{"id":8199,"date":"2025-07-25T06:24:02","date_gmt":"2025-07-25T05:24:02","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8199"},"modified":"2025-07-25T06:24:18","modified_gmt":"2025-07-25T05:24:18","slug":"descoberta-finalmente-a-estrela-companheira-de-betelgeuse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/07\/25\/descoberta-finalmente-a-estrela-companheira-de-betelgeuse\/","title":{"rendered":"Descoberta, finalmente, a estrela companheira de Betelgeuse"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/storage.noirlab.edu\/media\/archives\/images\/large\/noirlab2523a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/YXbbH0SK_o-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8200\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/YXbbH0SK_o-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/YXbbH0SK_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/YXbbH0SK_o-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/YXbbH0SK_o-768x768.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/YXbbH0SK_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Betelgeuse e a sua estrela companheira. Aparece azul aqui porque, com base na an\u00e1lise da equipa, \u00e9 provavelmente uma estrela do tipo A ou B, ambas de cor branca azulada devido \u00e0s suas altas temperaturas. <a href=\"https:\/\/storage.noirlab.edu\/media\/archives\/images\/large\/noirlab2523c.jpg\">Ver aqui imagem sem r\u00f3tulos<\/a>.<br>Cr\u00e9dito: Observat\u00f3rio Internacional Gemini\/NOIRLab\/NSF\/AURA; processamento de imagem &#8211; M. Zamani (NOIRLab da NSF)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos descobriram uma estrela companheira numa \u00f3rbita incrivelmente \u00edntima em torno de Betelgeuse, utilizando o instrumento &#8216;Alopeke acoplado ao telesc\u00f3pio Gemini North, uma metade do Observat\u00f3rio Internacional Gemini. Esta descoberta resolve o mist\u00e9rio de longa data da varia\u00e7\u00e3o de brilho da estrela e fornece informa\u00e7\u00f5es sobre os mecanismos f\u00edsicos subjacentes a outras supergigantes vermelhas vari\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Betelgeuse \u00e9 uma das estrelas mais brilhantes do c\u00e9u noturno e a supergigante vermelha mais pr\u00f3xima da Terra. Tem um volume enorme, com um raio cerca de 700 vezes superior ao do Sol. Apesar de ter apenas dez milh\u00f5es de anos, o que \u00e9 considerado jovem para os padr\u00f5es da astronomia, j\u00e1 est\u00e1 no final da sua vida. Localizada no ombro da constela\u00e7\u00e3o de Orionte, h\u00e1 mil\u00e9nios que as pessoas observam Betelgeuse a olho nu, notando que a estrela muda de brilho ao longo do tempo. Os astr\u00f3nomos estabeleceram que Betelgeuse tem um per\u00edodo principal de variabilidade de cerca de 400 dias e um per\u00edodo secund\u00e1rio mais alargado de cerca de seis anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2019 e 2020, registou-se uma diminui\u00e7\u00e3o acentuada no brilho de Betelgeuse &#8211; um evento referido como o &#8220;Grande Escurecimento&#8221;. O evento levou algumas pessoas a pensar que a morte da estrela &#8211; por supernova &#8211; estava a chegar, mas os cientistas foram capazes de determinar que a diminui\u00e7\u00e3o de brilho foi efetivamente provocada por uma grande nuvem de poeira ejetada de Betelgeuse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mist\u00e9rio do Grande Escurecimento foi resolvido, mas o evento despertou um interesse renovado no estudo de Betelgeuse, o que suscitou novas an\u00e1lises de dados de arquivo. Uma investiga\u00e7\u00e3o levou os cientistas a propor que a causa da variabilidade de seis anos de Betelgeuse era a presen\u00e7a de uma estrela companheira. Mas quando o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble e o Observat\u00f3rio de raios X Chandra procuraram essa companheira, nenhuma foi detetada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrela companheira foi agora detetada pela primeira vez por uma equipa de astrof\u00edsicos liderada por Steve Howell, investigador s\u00e9nior do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Ames da NASA e autor principal do artigo cient\u00edfico que relata a descoberta. Observaram Betelgeuse utilizando um instrumento chamado &#8216;Alopeke. &#8216;Alopeke, que significa &#8220;raposa&#8221; em havaiano, \u00e9 financiado pelo PNN-EXPLORE (NASA\u2013NSF Exoplanet Observational Research Program) e est\u00e1 acoplado ao telesc\u00f3pio Gemini North, uma metade do Observat\u00f3rio Internacional Gemini.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O instrumento utiliza tempos de exposi\u00e7\u00e3o muito curtos para &#8220;congelar&#8221; as distor\u00e7\u00f5es nas imagens causadas pela atmosfera da Terra. Esta t\u00e9cnica permite uma alta resolu\u00e7\u00e3o que, quando combinada com o poder de recolha de luz do espelho de 8,1 metros do Gemini North, permitiu a dete\u00e7\u00e3o direta da t\u00e9nue companheira de Betelgeuse.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/storage.noirlab.edu\/media\/archives\/images\/large\/noirlab2523b.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/a6\/eb\/SBvfrNit_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A estrela Betelgeuse, juntamente com a sua rec\u00e9m-descoberta companheira, situada no ombro da constela\u00e7\u00e3o de Orionte.<br>Cr\u00e9dito: Observat\u00f3rio Internacional Gemini\/NOIRLab\/NSF\/AURA; processamento de imagem &#8211; M. Zamani (NOIRLab da NSF)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise da luz da estrela companheira permitiu a Howell e \u00e0 sua equipa determinar as caracter\u00edsticas da estrela companheira. Descobriram que \u00e9 seis magnitudes mais fraca do que Betelgeuse no vis\u00edvel, tem uma massa estimada em cerca de 1,5 vezes a do Sol e parece ser uma estrela de pr\u00e9-sequ\u00eancia principal do tipo A ou B &#8211; uma estrela quente, jovem e azul-esbranqui\u00e7ada que ainda n\u00e3o iniciou a combust\u00e3o de hidrog\u00e9nio no seu n\u00facleo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A companheira est\u00e1 a uma dist\u00e2ncia relativamente curta da superf\u00edcie de Betelgeuse &#8211; cerca de quatro vezes a dist\u00e2ncia entre a Terra e o Sol. Esta descoberta marca a primeira vez que se deteta uma companheira estelar pr\u00f3xima em \u00f3rbita de uma estrela supergigante. Ainda mais impressionante &#8211; a companheira orbita bem dentro da atmosfera exterior alargada de Betelgeuse, comprovando as incr\u00edveis capacidades de resolu\u00e7\u00e3o do &#8216;Alopeke.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A capacidade do Gemini North para obter resolu\u00e7\u00f5es angulares elevadas e contrastes n\u00edtidos permitiu detetar diretamente a companheira de Betelgeuse&#8221;, diz Howell. Al\u00e9m disso, explica que &#8216;Alopeke fez o que nenhum outro telesc\u00f3pio tinha feito antes: &#8220;Os estudos que previram a companheira de Betelgeuse diziam que ningu\u00e9m seria capaz de a fotografar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta descoberta fornece uma imagem mais clara da vida e da futura morte desta supergigante vermelha. Betelgeuse e a sua estrela companheira nasceram provavelmente ao mesmo tempo. No entanto, a estrela companheira ter\u00e1 um tempo de vida reduzido, uma vez que as fortes for\u00e7as de mar\u00e9 far\u00e3o com que espirale em dire\u00e7\u00e3o a Betelgeuse e encontre a\u00ed a sua morte, que os cientistas estimam que ocorrer\u00e1 nos pr\u00f3ximos 10.000 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta tamb\u00e9m ajuda a explicar porque \u00e9 que estrelas supergigantes vermelhas semelhantes podem sofrer altera\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas no seu brilho \u00e0 escala de muitos anos. Howell partilha a sua esperan\u00e7a de mais estudos nesta \u00e1rea: &#8220;Esta dete\u00e7\u00e3o foi feita nos extremos do que pode ser alcan\u00e7ado com o Gemini em termos de imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o angular, e funcionou. Isto abre agora a porta a outras iniciativas de observa\u00e7\u00e3o de natureza semelhante&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Martin Still, diretor do programa NSF para o Observat\u00f3rio Internacional Gemini, acrescenta: &#8220;As capacidades fornecidas pelo Observat\u00f3rio Internacional Gemini continuam a ser uma ferramenta espetacular, aberta a todos os astr\u00f3nomos para uma vasta gama de aplica\u00e7\u00f5es astron\u00f3micas. A solu\u00e7\u00e3o para o problema de Betelgeuse, que se arrasta h\u00e1 centenas de anos, permanecer\u00e1 como um feito digno de destaque&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em novembro de 2027 ocorrer\u00e1 outra oportunidade para estudar a companheira estelar de Betelgeuse, quando esta voltar \u00e0 sua maior separa\u00e7\u00e3o da supergigante vermelha e, portanto, quando for mais f\u00e1cil de detetar. Howell e a sua equipa aguardam com expetativa as observa\u00e7\u00f5es de Betelgeuse antes e durante este evento para melhor determinar a natureza da companheira.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Cosmoview Episode 101: Gemini North Discovers Long-Predicted Stellar Companion of Betelgeuse (hor...\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/94tZmhbhiyE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/noirlab.edu\/public\/news\/noirlab2523\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NOIRLab (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.gemini.edu\/news\/press-releases\/noirlab2523\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Observat\u00f3rio Gemini (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/science-research\/astrophysics\/nasa-scientist-finds-predicted-companion-star-to-betelgeuse\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2507.15749\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Betelgeuse:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Betelgeuse\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supergigante vermelha:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Red_supergiant\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Internacional Gemini:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.gemini.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gemini_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><a href=\"https:\/\/www.gemini.edu\/instrumentation\/alopeke-zorro\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8216;<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.gemini.edu\/instrumentation\/alopeke-zorro\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Alopeke (Gemini North)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos descobriram uma estrela companheira numa \u00f3rbita incrivelmente \u00edntima em torno de Betelgeuse, utilizando o instrumento &#8216;Alopeke acoplado ao telesc\u00f3pio Gemini North, uma metade do Observat\u00f3rio Internacional Gemini. 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