{"id":8388,"date":"2025-10-03T06:13:36","date_gmt":"2025-10-03T05:13:36","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8388"},"modified":"2025-10-03T06:13:37","modified_gmt":"2025-10-03T05:13:37","slug":"gaia-descobre-uma-grande-onda-na-nossa-galaxia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/10\/03\/gaia-descobre-uma-grande-onda-na-nossa-galaxia\/","title":{"rendered":"Gaia descobre uma grande onda na nossa Gal\u00e1xia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2025\/09\/gaia_discovers_our_galaxy_s_great_wave_edge-on\/26891597-1-eng-GB\/Gaia_discovers_our_galaxy_s_great_wave_edge-on.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"430\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/OLKjsKyM_o-1024x430.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8389\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/OLKjsKyM_o-1024x430.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/OLKjsKyM_o-300x126.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/OLKjsKyM_o-768x323.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/OLKjsKyM_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma &#8220;fatia&#8221; vertical da Gal\u00e1xia que mostra a ondula\u00e7\u00e3o de lado.\nCr\u00e9dito: ESA\/Gaia\/DPAC, S. Payne-Wardenaar, E. Poggio et al (2025)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, nunca est\u00e1 parada: gira e oscila. E agora, dados do telesc\u00f3pio espacial Gaia da ESA revelam que a nossa Gal\u00e1xia tamb\u00e9m tem uma onda gigante que ondula do seu centro para fora.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 cerca de cem anos que sabemos que as estrelas da Gal\u00e1xia giram em torno do seu centro e o Gaia mediu as suas velocidades e movimentos. Desde a d\u00e9cada de 1950 que sabemos que o disco da Via L\u00e1ctea est\u00e1 deformado. Depois, em 2020, o Gaia descobriu que este disco oscila ao longo do tempo, de forma semelhante ao movimento de um pi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E agora tornou-se claro que uma grande onda agita o movimento das estrelas da nossa Gal\u00e1xia ao longo de dist\u00e2ncias de dezenas de milhares de anos-luz do Sol. Tal como uma pedra atirada para um lago, fazendo ondula\u00e7\u00f5es para fora, esta onda gal\u00e1ctica de estrelas abrange uma grande parte do disco exterior da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p>A inesperada ondula\u00e7\u00e3o gal\u00e1ctica \u00e9 ilustrada na figura abaixo. Aqui, as posi\u00e7\u00f5es de milhares de estrelas brilhantes s\u00e3o mostradas a vermelho e azul, sobrepostas nos mapas da Via L\u00e1ctea pelo Gaia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2025\/09\/gaia_discovers_our_galaxy_s_great_wave_side-by-side\/26890277-1-eng-GB\/Gaia_discovers_our_galaxy_s_great_wave_side-by-side.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/fb\/c7\/xRFCSKHE_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A onda gigante vista de &#8220;cima&#8221; e de lado.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Gaia\/DPAC, S. Payne-Wardenaar, E. Poggio et al (2025)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Na imagem da esquerda, olhamos para a nossa Gal\u00e1xia a partir de &#8220;cima&#8221;. \u00c0 direita, vemos uma fatia vertical da Gal\u00e1xia e observamos a onda de lado. Esta perspetiva revela que o lado &#8220;esquerdo&#8221; da Gal\u00e1xia curva-se para cima e o lado &#8220;direito&#8221; curva-se para baixo (esta \u00e9 a deforma\u00e7\u00e3o do disco). A onda rec\u00e9m-descoberta est\u00e1 indicada a vermelho e a azul: nas \u00e1reas vermelhas, as estrelas est\u00e3o por cima e nas \u00e1reas azuis, as estrelas est\u00e3o por baixo do disco deformado da Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que nenhuma nave espacial possa viajar para al\u00e9m da nossa Gal\u00e1xia, a vis\u00e3o excecionalmente precisa do Gaia &#8211; nas tr\u00eas dire\u00e7\u00f5es espaciais (3D) e nas tr\u00eas velocidades (movendo-se em dire\u00e7\u00e3o a n\u00f3s e para longe de n\u00f3s, e pelo c\u00e9u) &#8211; est\u00e1 a permitir aos cientistas fazer estes mapas de cima para baixo e de lado.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir deles, podemos ver que a onda estende-se por uma enorme por\u00e7\u00e3o do disco gal\u00e1ctico, afetando estrelas a pelo menos 30-65 mil anos-luz de dist\u00e2ncia do centro da Gal\u00e1xia (para efeitos de compara\u00e7\u00e3o, a Via L\u00e1ctea tem cerca de 100 mil anos-luz de di\u00e2metro).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que torna isto ainda mais convincente \u00e9 a nossa capacidade, gra\u00e7as ao Gaia, de medir tamb\u00e9m os movimentos das estrelas dentro do disco gal\u00e1ctico&#8221;, diz Eloisa Poggio, astr\u00f3noma do INAF (Istituto Nazionale di Astrofisica), em It\u00e1lia, que liderou a equipa de cientistas que descobriu a onda.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A parte intrigante n\u00e3o \u00e9 apenas o aspeto visual da estrutura ondulat\u00f3ria no espa\u00e7o 3D, mas tamb\u00e9m o seu comportamento ondulat\u00f3rio quando analisamos os movimentos das estrelas no seu interior&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os movimentos das estrelas s\u00e3o vis\u00edveis com as setas brancas na imagem da Via L\u00e1ctea abaixo. O que se pode notar \u00e9 que o padr\u00e3o de onda dos movimentos verticais (representado pelas setas) est\u00e1 ligeiramente deslocado horizontalmente em rela\u00e7\u00e3o ao padr\u00e3o de onda formado pelas posi\u00e7\u00f5es verticais das estrelas (indicado pelas cores vermelho\/azul).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2025\/09\/the_milky_way_s_great_wave_in_motion\/26890436-1-eng-GB\/The_Milky_Way_s_great_wave_in_motion.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/f0\/b0\/Kmc6uCvC_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O movimento das estrelas na ondula\u00e7\u00e3o, representado pelas setas.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Gaia\/DPAC, S. Payne-Wardenaar, E. Poggio et al (2025)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este comportamento observado \u00e9 consistente com o que seria de esperar de uma onda&#8221;, explica Eloisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Pense numa &#8220;onda&#8221; realizada por uma multid\u00e3o num est\u00e1dio. Dado que as escalas gal\u00e1cticas de tempo s\u00e3o muito mais longas do que as nossas, imagine ver esta onda no est\u00e1dio parada no tempo, tal como observamos a Via L\u00e1ctea. Alguns indiv\u00edduos estariam de p\u00e9, outros teriam acabado de se sentar (quando a onda passasse) e outros estariam a preparar-se para se levantar (quando a onda se aproximasse deles).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta analogia, as pessoas que est\u00e3o de p\u00e9 correspondem \u00e0s regi\u00f5es coloridas a vermelho nos mapas vistos de face e de lado. E, se considerarmos os movimentos, os indiv\u00edduos com os maiores movimentos verticais positivos (representados pelas maiores setas brancas a apontar para cima) s\u00e3o aqueles que est\u00e3o a come\u00e7ar a levantar-se, \u00e0 frente da onda que se aproxima.<\/p>\n\n\n\n<p>Eloisa e os seus colegas conseguiram descobrir este movimento surpreendente estudando as posi\u00e7\u00f5es e movimentos pormenorizados de jovens estrelas gigantes e estrelas Cefeidas. Estas \u00faltimas s\u00e3o estrelas que variam de brilho de uma forma previs\u00edvel e que podem ser observadas por telesc\u00f3pios como o Gaia a grandes dist\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>Dado que as jovens estrelas gigantes e as Cefeidas movem-se com a onda, os cientistas pensam que o g\u00e1s no disco tamb\u00e9m pode estar a participar nesta ondula\u00e7\u00e3o em grande escala. \u00c9 poss\u00edvel que as estrelas jovens retenham a mem\u00f3ria da onda a partir do pr\u00f3prio g\u00e1s no qual nasceram.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas n\u00e3o conhecem a origem destes aban\u00f5es gal\u00e1cticos. Uma colis\u00e3o passada com uma gal\u00e1xia an\u00e3 poderia ser uma explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, mas os cientistas precisam de mais investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande onda pode tamb\u00e9m estar relacionada com um movimento ondulat\u00f3rio de menor escala observado a 500 anos-luz do Sol e que se estende por 9000 anos-luz, a chamada Onda Radcliffe.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No entanto, a Onda Radcliffe \u00e9 um filamento muito mais pequeno e est\u00e1 localizada numa parte diferente do disco da Gal\u00e1xia, em compara\u00e7\u00e3o com a onda estudada no nosso trabalho (muito mais perto do Sol do que a grande onda). As duas ondas podem ou n\u00e3o estar relacionadas. \u00c9 por isso que gostar\u00edamos de fazer mais investiga\u00e7\u00e3o&#8221;, acrescenta Eloisa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O quarto lan\u00e7amento de dados do Gaia incluir\u00e1 posi\u00e7\u00f5es e movimentos ainda melhores das estrelas da Via L\u00e1ctea, incluindo estrelas vari\u00e1veis como as Cefeidas. Isto ajudar\u00e1 os cientistas a fazer mapas ainda melhores, avan\u00e7ando assim na nossa compreens\u00e3o destas caracter\u00edsticas da nossa Gal\u00e1xia natal&#8221;, diz Johannes Sahlmann, cientista do projeto Gaia da ESA.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Gaia\/Gaia_discovers_our_galaxy_s_great_wave\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2025\/07\/aa51668-24\/aa51668-24.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Onda Radcliffe:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/sites.google.com\/cfa.harvard.edu\/radcliffewave\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;Surfe&#8221; a Onda Radcliffe (Harvard via Google sites)<\/a><br><a href=\"https:\/\/projects.cosmicds.cfa.harvard.edu\/radwave-in-motion\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mapa 3D interativo (Cosmic Data Stories e Worldwide Telescope)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Radcliffe_wave\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina da ESA para a comunidade cient\u00edfica<\/a><br><a href=\"https:\/\/gea.esac.esa.int\/archive\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados do Gaia (ESA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, nunca est\u00e1 parada: gira e oscila. 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