{"id":8291,"date":"2025-09-02T06:12:42","date_gmt":"2025-09-02T05:12:42","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8291"},"modified":"2025-09-02T06:12:43","modified_gmt":"2025-09-02T05:12:43","slug":"um-massivo-sistema-estelar-binario-na-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/09\/02\/um-massivo-sistema-estelar-binario-na-via-lactea\/","title":{"rendered":"Um massivo sistema estelar bin\u00e1rio na Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.esahubble.org\/archives\/images\/large\/heic1009a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/vSbheOn5_o-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8292\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/vSbheOn5_o-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/vSbheOn5_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/vSbheOn5_o-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/vSbheOn5_o-768x768.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/vSbheOn5_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem da regi\u00e3o central do enxame estelar situado na regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar NGC 3603. O sistema bin\u00e1rio A1 est\u00e1 assinalado com a seta amarela (n\u00e3o separ\u00e1vel na imagem).\nCr\u00e9dito: NASA, ESA e Wolfgang Brandner (Instituto Max Planck de Astronomia), Boyke Rochau (Instituto Max Planck de Astronomia) e Andrea Stolte (Universidade de Col\u00f3nia)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa de astr\u00f3nomos analisou com a maior precis\u00e3o poss\u00edvel um dos pares de estrelas mais massivos da nossa Gal\u00e1xia, conhecido como NGC 3603-A1. Utilizando dados de arquivo n\u00e3o publicados do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble e novas observa\u00e7\u00f5es, efetuadas com precis\u00e3o, a equipa mediu as propriedades deste extraordin\u00e1rio sistema com um n\u00edvel nunca antes alcan\u00e7ado. O artigo cient\u00edfico foi publicado na revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NGC 3603-A1 est\u00e1 localizado num deslumbrante enxame de estrelas conhecido como HD 97950, no centro da nebulosa NGC 3603, a cerca de 25.000 anos-luz da Terra. NGC 3603 \u00e9 uma das regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar mais ativas da nossa Gal\u00e1xia e alberga dezenas de estrelas extremamente quentes e brilhantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As duas estrelas gigantes que constituem o sistema NGC 3603-A1 orbitam-se uma \u00e0 outra a cada 3,8 dias. Isto significa que, no tempo que a Terra leva a orbitar o Sol uma vez, as duas estrelas gigantes que constituem o sistema NGC 3603-A1 ter\u00e3o orbitado uma \u00e0 outra quase cem vezes. Uma estrela tem cerca de 93 vezes a massa do nosso Sol, e a outra tem cerca de 70 massas solares. Estas estrelas s\u00e3o t\u00e3o brilhantes e poderosas que libertam ventos e radia\u00e7\u00e3o intensos, fazendo com que se pare\u00e7am com um tipo especial de estrela chamado Wolf-Rayet. Uma estrela Wolf-Rayet \u00e9 uma estrela extremamente quente e massiva que se aproxima do fim da sua vida, libertando ventos poderosos que lhe retiram as camadas exteriores e a fazem brilhar com uma intensidade invulgar. No entanto, ao contr\u00e1rio das verdadeiras estrelas Wolf-Rayet, as estrelas de NGC 3603-A1 s\u00e3o ainda jovens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta \u00e9 uma descoberta rara e excitante&#8221;, disse o Dr. Phil Massey, l\u00edder da equipa, do Observat\u00f3rio Lowell. &#8220;Estas estrelas est\u00e3o entre as mais massivas que alguma vez medimos diretamente na nossa Via L\u00e1ctea, e ajudam-nos a compreender como as estrelas massivas vivem, evoluem e eventualmente morrem&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora os astr\u00f3nomos suspeitassem h\u00e1 muito que NGC3603-A1 era um sistema estelar bin\u00e1rio muito massivo, esta \u00e9 a primeira vez que estes pesos pesados foram medidos diretamente. Sarah Bodansky, na altura estudante no Carleton College, Minnesota, EUA, trabalhou remotamente no Observat\u00f3rio Lowell durante o &#8220;ver\u00e3o pand\u00e9mico&#8221; de 2020 e identificou o principal caminho a seguir a partir de dados mais antigos do Hubble.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Para as estrelas mais massivas, os astr\u00f3nomos t\u00eam normalmente de se basear em modelos que n\u00e3o est\u00e3o muito bem definidos para &#8216;pesar&#8217; a estrela&#8221;, disse Bodansky, &#8220;mas este estudo centrou-se num tipo especial de sistema bin\u00e1rio onde podemos obter uma medi\u00e7\u00e3o mais fundamental da sua massa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O trabalho da Sarah tornou poss\u00edvel avan\u00e7ar com este projeto&#8221;, disse Massey. &#8220;Ela reparou em algo que tinha escapado a todos: algumas das caracter\u00edsticas espetrais duplicavam quando as estrelas tinham os seus maiores movimentos em dire\u00e7\u00e3o a n\u00f3s e para longe de n\u00f3s. Sem esta descoberta, o projeto teria ficado para tr\u00e1s&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 an\u00e1lise cuidadosa de dados novos e antigos do Hubble. Estudando a forma como as estrelas se orbitam uma \u00e0 outra e como a sua luz \u00e9 alterada ao longo do tempo, a equipa foi capaz de descobrir os seus tamanhos, temperaturas e a forma como interagem entre si.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Curiosamente, a estrela mais pequena do par parece ter sugado massa da sua companheira maior, girando mais depressa como resultado. Este tipo de intera\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para compreender como as estrelas mudam ao longo do tempo e como podem eventualmente explodir ou colapsar em buracos negros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estrelas massivas como estas s\u00e3o tamb\u00e9m protagonistas no drama c\u00f3smico das ondas gravitacionais, as ondula\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o-tempo detetadas pela primeira vez em 2015. Estas massivas estrelas bin\u00e1rias podem transformar-se em buracos negros bin\u00e1rios, que podem depois fundir-se, criando as ondas que os cientistas utilizam agora para explorar o Universo de formas inteiramente novas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta descoberta acrescenta uma pe\u00e7a vital ao puzzle de como as estrelas moldam o Universo, e tudo come\u00e7ou com um olhar mais atento a uma estrela &#8220;difusa&#8221; numa das vizinhan\u00e7as mais deslumbrantes da Gal\u00e1xia. Devido ao facto de as estrelas estarem muito juntas, s\u00f3 o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble conseguiu descortinar a imagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/lowell.edu\/astronomers-reveal-massive-binary-star-system-in-milky-way\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Observat\u00f3rio Lowell (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ade799\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NGC 3603-A1:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/simbad.cds.unistra.fr\/simbad\/sim-id?Ident=WR+43a\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NGC_3603-A1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>HD 97950:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/HD_97950\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NGC 3603:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NGC_3603\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa de astr\u00f3nomos analisou com a maior precis\u00e3o poss\u00edvel um dos pares de estrelas mais massivos da nossa Gal\u00e1xia, conhecido como NGC 3603-A1. 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