{"id":8352,"date":"2025-09-23T06:21:15","date_gmt":"2025-09-23T05:21:15","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8352"},"modified":"2025-09-23T06:21:16","modified_gmt":"2025-09-23T05:21:16","slug":"os-exoplanetas-nao-sao-afinal-mundos-de-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/09\/23\/os-exoplanetas-nao-sao-afinal-mundos-de-agua\/","title":{"rendered":"Os exoplanetas n\u00e3o s\u00e3o, afinal, mundos de \u00e1gua"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.esahubble.org\/archives\/images\/large\/heic1916a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"598\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CekM7sMS_o-1024x598.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8353\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CekM7sMS_o-1024x598.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CekM7sMS_o-300x175.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CekM7sMS_o-768x448.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CekM7sMS_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o do exoplaneta K2-18 b. Pensa-se que o planeta tem um espesso inv\u00f3lucro gasoso e nenhum oceano global.\nCr\u00e9dito: ESA\/Hubble, M. Kornmesser<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muito menos \u00e1gua nas superf\u00edcies de planetas distantes para l\u00e1 do nosso Sistema Solar do que se pensava. Estes exoplanetas n\u00e3o t\u00eam camadas espessas de \u00e1gua, como se especulava frequentemente. \u00c9 esta a conclus\u00e3o de um estudo internacional liderado pela ETH Zurique.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um exoplaneta em \u00f3rbita de uma estrela an\u00e3 a 124 anos-luz da Terra fez manchetes em todo o mundo em abril de 2025. Os investigadores da Universidade de Cambridge afirmaram que o planeta K2-18 b podia ser um mundo marinho com um oceano profundo e global repleto de vida. No entanto, um estudo mostra agora que os chamados sub-Neptunos, como K2-18 b, s\u00e3o altamente improv\u00e1veis de serem mundos dominados por \u00e1gua e que as condi\u00e7\u00f5es a\u00ed existentes est\u00e3o longe de ser prop\u00edcias \u00e0 vida. &#8220;A \u00e1gua nos planetas \u00e9 muito mais limitada do que se pensava&#8221;, comenta Caroline Dorn, professora de exoplanetas na ETH Zurique.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo foi realizado sob a dire\u00e7\u00e3o da ETH Zurique, em colabora\u00e7\u00e3o com investigadores do Instituto Max Planck de Astronomia de Heidelberg e da Universidade da Calif\u00f3rnia em Los Angeles. K2-18 b \u00e9 maior do que a Terra, mas mais pequeno do que Neptuno, o que o coloca numa classe de planetas que n\u00e3o existem no nosso Sistema Solar. No entanto, as observa\u00e7\u00f5es mostram que s\u00e3o comuns no espa\u00e7o exterior. Alguns destes sub-Neptunos formaram-se provavelmente muito longe da sua estrela central, para l\u00e1 da chamada linha de neve, onde a \u00e1gua torna-se gelo e depois migra para o interior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 agora, pensava-se que alguns destes planetas tinham sido capazes de acumular quantidades particularmente grandes de \u00e1gua durante a sua forma\u00e7\u00e3o e que agora abrigavam oceanos profundos e globais sob uma atmosfera rica em hidrog\u00e9nio. Os especialistas referem-se a estes planetas como planetas hiceanos: uma combina\u00e7\u00e3o de &#8220;hidrog\u00e9nio&#8221; e &#8220;oceano&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tendo em conta a qu\u00edmica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os nossos c\u00e1lculos mostram que este cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel&#8221;, diz Dorn. Isto porque uma vulnerabilidade fundamental dos estudos anteriores era o facto de ignorarem qualquer acoplamento qu\u00edmico entre a atmosfera e o interior do planeta. &#8220;Agora, temos em conta as intera\u00e7\u00f5es entre o interior do planeta e a sua atmosfera&#8221;, explica Aaron Werlen, investigador da equipa de Dorn e autor principal do estudo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores sup\u00f5em que, numa fase inicial da sua forma\u00e7\u00e3o, os sub-Neptunos passaram por uma fase em que estavam cobertos por um oceano de magma quente e profundo. Uma concha de g\u00e1s hidrog\u00e9nio assegurou a manuten\u00e7\u00e3o desta fase durante milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;No nosso estudo, investig\u00e1mos a forma como as intera\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas entre os oceanos de magma e as atmosferas afetam o conte\u00fado de \u00e1gua dos jovens exoplanetas sub-Neptuno&#8221;, diz Werlen.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para tal, os investigadores utilizaram um modelo existente que descreve a evolu\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria durante um per\u00edodo espec\u00edfico. Combinaram-no com um novo modelo que calcula os processos qu\u00edmicos que ocorrem entre o g\u00e1s na atmosfera e os metais e silicatos no magma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00c1gua a desaparecer no interior<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores calcularam o estado de equil\u00edbrio qu\u00edmico de 26 componentes diferentes para um total de 248 planetas modelo. As simula\u00e7\u00f5es em computador mostraram que os processos qu\u00edmicos destroem a maioria das mol\u00e9culas de \u00e1gua. O hidrog\u00e9nio e o oxig\u00e9nio ligam-se a subst\u00e2ncias met\u00e1licas, que desaparecem em grande parte no n\u00facleo do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a precis\u00e3o destes c\u00e1lculos tenha algumas limita\u00e7\u00f5es, os investigadores est\u00e3o convencidos dos resultados. &#8220;Concentramo-nos nas principais tend\u00eancias e podemos ver claramente nas simula\u00e7\u00f5es que os planetas t\u00eam muito menos \u00e1gua do que a que acumularam originalmente&#8221;, explica Werlen. &#8220;A \u00e1gua que efetivamente permanece \u00e0 superf\u00edcie est\u00e1 limitada a alguns por cento, no m\u00e1ximo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa publica\u00e7\u00e3o anterior, o grupo de Dorn j\u00e1 tinha sido capaz de mostrar como a maior parte da \u00e1gua de um planeta est\u00e1 escondida no interior. &#8220;No estudo atual, analis\u00e1mos a quantidade total de \u00e1gua existente nestes sub-Neptunos&#8221;, explica o investigador, &#8220;De acordo com os c\u00e1lculos, n\u00e3o existem mundos distantes com camadas massivas de \u00e1gua, onde a \u00e1gua representa cerca de 50 por cento da massa do planeta, como se pensava anteriormente. Os mundos hiceanos com 10-90% de \u00e1gua s\u00e3o, portanto, muito improv\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto torna a procura de vida extraterrestre mais dif\u00edcil do que se esperava. As condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias \u00e0 vida, com \u00e1gua l\u00edquida suficiente \u00e0 superf\u00edcie, provavelmente s\u00f3 existir\u00e3o em planetas mais pequenos, que provavelmente s\u00f3 ser\u00e3o observ\u00e1veis com observat\u00f3rios ainda melhores do que o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A Terra n\u00e3o \u00e9 um caso especial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dorn considera o papel da nossa Terra particularmente excitante \u00e0 luz dos novos c\u00e1lculos que mostram que os planetas mais distantes t\u00eam um teor de \u00e1gua semelhante ao do nosso planeta. &#8220;A Terra pode n\u00e3o ser t\u00e3o extraordin\u00e1ria como pensamos. No nosso estudo, pelo menos, parece ser um planeta t\u00edpico&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores tamb\u00e9m ficaram surpreendidos com uma diferen\u00e7a aparentemente paradoxal: os planetas com as atmosferas mais ricas em \u00e1gua n\u00e3o s\u00e3o os que acumularam mais gelo para al\u00e9m da linha de neve, mas sim planetas que se formaram para o interior da linha de neve. Nestes planetas, a \u00e1gua n\u00e3o provinha de cristais de gelo, mas era produzida quimicamente quando o hidrog\u00e9nio da atmosfera planet\u00e1ria reagia com o oxig\u00e9nio dos silicatos do oceano de magma para formar mol\u00e9culas de H2O.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estas descobertas desafiam a liga\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica entre forma\u00e7\u00e3o rica em gelo e atmosferas ricas em \u00e1gua. Em vez disso, real\u00e7am o papel dominante do equil\u00edbrio entre o oceano de magma e a atmosfera na forma\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria&#8221;, conclui Werlen. Isto ter\u00e1 implica\u00e7\u00f5es de grande alcance para as teorias de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria e para a interpreta\u00e7\u00e3o das atmosferas exoplanet\u00e1rias na era do Telesc\u00f3pio James Webb.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/ethz.ch\/en\/news-and-events\/eth-news\/news\/2025\/09\/exoplanets-are-not-water-worlds.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ETH Zurique (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/adff73\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>K2-18 b:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/4847\/k2-18-b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/k2_18_b--3953\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/K2-18b\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Planeta Hiceano:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hycean_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_nearest_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas mais pr\u00f3ximos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_candidates_for_liquid_water\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas candidatos a albergar \u00e1gua l\u00edquida (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanet.eu\/home\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito menos \u00e1gua nas superf\u00edcies de planetas distantes para l\u00e1 do nosso Sistema Solar do que se pensava. 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