{"id":8164,"date":"2025-07-11T06:26:24","date_gmt":"2025-07-11T05:26:24","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8164"},"modified":"2025-07-11T06:26:25","modified_gmt":"2025-07-11T05:26:25","slug":"pedregulhos-ejetados-durante-a-missao-dart-complicam-os-futuros-esforcos-de-desvio-de-asteroides","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/07\/11\/pedregulhos-ejetados-durante-a-missao-dart-complicam-os-futuros-esforcos-de-desvio-de-asteroides\/","title":{"rendered":"Pedregulhos ejetados durante a miss\u00e3o DART complicam os futuros esfor\u00e7os de desvio de asteroides"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Mxy64uMn_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"534\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Mxy64uMn_o-1024x534.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8165\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Mxy64uMn_o-1024x534.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Mxy64uMn_o-300x156.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Mxy64uMn_o-768x400.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Mxy64uMn_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Estas imagens, que mostram a eje\u00e7\u00e3o em torno do asteroide Dimorphos, foram obtidas durante a aproxima\u00e7\u00e3o (com Didymos em cima \u00e0 esquerda) e a partida (Didymos em cima \u00e0 direita) da nave companheira da DART, LICIACube, que passou pelo par Didymos-Dimorphos alguns minutos ap\u00f3s o impacto e captou as imagens. O campo de material ejetado consiste num cone assim\u00e9trico de poeira que exibe filamentos, bem como mais de uma centena de rochas com um metro de tamanho que foram expulsas em dire\u00e7\u00f5es preferenciais.\nCr\u00e9dito: Equipa DART da NASA e LICIACube<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Quando a nave espacial DART da NASA colidiu com o asteroide Dimorphos em setembro de 2022, ela n\u00e3o apenas mudou a \u00f3rbita do asteroide como pretendido &#8211; desencadeou uma enorme barragem de pedregulhos que carregavam mais de tr\u00eas vezes o momento da pr\u00f3pria nave espacial.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma equipa de astr\u00f3nomos liderada pela Universidade de Maryland descobriu que, embora a miss\u00e3o tenha provado com sucesso que os impactores cin\u00e9ticos como a nave espacial DART podem alterar a trajet\u00f3ria de um asteroide, as rochas ejetadas criaram for\u00e7as em dire\u00e7\u00f5es inesperadas que poder\u00e3o complicar futuros esfor\u00e7os de desvio. De acordo com o novo artigo cient\u00edfico da equipa, publicado na revista The Planetary Science Journal a 4 de julho, a utiliza\u00e7\u00e3o do desvio de asteroides para a defesa planet\u00e1ria \u00e9 provavelmente muito mais complexa do que os investigadores inicialmente pensavam.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Conseguimos desviar um asteroide, movendo-o da sua \u00f3rbita&#8221;, disse Tony Farnham, autor principal do artigo cient\u00edfico e investigador do Departamento de Astronomia da Universidade de Maryland. &#8220;A nossa investiga\u00e7\u00e3o mostra que, embora o impacto direto da nave espacial DART tenha causado esta mudan\u00e7a, os pedregulhos ejetados deram um impulso adicional quase t\u00e3o grande. Este fator adicional altera a f\u00edsica que temos de considerar quando planeamos este tipo de miss\u00f5es&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Usando imagens captadas pelo LICIACube, uma pequena nave espacial italiana que observou as consequ\u00eancias da DART, os astr\u00f3nomos seguiram 104 rochas com raios entre 0,2 e 3,6 metros que se afastaram de Dimorphos a velocidades at\u00e9 52 metros por segundo. A partir dessas imagens, a equipa determinou as localiza\u00e7\u00f5es tridimensionais e as velocidades das rochas ejetadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Vimos que os pedregulhos n\u00e3o estavam espalhados aleatoriamente no espa\u00e7o&#8221;, disse Farnham. &#8220;Ao inv\u00e9s, estavam reunidos em dois grupos bastante distintos, com aus\u00eancia de material noutros locais, o que significa que algo desconhecido est\u00e1 a atuar aqui&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O maior aglomerado de detritos, contendo cerca de 70% dos objetos medidos, foi ejetado para sul a altas velocidades e em \u00e2ngulos pouco profundos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie. A equipa pensa que as rochas ejetadas prov\u00eam provavelmente de fontes espec\u00edficas, talvez de rochas maiores em Dimorphos que foram estilha\u00e7adas pelos pain\u00e9is solares da DART mesmo antes de o corpo principal da nave espacial atingir a superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os pain\u00e9is solares da DART atingiram provavelmente duas grandes rochas, chamadas Atabaque e Bodhran, no asteroide&#8221;, explicou a segunda autora do artigo cient\u00edfico, Jessica Sunshine, professora de astronomia e geologia na Universidade de Maryland. &#8220;As evid\u00eancias sugerem que o grupo sul de material ejetado \u00e9 provavelmente constitu\u00eddo por fragmentos de Atabaque, uma rocha com 3,3 metros de raio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Sunshine, que tamb\u00e9m foi vice-investigadora principal da miss\u00e3o Deep Impact da NASA, liderada pela Universidade de Maryland, comparou os resultados da DART com os da Deep Impact, observando como as caracter\u00edsticas da superf\u00edcie e a composi\u00e7\u00e3o do alvo influenciam fundamentalmente os resultados do impacto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A Deep Impact atingiu uma superf\u00edcie que era essencialmente constitu\u00edda por part\u00edculas muito pequenas e uniformes, pelo que a sua eje\u00e7\u00e3o foi relativamente suave e cont\u00ednua&#8221;, explicou Sunshine. &#8220;E aqui, vemos que a DART atingiu uma superf\u00edcie rochosa e cheia de grandes pedregulhos, resultando em estruturas ca\u00f3ticas e filamentosas nos seus padr\u00f5es de eje\u00e7\u00e3o. A compara\u00e7\u00e3o destas duas miss\u00f5es lado a lado d\u00e1-nos esta vis\u00e3o sobre a forma como diferentes tipos de corpos celestes respondem aos impactos, o que \u00e9 crucial para garantir o sucesso de uma miss\u00e3o de defesa planet\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O momento das rochas ejetadas pelo impacto da DART foi principalmente perpendicular \u00e0 trajet\u00f3ria da nave espacial, o que significa que poderia ter inclinado o plano orbital de Dimorphos at\u00e9 um grau e potencialmente ter enviado o asteroide a cambalear erraticamente pelo espa\u00e7o. O trabalho da equipa para compreender o efeito dos detritos rochosos ser\u00e1 fundamental para a miss\u00e3o Hera da ESA, que chegar\u00e1 ao sistema Didymos-Dimorphos em 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os dados recolhidos pelo LICIACube fornecem perspetivas adicionais sobre eventos de impacto, especialmente porque a DART foi originalmente concebida para se basear apenas em observa\u00e7\u00f5es a partir da Terra&#8221;, disse Farnham. &#8220;A Hera far\u00e1 o mesmo, dando-nos outra vis\u00e3o direta das consequ\u00eancias do impacto, baseando-se nas previs\u00f5es que fizemos com os dados recolhidos pela DART&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Farnham observou que estas m\u00faltiplas perspetivas e imagens detalhadas pelo LICIACube deram \u00e0 equipa da DART informa\u00e7\u00f5es que teriam sido imposs\u00edveis de detetar a partir da Terra, incluindo dados sobre os pedregulhos do asteroide. Este novo estudo sugere a import\u00e2ncia de considerar essas vari\u00e1veis no planeamento de futuras miss\u00f5es de desvio de asteroides.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se um asteroide estivesse a vir na nossa dire\u00e7\u00e3o e soub\u00e9ssemos que t\u00ednhamos de o desviar uma determinada dist\u00e2ncia para evitar que atingisse a Terra, ent\u00e3o todas estas subtilezas tornam-se muito, muito importantes&#8221;, acrescentou Sunshine. &#8220;Podemos pensar nisto como um jogo de bilhar c\u00f3smico. Podemos falhar o buraco se n\u00e3o tivermos em conta todas as vari\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/cmns.umd.edu\/news-events\/news\/massive-boulders-ejected-during-dart-mission-complicate-future-asteroid-deflection\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/PSJ\/addd1a\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Planetary Science Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>DART (Double Asteroid Redirection Test):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/dart\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/dart.jhuapl.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JHUAPL<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Double_Asteroid_Redirection_Test\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/LICIACube\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">LICIACube (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Didymos e Dimorphos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/65803_Didymos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Didymos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dimorphos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dimorphos (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Miss\u00e3o Hera:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Space_Safety\/Hera\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.heramission.space\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hera_(space_mission)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a nave espacial DART da NASA colidiu com o asteroide Dimorphos em setembro de 2022, ela n\u00e3o apenas mudou a \u00f3rbita do asteroide como pretendido &#8211; desencadeou uma enorme barragem de pedregulhos que carregavam mais de tr\u00eas vezes o momento da pr\u00f3pria nave espacial.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8165,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[1415,1416,1417],"class_list":["post-8164","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-dart","tag-didymos","tag-dimorphos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8164","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8164"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8164\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8166,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8164\/revisions\/8166"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8165"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8164"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8164"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8164"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}