{"id":8183,"date":"2025-07-22T06:10:34","date_gmt":"2025-07-22T05:10:34","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8183"},"modified":"2025-07-22T06:10:35","modified_gmt":"2025-07-22T05:10:35","slug":"tres-enxames-estelares-todos-com-a-mesma-origem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/07\/22\/tres-enxames-estelares-todos-com-a-mesma-origem\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas enxames estelares &#8211; todos com a mesma origem?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.uni-bonn.de\/en\/news\/134-2025\/Kroupa-OPH-all-4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"640\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IwKlS0wg_o-1024x640.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8184\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IwKlS0wg_o-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IwKlS0wg_o-300x188.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IwKlS0wg_o-768x480.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IwKlS0wg_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A imagem mostra a constela\u00e7\u00e3o de Orionte com o Enxame da Nebulosa de Orionte como a &#8220;estrela&#8221; central na espada de Orionte, as Pl\u00eaiades e as H\u00edades. Os tr\u00eas enxames abertos est\u00e3o destacados por grandes c\u00edrculos amarelos.\nCr\u00e9dito: Aladin\/CDS, Observat\u00f3rio de Estrasburgo (Fran\u00e7a)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A Nebulosa de Orionte, as Pl\u00eaiades e as H\u00edades: resultados de uma investiga\u00e7\u00e3o recente indicam que estes famosos enxames de estrelas representam as diferentes fases da vida do mesmo sistema. Uma equipa de astrof\u00edsicos do Ir\u00e3o e da Alemanha encontrou evid\u00eancias de que estes tr\u00eas sistemas estelares n\u00e3o s\u00f3 se situam aproximadamente na mesma regi\u00e3o do espa\u00e7o, como tamb\u00e9m se desenvolveram da mesma forma. Estes resultados foram recentemente publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<p>No nosso c\u00e9u de inverno \u00e9 poss\u00edvel ver as Sete Irm\u00e3s (Pl\u00eaiades) e as H\u00edades mesmo ao lado umas das outras a olho nu, n\u00e3o muito longe da &#8220;estrela&#8221; central da Espada de Orionte. Na verdade, n\u00e3o se trata de uma estrela, mas sim do Enxame da Nebulosa de Orionte &#8211; e, portanto, o terceiro de um grupo de enxame estelares.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, os enxames deste trio t\u00eam idades diferentes e encontram-se a dist\u00e2ncias diferentes da Terra. O Enxame da Nebulosa de Orionte \u00e9 uma das mais jovens e ativas regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar na Via L\u00e1ctea &#8211; com apenas 2,5 milh\u00f5es de anos e a cerca de 1350 anos-luz de dist\u00e2ncia. Cont\u00e9m milhares de estrelas jovens rodeadas pela nuvem residual de g\u00e1s a partir da qual se formaram. Em contraste, as Pl\u00eaiades, tamb\u00e9m conhecidas como as Sete Irm\u00e3s, t\u00eam cerca de 100 milh\u00f5es de anos e as suas estrelas est\u00e3o muito mais dispersas, ao passo que as H\u00edades t\u00eam cerca de 700 milh\u00f5es de anos e cont\u00eam menos estrelas que est\u00e3o ainda mais dispersas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Beb\u00e9, adolescente e idoso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os nossos c\u00e1lculos de din\u00e2mica estelar, altamente precisos, mostraram agora que os tr\u00eas enxames estelares tiveram origem no mesmo antecessor&#8221;, afirma o professor Dr. Pavel Kroupa, do Instituto Helmholtz de Radia\u00e7\u00e3o e F\u00edsica Nuclear da Universidade de Bona, coautor da publica\u00e7\u00e3o. A Nebulosa de Orionte, as Pl\u00eaiades e as H\u00edades s\u00e3o como tr\u00eas fotografias diferentes da mesma pessoa. Estas tr\u00eas fotografias mostram esta entidade em idades diferentes: em beb\u00e9, adolescente e idoso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um pouco como se a mesma pessoa estivesse a nascer uma e outra vez. &#8220;A partir daqui, podemos aprender que os enxames estelares abertos parecem ter um modo preferencial de forma\u00e7\u00e3o estelar&#8221;, diz Kroupa, que tamb\u00e9m \u00e9 membro das \u00e1reas de investiga\u00e7\u00e3o transdisciplinares &#8220;Modela\u00e7\u00e3o&#8221; e &#8220;Mat\u00e9ria&#8221; na Universidade de Bona. Quer isto dizer que diferentes nuvens moleculares formam enxames de estrelas muito semelhantes? &#8220;Parece que existe um ambiente f\u00edsico preferencial no qual as estrelas se formam quando evoluem dentro destas nuvens&#8221;, diz o astrof\u00edsico.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 que um enxame estelar jovem e denso, como o Enxame da Nebulosa de Orionte, se desenvolve para algo como as Pl\u00eaiades ao longo de centenas de milh\u00f5es de anos e, por fim, amadurece para algo semelhante \u00e0s H\u00edades? Os investigadores liderados pelo Dr. Ghasem Safaei do IASBS (Institute for Advanced Studies in Basic Sciences) em Zanjan (Ir\u00e3o) est\u00e3o a modelar este ciclo de vida com a ajuda de poderosas simula\u00e7\u00f5es em computador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os c\u00e1lculos est\u00e3o de acordo com as caracter\u00edsticas observadas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Utilizando estas simula\u00e7\u00f5es, que incluem c\u00e1lculos precisos das for\u00e7as vari\u00e1veis entre as estrelas, os investigadores conseguem seguir o ciclo de vida de um enxame estelar desde a sua forma\u00e7\u00e3o inicial num ambiente rico em g\u00e1s at\u00e9 \u00e0 sua expans\u00e3o gradual e envelhecimento, quando perde g\u00e1s e estrelas para o seu ambiente. Os resultados coincidem muito bem com caracter\u00edsticas j\u00e1 observadas, tais como o tamanho, a massa e a estrutura do Enxame da Nebulosa de Orionte, das Pl\u00eaiades e das H\u00edades em diferentes fases das suas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta investiga\u00e7\u00e3o mostra que \u00e9 inteiramente plaus\u00edvel que enxames estelares como o da Nebulosa de Orionte sigam um caminho de desenvolvimento que os transforma em sistemas como as Pl\u00eaiades e, mais tarde, as H\u00edades&#8221;, diz o professor Hosein Haghi do IASBS, que est\u00e1 atualmente a realizar a sua investiga\u00e7\u00e3o na Universidade de Bona, Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa simulou o seu desenvolvimento ao longo de um per\u00edodo de 800 milh\u00f5es de anos, partindo de um estado inicial baseado nas \u00faltimas caracter\u00edsticas observadas em enxames estelares jovens, incluindo o seu tamanho compacto, elevada densidade de massa e abund\u00e2ncia de estrelas duplas. &#8220;Os resultados mostram que enxames como o da Nebulosa de Orionte podem perder at\u00e9 85% das suas estrelas, mas ainda assim manter uma estrutura coerente semelhante \u00e0 das H\u00edades, depois de terem passado por uma fase interm\u00e9dia semelhante \u00e0 das Pl\u00eaiades&#8221;, explica Ghasem Safaei.<\/p>\n\n\n\n<p>Curiosamente, todos estes tr\u00eas enxames de estrelas &#8211; o Enxame da Nebulosa de Orionte, as Pl\u00eaiades e as H\u00edades &#8211; est\u00e3o localizados na mesma regi\u00e3o do c\u00e9u noturno. Este facto fascina os astr\u00f3nomos h\u00e1 muito tempo. A equipa de investiga\u00e7\u00e3o suspeita que isto \u00e9 mais do que uma mera coincid\u00eancia e que pode estar relacionado com a forma como os enxames de estrelas se formam e desenvolvem na Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um equil\u00edbrio delicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A professora Akram Hasani Zonoozi, coautora do estudo, acrescenta: &#8220;Esta investiga\u00e7\u00e3o permite-nos compreender melhor como os enxames de estrelas se formam e desenvolvem e ilustra o delicado equil\u00edbrio entre a din\u00e2mica interna e as for\u00e7as externas, como a for\u00e7a gravitacional da Via L\u00e1ctea&#8221;. A professora Hasani pertence ao IASBS e est\u00e1 atualmente a desenvolver a sua investiga\u00e7\u00e3o na Universidade de Bona.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 apenas a lan\u00e7ar mais luz sobre o ciclo de vida dos enxames de estrelas. Os investigadores demonstraram tamb\u00e9m como as simula\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas modernas podem ser combinadas com observa\u00e7\u00f5es reais. Abrir\u00e1 novas possibilidades para compreender as origens de outros enxames estelares e aperfei\u00e7oar modelos que mostram como as estrelas e os seus ambientes se desenvolvem ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.uni-bonn.de\/en\/news\/134-2025\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Bona (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/541\/2\/1753\/8202867\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Enxames abertos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Open_cluster\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nebulosa de Orionte:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.messier.seds.org\/m\/m042.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Orion_Nebula\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pl\u00eaiades:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.seds.org\/messier\/m\/m045.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pleiades_(star_cluster)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00edades:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.messier.seds.org\/xtra\/ngc\/hyades.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hyades_(star_cluster)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Nebulosa de Orionte, as Pl\u00eaiades e as H\u00edades: resultados de uma investiga\u00e7\u00e3o recente indicam que estes famosos enxames de estrelas representam as diferentes fases da vida do mesmo sistema. 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