interagir, ou a transferir massa. Consequentemente, bin\u00e1rios de an\u00e3s brancas com per\u00edodos curtos podem come\u00e7ar a interagir com per\u00edodos orbitais tr\u00eas vezes mais longos do que o previsto anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esper\u00e1vamos que o aquecimento de mar\u00e9 aumentasse as temperaturas destas an\u00e3s brancas, mas fic\u00e1mos surpreendidos ao ver o quanto o per\u00edodo orbital diminui para as an\u00e3s brancas mais antigas quando os seus l\u00f3bulos de Roche entram em contacto&#8221;, diz McNeill.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e3s brancas em sistemas bin\u00e1rios com per\u00edodos orbitais t\u00e3o curtos acabam por interagir e emitir radia\u00e7\u00e3o gravitacional, e pensa-se que causam fen\u00f3menos astron\u00f3micos como supernovas do Tipo Ia e vari\u00e1veis catacl\u00edsmicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No futuro, a equipa planeia aplicar a sua estrutura a sistemas bin\u00e1rios com an\u00e3s brancas de carbono-oxig\u00e9nio e potencialmente aprender sobre as progenitoras de explos\u00f5es do Tipo Ia, prestando especial aten\u00e7\u00e3o ao facto de as temperaturas realistas favorecerem ou n\u00e3o o chamado cen\u00e1rio de dupla degeneresc\u00eancia ou fus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.kyoto-u.ac.jp\/en\/research-news\/2025-10-14\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Quioto (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ae045f\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3 branca:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/imagine.gsfc.nasa.gov\/science\/objects\/dwarfs2.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Aquecimento de mar\u00e9:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Tidal_heating\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supernova do Tipo Ia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_Ia_supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>L\u00f3bulo de Roche:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Roche_lobe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As an\u00e3s brancas s\u00e3o os remanescentes compactos de estrelas que pararam a combust\u00e3o nuclear, um destino que acabar\u00e1 por acontecer ao nosso Sol. 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