{"id":8193,"date":"2025-07-25T06:16:52","date_gmt":"2025-07-25T05:16:52","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8193"},"modified":"2025-07-25T06:16:53","modified_gmt":"2025-07-25T05:16:53","slug":"como-uma-colisao-de-buracos-negros-pode-explicar-as-estrelas-s-da-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/07\/25\/como-uma-colisao-de-buracos-negros-pode-explicar-as-estrelas-s-da-via-lactea\/","title":{"rendered":"Como uma colis\u00e3o de buracos negros pode explicar as estrelas S da Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso0846a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/HpzPmOpK_o-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8194\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/HpzPmOpK_o-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/HpzPmOpK_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/HpzPmOpK_o-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/HpzPmOpK_o-768x768.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/HpzPmOpK_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">As regi\u00f5es centrais da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, observadas no infravermelho pr\u00f3ximo pelo instrumento NACO, montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO.\nCr\u00e9dito: ESO\/S. Gillessen et al.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Uma nova investiga\u00e7\u00e3o mostra que uma colis\u00e3o passada entre o buraco negro central da Via L\u00e1ctea e um buraco negro mais pequeno poderia explicar a din\u00e2mica das estrelas S, um grupo de estrelas que orbitam precariamente perto do buraco negro supermassivo da nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Viagem ao centro da Via L\u00e1ctea<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O centro da Via L\u00e1ctea alberga um buraco negro supermassivo (Sagit\u00e1rio A* ou Sgr A*) com uma massa de 4 milh\u00f5es de s\u00f3is. Os vizinhos mais pr\u00f3ximos deste gigante s\u00e3o um disco compacto de jovens estrelas massivas e um conjunto de estrelas chamadas estrelas S, que habitam os 48 dias-luz mais internos da nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao passo que as estrelas no disco est\u00e3o ordenadas, dispostas em \u00f3rbitas com excentricidades moderadas e baixas inclina\u00e7\u00f5es, as estrelas S orbitam Sgr A* em todas as dire\u00e7\u00f5es, girando em torno do buraco negro com uma ampla gama de excentricidades e inclina\u00e7\u00f5es. At\u00e9 agora, a causa dessa distribui\u00e7\u00e3o invulgar de estrelas \u00e9 desconhecida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando os buracos negros colidem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Investiga\u00e7\u00f5es anteriores tiveram dificuldade em explicar as \u00f3rbitas das estrelas S. Uma teoria bem-sucedida sobre a origem das estrelas S deve explicar as \u00f3rbitas exc\u00eantricas das estrelas (e=0,61, em m\u00e9dia) e as altas inclina\u00e7\u00f5es orbitais (i=79\u00ba, em m\u00e9dia), e deve produzir essas caracter\u00edsticas dentro do tempo de vida de 15 milh\u00f5es de anos das estrelas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/f8\/85\/tMP9hQGB_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/f8\/85\/tMP9hQGB_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esquema que mostra o processo de forma\u00e7\u00e3o proposto para a popula\u00e7\u00e3o de estrelas S da Via L\u00e1ctea.<br>Cr\u00e9dito: Akiba et al., 2025<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Num artigo cient\u00edfico recente, uma equipa liderada por Tatsuya Akiba (Universidade do Colorado em Boulder) apresentou uma nova hip\u00f3tese para explicar estas caracter\u00edsticas: Sgr A* absorveu um buraco negro mais pequeno num passado n\u00e3o muito distante, e as consequ\u00eancias da fus\u00e3o criaram a distribui\u00e7\u00e3o de estrelas que vemos hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>A premissa n\u00e3o \u00e9 rebuscada: com a idade avan\u00e7ada de quase 14 mil milh\u00f5es de anos, a Via L\u00e1ctea provavelmente engoliu gal\u00e1xias an\u00e3s vizinhas e enxames globulares v\u00e1rias vezes. Quando um buraco negro embebido numa dessas refei\u00e7\u00f5es de estrelas e g\u00e1s se funde com o buraco negro central da Via L\u00e1ctea, a colis\u00e3o faz com que Sgr A* recue &#8211; potencialmente reorganizando, no processo, as estrelas nas suas proximidades.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reorganiza\u00e7\u00e3o radical<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Akiba e colaboradores utilizaram simula\u00e7\u00f5es de N-corpos para explorar os resultados dessa colis\u00e3o. Nas suas simula\u00e7\u00f5es, Sgr A* est\u00e1 situado dentro de um disco axisim\u00e9trico de estrelas ou g\u00e1s. Um buraco negro mais pequeno cai em dire\u00e7\u00e3o a Sgr A*, espirala para dentro e funde-se com o buraco negro maior. A emiss\u00e3o assim\u00e9trica de ondas gravitacionais faz com que Sgr A* recue, deformando o conjunto de estrelas e g\u00e1s ao redor em um disco exc\u00eantrico. Para que a excentricidade do disco corresponda ao que \u00e9 visto no disco de estrelas que rodeia Sgr A* hoje, o buraco negro que se aproxima deve ter uma massa de aproximadamente 200.000 massas solares.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/93\/5e\/UxRt6aj6_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/93\/5e\/UxRt6aj6_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Instant\u00e2neos da simula\u00e7\u00e3o tirados no in\u00edcio da simula\u00e7\u00e3o (coluna da esquerda) e ap\u00f3s 2 milh\u00f5es de anos (coluna da direita). As \u00f3rbitas com inclina\u00e7\u00e3o superior a 30 graus s\u00e3o mostradas a magenta. Observe a diferen\u00e7a de escala entre as linhas. Cr\u00e9dito: Akiba et al., 2025<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a fus\u00e3o, as estrelas que orbitam mais longe alteraram as inclina\u00e7\u00f5es e excentricidades das estrelas mais internas at\u00e9 valores elevados atrav\u00e9s do que \u00e9 chamado de mecanismo de Kozai-Lidov. Dois milh\u00f5es de anos de tempo de simula\u00e7\u00e3o depois, essa intera\u00e7\u00e3o produziu uma distribui\u00e7\u00e3o estelar semelhante \u00e0 que \u00e9 vista hoje: um disco de excentricidade moderada em torno de &#8220;estrelas S&#8221; com \u00f3rbitas exc\u00eantricas e altamente inclinadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora as propriedades das estrelas S simuladas n\u00e3o correspondam exatamente \u00e0s propriedades das estrelas reais &#8211; as estrelas simuladas t\u00eam, em m\u00e9dia, inclina\u00e7\u00f5es e excentricidades mais baixas -, os autores real\u00e7am que este trabalho representa uma primeira abordagem \u00e0 sua hip\u00f3tese. \u00c9 necess\u00e1rio um modelo que explore uma gama mais ampla de par\u00e2metros para compreender totalmente as origens das estrelas no centro da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/aasnova.org\/2025\/07\/21\/how-a-black-hole-collision-could-explain-the-milky-ways-s-stars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ AAS Nova (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/addc5d\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Sagit\u00e1rio A*:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sagittarius_A*\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sagittarius_A*_cluster\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enxame estelar de Sgr A* (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mecanismo de Kozai-Lidov:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kozai_mechanism\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nova investiga\u00e7\u00e3o mostra que uma colis\u00e3o passada entre o buraco negro central da Via L\u00e1ctea e um buraco negro mais pequeno poderia explicar a din\u00e2mica das estrelas S, um grupo de estrelas que orbitam precariamente perto do buraco negro supermassivo da nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8194,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[151,50,59],"tags":[192,393,321,180],"class_list":["post-8193","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-buracos-negros","category-estrelas","category-via-lactea","tag-buraco-negro","tag-sagitario-a","tag-sgr-a","tag-via-lactea"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8193"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8193\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8195,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8193\/revisions\/8195"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8194"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}