{"id":8137,"date":"2025-07-01T06:36:41","date_gmt":"2025-07-01T05:36:41","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8137"},"modified":"2025-07-01T06:36:41","modified_gmt":"2025-07-01T05:36:41","slug":"webb-investiga-as-origens-estruturais-das-galaxias-de-disco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/07\/01\/webb-investiga-as-origens-estruturais-das-galaxias-de-disco\/","title":{"rendered":"Webb investiga as origens estruturais das gal\u00e1xias de disco"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/stsci-opo.org\/STScI-01JXX24QPMNH7S3GXGBAAGX9K8.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"941\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/uBzDG8ql_o-941x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8138\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/uBzDG8ql_o-941x1024.jpg 941w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/uBzDG8ql_o-276x300.jpg 276w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/uBzDG8ql_o-768x836.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/uBzDG8ql_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 941px) 100vw, 941px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os astr\u00f3nomos utilizaram dados do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA para analisar uma amostra de 111 gal\u00e1xias vistas de lado. A an\u00e1lise da equipa sugere que a forma\u00e7\u00e3o do disco espesso ocorre primeiro, seguindo-se a forma\u00e7\u00e3o do disco fino. O momento em que este processo ocorre depende da massa da gal\u00e1xia.\nCr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA, T. Tsukui (Universidade Nacional Australiana)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>As atuais gal\u00e1xias de disco cont\u00eam frequentemente um disco exterior espesso e repleto de estrelas e um disco fino e incorporado de estrelas. Por exemplo, o disco espesso da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, tem cerca de 3000 anos-luz de altura e o seu disco fino tem cerca de 1000 anos-luz de espessura.<\/p>\n\n\n\n<p>Como e porque \u00e9 que se forma esta estrutura de disco duplo? Ao analisar dados de arquivo de v\u00e1rios programas de observa\u00e7\u00e3o do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA, uma equipa de astr\u00f3nomos est\u00e1 mais perto de obter respostas, bem como de compreender as origens das gal\u00e1xias de disco em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa identificou cuidadosamente, verificou visualmente e analisou uma amostra estat\u00edstica de 111 gal\u00e1xias de disco vistas de lado em v\u00e1rios per\u00edodos &#8211; at\u00e9 h\u00e1 11 mil milh\u00f5es de anos atr\u00e1s (ou aproximadamente 2,8 mil milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang). \u00c9 a primeira vez que os cientistas investigam estruturas de discos espessos e finos a dist\u00e2ncias t\u00e3o vastas, fazendo a ponte entre os observadores que investigam o Universo primitivo e os arque\u00f3logos gal\u00e1cticos que procuram compreender a hist\u00f3ria da nossa pr\u00f3pria Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta medi\u00e7\u00e3o \u00fanica da espessura dos discos com um elevado desvio para o vermelho, ou em alturas do in\u00edcio do Universo, \u00e9 uma refer\u00eancia para o estudo te\u00f3rico que s\u00f3 foi poss\u00edvel com o Webb&#8221;, disse Takafumi Tsukui, autor principal do artigo cient\u00edfico e investigador da Universidade Nacional Australiana em Camberra. &#8220;Normalmente, as estrelas mais velhas do disco espesso s\u00e3o t\u00e9nues, e as estrelas jovens do disco fino ofuscam toda a gal\u00e1xia. Mas com a resolu\u00e7\u00e3o do Webb e a sua capacidade \u00fanica de ver atrav\u00e9s da poeira e de destacar as estrelas velhas e t\u00e9nues, podemos identificar a estrutura de dois discos das gal\u00e1xias e medir a sua espessura separadamente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dados do disco espesso e do disco fino<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar estes 111 alvos ao longo do tempo cosmol\u00f3gico, a equipa conseguiu estudar gal\u00e1xias de disco simples e gal\u00e1xias de disco duplo. Os resultados indicam que as gal\u00e1xias formam primeiro um disco espesso, seguido de um disco fino. O momento em que isto acontece depende da massa da gal\u00e1xia: gal\u00e1xias de massa elevada e de disco simples transitaram para estruturas de dois discos h\u00e1 cerca de 8 mil milh\u00f5es de anos. Em contraste, as gal\u00e1xias de baixa massa e de disco \u00fanico formaram os seus discos finos incorporados mais tarde, h\u00e1 cerca de 4 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta \u00e9 a primeira vez que \u00e9 poss\u00edvel resolver discos estelares finos a um desvio para o vermelho mais elevado. O que \u00e9 realmente novo \u00e9 descobrir quando \u00e9 que os discos estelares finos come\u00e7am a surgir&#8221;, disse Emily Wisnioski, coautora do artigo cient\u00edfico e da Universidade Nacional Australiana em Camberra. &#8220;Ver discos estelares finos, j\u00e1 formados h\u00e1 8 mil milh\u00f5es de anos, ou mesmo antes, foi surpreendente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma \u00e9poca turbulenta para as gal\u00e1xias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para explicar esta transi\u00e7\u00e3o de um disco \u00fanico e espesso para um disco espesso e um disco fino, e a diferen\u00e7a de tempo entre as gal\u00e1xias de alta e baixa massa, a equipa olhou para al\u00e9m da sua amostra inicial de gal\u00e1xias vistas de lado e examinou dados que mostram o g\u00e1s em movimento do ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array) e de levantamentos terrestres.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao tomar em considera\u00e7\u00e3o o movimento dos discos de g\u00e1s das gal\u00e1xias, a equipa descobriu que os seus resultados se alinham com o cen\u00e1rio do &#8220;disco de g\u00e1s turbulento&#8221;, uma das tr\u00eas principais hip\u00f3teses que t\u00eam sido propostas para explicar o processo de forma\u00e7\u00e3o de discos espessos e finos. Neste cen\u00e1rio, um disco de g\u00e1s turbulento no Universo primitivo d\u00e1 origem a uma intensa forma\u00e7\u00e3o estelar, criando um disco estelar espesso. \u00c0 medida que as estrelas se formam, elas estabilizam o disco de g\u00e1s, que se torna menos turbulento e, como resultado, mais fino.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez que as gal\u00e1xias massivas podem converter g\u00e1s em estrelas de forma mais eficaz, assentam mais cedo do que as suas cong\u00e9neres de baixa massa, resultando na forma\u00e7\u00e3o mais precoce de discos finos. A equipa nota que a forma\u00e7\u00e3o de discos espessos e discos finos n\u00e3o s\u00e3o eventos isolados: o disco espesso continua a crescer \u00e0 medida que a gal\u00e1xia se desenvolve, embora seja mais lento do que o ritmo de crescimento do disco fino.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como isto \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0 &#8220;nossa casa&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A sensibilidade do Webb permite aos astr\u00f3nomos observar, pela primeira vez, gal\u00e1xias mais pequenas e mais t\u00e9nues, an\u00e1logas \u00e0 nossa, em \u00e9pocas precoces e com uma clareza sem precedentes. Neste estudo, a equipa observou que o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o de um disco espesso para um disco duplo espesso e fino coincide aproximadamente com a forma\u00e7\u00e3o do disco fino da Via L\u00e1ctea. Com o Webb, os astr\u00f3nomos poder\u00e3o continuar a investigar progenitoras semelhantes \u00e0 Via L\u00e1ctea &#8211; gal\u00e1xias que teriam antecedido a Via L\u00e1ctea &#8211; o que poder\u00e1 ajudar a explicar a hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o da nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p>No futuro, a equipa tenciona incorporar outros dados na sua amostra de gal\u00e1xias vistas de lado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Embora este estudo distinga estruturalmente discos finos e espessos, ainda h\u00e1 muito mais que gostar\u00edamos de explorar&#8221;, disse Tsukui. &#8220;Queremos acrescentar o tipo de informa\u00e7\u00e3o que normalmente se obt\u00e9m para as gal\u00e1xias pr\u00f3ximas, como o movimento estelar, a idade e a metalicidade. Ao faz\u00ea-lo, podemos fazer a ponte entre os conhecimentos de gal\u00e1xias pr\u00f3ximas e distantes e aperfei\u00e7oar a nossa compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o dos discos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes resultados foram publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/webb\/nasas-webb-digs-into-structural-origins-of-disk-galaxies\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/contents\/news-releases\/2025\/news-2025-121\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ STScI (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/540\/4\/3493\/8169912\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Gal\u00e1xia de disco:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Disc_galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Thick_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Disco espesso (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Thin_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Disco fino (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o gal\u00e1ctica:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galaxy_formation_and_evolution\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.jwst.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nirspec.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As atuais gal\u00e1xias de disco cont\u00eam frequentemente um disco exterior espesso e repleto de estrelas e um disco fino e incorporado de estrelas. 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