{"id":8397,"date":"2025-10-07T06:19:08","date_gmt":"2025-10-07T05:19:08","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8397"},"modified":"2025-10-07T06:19:11","modified_gmt":"2025-10-07T05:19:11","slug":"seis-mil-milhoes-de-toneladas-por-segundo-descoberto-planeta-errante-que-cresce-a-um-ritmo-recorde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/10\/07\/seis-mil-milhoes-de-toneladas-por-segundo-descoberto-planeta-errante-que-cresce-a-um-ritmo-recorde\/","title":{"rendered":"Seis mil milh\u00f5es de toneladas por segundo: descoberto planeta errante que cresce a um ritmo recorde"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso2516a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/uJ0gJyvC_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8398\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/uJ0gJyvC_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/uJ0gJyvC_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/uJ0gJyvC_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/uJ0gJyvC_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem art\u00edstica mostra o planeta errante Cha 1107-7626. Localizado a cerca de 620 anos-luz de dist\u00e2ncia da Terra, este planeta \u00e9 cerca de cinco a dez vezes mais massivo do que J\u00fapiter e n\u00e3o orbita nenhuma estrela. Est\u00e1 a consumir material de um disco \u00e0 sua volta e, com o aux\u00edlio do VLT do ESO, os astr\u00f3nomos descobriram que atualmente a sua taxa de acre\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria \u00e9 cerca de seis mil milh\u00f5es de toneladas por segundo &#8211; a mais r\u00e1pida alguma vez encontrada para qualquer tipo de planeta. A equipa suspeita que campos magn\u00e9ticos intensos possam estar a canalizar material para o planeta, algo que s\u00f3 se observa nas estrelas.\nQuando atinge o planeta, a mat\u00e9ria que est\u00e1 a ser acretada aquece a sua superf\u00edcie, criando um ponto quente brilhante. O espetr\u00f3grafo X-shooter, montado no VLT do ESO, detetou um brilho acentuado em meados de 2025, claramente causado pela queda de g\u00e1s. As observa\u00e7\u00f5es mostram que o planeta est\u00e1 agora a acumular mat\u00e9ria cerca de oito vezes mais depressa do que h\u00e1 alguns meses atr\u00e1s.\nCr\u00e9dito: ESO\/L. Cal\u00e7ada\/M. Kornmesser<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos identificaram um enorme &#8220;surto de crescimento&#8221; num planeta errante. Ao contr\u00e1rio dos planetas do nosso Sistema Solar, estes objetos n\u00e3o orbitam estrelas, flutuando livremente por si mesmos. As novas observa\u00e7\u00f5es, levadas a cabo com o VLT (Very Large Telescope) do ESO, revelam que este planeta flutuante est\u00e1 a consumir g\u00e1s e poeira do meio que o rodeia a uma taxa de seis mil milh\u00f5es de toneladas por segundo. Esta \u00e9 a taxa de crescimento mais elevada alguma vez registada para um planeta errante, ou, ali\u00e1s, qualquer tipo de planeta, fornecendo-nos assim informa\u00e7\u00f5es preciosas sobre a forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o dos planetas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Temos tend\u00eancia a pensar nos planetas como mundos tranquilos e est\u00e1veis, mas esta descoberta mostra-nos que objetos de massa planet\u00e1ria que flutuam livremente no espa\u00e7o podem ser lugares muito excitantes&#8221;, diz V\u00edctor Almendros-Abad, astr\u00f3nomo do Observat\u00f3rio Astron\u00f3mico de Palermo, INAF (Istituto Nazionale di Astrofisica), It\u00e1lia, e autor principal deste novo estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>O objeto rec\u00e9m-estudado, com uma massa cinco a dez vezes superior \u00e0 de J\u00fapiter, situa-se a cerca de 620 anos-luz de dist\u00e2ncia da Terra na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o do Camale\u00e3o. Com o nome oficial de Cha 1107-7626, este planeta errante ainda se encontra em forma\u00e7\u00e3o, estando a ser alimentado por um disco de g\u00e1s e poeira que o circunda. O planeta, que flutua livremente no espa\u00e7o, atrai o material para si num processo conhecido por acre\u00e7\u00e3o. No entanto, a equipa liderada por Almendros-Abad descobriu que a taxa de acre\u00e7\u00e3o deste jovem planeta n\u00e3o \u00e9 constante.<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto de 2025, o planeta estava a acumular massa cerca de oito vezes mais depressa do que apenas alguns meses antes, a uma taxa de seis mil milh\u00f5es de toneladas por segundo! &#8220;Este \u00e9 o epis\u00f3dio de acre\u00e7\u00e3o mais intenso alguma vez registado para um objeto de massa planet\u00e1ria&#8221;, afirma Almendros-Abad. A descoberta, publicada na revista da especialidade The Astrophysical Journal Letters, foi levada a cabo com o aux\u00edlio do espetr\u00f3grafo X-shooter montado no VLT do ESO, no deserto chileno do Atacama. A equipa utilizou igualmente dados do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb, operado pelas ag\u00eancias espaciais dos EUA, Europa e Canad\u00e1, assim como dados de arquivo do espetr\u00f3grafo SINFONI do VLT do ESO.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A origem dos planetas errantes continua a ser uma quest\u00e3o em aberto: ter\u00e3o uma forma\u00e7\u00e3o semelhante a estrelas mas com massas muito pequenas ou ser\u00e3o planetas gigantes ejetados dos seus sistemas de origem?&#8221;, questiona o coautor Aleks Scholz, astr\u00f3nomo da Universidade de St. Andrews, no Reino Unido. Os resultados indicam que pelo menos alguns planetas errantes parecem partilhar uma forma\u00e7\u00e3o semelhante ao das estrelas, uma vez que enormes taxas de acre\u00e7\u00e3o repentinas semelhantes a esta foram j\u00e1 observadas em estrelas jovens. Como explica a coautora do estudo, Belinda Damian, tamb\u00e9m astr\u00f3noma da Universidade de St. Andrews: &#8220;Esta descoberta esbate a linha entre estrelas e planetas e aproxima-nos mais das primeiras fases de forma\u00e7\u00e3o dos planetas errantes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao comparar a luz emitida antes e durante a enorme subida da taxa de acre\u00e7\u00e3o, os astr\u00f3nomos reuniram pistas sobre a natureza do processo de acre\u00e7\u00e3o. Notavelmente, a atividade magn\u00e9tica parece ter desempenhado um papel importante na enorme taxa de acre\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, algo que s\u00f3 havia sido anteriormente observado em estrelas, sugerindo que mesmo objetos de pequena massa podem ter campos magn\u00e9ticos fortes, capazes de alimentar tais eventos de acre\u00e7\u00e3o. A equipa tamb\u00e9m descobriu que a qu\u00edmica do disco em torno do planeta mudou durante o epis\u00f3dio de acre\u00e7\u00e3o, com vapor de \u00e1gua a ser detetado durante o evento, mas n\u00e3o antes. Este fen\u00f3meno j\u00e1 tinha sido observado anteriormente em estrelas, mas nunca em nenhum tipo de planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Os planetas errantes s\u00e3o dif\u00edceis de detetar, j\u00e1 que s\u00e3o muito t\u00e9nues, no entanto o futuro ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, que operar\u00e1 sob os c\u00e9us mais escuros do planeta, poder\u00e1 fazer uma grande diferen\u00e7a. Os seus poderosos instrumentos e enorme espelho principal permitir\u00e3o aos astr\u00f3nomos descobrir e estudar mais destes planetas solit\u00e1rios, ajudando-nos a compreender melhor o qu\u00e3o semelhantes poder\u00e3o ser com estrelas. Como afirma a coautora e astr\u00f3noma do ESO, Amelia Bayo: &#8220;A ideia de que um objeto planet\u00e1rio se pode comportar como uma estrela \u00e9 muito interessante e leva-nos a imaginar como \u00e9 que mundos diferentes do nosso seriam durante os seus est\u00e1gios iniciais&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Rogue planet found growing at record rate\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7FkqTyJvJ0Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso2516\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ae09a8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Cha 1107\u22127626:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/simbad.cds.unistra.fr\/simbad\/sim-id?Ident=WISE+J110707.72-762632.5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cha_1107%E2%88%927626\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Planeta errante (ou fugitivo, interestelar, flutuante)<\/strong>:<br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Rogue_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VLT (Very Large Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/vlt-instr\/x-shooter\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X-shooter (ESO)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/vlt-instr\/sinfoni\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SINFONI (ESO)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos identificaram um enorme &#8220;surto de crescimento&#8221; num planeta errante. 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