{"id":8124,"date":"2025-06-27T06:32:59","date_gmt":"2025-06-27T05:32:59","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8124"},"modified":"2025-06-27T06:33:01","modified_gmt":"2025-06-27T05:33:01","slug":"uma-nova-abordagem-na-exploracao-de-surtos-estelares-resolveu-um-misterio-com-decadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/06\/27\/uma-nova-abordagem-na-exploracao-de-surtos-estelares-resolveu-um-misterio-com-decadas\/","title":{"rendered":"Uma nova abordagem na explora\u00e7\u00e3o de surtos estelares resolveu um mist\u00e9rio com d\u00e9cadas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/gEl4iZ9g_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"726\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/gEl4iZ9g_o-1024x726.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8125\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/gEl4iZ9g_o-1024x726.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/gEl4iZ9g_o-300x213.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/gEl4iZ9g_o-768x545.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/gEl4iZ9g_o.jpg 1073w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o do Sol a expelir um fluxo constante de part\u00edculas e campos magn\u00e9ticos conhecido como vento solar e vastas nuvens de plasma quente e radia\u00e7\u00e3o de nome eje\u00e7\u00f5es de massa coronal. Este material solar viaja pelo espa\u00e7o e atinge a magnetosfera da Terra, o volume ocupado pelo campo magn\u00e9tico do nosso planeta, que age como um escudo protetor.\nCr\u00e9dito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA\/Bailee DesRocher<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por vezes, \u00e9 preciso olhar para as coisas de uma forma diferente. Foi o que Atul Mohan descobriu, astrof\u00edsico e investigador da Universidade Cat\u00f3lica da Am\u00e9rica, afeto ao projeto PHaSER (Partnership for Heliophysics and Space Environment Research) da NASA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muito que os investigadores procuram compreender o intenso comportamento das coroas das &#8220;an\u00e3s vermelhas&#8221; jovens. As erup\u00e7\u00f5es massivas de plasma altamente magnetizado, designadas por eje\u00e7\u00f5es de massa coronal (EMCs), constituem um grande perigo para o clima espacial, uma vez que podem corroer atmosferas planet\u00e1rias ou desencadear rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas nocivas que podem desestabilizar biomol\u00e9culas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e3s vermelhas albergam a maior parte dos exoplanetas semelhantes \u00e0 Terra conhecidos, a dist\u00e2ncias muito mais pr\u00f3ximas da estrela do que a dist\u00e2ncia Terra-Sol. Isto exp\u00f5e esses exoplanetas a mais destas violentas erup\u00e7\u00f5es do que os planetas do Sistema Solar interior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A compreens\u00e3o da produtividade de grandes EMCs pelas an\u00e3s vermelhas \u00e9 um passo importante na identifica\u00e7\u00e3o de plaus\u00edveis sistemas estrela-planeta que possam albergar vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D\u00e9cadas de observa\u00e7\u00f5es solares mostraram que grandes eventos de EMCs est\u00e3o intimamente associados a tr\u00eas tipos distintos de surtos de r\u00e1dio: tipos II, III e IV. Durante mais de uma d\u00e9cada, os investigadores monitorizaram jovens an\u00e3s vermelhas ativas para identificar estes tipos de explos\u00f5es. Apesar de estas an\u00e3s vermelhas terem uma taxa muito elevada de fortes erup\u00e7\u00f5es &#8211; erup\u00e7\u00f5es que quase sempre produzem uma EMC no Sol &#8211; nunca tinham sido encontrados tipos de explos\u00e3o r\u00e1dio associados a EMCs.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mohan comenta: &#8220;Estas estrelas s\u00e3o superativas, produzindo supererup\u00e7\u00f5es extremamente energ\u00e9ticas como o evento solar de 1859 muito mais frequentemente. As erup\u00e7\u00f5es est\u00e3o associadas a enormes reconfigura\u00e7\u00f5es do campo magn\u00e9tico na superf\u00edcie. \u00c9 isso que produz uma EMC. Assim, com estas estrelas altamente magnetizadas, t\u00ednhamos um mist\u00e9rio: porque \u00e9 que n\u00e3o estamos a ver quaisquer assinaturas de r\u00e1dio de EMCs &#8211; algo que dever\u00edamos ver?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mohan e a sua equipa abordaram a investiga\u00e7\u00e3o de uma nova perspetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quer\u00edamos explorar esta quest\u00e3o utilizando dados de observa\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas com v\u00e1rias naves espaciais. Fizemo-lo compilando um cat\u00e1logo de surtos r\u00e1dio solares associados a EMCs observadas simultaneamente pelas miss\u00f5es Wind e STEREO-A e STEREO-B da NASA&#8221;, disse Mohan.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Devido \u00e0s suas diferentes \u00f3rbitas em torno do Sol, em qualquer data e hora, estas miss\u00f5es forneceram observa\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio do mesmo evento a partir de diferentes pontos de observa\u00e7\u00e3o. Utilizando esta informa\u00e7\u00e3o, os investigadores exploraram o efeito da linha de vis\u00e3o para a regi\u00e3o de atividade na dete\u00e7\u00e3o destas erup\u00e7\u00f5es. A emiss\u00e3o de r\u00e1dio tem um efeito de feixe inerente, semelhante ao de um raio laser.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Descobriram que as regi\u00f5es ativas t\u00eam de estar dentro de um \u00e2ngulo de vis\u00e3o de +-60 graus da miss\u00e3o ou haver\u00e1 uma grande degrada\u00e7\u00e3o do sinal observado, e o evento \u00e9 muitas vezes indetet\u00e1vel com uma nave espacial desalinhada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mohan escolheu uma estrela espec\u00edfica &#8211; AD Leo &#8211; porque a sua cintura de regi\u00f5es ativas est\u00e1 bem alinhada com a nossa linha de vis\u00e3o a partir da Terra. Esta estrat\u00e9gia eliminou qualquer efeito do feixe de emiss\u00f5es que contribu\u00edsse para a n\u00e3o dete\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de investiga\u00e7\u00e3o descobriu, em AD Leo, os ind\u00edcios de erup\u00e7\u00f5es massivas que os investigadores esperavam numa estrela ativa jovem (assinaturas de surtos de r\u00e1dio Tipo IV e Tipo III de longa dura\u00e7\u00e3o, normalmente associados a EMCs muito fortes no Sol).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De facto, AD Leo est\u00e1 muito ativa, emitindo supererup\u00e7\u00f5es &#8211; surtos mais fortes do que a mais forte erup\u00e7\u00e3o solar jamais registada (o Evento Carrington de 1859) &#8211; v\u00e1rias vezes por semana. As EMCs associadas ao Evento Carrington interromperam as transmiss\u00f5es telegr\u00e1ficas em todo o mundo e provocaram auroras perto do equador. Isto significou inje\u00e7\u00f5es intensas de part\u00edculas energ\u00e9ticas na magnetosfera da Terra, levando a fortes correntes el\u00e9tricas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este \u00e9 apenas o in\u00edcio de uma nova investiga\u00e7\u00e3o sobre as estrelas, fornecendo um crit\u00e9rio essencial de linha de vis\u00e3o para a cintura de regi\u00f5es ativas estelares quando se escolhem alvos de estudo, para al\u00e9m do simples crit\u00e9rio da taxa de erup\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mohan conclui: &#8220;Desta forma, podemos obter maiores restri\u00e7\u00f5es sobre as taxas de EMCs, que s\u00e3o importantes para avaliar as amea\u00e7as \u00e0 habitabilidade nestes exomundos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"AAS 246 Press Conference: From Molecules to Molecular Clouds: Discoveries in the Milky Way\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gJjSZu9ob8Q?start=616&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.catholic.edu\/all-stories\/new-approach-stellar-burst-exploration-solves-decades-old-quest\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade Cat\u00f3lica da Am\u00e9rica (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2024\/06\/aa47924-23\/aa47924-23.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ad5315\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Eje\u00e7\u00e3o de massa coronal (EMC):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Coronal_mass_ejection\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/solar.physics.montana.edu\/press\/faq.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">FAQ (Universidade Estatal do Montana)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coroa estelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_corona\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s vermelhas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Red_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AD Leonis:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/AD_Leonis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/simbad.cds.unistra.fr\/simbad\/sim-id?Ident=TYC+1423-174-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Clima espacial:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Space_weather\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.spaceweather.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">spaceweather.com<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Evento Carrington de 1859:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Carrington_Event\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Wind:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/wind\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Wind_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sondas STEREO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/stereo.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/stereo.jhuapl.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JHUAPL<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/STEREO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Projeto PHaSER (Partnership for Heliophysics and Space Environment Research):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/physics.catholic.edu\/faculty-and-research\/phaser\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade Cat\u00f3lica da Am\u00e9rica<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito que os investigadores procuram compreender o intenso comportamento das coroas das &#8220;an\u00e3s vermelhas&#8221; 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