{"id":8310,"date":"2025-09-09T06:18:41","date_gmt":"2025-09-09T05:18:41","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8310"},"modified":"2025-09-09T06:18:56","modified_gmt":"2025-09-09T05:18:56","slug":"sem-colisao-nao-ha-vida-a-terra-provavelmente-precisou-de-mantimentos-do-espaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/09\/09\/sem-colisao-nao-ha-vida-a-terra-provavelmente-precisou-de-mantimentos-do-espaco\/","title":{"rendered":"Sem colis\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 vida: a Terra provavelmente precisou de &#8220;mantimentos&#8221; do espa\u00e7o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/90SdYbmu_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"819\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/90SdYbmu_o-1024x819.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8311\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/90SdYbmu_o-1024x819.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/90SdYbmu_o-300x240.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/90SdYbmu_o-768x615.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/90SdYbmu_o.jpg 1041w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista da colis\u00e3o do objeto chamado Theia com a proto-Terra.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar, foram necess\u00e1rios, no m\u00e1ximo, tr\u00eas milh\u00f5es de anos para que a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do precursor da Terra ficasse completa. \u00c9 o que mostra um novo estudo do Instituto de Ci\u00eancias Geol\u00f3gicas da Universidade de Berna. Por\u00e9m, nessa altura, quase n\u00e3o existiam no jovem planeta elementos necess\u00e1rios \u00e0 vida, como a \u00e1gua ou compostos de carbono. S\u00f3 uma colis\u00e3o planet\u00e1ria posterior ter\u00e1 trazido \u00e1gua para a Terra, abrindo caminho para a vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 \u00e0 data, a Terra \u00e9 o \u00fanico planeta conhecido onde existe vida &#8211; com \u00e1gua l\u00edquida e uma atmosfera est\u00e1vel. No entanto, as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram prop\u00edcias \u00e0 vida aquando da sua forma\u00e7\u00e3o. A nuvem de g\u00e1s e poeira a partir da qual se formaram todos os planetas do Sistema Solar era rica em elementos vol\u00e1teis essenciais \u00e0 vida, como o hidrog\u00e9nio, o carbono e o enxofre. No entanto, no Sistema Solar interior &#8211; a parte mais pr\u00f3xima do Sol, onde se encontram atualmente os quatro planetas rochosos Merc\u00fario, V\u00e9nus, Terra e Marte e a cintura de asteroides &#8211; estes elementos vol\u00e1teis dificilmente poderiam existir: devido \u00e0 elevada temperatura do Sol, n\u00e3o se condensavam e, inicialmente, permaneciam em grande parte na fase gasosa. Como estas subst\u00e2ncias gasosas n\u00e3o foram incorporadas nos materiais rochosos s\u00f3lidos a partir dos quais se formaram os planetas, o precursor primitivo da Terra, a chamada proto-Terra, tamb\u00e9m continha muito pouco destas subst\u00e2ncias vitais. Apenas os corpos celestes que se formaram mais longe do Sol, em regi\u00f5es mais frias, foram capazes de incorporar estes componentes. Quando e como a Terra se tornou um planeta prop\u00edcio \u00e0 vida ainda n\u00e3o \u00e9 totalmente compreendido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num novo estudo, investigadores do Instituto de Ci\u00eancias Geol\u00f3gicas da Universidade de Berna conseguiram demonstrar, pela primeira vez, que a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da Terra primitiva estava completa, o mais tardar, tr\u00eas milh\u00f5es de anos ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar &#8211; e de uma forma que, inicialmente, tornou imposs\u00edvel o aparecimento da vida. Os seus resultados, recentemente publicados na revista Science Advances, sugerem que a vida na Terra s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as a um acontecimento posterior. O Dr. Pascal Kruttasch \u00e9 o primeiro autor do estudo, estudo este que fez parte da sua disserta\u00e7\u00e3o no Instituto de Ci\u00eancias Geol\u00f3gicas. Kruttasch \u00e9 atualmente p\u00f3s-doc no Imperial College London.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Usando um rel\u00f3gio preciso para medir a hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o da Terra<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de investiga\u00e7\u00e3o utilizou uma combina\u00e7\u00e3o de dados de is\u00f3topos e elementos de meteoritos e rochas terrestres para reconstruir o processo de forma\u00e7\u00e3o da Terra. Utilizando c\u00e1lculos de modelos, os investigadores conseguiram determinar, no tempo, como a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da Terra se desenvolveu em compara\u00e7\u00e3o com outros blocos de constru\u00e7\u00e3o planet\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Kruttasch explica: &#8220;Foi utilizado, para determinar a idade exata, um sistema de medi\u00e7\u00e3o do tempo de alta precis\u00e3o, baseado no decaimento radioativo do mangan\u00eas-53. Este is\u00f3topo estava presente nos prim\u00f3rdios do Sistema Solar e deca\u00eda para cr\u00f3mio-53 com uma meia-vida de cerca de 3,8 milh\u00f5es de anos&#8221;. Este m\u00e9todo permitiu determinar as idades com uma precis\u00e3o inferior a um milh\u00e3o de anos para materiais com v\u00e1rios milhares de milh\u00f5es de anos. &#8220;Estas medi\u00e7\u00f5es s\u00f3 foram poss\u00edveis porque a Universidade de Berna possui compet\u00eancias e infraestruturas internacionalmente reconhecidas para a an\u00e1lise de materiais extraterrestres e \u00e9 l\u00edder no campo da geoqu\u00edmica isot\u00f3pica&#8221;, afirma o coautor Klaus Mezger, professor de geoqu\u00edmica na mesma institui\u00e7\u00e3o su\u00ed\u00e7a de ensino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Vida na Terra gra\u00e7as a uma coincid\u00eancia c\u00f3smica?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atrav\u00e9s de c\u00e1lculos de modelos, a equipa de investiga\u00e7\u00e3o conseguiu demonstrar que a assinatura qu\u00edmica da proto-Terra, ou seja, o padr\u00e3o \u00fanico de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que a comp\u00f5em, j\u00e1 estava completa menos de tr\u00eas milh\u00f5es de anos ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar. O seu estudo fornece, assim, dados emp\u00edricos sobre o tempo de forma\u00e7\u00e3o do material original da jovem Terra. &#8220;O nosso Sistema Solar formou-se h\u00e1 cerca de 4,568 milh\u00f5es de anos. Considerando que foram necess\u00e1rios apenas 3 milh\u00f5es de anos para determinar as propriedades qu\u00edmicas da Terra, isto \u00e9 surpreendentemente r\u00e1pido&#8221;, diz o primeiro autor Kruttasch.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados do estudo apoiam, assim, a hip\u00f3tese de que uma colis\u00e3o posterior com outro planeta &#8211; Theia &#8211; foi o ponto de viragem decisivo e transformou a Terra num planeta amigo da vida. Theia formou-se provavelmente mais longe no Sistema Solar, onde se acumularam subst\u00e2ncias vol\u00e1teis como a \u00e1gua. &#8220;Gra\u00e7as aos nossos resultados, sabemos que a proto-Terra era inicialmente um planeta rochoso seco. Por isso, podemos assumir que foi apenas a colis\u00e3o com Theia que trouxe elementos vol\u00e1teis para a Terra e que, em \u00faltima an\u00e1lise, tornou a vida poss\u00edvel&#8221;, diz Kruttasch.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A exist\u00eancia de vida no Universo n\u00e3o pode ser considerada um dado adquirido<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo estudo contribui significativamente para a nossa compreens\u00e3o dos processos na fase inicial do Sistema Solar e fornece pistas sobre quando e como se podem formar planetas onde a vida \u00e9 poss\u00edvel. &#8220;A Terra n\u00e3o deve a sua atual aptid\u00e3o para a vida a um desenvolvimento cont\u00ednuo, mas provavelmente a um acontecimento fortuito &#8211; o impacto tardio de um outro corpo, rico em \u00e1gua. Isto torna claro que a exist\u00eancia de vida no Universo \u00e9 tudo menos uma quest\u00e3o de rotina&#8221;, diz Mezger.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3ximo passo seria investigar mais pormenorizadamente o evento de colis\u00e3o entre a proto-Terra e Theia. &#8220;At\u00e9 agora, este evento de colis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficientemente bem compreendido. S\u00e3o necess\u00e1rios modelos que possam explicar completamente n\u00e3o s\u00f3 as propriedades f\u00edsicas da Terra e da Lua, mas tamb\u00e9m a sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica e assinaturas de is\u00f3topos&#8221;, conclui Kruttasch.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/mediarelations.unibe.ch\/media_releases\/2025\/media_releases_2025\/no_collision_no_life_earth_probably_needed_supplies_from_space\/index_eng.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Berna (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.adw1280\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Planeta Terra:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/earth\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Earth\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Theia:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Theia_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_System\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Future_solar_system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar, foram necess\u00e1rios, no m\u00e1ximo, tr\u00eas milh\u00f5es de anos para que a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do precursor da Terra ficasse completa. 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