{"id":8121,"date":"2025-06-27T06:30:00","date_gmt":"2025-06-27T05:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8121"},"modified":"2025-06-27T06:30:01","modified_gmt":"2025-06-27T05:30:01","slug":"sinal-cosmico-do-universo-primitivo-ajudara-os-astronomos-a-detetar-as-primeiras-estrelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/06\/27\/sinal-cosmico-do-universo-primitivo-ajudara-os-astronomos-a-detetar-as-primeiras-estrelas\/","title":{"rendered":"Sinal c\u00f3smico do Universo primitivo ajudar\u00e1 os astr\u00f3nomos a detetar as primeiras estrelas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.esawebb.org\/archives\/images\/large\/weic2317c.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"780\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Nn9B7W2P_o-1024x780.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8122\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Nn9B7W2P_o-1024x780.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Nn9B7W2P_o-300x229.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Nn9B7W2P_o-768x585.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Nn9B7W2P_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem mostra um campo profundo chamado GOODS-South, obtido pelo James Webb como parte do programa JADES (JWST Advanced Deep Extragalactic Survey). Cont\u00e9m milhares de gal\u00e1xias de v\u00e1rias formas e tamanhos.\nCr\u00e9dito: ESA\/Webb, NASA, ESA, CSA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito importante compreender como o Universo passou da escurid\u00e3o para a luz com a forma\u00e7\u00e3o das primeiras estrelas e gal\u00e1xias, transi\u00e7\u00e3o esta uma viragem fundamental no desenvolvimento do Universo a que damos o nome Aurora C\u00f3smica. No entanto, mesmo com os telesc\u00f3pios mais potentes, n\u00e3o podemos observar diretamente estas primeiras estrelas, pelo que a determina\u00e7\u00e3o das suas propriedades \u00e9 um dos maiores desafios da astronomia.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, um grupo internacional de astr\u00f3nomos liderado pela Universidade de Cambridge demonstrou que ser\u00e1 poss\u00edvel conhecer as massas das primeiras estrelas atrav\u00e9s do estudo de um sinal de r\u00e1dio espec\u00edfico &#8211; criado por \u00e1tomos de hidrog\u00e9nio que preenchem os espa\u00e7os entre as regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar &#8211; com origem apenas cem milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao estudar a forma como as primeiras estrelas e os seus remanescentes afetaram este sinal, designado por sinal de 21 cent\u00edmetros, os investigadores mostraram que os futuros radiotelesc\u00f3pios nos ajudar\u00e3o a compreender o Universo primitivo e a forma como este se transformou de uma massa quase homog\u00e9nea de hidrog\u00e9nio para a incr\u00edvel complexidade que vemos hoje. Os seus resultados foram apresentados na revista Nature Astronomy.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta \u00e9 uma oportunidade \u00fanica para aprender como a primeira luz do Universo emergiu da escurid\u00e3o&#8221;, disse a coautora professora Anastasia Fialkov, do Instituto de Astronomia de Cambridge. &#8220;A transi\u00e7\u00e3o de um Universo frio e escuro para um Universo repleto de estrelas \u00e9 uma hist\u00f3ria que estamos apenas a come\u00e7ar a compreender&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo das estrelas mais antigas do Universo depende do brilho t\u00e9nue do sinal de 21 cent\u00edmetros, um subtil sinal energ\u00e9tico de h\u00e1 mais de 13 mil milh\u00f5es de anos. Este sinal, influenciado pela radia\u00e7\u00e3o das estrelas primitivas e dos buracos negros, proporciona uma rara janela para a inf\u00e2ncia do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p>Fialkov lidera o grupo te\u00f3rico do REACH (Radio Experiment for the Analysis of Cosmic Hydrogen). REACH tamb\u00e9m d\u00e1 nome uma antena de r\u00e1dio e \u00e9 um dos dois grandes projetos que poder\u00e3o ajudar-nos a aprender mais sobre a Aurora C\u00f3smica e sobre a \u00c9poca da Reioniza\u00e7\u00e3o, quando as primeiras estrelas reionizaram \u00e1tomos de hidrog\u00e9nio neutro no Universo.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o REACH, que capta sinais de r\u00e1dio, ainda esteja na fase de calibra\u00e7\u00e3o, promete revelar dados sobre o in\u00edcio do Universo. Entretanto, o SKA (Square Kilometre Array) &#8211; um enorme conjunto de antenas em constru\u00e7\u00e3o &#8211; ir\u00e1 mapear as flutua\u00e7\u00f5es dos sinais c\u00f3smicos em vastas regi\u00f5es do c\u00e9u.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/6d\/59\/AQJughL6_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/6d\/59\/AQJughL6_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O radiotelesc\u00f3pio REACH.<br>Cr\u00e9dito: REACH<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Ambos os projetos s\u00e3o vitais para investigar as massas, luminosidades e distribui\u00e7\u00e3o das primeiras estrelas do Universo. No estudo atual, Fialkov &#8211; que tamb\u00e9m \u00e9 membro do SKA &#8211; e os seus colaboradores desenvolveram um modelo que faz previs\u00f5es para o sinal de 21 cent\u00edmetros, tanto para o REACH como para o SKA, e descobriram que o sinal \u00e9 sens\u00edvel \u00e0s massas das primeiras estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Somos o primeiro grupo a modelar de forma consistente a depend\u00eancia do sinal de 21 cent\u00edmetros das massas das primeiras estrelas, incluindo o impacto da luz estelar ultravioleta e das emiss\u00f5es de raios X de bin\u00e1rios de raios X produzidos quando as primeiras estrelas morrem&#8221;, disse Fialkov, que tamb\u00e9m \u00e9 membro do Instituto Kavli de Cosmologia em Cambridge. &#8220;Estes conhecimentos derivam de simula\u00e7\u00f5es que integram as condi\u00e7\u00f5es primordiais do Universo, tais como a composi\u00e7\u00e3o hidrog\u00e9nio-h\u00e9lio produzida pelo Big Bang&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao desenvolver o seu modelo te\u00f3rico, os investigadores estudaram a forma como o sinal de 21 cent\u00edmetros reage \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o da massa das primeiras estrelas, conhecidas como estrelas da Popula\u00e7\u00e3o III. Descobriram que os estudos anteriores tinham subestimado esta liga\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o tinham em conta o n\u00famero e o brilho dos bin\u00e1rios de raios X &#8211; sistemas bin\u00e1rios constitu\u00eddos por uma estrela normal e por uma estrela colapsada &#8211; entre as estrelas da Popula\u00e7\u00e3o III, e a forma como estes afetam o sinal de 21 cent\u00edmetros.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio dos telesc\u00f3pios \u00f3ticos, como o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb, que captam imagens v\u00edvidas, a radioastronomia baseia-se na an\u00e1lise estat\u00edstica de sinais t\u00e9nues. O REACH e o SKA n\u00e3o conseguir\u00e3o obter imagens de estrelas individuais, mas fornecer\u00e3o informa\u00e7\u00f5es sobre popula\u00e7\u00f5es inteiras de estrelas, sistemas bin\u00e1rios de raios X e gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 preciso um pouco de imagina\u00e7\u00e3o para ligar os dados de r\u00e1dio \u00e0 hist\u00f3ria das primeiras estrelas, mas as implica\u00e7\u00f5es s\u00e3o profundas&#8221;, disse Fialkov.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As previs\u00f5es que relatamos t\u00eam enormes implica\u00e7\u00f5es para a nossa compreens\u00e3o da natureza das primeiras estrelas do Universo&#8221;, disse o coautor Dr. Eloy de Lera Acedo, investigador principal do telesc\u00f3pio REACH e das atividades de desenvolvimento do SKA em Cambridge. &#8220;Mostramos evid\u00eancias de que os nossos radiotelesc\u00f3pios nos podem dizer pormenores sobre a massa dessas primeiras estrelas e como essas primeiras luzes podem ter sido muito diferentes das estrelas atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os radiotelesc\u00f3pios como o REACH prometem desvendar os mist\u00e9rios do Universo primitivo e estas previs\u00f5es s\u00e3o essenciais para orientar as observa\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio que estamos a fazer a partir do Karoo, na \u00c1frica do Sul&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.cam.ac.uk\/research\/news\/cosmic-signal-from-the-very-early-universe-will-help-astronomers-detect-the-first-stars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-025-02575-x\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Sinal de 21 cent\u00edmetros:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hydrogen_line\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Universo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Accelerating_expansion_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A expans\u00e3o acelerada do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Age_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Idade do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Reionization\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00c9poca da Reioniza\u00e7\u00e3o (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large-scale_structure_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Timeline_of_the_Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cronologia do Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lambda-CDM_model\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>REACH (Radio Experiment for the Analysis of Cosmic Hydrogen):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.reachtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.kicc.cam.ac.uk\/projects\/reach\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Kavli de Cosmologia, Cambridge<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>SKA (Square Kilometre Array):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.skatelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina internacional<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Square_Kilometre_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 muito importante compreender como o Universo passou da escurid\u00e3o para a luz com a forma\u00e7\u00e3o das primeiras estrelas e gal\u00e1xias, transi\u00e7\u00e3o esta uma viragem fundamental no desenvolvimento do Universo a que damos o nome Aurora C\u00f3smica. No entanto, mesmo com os telesc\u00f3pios mais potentes, n\u00e3o podemos observar diretamente estas primeiras estrelas, pelo que a determina\u00e7\u00e3o das suas propriedades \u00e9 um dos maiores desafios da astronomia.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8122,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62,1],"tags":[1931,1563,911],"class_list":["post-8121","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-cosmologia","category-telescopios-profissionais","tag-reach","tag-reionizacao","tag-ska"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8121","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8121"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8121\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8123,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8121\/revisions\/8123"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8122"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8121"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8121"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8121"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}