{"id":8233,"date":"2025-08-08T06:21:55","date_gmt":"2025-08-08T05:21:55","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8233"},"modified":"2025-08-08T06:21:56","modified_gmt":"2025-08-08T05:21:56","slug":"o-buraco-negro-mais-antigo-do-universo-um-monstro-no-inicio-dos-tempos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/08\/08\/o-buraco-negro-mais-antigo-do-universo-um-monstro-no-inicio-dos-tempos\/","title":{"rendered":"O buraco negro mais antigo do Universo: um monstro no in\u00edcio dos tempos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/7uXf5h9a_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/7uXf5h9a_o-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8234\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/7uXf5h9a_o-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/7uXf5h9a_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/7uXf5h9a_o-768x512.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/7uXf5h9a_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica de CAPERS-LRD-z9, onde se encontra o mais antigo buraco negro confirmado. Pensa-se que o buraco negro supermassivo no seu centro est\u00e1 rodeado por uma espessa nuvem de g\u00e1s, o que d\u00e1 \u00e0 gal\u00e1xia uma cor vermelha distinta.\nCr\u00e9dito: Erik Zumalt, Universidade do Texas em Austin<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos identificou o buraco negro mais distante alguma vez confirmado. O buraco negro e a gal\u00e1xia que lhe serve de casa, CAPERS-LRD-z9, est\u00e3o presentes 500 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang. Isto coloca-o 13,3 mil milh\u00f5es de anos no passado, quando o nosso Universo tinha apenas 3% da sua idade atual. Como tal, constitui uma oportunidade \u00fanica para estudar a estrutura e a evolu\u00e7\u00e3o deste per\u00edodo enigm\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando se procura buracos negros, isto \u00e9 o mais recuado que se pode ir na pr\u00e1tica. Estamos realmente a ultrapassar os limites do que a tecnologia atual pode detetar&#8221;, disse Anthony Taylor, investigador de p\u00f3s-doutoramento no Cosmic Frontier Center da Universidade do Texas em Austin e l\u00edder da equipa que fez a descoberta. A sua investiga\u00e7\u00e3o foi publicada no passado dia 6 de agosto na revista The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Embora os astr\u00f3nomos tenham encontrado alguns candidatos mais distantes&#8221;, acrescentou Steven Finkelstein, coautor do artigo cient\u00edfico e diretor do Cosmic Frontier Center, &#8220;ainda n\u00e3o encontraram a assinatura espetrosc\u00f3pica distinta associada a um buraco negro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a espetroscopia, os astr\u00f3nomos dividem a luz nos seus v\u00e1rios comprimentos de onda para estudar as caracter\u00edsticas de um objeto. Para identificar buracos negros, procuram ind\u00edcios de g\u00e1s em movimento r\u00e1pido. \u00c0 medida que circula e cai num buraco negro, a luz do g\u00e1s que se afasta de n\u00f3s \u00e9 esticada para comprimentos de onda muito mais vermelhos, e a luz do g\u00e1s que se aproxima de n\u00f3s \u00e9 comprimida para comprimentos de onda muito mais azuis. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 muitas outras coisas que criem esta assinatura&#8221;, explicou Taylor. &#8220;E esta gal\u00e1xia tem-na!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa utilizou dados do programa CAPERS (CANDELS-Area Prism Epoch of Reionization Survey) do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb para a sua pesquisa. Lan\u00e7ado em 2021, o JWST fornece as vistas mais distantes dispon\u00edveis do espa\u00e7o, e o CAPERS fornece observa\u00e7\u00f5es da orla mais externa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O primeiro objetivo do CAPERS \u00e9 confirmar e estudar as gal\u00e1xias mais distantes&#8221;, disse Mark Dickinson, coautor do artigo e chefe da equipa CAPERS. &#8220;A espetroscopia do JWST \u00e9 a chave para confirmar as suas dist\u00e2ncias e compreender as suas propriedades f\u00edsicas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inicialmente visto como uma mancha interessante nas imagens do programa, CAPERS-LRD-z9 acabou por fazer parte de uma nova classe de gal\u00e1xias conhecidas como &#8220;Pequenos Pontos Vermelhos&#8221;. Presentes apenas nos primeiros 1,5 mil milh\u00f5es de anos do Universo, estas gal\u00e1xias s\u00e3o muito compactas, vermelhas e inesperadamente brilhantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A descoberta dos &#8216;Pequenos Pontos Vermelhos&#8217; foi uma grande surpresa nos primeiros dados do JWST, pois n\u00e3o se pareciam em nada com as gal\u00e1xias observadas com o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble&#8221;, explicou Finkelstein. &#8220;Agora, estamos a tentar perceber como s\u00e3o e como surgiram&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E CAPERS-LRD-z9 pode ajudar os astr\u00f3nomos a fazer isso mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por um lado, esta gal\u00e1xia vem juntar-se \u00e0 evid\u00eancia crescente de que os buracos negros supermassivos s\u00e3o a fonte do brilho inesperado dos Pequenos Pontos Vermelhos. Normalmente, esse brilho indicaria uma abund\u00e2ncia de estrelas numa gal\u00e1xia. No entanto, os Pequenos Pontos Vermelhos existem numa altura em que uma massa t\u00e3o grande de estrelas \u00e9 improv\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro, os buracos negros tamb\u00e9m brilham muito. Isso deve-se ao facto de comprimirem e aquecerem os materiais que est\u00e3o a consumir, criando uma luz e uma energia tremendas. Ao confirmarem a exist\u00eancia de um na gal\u00e1xia CAPERS-LRD-z9, os astr\u00f3nomos encontraram um exemplo not\u00e1vel desta liga\u00e7\u00e3o nos Pequenos Pontos Vermelhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A gal\u00e1xia rec\u00e9m-descoberta pode tamb\u00e9m ajudar a responder \u00e0 causa da cor vermelha distinta dos Pequenos Pontos Vermelhos. Isso pode dever-se a uma espessa nuvem de g\u00e1s que rodeia o buraco negro, distorcendo a sua luz para comprimentos de onda mais vermelhos \u00e0 medida que passa. &#8220;J\u00e1 vimos estas nuvens noutras gal\u00e1xias&#8221;, explicou Taylor. &#8220;Quando compar\u00e1mos este objeto com essas outras fontes, foi uma compara\u00e7\u00e3o perfeita&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta gal\u00e1xia \u00e9 tamb\u00e9m not\u00e1vel pela dimens\u00e3o colossal do seu buraco negro. Estimado em 300 milh\u00f5es de vezes mais do que o nosso Sol, a sua massa chega a ser metade da de todas as estrelas da gal\u00e1xia. Mesmo entre os buracos negros supermassivos, este \u00e9 particularmente grande.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Encontrar um buraco negro t\u00e3o massivo t\u00e3o cedo fornece aos astr\u00f3nomos uma oportunidade valiosa para estudar o desenvolvimento destes objetos. Um buraco negro presente no Universo mais recente ter\u00e1 tido diversas oportunidades de aumentar de volume durante a sua vida. Mas um presente nas primeiras centenas de milh\u00f5es de anos n\u00e3o teria. &#8220;Isto vem juntar-se \u00e0 evid\u00eancia crescente de que os primeiros buracos negros cresceram muito mais depressa do que pens\u00e1vamos ser poss\u00edvel&#8221;, disse Finkelstein. &#8220;Ou come\u00e7aram por ser muito mais massivos do que os nossos modelos previam&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para continuar a sua investiga\u00e7\u00e3o sobre CAPERS-LRD-z9, a equipa espera reunir mais observa\u00e7\u00f5es de alta resolu\u00e7\u00e3o utilizando o JWST. Isto poder\u00e1 fornecer uma melhor compreens\u00e3o do objeto e do papel que os buracos negros desempenharam no desenvolvimento dos Pequenos Pontos Vermelhos. &#8220;Este \u00e9 um bom objeto de teste para n\u00f3s&#8221;, disse Taylor. &#8220;N\u00e3o consegu\u00edamos estudar a evolu\u00e7\u00e3o dos buracos negros at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo e estamos entusiasmados por ver o que podemos aprender com este objeto \u00fanico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/news.utexas.edu\/2025\/08\/06\/meet-the-universes-earliest-confirmed-black-hole-a-monster-at-the-dawn-of-time\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade do Texas em Austin (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/mcdonaldobservatory.org\/news\/releases\/20250806-0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Observat\u00f3rio McDonald (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ade789\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pequenos Pontos Vermelhos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Little_red_dot_(cosmological_object)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/nirspec\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos identificou o buraco negro mais distante alguma vez confirmado. 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