{"id":8202,"date":"2025-07-29T06:11:25","date_gmt":"2025-07-29T05:11:25","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8202"},"modified":"2025-07-29T06:11:26","modified_gmt":"2025-07-29T05:11:26","slug":"a-evolucao-da-vida-pode-ter-tido-as-suas-origens-no-espaco-sideral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/07\/29\/a-evolucao-da-vida-pode-ter-tido-as-suas-origens-no-espaco-sideral\/","title":{"rendered":"A evolu\u00e7\u00e3o da vida pode ter tido as suas origens no espa\u00e7o sideral"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/xPi9rqm7_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/xPi9rqm7_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8203\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/xPi9rqm7_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/xPi9rqm7_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/xPi9rqm7_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/xPi9rqm7_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem art\u00edstica mostra o disco de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria em torno da estrela V883 Orionis. Na parte mais externa do disco, os gases vol\u00e1teis est\u00e3o congelados, que cont\u00e9m mol\u00e9culas org\u00e2nicas complexas. Uma explos\u00e3o de energia da estrela aquece o disco interno a uma temperatura que evapora o gelo e liberta as mol\u00e9culas complexas, permitindo que os astr\u00f3nomos as detetem. A inser\u00e7\u00e3o mostra a estrutura qu\u00edmica das mol\u00e9culas org\u00e2nicas complexas detetadas e presumidas no disco protoplanet\u00e1rio (da esquerda para a direita): propionitrilo (cianeto de etilo), glicolonitrilo, alanina, glicina, etilenoglicol, acetonitrilo (cianeto de metilo).\nCr\u00e9dito: ESO\/L. Cal\u00e7ada\/T. M\u00fcller (Instituto Max Planck de Astronomia\/HdA)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando o ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array), uma equipa de astr\u00f3nomos liderada por Abubakar Fadul, do Instituto Max Planck de Astronomia, descobriu mol\u00e9culas org\u00e2nicas complexas &#8211; incluindo a primeira dete\u00e7\u00e3o preliminar de etilenoglicol e glicolonitrilo &#8211; no disco protoplanet\u00e1rio da protoestrela em erup\u00e7\u00e3o V883 Orionis. Estas subst\u00e2ncias s\u00e3o consideradas precursoras dos blocos de constru\u00e7\u00e3o da vida. A compara\u00e7\u00e3o de diferentes ambientes c\u00f3smicos revela que a abund\u00e2ncia e a complexidade de mol\u00e9culas deste g\u00e9nero aumentam desde regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar at\u00e9 aos sistemas planet\u00e1rios totalmente evolu\u00eddos. Isto sugere que as sementes da vida s\u00e3o &#8220;montadas&#8221; no espa\u00e7o e que est\u00e3o bem espalhadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos j\u00e1 haviam descoberto mol\u00e9culas org\u00e2nicas complexas (MOCs) em v\u00e1rios locais associados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de planetas e estrelas. As MOCs s\u00e3o mol\u00e9culas com mais de cinco \u00e1tomos, dos quais pelo menos um \u00e9 carbono. Muitas delas s\u00e3o consideradas blocos de constru\u00e7\u00e3o da vida, como amino\u00e1cidos e \u00e1cidos nucleicos ou os seus precursores. A descoberta de 17 MOCs no disco protoplanet\u00e1rio de V883 Orionis, incluindo etilenoglicol e glicolonitrilo, fornece uma pe\u00e7a do quebra-cabe\u00e7as h\u00e1 muito procurada na evolu\u00e7\u00e3o dessas mol\u00e9culas entre os est\u00e1gios que precedem e seguem a forma\u00e7\u00e3o de estrelas e dos seus discos de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. O gliconitrilo \u00e9 um precursor dos amino\u00e1cidos glicina e alanina, bem como da base nucleica adenina. As descobertas foram publicadas na revista The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A &#8220;montagem&#8221; de mol\u00e9culas pr\u00e9-bi\u00f3ticas come\u00e7a no espa\u00e7o interestelar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A transi\u00e7\u00e3o de uma protoestrela fria para uma estrela jovem rodeada por um disco de poeira e g\u00e1s \u00e9 acompanhada por uma fase violenta de g\u00e1s em choque, radia\u00e7\u00e3o intensa e eje\u00e7\u00e3o r\u00e1pida de g\u00e1s. Tais processos energ\u00e9ticos podem destruir a maior parte da qu\u00edmica complexa &#8220;montada&#8221; durante as fases anteriores. Por isso, os cientistas elaboraram um cen\u00e1rio chamado de &#8220;reinicializa\u00e7\u00e3o&#8221;, no qual a maioria dos compostos qu\u00edmicos necess\u00e1rios para a evolu\u00e7\u00e3o da vida teria de ser reproduzida em discos circunestelares durante a forma\u00e7\u00e3o de cometas, asteroides e planetas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Agora parece que o oposto \u00e9 verdadeiro&#8221;, salienta Kamber Schwarz, cientista do Instituto Max Planck de Astronomia e coautora do estudo. &#8220;Os nossos resultados sugerem que os discos protoplanet\u00e1rios herdam mol\u00e9culas complexas de fases anteriores e que a forma\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas complexas pode continuar durante a fase do disco protoplanet\u00e1rio&#8221;. De facto, o per\u00edodo entre a fase protoestelar energ\u00e9tica e o estabelecimento de um disco protoplanet\u00e1rio seria, por si s\u00f3, demasiado curto para que as MOCs se formassem em quantidades detet\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como resultado, as condi\u00e7\u00f5es que predefinem os processos biol\u00f3gicos podem ser generalizadas, em vez de restritas a sistemas planet\u00e1rios individuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos encontraram as mol\u00e9culas org\u00e2nicas mais simples, como o metanol, em regi\u00f5es densas de poeira e g\u00e1s que antecedem a forma\u00e7\u00e3o das estrelas. Em condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, elas podem at\u00e9 conter compostos complexos que incluem o etilenoglicol, uma das esp\u00e9cies agora descobertas em V883 Orionis. &#8220;Recentemente, descobrimos que o etilenoglicol pode ser formado pela irradia\u00e7\u00e3o UV da etanolamina, uma mol\u00e9cula que foi recentemente descoberta no espa\u00e7o&#8221;, acrescenta Tushar Suhasaria, coautor e chefe do Laborat\u00f3rio de Origens da Vida do Instituto Max Planck de Astronomia. &#8220;Esta descoberta apoia a ideia de que o etilenoglicol pode ser formado nesses ambientes, mas tamb\u00e9m em est\u00e1gios posteriores da evolu\u00e7\u00e3o molecular, onde a irradia\u00e7\u00e3o UV \u00e9 dominante&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agentes mais evolu\u00eddos cruciais para a biologia, como amino\u00e1cidos, a\u00e7\u00facares e bases nucleicas que comp\u00f5em o ADN e o ARN, est\u00e3o presentes em asteroides, meteoritos e cometas dentro do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Enterradas no gelo \u2013 trazidas \u00e0 superf\u00edcie pelas estrelas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas que sintetizam essas MOCs ocorrem em condi\u00e7\u00f5es frias, de prefer\u00eancia em gr\u00e3os de poeira gelados que mais tarde coagulam para formar objetos maiores. Escondidos nessas misturas de rocha, poeira e gelo, elas geralmente permanecem indetet\u00e1veis. O acesso a essas mol\u00e9culas s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s da perfura\u00e7\u00e3o com sondas espaciais ou aquecimento externo, que evapora o gelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Sistema Solar, o Sol aquece os cometas, resultando em caudas impressionantes de g\u00e1s e poeira, ou cabeleiras, essencialmente inv\u00f3lucros gasosos que rodeiam os n\u00facleos comet\u00e1rios. Dessa forma, a espetroscopia \u2014 a disseca\u00e7\u00e3o da luz semelhante a um arco-\u00edris \u2014 pode captar as emiss\u00f5es das mol\u00e9culas libertadas. Essas impress\u00f5es digitais espetrais ajudam os astr\u00f3nomos a identificar as mol\u00e9culas anteriormente enterradas no gelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um processo de aquecimento semelhante est\u00e1 a ocorrer no sistema V883 Orionis. A estrela central ainda est\u00e1 a crescer, acumulando g\u00e1s do disco circundante at\u00e9 que, eventualmente, acenda a fus\u00e3o nuclear no seu n\u00facleo. Durante esses per\u00edodos de crescimento, o g\u00e1s que cai aquece e produz intensas explos\u00f5es de radia\u00e7\u00e3o. &#8220;Essas explos\u00f5es s\u00e3o fortes o suficiente para aquecer o disco circundante at\u00e9 ambientes que, de outra forma, seriam gelados, libertando as subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que detet\u00e1mos&#8221;, explica Fadul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Mol\u00e9culas complexas, incluindo etilenoglicol e glicolonitrilo, irradiam em frequ\u00eancias de r\u00e1dio. O ALMA \u00e9 perfeitamente adequado para detetar esses sinais&#8221;, afirma Schwarz. Os astr\u00f3nomos do Instituto Max Planck de Astronomia obtiveram acesso a este interfer\u00f3metro de r\u00e1dio atrav\u00e9s do ESO, que o opera no deserto chileno de Atacama, a uma altitude de 5000 metros. O ALMA permitiu aos astr\u00f3nomos localizar o sistema V883 Orionis e procurar sinais espetrais fracos, o que acabou por levar \u00e0s dete\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mais desafios pela frente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Embora este resultado seja empolgante, ainda n\u00e3o desvend\u00e1mos todos os sinais que encontr\u00e1mos nos nossos espetros&#8221;, afirma Schwarz. &#8220;Dados de maior resolu\u00e7\u00e3o confirmar\u00e3o as dete\u00e7\u00f5es de etilenoglicol e glicolonitrilo e talvez at\u00e9 revelem subst\u00e2ncias qu\u00edmicas mais complexas que simplesmente ainda n\u00e3o identific\u00e1mos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Talvez tamb\u00e9m precisemos de olhar para outras regi\u00f5es do espetro eletromagn\u00e9tico para encontrar mol\u00e9culas ainda mais evolu\u00eddas&#8221;, salienta Fadul. &#8220;Quem sabe o que mais poderemos descobrir&#8221;?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.mpg.de\/24451940\/prebiotic-molecules-v883ori?c=2249\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Instituto Max Planck de Astronomia (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/adec6e\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/adc998\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (The Astronomical Journal)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/adb486\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #3 (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Etilenoglicol:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ethylene_glycol\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Glicolonitrilo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Glycolonitrile\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>V883 Orionis:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/V883_Orionis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discos protoplanet\u00e1rios:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protoplanetary_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nebular_hypothesis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/telescopes\/alma\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Usando o ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array), uma equipa de astr\u00f3nomos liderada por Abubakar Fadul, do Instituto Max Planck de Astronomia, descobriu mol\u00e9culas org\u00e2nicas complexas \u2014 incluindo a primeira dete\u00e7\u00e3o preliminar de etilenoglicol e glicolonitrilo \u2014 no disco protoplanet\u00e1rio da protoestrela em erup\u00e7\u00e3o V883 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