{"id":8189,"date":"2025-07-22T06:16:09","date_gmt":"2025-07-22T05:16:09","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8189"},"modified":"2025-07-22T06:16:23","modified_gmt":"2025-07-22T05:16:23","slug":"urano-e-mais-quente-do-que-se-pensava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/07\/22\/urano-e-mais-quente-do-que-se-pensava\/","title":{"rendered":"\u00darano \u00e9 mais quente do que se pensava"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/gELe49zc_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/gELe49zc_o-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8190\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/gELe49zc_o-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/gELe49zc_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/gELe49zc_o-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/gELe49zc_o-768x768.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/gELe49zc_o.jpg 1268w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem ampliada de \u00darano, capturada pelo Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA a 6 de fevereiro de 2023, revela uma vista deslumbrante dos an\u00e9is de \u00darano.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA, STScI<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Durante mil\u00e9nios, os astr\u00f3nomos pensaram que \u00darano n\u00e3o era mais do que uma estrela distante. S\u00f3 no final do s\u00e9culo XVIII \u00e9 que \u00darano foi universalmente aceite como um planeta. Ainda hoje, este mundo azul e com an\u00e9is subverte as expetativas dos cientistas, mas uma nova investiga\u00e7\u00e3o da NASA ajuda a esclarecer alguma da m\u00edstica do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00darano \u00e9 diferente de qualquer outro planeta do nosso Sistema Solar. Gira de lado, o que significa que cada polo est\u00e1 diretamente virado para o Sol durante um &#8220;ver\u00e3o&#8221; cont\u00ednuo de 42 anos. \u00darano tamb\u00e9m gira na dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 de todos os planetas, exceto V\u00e9nus. Os dados do &#8220;flyby&#8221; da Voyager 2 da NASA por \u00darano, em 1986, tamb\u00e9m sugerem que o planeta \u00e9 invulgarmente frio no seu interior, desafiando os cientistas a reconsiderar as teorias fundamentais de como os planetas se formaram e evolu\u00edram no nosso Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Desde o &#8216;flyby&#8217; da Voyager 2, todos t\u00eam dito que \u00darano n\u00e3o tem calor interno&#8221;, disse Amy Simon, cientista planet\u00e1ria do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. &#8220;Mas tem sido muito dif\u00edcil explicar porque \u00e9 que isso acontece, especialmente quando comparado com os outros planetas gigantes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas proje\u00e7\u00f5es de \u00darano foram feitas a partir de uma \u00fanica medi\u00e7\u00e3o de perto do calor emitido pelo planeta, feita pela Voyager 2: &#8220;Tudo depende desse \u00fanico ponto de dados&#8221;, disse Simon. &#8220;Isso \u00e9 parte do problema&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, usando uma t\u00e9cnica avan\u00e7ada de modela\u00e7\u00e3o por computador e revisitando d\u00e9cadas de dados, Simon e uma equipa de cientistas descobriram que \u00darano gera, de facto, algum calor, como relataram a 16 de maio na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<p>O calor interno de um planeta pode ser calculado comparando a quantidade de energia que recebe do Sol com a quantidade de energia que liberta para o espa\u00e7o sob a forma de luz refletida e calor emitido. Os outros planetas gigantes do Sistema Solar &#8211; Saturno, J\u00fapiter e Neptuno &#8211; emitem mais calor do que o que recebem, o que significa que o calor extra vem do interior, em grande parte devido aos processos altamente energ\u00e9ticos que formaram os planetas h\u00e1 4,5 mil milh\u00f5es de anos. A quantidade de calor que um planeta emana pode ser uma indica\u00e7\u00e3o da sua idade: quanto menos calor libertado em rela\u00e7\u00e3o ao calor absorvido do Sol, mais velho \u00e9 o planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00darano destacava-se dos outros planetas porque parecia libertar tanto calor como o que recebia, o que implicava que n\u00e3o tinha calor pr\u00f3prio. Este facto intrigou os cientistas. Alguns levantaram a hip\u00f3tese de que talvez o planeta seja muito mais velho do que todos os outros e tenha arrefecido completamente. Outros propuseram que uma colis\u00e3o gigantesca &#8211; a mesma que pode ter colocado o planeta de lado &#8211; teria libertado todo o calor de \u00darano. Mas nenhuma destas hip\u00f3teses satisfez os cientistas, motivando-os a resolver o caso parado de \u00darano.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/80\/e5\/HunYut4r_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/80\/e5\/HunYut4r_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Estas imagens lado a lado de \u00darano, tiradas com oito anos de intervalo pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA, mostram mudan\u00e7as sazonais na refletividade do planeta. A imagem da esquerda mostra o planeta sete anos ap\u00f3s o equin\u00f3cio da primavera, quando o Sol brilhava mesmo acima do seu equador. A segunda fotografia, tirada seis anos antes do solst\u00edcio de ver\u00e3o do planeta, mostra uma grande e brilhante calote polar norte.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, STScI, A. Simon (Centro de Voo Espacial Goddard da NASA), M. H. Wong (Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley), J. DePasquale (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pens\u00e1mos: &#8216;Ser\u00e1 que n\u00e3o existe mesmo calor interno em \u00darano?'&#8221;, disse Patrick Irwin, o autor principal do artigo cient\u00edfico e professor de f\u00edsica planet\u00e1ria na Universidade de Oxford, em Inglaterra. &#8220;Fizemos muitos c\u00e1lculos para ver quanta luz solar \u00e9 refletida por \u00darano e percebemos que, na verdade, \u00e9 mais refletivo do que as pessoas tinham estimado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores propuseram-se determinar o or\u00e7amento energ\u00e9tico total de \u00darano: a quantidade de energia que recebe do Sol, a quantidade que reflete como luz solar e a quantidade que emite como calor. Para isso, precisavam de estimar a quantidade total de luz refletida pelo planeta em todos os \u00e2ngulos. &#8220;\u00c9 preciso ver a luz que se dispersa para os lados e n\u00e3o apenas a que vem diretamente para n\u00f3s&#8221;, disse Simon.<\/p>\n\n\n\n<p>Para obter a estimativa mais exata do or\u00e7amento energ\u00e9tico de \u00darano, os investigadores de Oxford desenvolveram um modelo inform\u00e1tico que reuniu tudo o que se sabe sobre a atmosfera de \u00darano a partir de d\u00e9cadas de observa\u00e7\u00f5es de telesc\u00f3pios terrestres e espaciais, incluindo o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA e o IRTF (Infrared Telescope Facility) da NASA no Hawaii. O modelo incluiu informa\u00e7\u00f5es sobre as neblinas, nuvens e mudan\u00e7as sazonais do planeta, que afetam a forma como a luz solar \u00e9 refletida e como o calor escapa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores descobriram que \u00darano liberta cerca de 15% mais energia do que a que recebe do Sol, um valor semelhante a outra estimativa recente de um estudo separado financiado em parte pela NASA, publicado a 14 de julho na revista Geophysical Research Letters. Estes estudos sugerem que \u00darano tem o seu pr\u00f3prio calor, embora ainda muito menos do que o seu vizinho Neptuno, que emite mais do dobro da energia que recebe.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Agora temos de compreender o que significa essa quantidade remanescente de calor em \u00darano, bem como obter melhores medi\u00e7\u00f5es do mesmo&#8221;, disse Simon.<\/p>\n\n\n\n<p>Desvendar o passado de \u00darano \u00e9 \u00fatil n\u00e3o s\u00f3 para mapear a cronologia de quando os planetas do Sistema Solar se formaram e migraram para as suas \u00f3rbitas atuais, mas tamb\u00e9m ajuda os cientistas a compreender melhor muitos dos planetas descobertos fora do Sistema Solar, chamados exoplanetas, a maioria dos quais t\u00eam o mesmo tamanho que \u00darano.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/science-research\/planetary-science\/nasa-oxford-discover-warmer-uranus-than-once-thought\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/uh.edu\/news-events\/stories\/2025\/july\/07142025-uranus-internal-heat-study.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Houston (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/540\/2\/1719\/8133900\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2025GL115660\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (Geophysical Research Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>\u00darano:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/uranus\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/uranus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Nine Planets<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Uranus_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voyager 2:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/voyager.jpl.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/theskylive.com\/voyager2-info\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Sky Live<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Voyager_2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>IRTF (Infrared Telescope Facility):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/irtfweb.ifa.hawaii.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NASA_Infrared_Telescope_Facility\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante mil\u00e9nios, os astr\u00f3nomos pensaram que \u00darano n\u00e3o era mais do que uma estrela distante. 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