{"id":8297,"date":"2025-09-02T06:19:20","date_gmt":"2025-09-02T05:19:20","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8297"},"modified":"2025-09-02T06:19:21","modified_gmt":"2025-09-02T05:19:21","slug":"dados-de-sismos-marcianos-revelam-a-natureza-irregular-do-interior-do-planeta-vermelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/09\/02\/dados-de-sismos-marcianos-revelam-a-natureza-irregular-do-interior-do-planeta-vermelho\/","title":{"rendered":"Dados de sismos marcianos revelam a natureza irregular do interior do Planeta Vermelho"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1-pia26635-illustration-giant-asteroid-impacting-ancient-mars.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"802\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/n4NvsiLm_o-1024x802.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8298\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/n4NvsiLm_o-1024x802.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/n4NvsiLm_o-300x235.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/n4NvsiLm_o-768x601.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/n4NvsiLm_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os cientistas pensam que impactos gigantescos &#8211; como o representado nesta ilustra\u00e7\u00e3o &#8211; ocorreram em Marte h\u00e1 4,5 mil milh\u00f5es de anos, injetando os detritos do impacto nas profundezas do manto do planeta. O m\u00f3dulo de aterragem InSight da NASA detetou estes detritos antes do fim da miss\u00e3o, em 2022.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram detetados, nas profundezas do planeta Marte, o que parecem ser fragmentos de impactos massivos no planeta, ocorridos h\u00e1 4,5 mil milh\u00f5es de anos. A descoberta foi feita gra\u00e7as ao m\u00f3dulo InSight da NASA, j\u00e1 aposentado, que registou os achados antes do fim da miss\u00e3o em 2022. Os antigos impactos libertaram energia suficiente para derreter \u00e1reas continentais da crosta primitiva e do manto em vastos oceanos de magma, injetando simultaneamente os fragmentos do impactor e os detritos marcianos nas profundezas do interior do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1 forma de saber exatamente o que atingiu Marte: o Sistema Solar primitivo estava repleto de diferentes objetos rochosos que o poderiam ter feito, incluindo alguns t\u00e3o grandes que eram efetivamente protoplanetas. Os restos destes impactos ainda existem sob a forma de peda\u00e7os que chegam a ter 4 quil\u00f3metros de di\u00e2metro e est\u00e3o espalhados pelo manto marciano. Oferecem um registo preservado apenas em mundos como Marte, cuja aus\u00eancia de placas tect\u00f3nicas impediu que o seu interior fosse remexido da mesma forma que o da Terra, atrav\u00e9s de um processo conhecido como convec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta foi relatada na passada quinta-feira, dia 28 de agosto, num estudo publicado na revista Science.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Nunca antes t\u00ednhamos visto o interior de um planeta com tanto pormenor e clareza&#8221;, disse o autor principal do artigo, Constantinos Charalambous, do Imperial College London. &#8220;O que estamos a ver \u00e9 um manto repleto de fragmentos antigos. A sua sobreviv\u00eancia at\u00e9 aos dias de hoje diz-nos que o manto de Marte evoluiu lentamente ao longo de milhares de milh\u00f5es de anos. Na Terra, caracter\u00edsticas como estas podem muito bem ter sido largamente apagadas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O InSight, gerido pelo JPL da NASA, no sul da Calif\u00f3rnia, colocou o primeiro sism\u00f3metro na superf\u00edcie de Marte em 2018. O instrumento extremamente sens\u00edvel registou 1319 sismos marcianos antes do fim da miss\u00e3o do m\u00f3dulo de aterragem em 2022.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/photojournal.jpl.nasa.gov\/jpeg\/PIA23203.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/3BLnEW4.jpeg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O InSight da NASA tirou esta selfie em 2019 usando uma c\u00e2mara no seu bra\u00e7o rob\u00f3tico. O m\u00f3dulo de aterragem tamb\u00e9m utilizou o seu bra\u00e7o para colocar o sism\u00f3metro da miss\u00e3o, cujos dados foram utilizados num estudo de 2025 que mostra que os impactos deixaram peda\u00e7os de detritos nas profundezas do interior do planeta.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os sismos produzem ondas que se alteram \u00e0 medida que atravessam diferentes tipos de material, proporcionando aos cientistas uma forma de estudar o interior de um corpo planet\u00e1rio. At\u00e9 \u00e0 data, a equipa do InSight mediu o tamanho, a profundidade e a composi\u00e7\u00e3o da crosta, do manto e do n\u00facleo de Marte. Esta \u00faltima descoberta relativa \u00e0 composi\u00e7\u00e3o do manto sugere o quanto ainda h\u00e1 para descobrir nos dados do InSight.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Sab\u00edamos que Marte era uma c\u00e1psula do tempo com registos da sua forma\u00e7\u00e3o inicial, mas n\u00e3o prev\u00edamos a clareza com que poder\u00edamos ver com o InSight&#8221;, disse Tom Pike do Imperial College London, coautor do artigo cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ca\u00e7a aos sismos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marte n\u00e3o tem as placas tect\u00f3nicas que produzem os tremores de terra com que muitas pessoas em \u00e1reas sismicamente ativas est\u00e3o familiarizadas. Mas h\u00e1 dois outros tipos de sismos na Terra que tamb\u00e9m ocorrem em Marte: os causados por rochas que se fraturam sob calor e press\u00e3o, e os causados por impactos de meteoroides.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dos dois tipos, os impactos de meteoroides em Marte produzem ondas s\u00edsmicas de alta frequ\u00eancia que viajam desde a crosta at\u00e9 ao manto do planeta, de acordo com um artigo publicado no in\u00edcio deste ano na revista Geophysical Research Letters. Localizado sob a crosta do planeta, o manto marciano pode ter at\u00e9 1550 quil\u00f3metros de espessura e \u00e9 feito de rocha s\u00f3lida que pode atingir temperaturas de 1500\u00ba Celsius.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sinais baralhados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo artigo da Science identifica oito sismos marcianos cujas ondas s\u00edsmicas continham uma energia forte e de alta frequ\u00eancia que chegou \u00e0s profundezas do manto, onde as suas ondas s\u00edsmicas eram nitidamente alteradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando vimos isto pela primeira vez nos nossos dados s\u00edsmicos, pens\u00e1mos que os atrasos estavam a acontecer na crosta marciana&#8221;, disse Pike. &#8220;Mas depois repar\u00e1mos que quanto mais longe as ondas s\u00edsmicas viajavam atrav\u00e9s do manto, mais estes sinais de alta frequ\u00eancia eram atrasados&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/e1-pia26636-illustration-cutaway-showing-asteroid-debris-in-mars-mantle.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/7d\/79\/RleA2rz3_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Nesta ilustra\u00e7\u00e3o, uma vista em corte de Marte (n\u00e3o \u00e0 escala) revela detritos de impactos antigos espalhados pelo manto do planeta. Na superf\u00edcie, \u00e0 esquerda, o impacto de um meteoroide envia sinais s\u00edsmicos para o interior; \u00e0 direita, o m\u00f3dulo de aterragem InSight da NASA.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando simula\u00e7\u00f5es de computador de todo o planeta, a equipa viu que o abrandamento e a baralha\u00e7\u00e3o s\u00f3 aconteciam quando os sinais passavam por regi\u00f5es pequenas e localizadas dentro do manto. Tamb\u00e9m determinaram que estas regi\u00f5es parecem ser peda\u00e7os de material com uma composi\u00e7\u00e3o diferente da do manto circundante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com um enigma resolvido, a equipa concentrou-se noutro: como \u00e9 que esses peda\u00e7os foram l\u00e1 parar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voltando atr\u00e1s no tempo, conclu\u00edram que os blocos chegaram provavelmente como asteroides gigantes ou outros materiais rochosos que atingiram Marte durante o in\u00edcio do Sistema Solar, gerando esses oceanos de magma \u00e0 medida que penetravam profundamente no manto, trazendo consigo fragmentos da crosta e do manto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Charalambous compara o padr\u00e3o a vidro estilha\u00e7ado &#8211; alguns cacos grandes com muitos fragmentos mais pequenos. O padr\u00e3o \u00e9 consistente com uma grande liberta\u00e7\u00e3o de energia que espalhou muitos fragmentos de material pelo manto. Tamb\u00e9m se enquadra bem no pensamento atual de que, nos prim\u00f3rdios do sistema Solar, os asteroides e outros corpos planet\u00e1rios bombardeavam regularmente os jovens planetas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Terra, a crosta e o manto superior s\u00e3o continuamente reciclados pela tect\u00f3nica de placas, que empurra a orla de uma placa para o interior quente, onde, por convec\u00e7\u00e3o, o material mais quente e menos denso sobe e o material mais frio e mais denso desce. Marte, em contraste, n\u00e3o tem placas tect\u00f3nicas e o seu interior circula de forma muito mais lenta. O facto de ainda hoje serem vis\u00edveis estruturas t\u00e3o subtis, disse Charalambous, &#8220;diz-nos que Marte n\u00e3o sofreu a agita\u00e7\u00e3o vigorosa que teria eliminado estes fragmentos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, desta forma, Marte pode indicar o que pode estar escondido sob a superf\u00edcie de outros planetas rochosos que n\u00e3o t\u00eam tect\u00f3nica de placas, incluindo V\u00e9nus e Merc\u00fario.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/missions\/insight\/nasa-marsquake-data-reveals-lumpy-nature-of-red-planets-interior\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.imperial.ac.uk\/news\/267873\/marss-interior-more-like-rocky-road\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Imperial College London (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.adk4292\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Nine Planets<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>InSight:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/mars.nasa.gov\/insight\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/InSight\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram detetados, nas profundezas do planeta Marte, o que parecem ser fragmentos de impactos massivos no planeta, ocorridos h\u00e1 4,5 mil milh\u00f5es de anos. 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