{"id":8358,"date":"2025-09-23T06:25:51","date_gmt":"2025-09-23T05:25:51","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8358"},"modified":"2025-09-23T06:25:52","modified_gmt":"2025-09-23T05:25:52","slug":"hubble-observa-uma-ana-branca-a-devorar-um-pedaco-de-um-objeto-semelhante-a-plutao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/09\/23\/hubble-observa-uma-ana-branca-a-devorar-um-pedaco-de-um-objeto-semelhante-a-plutao\/","title":{"rendered":"Hubble observa uma an\u00e3 branca a devorar um peda\u00e7o de um objeto semelhante a Plut\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.esahubble.org\/archives\/images\/large\/heic2511a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"819\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/OFLA9N2x_o-1024x819.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8359\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/OFLA9N2x_o-1024x819.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/OFLA9N2x_o-300x240.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/OFLA9N2x_o-768x614.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/OFLA9N2x_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem art\u00edstica mostra uma an\u00e3 branca rodeada por um grande disco de detritos. Detritos de peda\u00e7os de um objeto capturado, semelhante a Plut\u00e3o, est\u00e3o a cair sobre a an\u00e3 branca.\nCr\u00e9dito: T. Pyle (Caltech, JPL da NASA)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na nossa vizinhan\u00e7a estelar pr\u00f3xima, uma estrela &#8220;queimada&#8221; est\u00e1 a petiscar um fragmento de um objeto semelhante a Plut\u00e3o. Com a sua capacidade \u00fanica no ultravioleta, s\u00f3 o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA conseguiu identificar que esta refei\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ter lugar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O remanescente estelar \u00e9 uma an\u00e3 branca com cerca de metade da massa do nosso Sol, mas que est\u00e1 densamente comprimida num corpo com o tamanho da Terra. Os cientistas pensam que a imensa gravidade da an\u00e3 puxou e rasgou um gelado an\u00e1logo de Plut\u00e3o do equivalente \u00e0 Cintura de Kuiper do sistema, um anel gelado de detritos que rodeia o nosso Sistema Solar. Os resultados foram publicados no dia 18 de setembro de 2025 na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos conseguiu determinar esta carnificina analisando a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do objeto condenado \u00e0 medida que os seus peda\u00e7os ca\u00edam sobre a an\u00e3 branca. Em particular, detetaram &#8220;vol\u00e1teis&#8221; (subst\u00e2ncias com baixo ponto de ebuli\u00e7\u00e3o), incluindo carbono, enxofre, azoto e um elevado teor de oxig\u00e9nio que sugere a forte presen\u00e7a de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Fic\u00e1mos surpreendidos&#8221;, disse Snehalata Sahu, da Universidade de Warwick, no Reino Unido. Sahu liderou a an\u00e1lise de dados de um levantamento do Hubble sobre an\u00e3s brancas. &#8220;N\u00e3o est\u00e1vamos \u00e0 espera de encontrar \u00e1gua ou outro conte\u00fado gelado. Isto porque os cometas e os objetos semelhantes aos da Cintura de Kuiper s\u00e3o expulsos dos seus sistemas planet\u00e1rios muito cedo, \u00e0 medida que as suas estrelas evoluem para an\u00e3s brancas. Mas aqui, estamos a detetar este material muito rico em vol\u00e1teis. Isto \u00e9 surpreendente para os astr\u00f3nomos que estudam as an\u00e3s brancas e tamb\u00e9m os exoplanetas, planetas para l\u00e1 do nosso Sistema Solar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>S\u00f3 com o Hubble<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando o COS (Cosmic Origins Spectrograph) do Hubble, a equipa descobriu que os fragmentos eram compostos por quase dois-ter\u00e7os de gelo de \u00e1gua. O facto de terem detetado tanto gelo significava que os peda\u00e7os faziam parte de um objeto muito massivo que se formou muito longe, no gelado an\u00e1logo \u00e0 Cintura de Kuiper desse sistema estelar. Utilizando dados do Hubble, os cientistas calcularam que o objeto era maior do que os cometas t\u00edpicos e que pode ser um fragmento de um exo-Plut\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Detetaram tamb\u00e9m uma grande propor\u00e7\u00e3o de azoto &#8211; a mais elevada alguma vez detetada em sistemas de detritos de an\u00e3s brancas. &#8220;Sabemos que a superf\u00edcie de Plut\u00e3o est\u00e1 coberta de gelo de azoto&#8221;, disse Sahu. &#8220;Pensamos que a an\u00e3 branca acretou fragmentos da crosta e do manto de um planeta an\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A acre\u00e7\u00e3o destes objetos ricos em elementos vol\u00e1teis, por an\u00e3s brancas, \u00e9 muito dif\u00edcil de detetar no vis\u00edvel. Estes elementos vol\u00e1teis s\u00f3 podem ser detetados com a sensibilidade \u00fanica do Hubble \u00e0 luz ultravioleta. Na luz \u00f3tica, a an\u00e3 branca pareceria comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cerca de 260 anos-luz de dist\u00e2ncia, a an\u00e3 branca \u00e9 uma vizinha c\u00f3smica relativamente pr\u00f3xima. No passado, quando era uma estrela semelhante ao Sol, seria de esperar que albergasse planetas e uma an\u00e1loga \u00e0 nossa Cintura de Kuiper.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como se estiv\u00e9ssemos a ver o futuro do nosso Sol<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Daqui a milhares de milh\u00f5es de anos, quando o nosso Sol chegar ao fim da sua vida e colapsar numa an\u00e3 branca, os objetos da Cintura de Kuiper ser\u00e3o atra\u00eddos pela imensa gravidade do remanescente estelar. &#8220;Esses planetesimais ser\u00e3o ent\u00e3o destru\u00eddos e acretados&#8221;, disse Sahu. &#8220;Se um observador alien\u00edgena olhar para o nosso Sistema Solar num futuro distante, poder\u00e1 ver o mesmo tipo de remanescentes que vemos hoje em torno desta an\u00e3 branca&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa espera usar o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA\/ESA\/CSA para detetar caracter\u00edsticas moleculares de vol\u00e1teis, como vapor de \u00e1gua e carbonatos, observando esta an\u00e3 branca no infravermelho. Ao estudar mais profundamente as an\u00e3s brancas, os cientistas podem compreender melhor a frequ\u00eancia e a composi\u00e7\u00e3o destes eventos de acre\u00e7\u00e3o ricos em vol\u00e1teis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sahu tamb\u00e9m est\u00e1 a acompanhar a recente descoberta do cometa interestelar 3I\/ATLAS. Ela est\u00e1 ansiosa para conhecer a sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, especialmente a sua fra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. &#8220;Estes tipos de estudos ajudar-nos-\u00e3o a aprender mais sobre a forma\u00e7\u00e3o dos planetas. Tamb\u00e9m podem ajudar-nos a compreender como a \u00e1gua \u00e9 transportada para os planetas rochosos&#8221;, disse Sahu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Boris G\u00e4nsicke, da Universidade de Warwick e visitante do Instituto de Astrof\u00edsica de Canarias, na Espanha, foi o investigador principal do programa Hubble que levou a esta descoberta. &#8220;Observ\u00e1mos mais de 500 an\u00e3s brancas com o Hubble. J\u00e1 aprendemos muito sobre os blocos de constru\u00e7\u00e3o e fragmentos de planetas, mas estou absolutamente entusiasmado por termos agora identificado um sistema que se assemelha aos objetos nas extremidades geladas do nosso Sistema Solar&#8221;, disse G\u00e4nsicke. &#8220;Medir a composi\u00e7\u00e3o de um exo-Plut\u00e3o \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o importante para a nossa compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o destes corpos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"White Dwarf Eating Pluto-Like Object\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HKCpmNbe480?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/esahubble.org\/news\/heic2511\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA\/Hubble (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/hubble\/nasas-hubble-sees-white-dwarf-eating-piece-of-pluto-like-object\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/warwick.ac.uk\/news\/pressreleases\/cosmic_crime_scene_white_dwarf_found_devouring_pluto_like_icy_world\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/543\/1\/223\/8255944?login=false\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3 branca:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/imagine.gsfc.nasa.gov\/science\/objects\/dwarfs2.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na nossa vizinhan\u00e7a estelar pr\u00f3xima, uma estrela &#8220;queimada&#8221; est\u00e1 a petiscar um fragmento de um objeto semelhante a Plut\u00e3o. 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