{"id":8146,"date":"2025-07-04T06:20:13","date_gmt":"2025-07-04T05:20:13","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8146"},"modified":"2025-07-04T06:20:14","modified_gmt":"2025-07-04T05:20:14","slug":"dupla-detonacao-nova-imagem-mostra-os-remanescentes-de-uma-estrela-destruida-por-um-par-de-explosoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/07\/04\/dupla-detonacao-nova-imagem-mostra-os-remanescentes-de-uma-estrela-destruida-por-um-par-de-explosoes\/","title":{"rendered":"Dupla detona\u00e7\u00e3o: nova imagem mostra os remanescentes de uma estrela destru\u00edda por um par de explos\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso2511a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/9QYKvp86_o-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8147\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/9QYKvp86_o-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/9QYKvp86_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/9QYKvp86_o-768x512.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/9QYKvp86_o-310x205.jpg 310w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/9QYKvp86_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem, obtida com o VLT do ESO, mostra os remanescentes da supernova SNR 0509-67.5, os quais se encontram em expans\u00e3o ap\u00f3s a explos\u00e3o de uma estrela h\u00e1 centenas de anos num evento de dupla detona\u00e7\u00e3o. Trata-se da primeira evid\u00eancia visual de que as estrelas podem morrer com duas explos\u00f5es.\nEstes dados foram capturados com o instrumento MUSE (Multi-Unit Spectroscopic Explorer) montado no VLT. O MUSE permite aos astr\u00f3nomos mapear a distribui\u00e7\u00e3o de diferentes elementos qu\u00edmicos, aqui apresentados em cores diferentes. Vemos o c\u00e1lcio a azul, disposto em duas camadas conc\u00eantricas. Estas duas camadas indicam que a estrela agora morta explodiu duas vezes.\nCr\u00e9dito: ESO\/P. Das et al.; estrelas de fundo (Hubble) &#8211; K. Noll et al.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Pela primeira vez, os astr\u00f3nomos obtiveram evid\u00eancias visuais de que uma estrela encontrou o seu fim ao detonar duas vezes. Ao estudarem os remanescentes com centenas de anos da supernova SNR 0509-67.5, com o aux\u00edlio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, os cientistas encontraram padr\u00f5es que confirmam que a estrela que lhe deu origem sofreu um par de explos\u00f5es. Esta descoberta lan\u00e7a uma nova luz em algumas das explos\u00f5es mais importantes do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte das supernovas t\u00eam origem na morte explosiva de estrelas massivas, contudo existe um tipo que supernova que tem origem em estrelas mais modestas. As an\u00e3s brancas, pequenos n\u00facleos inativos que restam depois de estrelas como o nosso Sol queimarem o seu combust\u00edvel nuclear, podem dar origem ao que os astr\u00f3nomos chamam uma supernova de Tipo Ia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As explos\u00f5es das an\u00e3s brancas desempenham um papel crucial na astronomia&#8221;, diz Priyam Das, estudante de doutoramento na Universidade de Nova Gales do Sul, em Camberra, Austr\u00e1lia, que liderou o estudo sobre a supernova SNR 0509-67.5 publicado na Nature Astronomy. Grande parte do nosso conhecimento sobre a forma como o Universo se expande assenta nas supernovas do Tipo Ia, as quais s\u00e3o tamb\u00e9m a principal fonte de ferro do nosso planeta, incluindo o ferro que temos no sangue. &#8220;No entanto, e apesar da sua import\u00e2ncia, o mist\u00e9rio de longa data do mecanismo exato que desencadeia a sua explos\u00e3o continua por resolver&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os modelos que explicam as supernovas de Tipo Ia t\u00eam uma an\u00e3 branca como uma das componentes num bin\u00e1rio. Se orbitar suficientemente perto da outra estrela do par, a an\u00e3 branca pode roubar material \u00e0 sua companheira. Segundo a teoria mais aceite sobre a origem das supernovas de Tipo Ia, a an\u00e3 branca acumula mat\u00e9ria da sua companheira at\u00e9 atingir uma massa cr\u00edtica, altura em que sofre uma \u00fanica explos\u00e3o. No entanto, estudos recentes sugerem que pelo menos algumas supernovas de Tipo Ia explicam-se melhor por uma dupla explos\u00e3o despoletada antes da estrela atingir essa massa cr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos obtiveram agora uma imagem nova que prova que esta hip\u00f3tese estava correta: pelo menos algumas supernovas de Tipo Ia explodem por meio de um mecanismo de &#8220;dupla detona\u00e7\u00e3o&#8221;. Neste modelo alternativo, a an\u00e3 branca acumula em torno de si um manto de h\u00e9lio &#8220;roubado&#8221; \u00e0 sua companheira, que pode tornar-se inst\u00e1vel e incendiar-se. A primeira explos\u00e3o gera uma onda de choque que se desloca em torno e para o interior da an\u00e3 branca, despoletando uma segunda detona\u00e7\u00e3o no n\u00facleo da estrela e acabando por dar origem \u00e0 supernova.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso2511b.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/8f\/88\/dtr8KWRH_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem mostra a distribui\u00e7\u00e3o do c\u00e1lcio nos remanescentes da supernova SNR 0509-67.5. Os dados foram obtidos com o instrumento MUSE (Multi-Unit Spectroscopic Explorer) montado no VLT do ESO. As curvas sobrepostas delineiam duas conchas conc\u00eantricas de c\u00e1lcio que foram ejetadas em duas detona\u00e7\u00f5es separadas quando a estrela morreu h\u00e1 v\u00e1rias centenas de anos atr\u00e1s.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/P. Das et al.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora, n\u00e3o existiam evid\u00eancias visuais claras de uma dupla detona\u00e7\u00e3o numa an\u00e3 branca. Recentemente, os astr\u00f3nomos previram que este processo criaria um padr\u00e3o distinto, ou uma impress\u00e3o digital, nos remanescentes ainda brilhantes da supernova, que seria vis\u00edvel muito depois da explos\u00e3o inicial. A teoria sugere que os remanescentes duma supernova deste tipo conteriam duas conchas separadas de c\u00e1lcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos descobriram agora estas estruturas nos remanescentes de uma supernova. Ivo Seitenzahl, que liderou as observa\u00e7\u00f5es e que trabalhava no Instituto de Estudos Te\u00f3ricos de Heidelberg, na Alemanha, quando o estudo foi realizado, diz que estes resultados s\u00e3o &#8220;uma indica\u00e7\u00e3o clara de que as an\u00e3s brancas podem explodir muito antes de atingirem o famoso limite de massa de Chandrasekhar, e que o mecanismo de &#8216;dupla detona\u00e7\u00e3o&#8217; ocorre de facto na natureza&#8221;. Com o aux\u00edlio do instrumento MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer) montado no VLT do ESO, a equipa detetou camadas de c\u00e1lcio (a azul na imagem) nos remanescentes da supernova SNR 0509-67.5, uma evid\u00eancia clara de que uma supernova de Tipo Ia pode ocorrer antes da sua an\u00e3 branca progenitora atingir a massa cr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>As supernovas de Tipo Ia s\u00e3o fundamentais para compreendermos o Universo, j\u00e1 que se comportam de forma muito consistente e o seu brilho, que podemos prever uma vez que n\u00e3o depende da dist\u00e2ncia a que se encontram, ajuda os astr\u00f3nomos a medir dist\u00e2ncias no espa\u00e7o. Utilizando-as como uma r\u00e9gua c\u00f3smica, os astr\u00f3nomos descobriram a expans\u00e3o acelerada do Universo, uma descoberta que mereceu o Pr\u00e9mio Nobel da F\u00edsica de 2011. Estudar a forma como estes objetos explodem ajuda-nos a compreender melhor por que raz\u00e3o o seu brilho pode ser t\u00e3o bem previsto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Priyam Das h\u00e1 tamb\u00e9m um outro motivo para estudar estas explos\u00f5es. &#8220;Esta prova tang\u00edvel duma dupla detona\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 contribui para a resolu\u00e7\u00e3o dum mist\u00e9rio de longa data, como tamb\u00e9m nos oferece um magn\u00edfico espet\u00e1culo visual&#8221;, diz ele descrevendo a &#8220;bela estrutura em camadas&#8221; que uma supernova cria. Para o astr\u00f3nomo, &#8220;revelar o funcionamento interno duma explos\u00e3o c\u00f3smica t\u00e3o espetacular \u00e9 muito gratificante&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"First visual proof of a star destroyed by pair of explosions | ESO News\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MWlk7t1HLiw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso2511\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-025-02589-5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>SNR 0509-67.5:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/SNR_0509-67.5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Supernovas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_Ia_supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tipo Ia (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>An\u00e3 branca:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/imagine.gsfc.nasa.gov\/science\/objects\/dwarfs2.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VLT (Very Large Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/vlt-instr\/muse\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MUSE (ESO)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez, os astr\u00f3nomos obtiveram evid\u00eancias visuais de que uma estrela encontrou o seu fim ao detonar duas vezes. 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