{"id":8314,"date":"2025-09-09T06:21:10","date_gmt":"2025-09-09T05:21:10","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8314"},"modified":"2025-09-09T06:21:11","modified_gmt":"2025-09-09T05:21:11","slug":"uma-equipa-de-astronomos-apresenta-um-novo-metodo-para-detetar-supernovas-horas-apos-a-explosao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/09\/09\/uma-equipa-de-astronomos-apresenta-um-novo-metodo-para-detetar-supernovas-horas-apos-a-explosao\/","title":{"rendered":"Uma equipa de astr\u00f3nomos apresenta um novo m\u00e9todo para detetar supernovas horas ap\u00f3s a explos\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/tycho-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/UySFKwjg_o-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8315\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/UySFKwjg_o-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/UySFKwjg_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/UySFKwjg_o-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/UySFKwjg_o-768x769.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/UySFKwjg_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Composi\u00e7\u00e3o de SN 1572 na constela\u00e7\u00e3o de Cassiopeia. Os dados de raios X do Chandra foram combinados com uma imagem \u00f3tica das estrelas no mesmo campo de vis\u00e3o pelo DSS (Digitized Sky Survey).\nCr\u00e9dito: raios X &#8211; NASA\/CXC\/RIKEN e GSFC\/T. Sato et al; \u00f3tico &#8211; DSS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As supernovas s\u00e3o enormes explos\u00f5es que marcam a fase final da vida de uma estrela. Por serem repentinas e imprevis\u00edveis, foram durante muito tempo dif\u00edceis de estudar, mas, hoje em dia, gra\u00e7as aos levantamentos de alta cad\u00eancia, os astr\u00f3nomos podem descobrir supernovas quase diariamente. Um novo estudo liderado pelo ICE-CSIC (Instituto de Ciencias Espaciales &#8211; Consejo Superior de Investigaciones Cient\u00edficas), Espanha, publicado na revista JCAP (Journal of Cosmology and Astroparticle Physics), apresenta um novo m\u00e9todo para detetar supernovas horas depois de entrarem em erup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo-piloto centra-se numa amostra de dez supernovas, utilizando observa\u00e7\u00f5es do GTC (Gran Telescopio de Canarias). Mostra como protocolos espec\u00edficos e um r\u00e1pido acompanhamento telesc\u00f3pico podem captar os primeiros espetros destas explos\u00f5es estelares, idealmente dentro de 48 horas, ou mesmo 24 horas ap\u00f3s a sua primeira luz. Este avan\u00e7o oferece uma oportunidade sem precedentes para estudar os momentos imediatamente a seguir \u00e0 morte de uma estrela e torna a dete\u00e7\u00e3o r\u00e1pida essencial para compreender as suas origens e evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As supernovas dividem-se em duas grandes categorias, determinadas pela massa da estrela progenitora. As supernovas termonucleares envolvem estrelas cuja massa inicial n\u00e3o excedia as oito massas solares. &#8220;O est\u00e1gio evolutivo mais avan\u00e7ado destas estrelas antes da supernova \u00e9 a an\u00e3 branca &#8211; objetos muito antigos que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam um n\u00facleo ativo que produza calor. As an\u00e3s brancas podem permanecer em equil\u00edbrio durante muito tempo, apoiadas por um efeito qu\u00e2ntico chamado press\u00e3o de degenera\u00e7\u00e3o de eletr\u00f5es&#8221;, explica Llu\u00eds Galbany, astrof\u00edsico do ICE-CSIC e do IEEC (Institut d&#8217;Estudis Espacials de Catalunya) e primeiro autor do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se uma estrela deste tipo estiver localizada num sistema bin\u00e1rio, pode sugar mat\u00e9ria da sua companheira. A massa extra aumenta a press\u00e3o interna at\u00e9 que a an\u00e3 branca explode como uma supernova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda categoria de supernovas envolve estrelas muito massivas, com mais de oito massas solares. &#8220;Brilham gra\u00e7as \u00e0 fus\u00e3o nuclear nos seus n\u00facleos, mas quando a estrela queima \u00e1tomos progressivamente mais pesados &#8211; at\u00e9 ao ponto em que a fus\u00e3o deixa de produzir energia &#8211; o n\u00facleo entra em colapso. Nesse momento, a estrela colapsa porque a gravidade deixa de ser contrabalan\u00e7ada; a r\u00e1pida contra\u00e7\u00e3o aumenta drasticamente a press\u00e3o interna e desencadeia a explos\u00e3o&#8221;, explica Galbany.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/35\/82\/zn1fkXxi_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/35\/82\/zn1fkXxi_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem adaptada de uma gal\u00e1xia hospedeira da amostra de supernovas do estudo.<br>Cr\u00e9dito: Galbany et al. (2025)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Dete\u00e7\u00e3o precoce<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As primeiras horas e dias ap\u00f3s a explos\u00e3o de uma supernova preservam pistas diretas sobre o sistema progenitor &#8211; informa\u00e7\u00e3o que ajuda a distinguir modelos rivais da explos\u00e3o, a estimar par\u00e2metros cr\u00edticos e a estudar o ambiente local. Historicamente, a obten\u00e7\u00e3o destes dados iniciais era dif\u00edcil porque a maioria das supernovas era descoberta dias ou semanas ap\u00f3s a explos\u00e3o. Os modernos levantamentos de campo amplo e de alta cad\u00eancia &#8211; cobrindo grandes faixas do c\u00e9u e revisitando-as frequentemente &#8211; est\u00e3o a mudar esse quadro e a permitir descobertas em meras horas ou dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o ainda necess\u00e1rios protocolos e crit\u00e9rios para explorar plenamente estes levantamentos, e a equipa testou essas regras usando observa\u00e7\u00f5es do GTC. O seu estudo relata dez supernovas: metade termonucleares, metade de colapso do n\u00facleo. A maior parte delas foi observada no prazo de seis dias ap\u00f3s a explos\u00e3o estimada e, em dois casos, no prazo de 48 horas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O protocolo come\u00e7a com uma busca r\u00e1pida de candidatos com base em dois crit\u00e9rios: o sinal luminoso deve estar ausente nas imagens da noite anterior e a nova fonte deve situar-se no interior de uma gal\u00e1xia. Quando ambas as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o satisfeitas, a equipa aciona o instrumento OSIRIS montado no GTC para obter um espetro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O espetro da supernova diz-nos, por exemplo, se a estrela continha hidrog\u00e9nio, o que significa que estamos perante uma supernova de colapso do n\u00facleo&#8221;, explica Galbany. &#8220;Conhecer a supernova nos seus primeiros momentos permite-nos tamb\u00e9m procurar outros tipos de dados sobre o mesmo objeto, como a fotometria pelo ZTF (Zwicky Transient Facility) e pelo ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System) que utiliz\u00e1mos no estudo. Essas curvas de luz mostram como o brilho aumenta na fase inicial; se virmos pequenas irregularidades, isso pode significar que outra estrela num sistema bin\u00e1rio foi engolida pela explos\u00e3o&#8221;, acrescenta. Verifica\u00e7\u00f5es adicionais cruzam dados de outros observat\u00f3rios sobre a mesma zona do c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como este primeiro estudo conseguiu recolher dados em 48 horas, os autores concluem que \u00e9 poss\u00edvel efetuar observa\u00e7\u00f5es ainda mais r\u00e1pidas. &#8220;Sabemos agora que um programa espetrosc\u00f3pico de resposta r\u00e1pida, bem coordenado com levantamentos fotom\u00e9tricos profundos, pode realisticamente recolher espetros um dia ap\u00f3s a explos\u00e3o, abrindo caminho para estudos sistem\u00e1ticos das primeiras fases em grandes levantamentos futuros, como o LS4 (La Silla Southern Supernova Survey) e o LSST (Legacy Survey of Space and Time), ambos no Chile&#8221;, conclui Galbany.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ice.csic.es\/?view=article&amp;id=804&amp;catid=8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ICE-CSIC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ieec.cat\/un-equip-dastronoms-presenta-un-nou-metode-per-detectar-supernoves-hores-despres-de-lexplosio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ IEEC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.1088\/1475-7516\/2025\/08\/053\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (JCAP)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supernova:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GTC (Gran Telescopio Canarias):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.gtc.iac.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gran_Telescopio_Canarias\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ZTF (Zwicky Transient Facility):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.ztf.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ipac.caltech.edu\/project\/ztf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ipac<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Zwicky_Transient_Facility\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema de alertas ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.fallingstar.com\/home.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Asteroid_Terrestrial-impact_Last_Alert_System\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As supernovas s\u00e3o enormes explos\u00f5es que marcam a fase final da vida de uma estrela. Por serem repentinas e imprevis\u00edveis, foram durante muito tempo dif\u00edceis de estudar, mas, hoje em dia, gra\u00e7as aos levantamentos de alta cad\u00eancia, os astr\u00f3nomos podem descobrir supernovas quase diariamente.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8315,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,1],"tags":[403,385,213,512],"class_list":["post-8314","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-telescopios-profissionais","tag-atlas","tag-gtc","tag-supernova","tag-ztf"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8314","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8314"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8314\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8316,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8314\/revisions\/8316"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8315"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}