{"id":8115,"date":"2025-06-24T06:17:53","date_gmt":"2025-06-24T05:17:53","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8115"},"modified":"2025-06-24T06:17:54","modified_gmt":"2025-06-24T05:17:54","slug":"os-modelos-estavam-certos-astronomos-descobrem-materia-em-falta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/06\/24\/os-modelos-estavam-certos-astronomos-descobrem-materia-em-falta\/","title":{"rendered":"&#8220;Os modelos estavam certos&#8221;: astr\u00f3nomos descobrem mat\u00e9ria &#8220;em falta&#8221;"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2025\/06\/astronomers_discover_vast_filament_of_missing_matter_annotated\/26746949-1-eng-GB\/Astronomers_discover_vast_filament_of_missing_matter_annotated.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/XEI6Cr0n_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8116\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/XEI6Cr0n_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/XEI6Cr0n_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/XEI6Cr0n_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/XEI6Cr0n_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem mostra o novo filamento que liga quatro enxames de gal\u00e1xias: dois numa extremidade e dois na outra. Estes enxames s\u00e3o vis\u00edveis como pontos brilhantes na parte inferior e superior do filamento (quatro pontos brancos rodeados de cor). Entre estes pontos brilhantes estende-se uma faixa p\u00farpura manchada, que se destaca contra o c\u00e9u escuro circundante; este \u00e9 o filamento de g\u00e1s quente emissor de raios X que n\u00e3o tinha sido visto antes e que cont\u00e9m um peda\u00e7o de mat\u00e9ria &#8220;em falta&#8221;.<br>A faixa roxa inclui dados do Suzaku. Os astr\u00f3nomos foram capazes de identificar e remover quaisquer poss\u00edveis fontes &#8216;contaminantes&#8217; de raios X do filamento usando o XMM-Newton, deixando para tr\u00e1s um fio puro de mat\u00e9ria &#8216;em falta&#8217;. Estas fontes podem ser vistas aqui como pontos brilhantes, atravessados pela &#8211; e removidos da &#8211; emiss\u00e3o do filamento. <a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2025\/06\/astronomers_discover_vast_filament_of_missing_matter\/26746902-1-eng-GB\/Astronomers_discover_vast_filament_of_missing_matter.png\">Ver aqui a vers\u00e3o n\u00e3o legendada<\/a>.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/XMM-Newton e ISAS\/JAXA; reconhecimento &#8211; Migkas et al. (2025)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos descobriram um enorme filamento de g\u00e1s quente que liga quatro enxames de gal\u00e1xias. Com uma massa 10 vezes maior que a da nossa Gal\u00e1xia, o filamento poder\u00e1 conter alguma da mat\u00e9ria &#8220;em falta&#8221; no Universo, resolvendo um mist\u00e9rio de d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos utilizaram os telesc\u00f3pios espaciais de raios X XMM-Newton da ESA e Suzaku da JAXA para fazer a descoberta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais de um-ter\u00e7o da mat\u00e9ria &#8220;normal&#8221; do Universo local &#8211; o material vis\u00edvel que constitui as estrelas, os planetas, as gal\u00e1xias e a vida &#8211; est\u00e1 em falta. Ainda n\u00e3o foi vista, mas \u00e9 necess\u00e1ria para que os nossos modelos do cosmos funcionem corretamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses modelos sugerem que esta mat\u00e9ria elusiva pode existir em longas cadeias de g\u00e1s, ou filamentos, que ligam as zonas mais densas do espa\u00e7o. Apesar de j\u00e1 termos visto filamentos anteriormente, \u00e9 dif\u00edcil distinguir as suas propriedades; s\u00e3o tipicamente t\u00e9nues, tornando dif\u00edcil isolar a sua luz da de quaisquer gal\u00e1xias, buracos negros e outros objetos que se encontrem nas proximidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma nova investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 agora uma das primeiras a fazer isso mesmo, encontrando e caracterizando com precis\u00e3o um \u00fanico filamento de g\u00e1s quente que se estende entre quatro enxames de gal\u00e1xias no Universo pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Pela primeira vez, os nossos resultados correspondem exatamente ao que vemos no nosso modelo principal do cosmos &#8211; algo que nunca tinha acontecido antes&#8221;, diz o investigador principal Konstantinos Migkas do Observat\u00f3rio de Leiden, nos Pa\u00edses Baixos. &#8220;Parece que as simula\u00e7\u00f5es estavam certas desde o in\u00edcio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>XMM-Newton est\u00e1 a tratar do caso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com uma temperatura de mais de 10 milh\u00f5es de graus, o filamento cont\u00e9m cerca de 10 vezes a massa da Via L\u00e1ctea e liga quatro enxames de gal\u00e1xias: dois numa extremidade e dois na outra. Todos fazem parte do Superenxame de Shapley, um conjunto de mais de 8000 gal\u00e1xias que forma uma das estruturas mais massivas do Universo pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O filamento estende-se diagonalmente para longe de n\u00f3s atrav\u00e9s do superenxame ao longo de 23 milh\u00f5es de anos-luz, o equivalente a atravessar a Via L\u00e1ctea de ponta a ponta cerca de 230 vezes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Konstantinos e os seus colegas caracterizaram o filamento combinando observa\u00e7\u00f5es de raios X do XMM-Newton e do Suzaku, e analisando dados \u00f3ticos de v\u00e1rios outros.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2025\/06\/simulation_of_the_cosmic_web\/26746996-1-eng-GB\/Simulation_of_the_cosmic_web.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/42\/0e\/PdmADlz9_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem mostra uma simula\u00e7\u00e3o da &#8220;teia c\u00f3smica&#8221;, a vasta rede de filamentos que se estende por todo o Universo. Estrelas, gal\u00e1xias e enxames de gal\u00e1xias nascem nos n\u00f3s mais densos desta teia e permanecem ligados por vastos filamentos que se estendem por muitos milh\u00f5es de anos-luz. Estes filamentos s\u00e3o invis\u00edveis aos nossos olhos, mas podem ser descobertos por telesc\u00f3pios como o XMM-Newton da ESA.<br>A imagem centra-se num enxame de gal\u00e1xias. As cores transitam da esquerda para a direita, representando a densidade da mat\u00e9ria escura (\u00e0 esquerda, em azul-p\u00farpura) e a densidade do g\u00e1s (\u00e0 direita, em laranja-vermelho).<br>Cr\u00e9dito: ESA, Illustris<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dois telesc\u00f3pios de raios X foram parceiros ideais. O Suzaku mapeou a t\u00e9nue luz de raios X do filamento numa vasta regi\u00e3o do espa\u00e7o, enquanto o XMM-Newton identificou com grande precis\u00e3o fontes contaminantes de raios X &#8211; nomeadamente, buracos negros supermassivos &#8211; que se encontravam no interior do filamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Gra\u00e7as ao XMM-Newton pudemos identificar e remover estes contaminantes c\u00f3smicos, pelo que sab\u00edamos que est\u00e1vamos a olhar para o g\u00e1s no filamento e nada mais&#8221;, acrescenta o coautor Florian Pacaud da Universidade de Bona, Alemanha. &#8220;A nossa abordagem foi realmente bem-sucedida e revela que o filamento \u00e9 exatamente o que esper\u00e1vamos das nossas melhores simula\u00e7\u00f5es do Universo em grande escala&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>N\u00e3o verdadeiramente desaparecido<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m de revelar um enorme e nunca antes visto filamento de mat\u00e9ria que atravessa o cosmos pr\u00f3ximo, a descoberta mostra como algumas das estruturas mais densas e extremas do Universo &#8211; os enxames de gal\u00e1xias &#8211; est\u00e3o ligadas ao longo de dist\u00e2ncias colossais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m lan\u00e7a luz sobre a pr\u00f3pria natureza da &#8220;teia c\u00f3smica&#8221;, a vasta e invis\u00edvel teia de filamentos que est\u00e1 na base da estrutura de tudo o que vemos \u00e0 nossa volta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 um excelente exemplo de colabora\u00e7\u00e3o entre telesc\u00f3pios e cria uma nova refer\u00eancia sobre como detetar a luz proveniente dos filamentos t\u00e9nues da teia c\u00f3smica&#8221;, acrescenta Norbert Schartel, cientista do projeto XMM-Newton da ESA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Mais fundamentalmente, refor\u00e7a o nosso modelo padr\u00e3o do cosmos e valida d\u00e9cadas de simula\u00e7\u00f5es: parece que a mat\u00e9ria &#8216;em falta&#8217; pode estar realmente escondida em filamentos dif\u00edceis de ver, tecidos atrav\u00e9s do Universo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A miss\u00e3o Euclid da ESA tem como objetivo obter uma imagem precisa da teia c\u00f3smica. Lan\u00e7ada em 2023, a miss\u00e3o est\u00e1 a explorar a estrutura e a hist\u00f3ria desta teia. A miss\u00e3o est\u00e1 tamb\u00e9m a investigar a fundo a natureza da mat\u00e9ria escura e da energia escura &#8211; nenhuma das quais foi alguma vez observada, apesar de representarem uns impressionantes 95% do Universo &#8211; e a trabalhar com outros detetives do Universo escuro para resolver alguns dos maiores e mais antigos mist\u00e9rios c\u00f3smicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/XMM-Newton\/The_models_were_right_astronomers_find_missing_matter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2025\/06\/aa54944-25\/aa54944-25.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Filamentos gal\u00e1cticos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galaxy_filament\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xias:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Superenxame de Shapley:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Shapley_Supercluster\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Superenxame:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supercluster\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mat\u00e9ria escura:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_matter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Energia escura:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_Energy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio XMM-Newton:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/XMM-Newton\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/XMM-Newton\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Suzaku:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.isas.jaxa.jp\/missions\/spacecraft\/past\/suzaku.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JAXA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Suzaku_(satellite)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Euclid:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Euclid\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/euclid\/euclid-q1-data-release\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Euclid Quick Data Release 1 (ESA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Euclid_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/ESA_Euclid\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos descobriram um enorme filamento de g\u00e1s quente que liga quatro enxames de gal\u00e1xias. 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