{"id":8264,"date":"2025-08-22T06:27:33","date_gmt":"2025-08-22T05:27:33","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8264"},"modified":"2025-08-22T06:27:35","modified_gmt":"2025-08-22T05:27:35","slug":"ceres-pode-ter-tido-uma-fonte-de-energia-para-alimentar-a-habitabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/08\/22\/ceres-pode-ter-tido-uma-fonte-de-energia-para-alimentar-a-habitabilidade\/","title":{"rendered":"Ceres pode ter tido uma fonte de energia para alimentar a habitabilidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/q0vvb4bF_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"646\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/q0vvb4bF_o-1024x646.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8265\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/q0vvb4bF_o-1024x646.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/q0vvb4bF_o-300x189.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/q0vvb4bF_o-768x484.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/q0vvb4bF_o-1536x968.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/q0vvb4bF_o.jpg 1764w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O planeta an\u00e3o Ceres \u00e9 visto nesta representa\u00e7\u00e3o a cores melhoradas que utiliza imagens da miss\u00e3o Dawn da NASA. Novos modelos t\u00e9rmicos e qu\u00edmicos, baseados nos dados da miss\u00e3o, indicam que Ceres pode ter tido, h\u00e1 muito tempo, condi\u00e7\u00f5es adequadas \u00e0 vida.\nCr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/UCLA\/MPS\/DLR\/IDA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Uma nova investiga\u00e7\u00e3o da NASA descobriu que Ceres poder\u00e1 ter tido uma fonte duradoura de energia qu\u00edmica: os tipos certos de mol\u00e9culas necess\u00e1rias para alimentar alguns metabolismos microbianos. Embora n\u00e3o existam evid\u00eancias de que alguma vez tenham existido micro-organismos em Ceres, a descoberta apoia as teorias de que este intrigante planeta an\u00e3o, que \u00e9 o maior corpo da cintura principal de asteroides entre Marte e J\u00fapiter, pode ter tido, em tempos, condi\u00e7\u00f5es adequadas para suportar formas de vida unicelulares.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados cient\u00edficos da miss\u00e3o Dawn da NASA, que terminou em 2018, mostraram anteriormente que as regi\u00f5es brilhantes e refletivas da superf\u00edcie de Ceres s\u00e3o maioritariamente feitas de sais deixados pelo l\u00edquido que se infiltrou do subsolo. An\u00e1lises posteriores em 2020 descobriram que a fonte deste l\u00edquido era um enorme reservat\u00f3rio de salmoura, ou \u00e1gua salgada, abaixo da superf\u00edcie. Noutra investiga\u00e7\u00e3o, a miss\u00e3o Dawn tamb\u00e9m revelou evid\u00eancias de que Ceres tem material org\u00e2nico sob a forma de mol\u00e9culas de carbono &#8211; essencial, embora n\u00e3o suficiente s\u00f3 por si, para suportar c\u00e9lulas microbianas.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a de \u00e1gua e de mol\u00e9culas de carbono s\u00e3o duas pe\u00e7as fundamentais do puzzle da habitabilidade de Ceres. As novas descobertas oferecem a terceira: uma fonte duradoura de energia qu\u00edmica no passado antigo de Ceres que poderia ter possibilitado a sobreviv\u00eancia de micro-organismos. Este resultado n\u00e3o significa que Ceres tenha tido vida, mas sim que provavelmente havia &#8220;comida&#8221; dispon\u00edvel caso alguma vez tivesse surgido vida em Ceres.<\/p>\n\n\n\n<p>No estudo, publicado a 20 de agosto na revista Science Advances, os autores constru\u00edram modelos t\u00e9rmicos e qu\u00edmicos que imitam a temperatura e a composi\u00e7\u00e3o do interior de Ceres ao longo do tempo. Descobriram que, h\u00e1 cerca de 2,5 mil milh\u00f5es de anos, o oceano subsuperficial de Ceres pode ter tido um fornecimento constante de \u00e1gua quente contendo gases dissolvidos que subiam das rochas metamorfoseadas do n\u00facleo rochoso. O calor provinha da decomposi\u00e7\u00e3o de elementos radioativos no interior rochoso do planeta an\u00e3o, que ocorreu quando Ceres era jovem &#8211; um processo interno que se pensa ser comum no nosso Sistema solar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/photojournal.jpl.nasa.gov\/jpeg\/PIA26570.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/c9\/ff\/lX9T559R_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta ilustra\u00e7\u00e3o mostra o interior do planeta an\u00e3o Ceres, incluindo a transfer\u00eancia de \u00e1gua e gases do n\u00facleo rochoso para um reservat\u00f3rio de \u00e1gua salgada. O di\u00f3xido de carbono e o metano est\u00e3o entre as mol\u00e9culas que transportam energia qu\u00edmica sob a superf\u00edcie de Ceres.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na Terra, quando a \u00e1gua quente das profundezas do subsolo se mistura com o oceano, o resultado \u00e9 frequentemente um buffet para os micr\u00f3bios &#8211; um festim de energia qu\u00edmica. Por isso, poderia ter grandes implica\u00e7\u00f5es se pud\u00e9ssemos determinar se o oceano de Ceres teve um fluxo de fluido hidrotermal no passado&#8221;, disse Sam Courville, autor principal do estudo. Atualmente na Universidade do Estado do Arizona, em Tempe, liderou a investiga\u00e7\u00e3o enquanto trabalhava como estagi\u00e1rio no JPL da NASA, no sul da Calif\u00f3rnia, que tamb\u00e9m geriu a miss\u00e3o Dawn.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apanhando calafrios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 pouco prov\u00e1vel que o Ceres que conhecemos atualmente seja habit\u00e1vel. \u00c9 mais frio, com mais gelo e menos \u00e1gua do que no passado. Atualmente, o calor do decaimento radioativo em Ceres \u00e9 insuficiente para evitar que a \u00e1gua congele e o l\u00edquido que resta tornou-se uma salmoura concentrada.<\/p>\n\n\n\n<p>O per\u00edodo em que Ceres teria sido mais provavelmente habit\u00e1vel foi entre 0,5 mil milh\u00f5es e 2 mil milh\u00f5es de anos ap\u00f3s a sua forma\u00e7\u00e3o (ou seja, h\u00e1 cerca de 2,5 mil milh\u00f5es a 4 mil milh\u00f5es de anos atr\u00e1s), quando o seu n\u00facleo rochoso atingiu a temperatura m\u00e1xima. Seria nessa altura que os fluidos quentes teriam sido introduzidos na \u00e1gua subterr\u00e2nea de Ceres.<\/p>\n\n\n\n<p>O planeta an\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o tem o benef\u00edcio do atual aquecimento interno gerado pelo empurrar e puxar da \u00f3rbita de um grande planeta, como acontece com a lua Enc\u00e9lado de Saturno e a lua Europa de J\u00fapiter. Por isso, o maior potencial de energia de Ceres para alimentar a habitabilidade est\u00e1 no passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Este resultado tamb\u00e9m tem implica\u00e7\u00f5es para objetos ricos em \u00e1gua em todo o Sistema Solar exterior. Muitas das outras luas geladas e planetas an\u00f5es com dimens\u00f5es semelhantes \u00e0s de Ceres (cerca de 940 quil\u00f3metros de di\u00e2metro) e que n\u00e3o t\u00eam um aquecimento interno significativo gra\u00e7as \u00e0 atra\u00e7\u00e3o gravitacional dos planetas, podem tamb\u00e9m ter tido um per\u00edodo de habitabilidade no passado.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/missions\/dawn\/nasa-ceres-may-have-had-long-standing-energy-to-fuel-habitability\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.adt3283\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Ceres:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ceres_%28dwarf_planet%29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sonda Dawn:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/dawn.jpl.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/dawn.jpl.nasa.gov\/mission\/toolkit\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;Toolkit&#8221; da miss\u00e3o (NASA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dawn_Mission\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nova investiga\u00e7\u00e3o da NASA descobriu que Ceres poder\u00e1 ter tido uma fonte duradoura de energia qu\u00edmica: os tipos certos de mol\u00e9culas necess\u00e1rias para alimentar alguns metabolismos microbianos. Embora n\u00e3o existam evid\u00eancias de que alguma vez tenham existido micro-organismos em Ceres, a descoberta apoia as teorias de que este intrigante planeta an\u00e3o, que \u00e9 o maior corpo da cintura principal de asteroides entre Marte e J\u00fapiter, pode ter tido, em tempos, condi\u00e7\u00f5es adequadas para suportar formas de vida unicelulares.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8265,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[601,496],"class_list":["post-8264","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-ceres","tag-dawn"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8264","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8264"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8264\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8266,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8264\/revisions\/8266"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8265"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8264"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8264"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8264"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}