{"id":8279,"date":"2025-08-26T06:28:18","date_gmt":"2025-08-26T05:28:18","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8279"},"modified":"2025-08-26T06:28:20","modified_gmt":"2025-08-26T05:28:20","slug":"estrutura-poeirenta-explica-o-quase-desaparecimento-de-uma-estrela-distante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/08\/26\/estrutura-poeirenta-explica-o-quase-desaparecimento-de-uma-estrela-distante\/","title":{"rendered":"Estrutura poeirenta explica o quase desaparecimento de uma estrela distante"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/uFVY7nuW_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8280\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/uFVY7nuW_o.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/uFVY7nuW_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/uFVY7nuW_o-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/uFVY7nuW_o-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o, criada por intelig\u00eancia artificial, do poss\u00edvel aspeto do sistema ASASSN-24fw.\nCr\u00e9dito: Microsoft Designer<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>As estrelas morrem e desaparecem de vista a toda a hora, mas os astr\u00f3nomos ficaram intrigados quando uma estrela que se tinha mantido est\u00e1vel durante mais de uma d\u00e9cada quase desapareceu durante oito meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre o final de 2024 e o in\u00edcio de 2025, uma estrela da nossa Gal\u00e1xia, designada por ASASSN-24fw, diminuiu o seu brilho em cerca de 97%, antes de aumentar novamente. Desde ent\u00e3o, os cientistas t\u00eam vindo a trocar teorias sobre o que estar\u00e1 por detr\u00e1s deste acontecimento raro e excitante.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, uma equipa internacional liderada por cientistas da Universidade do Estado do Ohio, EUA, poder\u00e1 ter encontrado uma resposta para o mist\u00e9rio. Num novo estudo recentemente publicado na revista The Open Journal of Astrophysics, os astr\u00f3nomos sugerem que, uma vez que a cor da luz da estrela permaneceu inalterada durante o seu escurecimento, o evento n\u00e3o foi causado por uma qualquer evolu\u00e7\u00e3o da estrela, mas sim por uma grande nuvem de poeira e g\u00e1s em torno da estrela que ocultou a vis\u00e3o da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Explor\u00e1mos tr\u00eas cen\u00e1rios diferentes para o que poderia estar a acontecer&#8221;, disse Raquel For\u00e9s-Toribio, autora principal do estudo e investigadora p\u00f3s-doutorada em astronomia. &#8220;As evid\u00eancias sugerem que \u00e9 prov\u00e1vel que exista uma nuvem de poeira em forma de disco \u00e0 sua volta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>ASASSN-24fw \u00e9 uma estrela de classe F &#8211; uma estrela um pouco mais massiva do que o nosso Sol e com cerca do dobro do tamanho &#8211; e est\u00e1 localizada a cerca de 3000 anos-luz da Terra. Os investigadores estimam que a nuvem em forma de disco que a rodeia tem cerca de 1,3 unidades astron\u00f3micas (UA) de di\u00e2metro, uma dist\u00e2ncia ainda maior do que a que separa o Sol do nosso planeta (1 UA \u00e9 a dist\u00e2ncia entre o centro da Terra e o centro do Sol).<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores sugerem que este disco tamb\u00e9m \u00e9 provavelmente constitu\u00eddo por grandes aglomerados de carbono ou \u00e1gua gelada, com dimens\u00f5es pr\u00f3ximas das de um grande gr\u00e3o de poeira encontrado na Terra. Este material \u00e9 suficientemente semelhante aos discos de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria para que o seu estudo possa dar aos astr\u00f3nomos novos conhecimentos sobre a forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o estelar.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, estas descobertas por si s\u00f3 n\u00e3o explicam todas as anomalias do sistema, disse For\u00e9s-Toribio. Ao inv\u00e9s, os investigadores pensam que uma estrela mais pequena e mais fria pode tamb\u00e9m orbitar ASASSN-24fw, o que faria dele um sistema bin\u00e1rio oculto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Neste momento, com os dados que temos, o que propomos \u00e9 que haja duas estrelas juntas num sistema bin\u00e1rio&#8221;, disse For\u00e9s-Toribio. &#8220;A segunda estrela, que \u00e9 muito mais fraca e menos massiva, pode estar a provocar as mudan\u00e7as na geometria que levam aos eclipses&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora sistemas obscurantes como o que a equipa viu sejam escassos, este eclipse raro foi especialmente dram\u00e1tico, disse Chris Kochanek, coautor do estudo e professor de astronomia, pois quando os investigadores procuraram objetos semelhantes, n\u00e3o conseguiram encontrar nenhum que se encaixasse exatamente no mesmo padr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esper\u00e1vamos encontrar algumas semelhan\u00e7as e n\u00e3o encontr\u00e1mos muitas, o que \u00e9 interessante por si s\u00f3&#8221;, disse Kochanek. &#8220;Mas a esperan\u00e7a \u00e9 que, \u00e0 medida que formos encontrando mais no futuro, alguns padr\u00f5es possam eventualmente ser revelados&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema foi descoberto no \u00e2mbito do projeto ASAS-SN (All-Sky Automated Survey for Supernovae), uma rede de pequenos telesc\u00f3pios que monitorizam todo o c\u00e9u noturno vis\u00edvel. Desde a sua cria\u00e7\u00e3o, h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, que o ASAS-SN j\u00e1 recolheu cerca de 14 milh\u00f5es de imagens do cosmos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A capacidade do Universo em nos surpreender \u00e9 cont\u00ednua&#8221;, disse Krzysztof Stanek, outro coautor do estudo e professor de astronomia. &#8220;Mesmo com pequenos telesc\u00f3pios no solo e grandes telesc\u00f3pios no espa\u00e7o, sempre que temos uma nova capacidade, continuamos a descobrir coisas novas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a equipa, o sistema ASASSN-24fw dever\u00e1 passar por um eclipse aproximadamente a cada 43,8 anos, sendo que o pr\u00f3ximo s\u00f3 dever\u00e1 ocorrer por volta de 2068. Embora alguns membros da equipa n\u00e3o esperem estar por perto para estudar esse evento, esperam que o trabalho que deixaram no desenvolvimento destes levantamentos do c\u00e9u a longo prazo d\u00ea aos futuros cientistas uma base para fazer todo o tipo de novas e excitantes descobertas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Queremos que os nossos dados estejam acess\u00edveis daqui a cem anos, mesmo que n\u00e3o estejamos c\u00e1&#8221;, disse Stanek. &#8220;O principal objetivo do ASAS-SN \u00e9 que, se algo acontecer no c\u00e9u, teremos dados hist\u00f3ricos sobre isso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a equipa quer utilizar telesc\u00f3pios maiores, como o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb e o LBT (Large Binocular Telescope), para fazer observa\u00e7\u00f5es mais completas do sistema \u00e0 medida que este regressa ao brilho total.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este estudo \u00e9 um exemplo particularmente interessante de uma classe mais vasta de objetos ainda muito estranhos&#8221;, disse Stanek. &#8220;Aprendemos mais sobre astrof\u00edsica quando encontramos coisas que s\u00e3o invulgares, porque isso p\u00f5e \u00e0 prova as nossas teorias&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/news.osu.edu\/dusty-structure-explains-near-vanishing-of-faraway-star\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade do Estado do Ohio (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/astro.theoj.org\/article\/143105-asassn-24fw-an-8-month-long-4-1-mag-optically-achromatic-and-polarized-dimming-event\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Open Journal of Astrophysics)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Estrela de classe F:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/F-type_main-sequence_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASAS-SN (All-Sky Automated Survey for Supernovae):<br><\/strong><a href=\"https:\/\/www.astronomy.ohio-state.edu\/asassn\/index.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade do Estado do Ohio<\/a><br><a href=\"https:\/\/asas-sn.osu.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade do Estado do Ohio #2<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/All_Sky_Automated_Survey_for_SuperNovae\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As estrelas morrem e desaparecem de vista a toda a hora, mas os astr\u00f3nomos ficaram intrigados quando uma estrela que se tinha mantido est\u00e1vel durante mais de uma d\u00e9cada quase desapareceu durante oito meses.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8280,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,1],"tags":[317,1958],"class_list":["post-8279","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-telescopios-profissionais","tag-asas-sn","tag-asassn-24fw"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8279","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8279"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8279\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8281,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8279\/revisions\/8281"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8280"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}