{"id":8230,"date":"2025-08-08T06:17:56","date_gmt":"2025-08-08T05:17:56","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8230"},"modified":"2025-08-08T06:17:57","modified_gmt":"2025-08-08T05:17:57","slug":"luz-ultravioleta-revela-as-consequencias-de-uma-rara-colisao-de-estrelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/08\/08\/luz-ultravioleta-revela-as-consequencias-de-uma-rara-colisao-de-estrelas\/","title":{"rendered":"Luz ultravioleta revela as consequ\u00eancias de uma rara colis\u00e3o de estrelas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/RFjUTrBH_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/RFjUTrBH_o-819x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8231\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/RFjUTrBH_o-819x1024.jpg 819w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/RFjUTrBH_o-240x300.jpg 240w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/RFjUTrBH_o-768x960.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/RFjUTrBH_o-1229x1536.jpg 1229w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/RFjUTrBH_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o de uma fus\u00e3o entre uma an\u00e3 branca com uma estrela subgigante (n\u00e3o \u00e0 escala) que teria ocorrido no passado.\nCr\u00e9dito: Snehalata Sahu\/Universidade de Warwick<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Astr\u00f3nomos obtiveram evid\u00eancias convincentes de que uma an\u00e3 branca pr\u00f3xima \u00e9, de facto, o remanescente da fus\u00e3o de duas estrelas &#8211; uma descoberta estelar rara revelada atrav\u00e9s de observa\u00e7\u00f5es ultravioletas, pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, do carbono na atmosfera quente da estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e3s brancas s\u00e3o os n\u00facleos densos deixados para tr\u00e1s quando as estrelas esgotam o seu combust\u00edvel e entram em colapso. S\u00e3o brasas estelares do tamanho da Terra, com tipicamente metade da massa do Sol, constitu\u00eddas por n\u00facleos de carbono-oxig\u00e9nio com camadas superficiais de h\u00e9lio e hidrog\u00e9nio. Embora as an\u00e3s brancas sejam comuns no Universo, as que t\u00eam uma massa excecionalmente elevada (mais do que o Sol) s\u00e3o raras e enigm\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num artigo cient\u00edfico publicado na revista Nature Astronomy, astr\u00f3nomos da Universidade de Warwick relatam as suas investiga\u00e7\u00f5es sobre uma an\u00e3 branca de elevada massa conhecida, situada a 130 anos-luz de dist\u00e2ncia, denominada WD 0525+526. Com uma massa 20% superior \u00e0 do nosso Sol, WD 0525+526 \u00e9 considerada &#8220;ultramassiva&#8221; e a forma como esta estrela se formou n\u00e3o \u00e9 totalmente compreendida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma an\u00e3 branca deste tipo poderia formar-se a partir do colapso de uma estrela massiva. No entanto, dados ultravioleta do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble revelaram que WD 0525+526 tem pequenas quantidades de carbono a subir do seu n\u00facleo para a sua atmosfera rica em hidrog\u00e9nio &#8211; sugerindo que esta an\u00e3 branca n\u00e3o teve origem numa \u00fanica estrela massiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c0 luz \u00f3tica (o tipo de luz que vemos com os nossos olhos), WD 0525+526 parece uma an\u00e3 branca pesada, mas normal&#8221;, disse a primeira autora, Dra. Snehalata Sahu, investigadora da Universidade de Warwick. &#8220;No entanto, atrav\u00e9s de observa\u00e7\u00f5es no ultravioleta obtidas com o Hubble, conseguimos detetar fracas assinaturas de carbono que n\u00e3o eram vis\u00edveis aos telesc\u00f3pios \u00f3ticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Encontrar pequenas quantidades de carbono na atmosfera \u00e9 um sinal revelador de que esta an\u00e3 branca massiva \u00e9 provavelmente o remanescente de uma fus\u00e3o entre duas estrelas que colidiram. Tamb\u00e9m nos diz que podem haver muitos mais remanescentes de fus\u00f5es como esta, mascarados de an\u00e3s brancas comuns com atmosfera de hidrog\u00e9nio puro. S\u00f3 as observa\u00e7\u00f5es no ultravioleta seriam capazes de as revelar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Normalmente, o hidrog\u00e9nio e o h\u00e9lio formam uma barreira espessa \u00e0 volta do n\u00facleo de uma an\u00e3 branca, mantendo elementos como o carbono escondidos. Numa fus\u00e3o de duas estrelas, as camadas de hidrog\u00e9nio e h\u00e9lio podem queimar-se quase completamente \u00e0 medida que as estrelas se combinam. A estrela singular resultante tem um inv\u00f3lucro muito fino que j\u00e1 n\u00e3o impede o carbono de chegar \u00e0 superf\u00edcie &#8211; \u00e9 exatamente isto que se encontra em WD 0525+526.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antoine B\u00e9dard, coautor do primeiro artigo, afirmou: &#8220;Medimos que as camadas de hidrog\u00e9nio e h\u00e9lio s\u00e3o dez mil milh\u00f5es de vezes mais finas do que nas an\u00e3s brancas t\u00edpicas. Pensamos que estas camadas foram removidas durante a fus\u00e3o, e \u00e9 isto que permite agora que o carbono apare\u00e7a \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Mas este remanescente tamb\u00e9m \u00e9 invulgar: tem cerca de 100.000 vezes menos carbono \u00e0 superf\u00edcie do que outros remanescentes da fus\u00e3o. O baixo n\u00edvel de carbono, juntamente com a elevada temperatura da estrela (quase quatro vezes mais quente do que o Sol), diz-nos que WD 0525+526 est\u00e1 muito mais adiantada na sua evolu\u00e7\u00e3o p\u00f3s-fus\u00e3o do que as anteriormente encontradas. Esta descoberta ajuda-nos a compreender melhor o destino dos sistemas estelares bin\u00e1rios, o que \u00e9 fundamental para fen\u00f3menos relacionados, como as explos\u00f5es de supernova&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A acrescentar ao mist\u00e9rio est\u00e1 a forma como o carbono atinge a superf\u00edcie nesta estrela muito mais quente. As outras estrelas remanescentes de fus\u00f5es est\u00e3o numa fase mais avan\u00e7ada da sua evolu\u00e7\u00e3o e s\u00e3o suficientemente frias para que a convec\u00e7\u00e3o traga o carbono para a superf\u00edcie. Mas WD 0525+526 \u00e9 demasiado quente para esse processo. Em vez disso, a equipa identificou uma forma mais subtil de mistura chamada semiconvec\u00e7\u00e3o, vista aqui pela primeira vez numa an\u00e3 branca. Este processo permite que pequenas quantidades de carbono subam lentamente para a atmosfera rica em hidrog\u00e9nio da estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Encontrar evid\u00eancias claras de fus\u00f5es em an\u00e3s brancas individuais \u00e9 raro&#8221;, acrescentou o professor Boris G\u00e4nsicke, do Departamento de F\u00edsica da Universidade de Warwick, que obteve os dados do Hubble para este estudo. &#8220;Mas a espetroscopia ultravioleta d\u00e1-nos a capacidade de detetar estes sinais precocemente, quando o carbono ainda \u00e9 invis\u00edvel a comprimentos de onda \u00f3ticos. Como a atmosfera da Terra bloqueia a luz ultravioleta, estas observa\u00e7\u00f5es t\u00eam de ser efetuadas a partir do espa\u00e7o e, atualmente, s\u00f3 o Hubble pode fazer este trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O Hubble acabou de fazer 35 anos e, embora ainda esteja a funcionar bem, \u00e9 muito importante que comecemos a planear um novo telesc\u00f3pio espacial que o venha a substituir&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que WD 0525+526 continua a evoluir e a arrefecer, espera-se que, com o tempo, surja mais carbono \u00e0 sua superf\u00edcie. Para j\u00e1, o seu brilho ultravioleta oferece um raro vislumbre da fase inicial do rescaldo de uma fus\u00e3o estelar &#8211; e uma nova refer\u00eancia sobre a forma como as estrelas bin\u00e1rias terminam as suas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/warwick.ac.uk\/news\/pressreleases\/ultraviolet_light_reveals_the_aftermath_of_rare_star_collision\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-025-02590-y\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3 branca:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/imagine.gsfc.nasa.gov\/science\/objects\/dwarfs2.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos obtiveram evid\u00eancias convincentes de que uma an\u00e3 branca pr\u00f3xima \u00e9, de facto, o remanescente da fus\u00e3o de duas estrelas &#8211; uma descoberta estelar rara revelada atrav\u00e9s de observa\u00e7\u00f5es ultravioletas, pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, do carbono na atmosfera quente da estrela.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8231,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,16,1],"tags":[310,150,1951],"class_list":["post-8230","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-anas-brancas","tag-hubble","tag-wd-0525526"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8230","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8230"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8230\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8232,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8230\/revisions\/8232"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8231"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}