{"id":8058,"date":"2025-06-03T06:21:51","date_gmt":"2025-06-03T05:21:51","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8058"},"modified":"2025-06-03T06:21:52","modified_gmt":"2025-06-03T05:21:52","slug":"ghost-espia-um-jupiter-ultraquente-com-ventos-ultrarapidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/06\/03\/ghost-espia-um-jupiter-ultraquente-com-ventos-ultrarapidos\/","title":{"rendered":"GHOST espia um J\u00fapiter ultraquente com ventos ultrar\u00e1pidos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/storage.noirlab.edu\/media\/archives\/images\/large\/hot-jupiter-eclipse.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"480\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/zYzbDqgI_o-1024x480.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8059\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/zYzbDqgI_o-1024x480.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/zYzbDqgI_o-300x141.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/zYzbDqgI_o-768x360.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/zYzbDqgI_o-1536x720.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/zYzbDqgI_o.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista do J\u00fapiter ultraquente HAT-P-70 b.\nCr\u00e9dito: Observat\u00f3rio Internacional Gemini\/NOIRLab\/NSF\/AURA\/J. Pollard<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos utilizou recentemente o GHOST, o novo espetr\u00f3grafo de alta resolu\u00e7\u00e3o do telesc\u00f3pio Gemini South, para observar um J\u00fapiter ultraquente &#8211; uma ant\u00edtese escaldante do planeta J\u00fapiter do nosso Sistema Solar. Este primeiro tr\u00e2nsito exoplanet\u00e1rio de alta resolu\u00e7\u00e3o observado pelo GHOST mostra a sua incr\u00edvel aptid\u00e3o para estudar a natureza 3D das atmosferas de mundos distantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na ca\u00e7a aos exoplanetas, muitos procuram mundos habit\u00e1veis. H\u00e1 conforto em descobrir planetas que nos fazem lembrar a nossa casa &#8211; aqueles que est\u00e3o a uma dist\u00e2ncia perfeita da sua estrela hospedeira, com oceanos de \u00e1gua a cobrir as suas superf\u00edcies e atmosferas respir\u00e1veis. Alguns astrof\u00edsicos, no entanto, est\u00e3o curiosos acerca de um tipo de exoplaneta completamente diferente: o trai\u00e7oeiro J\u00fapiter quente. Uma dessas cientistas \u00e9 Emily Deibert, bolseira do Gemini South no Chile, uma metade do Observat\u00f3rio Internacional Gemini.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O J\u00fapiter ultraquente chamado HAT-P-70 b foi o foco de um estudo recente realizado no Gemini South, liderado por Adam Langeveld, investigador assistente na Universidade John Hopkins, com uma equipa de astr\u00f3nomos incluindo Deibert. Os resultados deste estudo foram apresentados num artigo cient\u00edfico publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o da equipa utilizou um novo instrumento do telesc\u00f3pio Gemini South chamado GHOST (Gemini High-resolution Optical SpecTrograph). O GHOST \u00e9 um instrumento poderoso que tem a capacidade de observar uma vasta gama de comprimentos de onda em simult\u00e2neo. Pode tamb\u00e9m efetuar observa\u00e7\u00f5es com elevada efici\u00eancia e obter uma resolu\u00e7\u00e3o de classe mundial. Estas capacidades permitiram \u00e0 equipa penetrar profundamente na atmosfera de HAT-P-70 b, onde descobriram ventos que sopram a velocidades incr\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os J\u00fapiteres quentes s\u00e3o gigantes gasosos semelhantes ao nosso J\u00fapiter em tamanho, mas que diferem muito em termos de temperamento. Est\u00e3o muito mais pr\u00f3ximos das suas estrelas hospedeiras do que o nosso vizinho planet\u00e1rio, o que lhes confere propriedades f\u00edsicas notavelmente diferentes. Para ilustrar as suas dist\u00e2ncias, o nosso J\u00fapiter demora quase 12 anos a orbitar o Sol, enquanto os J\u00fapiteres quentes demoram 10 dias ou menos. Alguns foram mesmo observados a completar uma transla\u00e7\u00e3o em torno dos seus s\u00f3is em menos de um dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Orbitar a uma dist\u00e2ncia t\u00e3o pr\u00f3xima d\u00e1 a estes planetas temperaturas incrivelmente elevadas, da\u00ed o seu nome. Sofrem muitas vezes acoplamento de mar\u00e9, o que significa que t\u00eam um lado constantemente virado para a sua estrela, experienciando um &#8220;dia&#8221; extremamente quente, e um lado constantemente virado para longe da estrela, experienciando uma &#8220;noite&#8221; mais fria.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/storage.noirlab.edu\/media\/archives\/images\/large\/Emily-Diebert-GHOST-CC.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/f8\/17\/1ILei451_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Emily Deibert em frente do GHOST no Observat\u00f3rio Internacional Gemini.<br>Cr\u00e9dito: Observat\u00f3rio Internacional Gemini\/NOIRLab\/NSF\/AURA\/V. Chan<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HAT-P-70 b \u00e9 um planeta muito &#8220;inchado&#8221;, com um raio quase duas vezes superior ao de J\u00fapiter. Est\u00e1 t\u00e3o perto da sua estrela hospedeira que a sua \u00f3rbita \u00e9 de 2,7 dias terrestres e tem uma temperatura de cerca de 2300\u00b0 C, o que faz dele um dos planetas mais quentes conhecidos at\u00e9 \u00e0 data. As temperaturas extremas conferem a este J\u00fapiter ultraquente uma atmosfera ex\u00f3tica com um conjunto diversificado de \u00e1tomos e i\u00f5es met\u00e1licos e gasosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estas atmosferas ultraquentes s\u00e3o laborat\u00f3rios ideais para estudar exoplanetas a uma escala mais alargada devido \u00e0 fant\u00e1stica oportunidade de detetar e estudar m\u00faltiplas esp\u00e9cies qu\u00edmicas&#8221;, explica Langeveld. &#8220;Ao medir as quantidades de diferentes elementos &#8211; especialmente comparando elementos &#8216;rochosos&#8217; como o c\u00e1lcio e o ferro com elementos &#8216;gelados&#8217; como a \u00e1gua e o carbono &#8211; podemos aprender como se formaram e evolu\u00edram&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para estudar a atmosfera de HAT-P-70 b, a equipa observou o planeta em tr\u00e2nsito, ou a passar em frente da sua estrela hospedeira. \u00c0 medida que a luz da estrela atravessa a atmosfera do planeta, as subst\u00e2ncias qu\u00edmicas presentes na atmosfera agem como um filtro que absorve comprimentos de onda espec\u00edficos da luz. Usando espetroscopia &#8211; um m\u00e9todo de observa\u00e7\u00e3o em que a luz de um objeto \u00e9 espalhada num espetro &#8211; a equipa pode determinar quais os elementos existentes na atmosfera, identificando os padr\u00f5es de linhas de absor\u00e7\u00e3o que aparecem no espetro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na atmosfera de HAT-P-70 b, a equipa detetou assinaturas de c\u00e1lcio ionizado &#8211; uma forma gasosa e altamente energ\u00e9tica de c\u00e1lcio que s\u00f3 pode existir em ambientes de calor incrivelmente intenso. Descobriram que o sinal de c\u00e1lcio se estende por dezenas de milhares de quil\u00f3metros na atmosfera superior. Mas o mais importante \u00e9 que a incr\u00edvel sensibilidade do GHOST permitiu-lhes &#8220;resolver&#8221; o sinal de c\u00e1lcio no tempo. Isto significa que puderam seguir a forma como a absor\u00e7\u00e3o de c\u00e1lcio muda do lado diurno para o lado noturno do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deibert partilha a sua experi\u00eancia de an\u00e1lise atmosf\u00e9rica de HAT-P-70 b: &#8220;Fic\u00e1mos surpreendidos com a sensibilidade excecional do GHOST, que nos permitiu medir varia\u00e7\u00f5es m\u00ednimas nas linhas de absor\u00e7\u00e3o individuais do c\u00e1lcio ionizado, fornecendo assim informa\u00e7\u00e3o sobre diferentes regi\u00f5es da atmosfera. Este n\u00edvel de detalhe tem sido tradicionalmente dif\u00edcil de alcan\u00e7ar em estudos de exoplanetas, especialmente para linhas de absor\u00e7\u00e3o individuais em espetros de transmiss\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir destas observa\u00e7\u00f5es, a equipa determinou que HAT-P-70 b alberga ventos poderosos que viajam do escaldante lado diurno para o lado noturno mais frio a velocidades at\u00e9 18.000 quil\u00f3metros por hora. Tamb\u00e9m usaram os sinais detetados para inferir a massa do planeta, revelando que \u00e9 provavelmente muito mais leve do que se pensava anteriormente &#8211; um par\u00e2metro crucial para futuras compara\u00e7\u00f5es das atmosferas ultraquentes de J\u00fapiter.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este n\u00edvel de detalhe s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com os espetr\u00f3grafos mais avan\u00e7ados&#8221;, diz Langeveld, &#8220;tornando o GHOST um dos poucos instrumentos no mundo capaz de tais medi\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deibert acrescenta: &#8220;Este estudo mostra que o GHOST tem o potencial de dar grandes contribui\u00e7\u00f5es para o avan\u00e7o da nossa compreens\u00e3o da natureza 3D das atmosferas dos exoplanetas, para as quais ainda h\u00e1 muitas perguntas sem resposta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/noirlab.edu\/public\/blog\/ghost-spies-jupiter\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NOIRLab (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/adb70d\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>HAT-P-70 b:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/hat-p-70-b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetarchive.ipac.caltech.edu\/overview\/HAT-P-70\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ipac<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/hat_p_70_b--7122\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_nearest_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas mais pr\u00f3ximos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_candidates_for_liquid_water\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas candidatos a albergar \u00e1gua l\u00edquida (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanet.eu\/home\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Internacional Gemini:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.gemini.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gemini_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.gemini.edu\/instrumentation\/ghost\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GHOST (Gemini High-resolution Optical SpecTrograph)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos utilizou recentemente o GHOST, o novo espetr\u00f3grafo de alta resolu\u00e7\u00e3o do telesc\u00f3pio Gemini South, para observar um J\u00fapiter ultraquente &#8211; 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